Ter razão ou ser feliz? Que opção devemos escolher?

Imagem O motivo pelo qual resolvi escrever o que penso, vivo e sinto no WordPress foi porque, até certo ponto, perdi meu poder da comunicação falada. Nem sempre foi assim. Antigamente, minha retórica, era muito boa. Pelo menos eu pensava que era. Com o tempo, e pela facilidade da internet, comecei a elaborar muitos textos. Tento dar vazão às palavras que povoam a minha mente, mas não consigo falar.. Iniciei esta série de pequenas histórias baseadas no que realmente experimentei neste último ano, mudanças que pensei que tinham acontecido comigo foram o gatilho que me inspiraram a iniciar esta experiência de escrever mais frequentemente. Não tenho a pretensão de ser um escritor, nem um bom escritor, quero apenas entreter voce com histórias curiosas e que te ajudem em alguma coisa positiva.

Meu último post foi um relato verdadeiro do que vivi no domingo passado em família. Eu recebi alguns retornos interessantes, um deles, foi um texto de um conhecido amigo meu muito inteligente que escreveu uma resposta, não endereçada a mim, sobre as criticas feitas por aqueles que condenaram os atos execráveis que os “torcedores” uniformizados mostraram ao mundo.

Um dos pontos observados por ele, de forma muito clara, é sobre a função social destas torcidas. O que não deixa de ser verdade. Sim, são organizações muito bem intencionadas, ajudam em maior ou menor grau, instituições carentes, ONGs, lar de idosos e coisas do gênero.

Outro ponto abordado por ele, foi que não se sabe o que acontece dentro destas associações, que muitos sócios são pais de família. Acho que ele tem razão. Muitas vezes não sabemos mesmo o que se passa dentro destas instituições. Com certeza existem pais de família com boas ideias e boa vontade de fazer algo positivo ali.

Um outro ponto importante destacado por ele, foi o fato de quem critica as torcidas organizadas sem saber porque, nunca critica o governo pedindo mais saúde, mais segurança, mais justiça, mais educação… “Ninguém aqui reclama dos bandidos do governo que desviaram bilhões e estão respondendo processo em liberdade”, ele disse. É justamente neste ponto que ele mais me fez pensar.

Vamos começar do princípio: Nosso país foi descoberto supostamente no ano de 1500 pela fidalguia dominante da península Ibérica. Eles eram os grandes exploradores e navegadores portugueses. Eles vieram para essas terras, deitaram e rolaram, trouxeram gente indesejada do reino dourado para viver aqui definitivamente, enquanto eles iam e vinham levando daqui riquezas recém encontradas. Sim, antes de descerem por estas paragens, eles viviam uma vida boa na Europa. Viviam da exploração de suas colônias. Elas é que mantinham o “status quo” desses fidalgos. Com o tempo isso mudou.

Daqui, levaram tudo: ouro, madeira, pedras preciosas, entre outras coisas. O país foi divido em capitanias hereditárias, se me lembro bem das minhas aulas de história. Passaram uma linha dividindo as terras. Essas terras foram doadas a pessoas interessadas em cultivar e tomar conta delas para evitar invasões dos Holandeses, Franceses ou Ingleses. As capitanias foram dissolvidas, mas as terras continuaram a ser hereditárias. Vide hoje as terras, estados e latifúndios de alguns poucos donos. A América do Sul foi dominada pelos portugueses e espanhóis.

Com o tempo, viramos uma terra dominada por regimes autoritários, militares, de esquerda e de direita. Não é segredo para ninguem, mas temos uma grande vocação para termos líderes ditatoriais sanguinários, coronéis matadores nos rincões do noter e nordeste. Em contra partida, somos um povo calmo, submisso e servil. Precisamos de um pai que tome conta da gente. Nossa pobreza é cultivada como fruto da terra por essa gente. Somos alimentados pelos governos que se perpetuam no poder. Isso apenas atrasa a vida de gente de bem como eu e você, gente que trabalha duro para pagar seus impostos. Os governos até que tem boas intenções, apesar de estar infestado de pessoas corruptas e gananciosas. Não somos mais um pais pobre, definitivamente. É o que dizem e eu acredito nisso, nunca fomos pobres. Nós temos agora dinheiro para comprar TV de Led, Carro, Tablet, encher o carrinho no supermercado. Podemos alugar casa no litoral, levar a família e os amigos, colocar som potente no Gol bolinha, podemos ouvir funk ostentação em alto grau sem se importar com o vizinho. Ainda por cima, esperamos sentados que o governo nos de saúde, educação, segurança. Alias, queremos mesmo educação? Acho que sim. Recentemente tivemos uma série de manifestações espalhadas pelo país que não se realizaram somente e apenas pelos 20 centavos. Pois é, brigamos com o “papai”, mas ele continuou dando uma mesada razoável para “gente” e, ele, pela nossas costas, fica torrando a grana da “família” no boteco da esquina em jogos de azar, empresas falidas, fazendo negociações escusas e emprestando a empresários inescrupulosos.

Sou adepto do seguinte pensamento: O inferno está lotado de boas intenções. Infelizmente, como adolescentes mimados, não temos senso critico para realmente mudar o jogo. Para mudar este estado de coisas. Temos que ensinar os nossos filhos a pensar a vida neste país. Mas poucos de nós pensa verdadeiramente o país. Não temos como passar esse valor adiante. Não, nós não temos o direito de criar zumbis sociais, mas estamos criando. Ter coisas e não ser alguem, não dá frutos. Como cobrar um comportamento civilizado de pessoas que não são? As cenas que vimos na TV é o espelho do nosso banheiro que a gente olha todas as manhãs quando vamos nos barbear. Somos nós mesmos. Somos crias da fidalguia da península ibérica.

Por isso, o meu amigo tem razão, somos um povo de bunda moles, ainda usamos fraldas, precisamos crescer como sociedade livre e independente, mas para isso temos que assumir certas responsabilidades. Os poucos brigões das torcidas organizadas fazem aquilo por que gostam, fazem por vocação, fazem por não terem algo que realmente lhes valham a pena ter na vida, para preservar a vida que Deus deu a eles. São crianças que fazem “arte” e postam orgulhosamente o feito nas redes sociais. Se eles não entendem o que fazem, não são, e ser é ter. Infelizmente não foram corretamente formados na base.  Aprenderam a amar este tipo de adrenalina. Eles apenas amam o que fazem, e na minha lógica, deveriam se profissionalizar, como qualquer um que faz o que ama e brigar e se matar de forma também organizada. Quem ama o que faz não depende de ninguém, apenas de suas próprias decisões e responsabilidades. Deviam ser federados, entrar num coliseu, lutar até a morte patrocinados pela Caixa e entreter os que partilham da mesma fé. Afinal, quantas vezes você ficou vendo o “replay” da briga e rindo muito quando aquele torcedor caiu de costas nocauteado por um soco bem dado no queixo por seu oponente?

Aos poucos eles serão identificados e indiciados. Espero. E que sejam responsabilizados e punidos por agressão como em qualquer pais decente e que eles sejam felizes no destino que eles mesmos escolheram.

Que fique bem claro, eu aqui não quero ter razão, apenas quero ser feliz no meu próprio país.

Um horda sem cérebro. Faltou apenas o pão…

GladiadorSou fã do filme Gladiador. O filme é um retrato bastante fiel de como o ser humano funciona quando o assunto é diversão a todo custo. Para muitos, pode parecer brutal observar homens gigantes se degladiando até a morte em uma praça especialmente preparada para isso.  Os caras eram as celebridades da época. Se preparavam a vida toda. MMA para esses lutadores seria coisa de um borra botas sem fraldas.  Sou fã do filme, pois mostra que, mesmo um matador sanguinário, como um gladiador, tinha seus princípios, seus sonhos e seus valores. Tinha honra. Tinha hora e lugar para mostrar seu valor. Os gladiadores serviam aos seus senhores e buscavam sua liberdade. Os gladiadores que lutaram nestes jogos eram em sua maioria prisioneiros, escravos e criminosos que treinaram muito e bem em escolas como as que César havia construído, embora alguns desses lutadores eram pagos como profissionais, outros eram apenas voluntários. Alguns destes últimos se envolviam porque eles tinham dificuldades financeiras e esses eventos ofereciam generosos prêmios em dinheiro para os vencedores. Outros voluntários foram motivados pelo desafio físico e apelo de perigo ou a perspectiva de se tornar ídolos populares e símbolos sexuais que poderiam ter a sua escolha lindas jovens. Entre os slogans de grafite ainda rabiscadas nas paredes de Pompeia, a famosa cidade romana preservado sob uma camada de cinzas vulcânicas, são: “Caladus, o trácio, faz com que todas as meninas suspirem,” e “Crescente, o lutador, detém os corações dos todas as meninas. ”

Sou fã também de futebol. Ontem, durante um agradável domingo com a família, resolvi dar uma olhada na rodada do campeonato. Era a última rodada. Eu estava curioso com o que poderia acontecer com os grandes times escorregando para a segunda divisão.  Meu filho não gosta muito de futebol. Mas, eventualmente, ele mostra algum interesse, acho que para me ver feliz ou se sentir aceito. Eu estava sentado na cama dele, no mesmo ambiente meu irmão, alguns amigos do meu filho jogando figurinha no tapete. Estávamos, eu e meu irmão, distraidamente, falando do nosso time, reforços, política do clube, esperança em ver nosso time campeão no novo estádio. Num determinado instante meu filho me pergunta com os olhos assustados grudados na TV: – Papai, isso é de verdade? Olhei incrédulo as cenas brutais num close up digital em full HD. Homens se digladiando com uma fúria sem sentido e mórbida. Meu estômago revirou na mesma hora. Aqueles homens, alguns jovens, outros nem tanto, estavam ali para matar ou morrer. Ficamos incrédulos por 5 minutos, absortos pelas imagens surreais que o canal de esportes mostrava ao vivo. Quando a câmera mostrou um rapaz caído desacordado envolto em sangue, as crianças saíram do quarto apavoradas e correndo. Eu e meu irmão estávamos sem palavras. Esses brigões de bosta, alguns até bem barrigudos e outros em forma, caíram como um saco de merda após levarem um soco de um oponente mais magro. Não, esses bundas não receberão lindas mulheres como premio. Alguém duvida? Eles só funcionam em bando, como um monte de hienas prontas pra atacar a carniça que algum leão desavisado não tomou conta direito.

Não dá para comparar as cenas que presenciamos neste embate entre bandidos com os jogos dos Gladiadores dos Césares lá no Império Romano. Eles tinham seu código. Eles tinham sua honra. Sim, eram bandidos, tais quais os pretensos torcedores. Queriam aparecer para a plateia, como os loucos de ontem. Mas, diferentemente dos homens torcedores, os gladiadores não lutavam nas arquibancadas do Coliseu. Eles lutavam no gramado, lutavam entre eles até a morte. Não ameaçavam com seus punhos de aço ou com suas espadas afiadas os espectadores que estavam lá para aplaudir.

Acho que seria, mais prudente e lucrativo, que as confederações esportivas se unissem junto com os governos e criassem a CBG: Confederação Brasileira de Gladiadores onde, os torcedores organizados, poderiam, devidamente descamisados das cores que tanto defendem, claro, lutar até a morte. Tudo isso regado a muito pão e vinho para os espectadores. Que gritariam, viva!!! a cada um dos loucos abatidos. Os estádios para a copa do mundo de futebol poderiam ser adaptados com sistemas de drenagem para evitar acumulo de sangue no campo e alçapões de onde sairiam uma outra horda de homens sem cérebro, mas da mesma casta, munidos de armas feitas em casa e bombas caseiras para liquidar os últimos que sobrassem de pé e assim por diante até que sobrasse apenas um herói em campo para contar a historia à noite no programa:  Gladiadores em Debate na TV .

Voltando à realidade, esses idiotas não teriam coragem de se profissionalizar, não tem a honra necessária para tanto. São apenas o fruto de uma sociedade doente onde os valores corretos e princípios estão completamente destruídos. Onde o ter é tudo e o ser é nada.

Por isso, sou grato por meus filhos não gostarem tanto assim de futebol. Sim, definitivamente, depois de ontem, se meus meninos preferirem observar as estrelas do céu, com a luneta que meu pai me deu, ao invés de irem a um jogo de futebol, pelo menos saberei que eles estarão no céu sim, mas bem perto de mim, sorrindo quando observarem os anéis de Saturno, um dos seus planetas preferidos.

Ahh qual foi o resultado do jogo? Insanidade 1 x Bom Senso 0

Zeitgeist…

Imagem Zeitgeist – O espírito do tempo. Termo Alemão que define o estado de espírito de uma sociedade em seu tempo.

Fui apresentado ao Zeitgeist (por sinal muito interessante para quem é adepto das teorias das conspirações) esta semana e vi coisas difíceis de acreditar se você não tem a mente totalmente aberta para o novo. Foi nele que um velho ancião falou:

“A espiritualidade é um termo especifico que na verdade significa lidar com a sua intuição de maneira profunda. Na tradição teísta, há a noção de apego a um conceito bem definido. Um certo ato pode ser considerado como não aceitável para um princípio divino. Por outro lado, um outro certo ato pode ser considerado totalmente aceitável para o divino, não importa. Na tradição do não-teísmo, no entanto, é bastante claro e direto que os casos que aconteceram na história não são particularmente importantes. O que realmente é importante é “o aqui e o agora”. O agora é definitivamente “o agora”. Nós tentamos viver com o que está disponível aqui, neste momento. Não faz sentido pensar que existe um passado que poderíamos ter “agora”. Ele se foi. O real é isso que vivemos, é o agora. Este precioso momento. Nada místico, entenda, apenas o “agora”, muito simples, direto. E desse agora, contudo, emerge sempre um sentido de inteligência de que estamos constantemente em interação com a realidade, um por um, lugar por lugar, constantemente. Nós, na realidade, vivemos com uma fantástica precisão, constantemente.  Mas, de certa forma nos sentimos ameaçados pelo “agora”, e constantemente saltamos para o passado ou para o futuro. Vivemos prestando atenção aos bens materiais que existem em nossa vida, essa vida rica e segura que nós levamos. Todas as nossas escolhas tomam o seu devido lugar a todo momento, mas nenhuma delas é considerada boa ou má. Porque,  se todas as coisas que vivemos são experiências incondicionais, elas não vem com uma etiqueta dizendo: “Isto é bom” ou “isto é ruim”, mas nós simplesmente as vivemos e não damos a atenção devida de fato. Não nos damos conta que estamos indo de uma lado para outro, sem rumo. De certa forma, achamos isso bem entediante quando percebemos.  Na verdade estamos esperando pela morte. Este é o problema. O problema é o não confiar propriamente no “agora”. E aquilo que vivemos agora, possui muitas coisas poderosas. Isso é tão poderoso que somos incapazes de enfrentá-lo, consequentemente, temos que emprestar coisas do passado e convidar o futuro para enfeitar nosso presente a todo momento. E talvez seja por isso que procuramos a religião. Talvez seja por isso que protestamos pelas ruas. Talvez seja por isso que nós queixamos da nossa sociedade ou talvez seja por isso que votamos nos nossos presidentes. É bastante irônico. Na verdade muito engraçado…”

Deve ser por isso que, as vezes, nos sentimos assim. Somos uns tolos que tentam representar bem o papel no teatro da vida. Deve ser por isso que nos sentimos da forma como nos sentimos, algumas vezes, quando não conseguimos encontrar nosso lugar no palco da vida.

Zeitgeist: Muitas das teorias deste filme são facilmente refutadas por fatos históricos e muitas outras não tem fundamentos científicos sólidos. Outro fato é: Nada deveria nos surpreender quando o objetivo maior dos interessados  é manter o status quo, o poder e o dinheiro.

A difícil arte de envelhecer com dignidade.

geeting oldAs mãos não mentem a idade que tem. Percebi isso vendo uma pequena mancha crescer sorrateiramente em minhas mãos sobre uma veia saltada. Ainda imperceptível para muitos, ela dorme e acorda comigo, me avisando que o relógio biológico está a todo vapor. Vejo meus filhos crescerem rapidamente. O mais velho já saiu da primeira infância e experimenta os primeiros e difíceis passos de sua vida mais consciente. Logo, estará na puberdade. Diante de suas dificuldades iniciais com seus limites naturais, ele já percebeu que a finitude da vida é mais real do que ele pensava. Certo dia ele me perguntou sobre a morte. Ele foi direto:

– Papai, quanto tempo você vai viver? 100 anos? – perguntou ele com um sorriso maroto.

– Espero que sim, filho. –  respondi a ele e, em tom de brincadeira, eu disse:

– Um dia filho, eu troquei sua fralda, espero chegar aos 100 anos usando cuecas ainda. Talvez você me carregue no colo como eu te carrego hoje. Espero que não precise trocar minhas fraldas. Com certeza será divertido pra mim, mas nem tanto para você.

Descobri recentemente que tenho algo nas articulações. Algo que me faz perder células sadias constantemente, uma hoje, outra amanhã, e isso causa algumas dores indesejáveis nos dedos, nos quadris, nos joelhos. Nada que atrapalhe tocar piano ou digitar esse texto.

O que mais me incomoda na verdade é ver que meus heróis estão partindo, gente mais jovem que eu ou da minha idade, estão partindo naturalmente. Incomoda-me o fato de estar navegando pelo meu rio, que antes eram de águas tranquilas, mas agora percebo que a correnteza esta acelerando, esta cada vez mais rápida. Consigo ver a paisagem em volta, mas preciso de óculos para aproveitar melhor a vista. O corte no dedo cicatriza bem, mas não tão rápido quanto eu gostaria.

Faz alguns meses, eu resolvi intensificar meus treinos de corrida. Sabe como é, aumentar a longevidade. Tudo ia bem, até o momento crucial lá no parque, quando estava fazendo um treino intenso. Sim, senti uma dor esquisita nos quadris. “- Nada de mais”, pensei.  Só que isso não se cura da mesma forma tão fácil que antes. Eu sou o Nexus do Blade Runner: “- Time” – ele disse isso enfiando um prego na mão que insistia em se manter fechada por conta do envelhecimento rápido. Por isso, ele matou seu criador, mas deu a chance da vida ao Deckard salvando-o da queda no vazio. Afinal, o Nexus amava a vida mais que tudo.

Tudo isso assusta um pouco. Em um país onde envelhecer pode ser muito perigoso, fico pensando como enfrentar a ação inexorável do tempo. Tem gente, que por razões que não cabe a nós julgar, tenta resolver a casca. Entrega-se de corpo e alma ao Dr. Rey. Tudo bem, dá pra entender. Só que para mim não funcionaria. Eu até que engano bem. Tenho muito cabelo preto e poucos fios brancos na cabeça. Sorte genética.

Com mais de meio século de vida, descobri que a mente se mantém jovem. Eu me sinto com a mente de sempre, salvo alguns lapsos de lógica matemática ou palavras que sumiram das lembranças. Mas sabe o que é pior? É que eu ainda mantenho meus velhos vícios vivos, velhos medos. Amadurecer é entender que não é necessário correr tanto e sim rir mais de si mesmo, parece fácil, mas nem tanto diante de um mundo tão complexo em que vivemos.

Depois de mais de meio século, desacreditei em ETs e em outras bobagens, por sorte minha, e o pior, descobri que acho difícil demais falar e realmente fazer o que eu mesmo digo. É como dizia um velho amigo meu alemão:

“- It´s hard walk to talk Caesar.”

Foi ai que comecei a não ligar mais para o teatro da vida. Agora sei que representamos por medo de tanta coisa, principalmente por medo de não pertencer a algo. Mas não pertencemos mesmo, a não ser a nós mesmos. Depois de mais de meio século, descobri que às vezes precisamos manter algumas de nossas loucuras pessoais para tentar seguir em frente. A eternidade ficou na adolescência. Agora tenho a realidade dura e cruel pela frente.

Felizmente, não mudei tanto o quanto eu pensava. Sou o mesmo no âmago do meu ser. E isso é realmente bom. Ainda tenho meus velhos sonhos e valores aqui comigo. Ainda cometo tantos erros. Sou ainda um menino que quer tanto ser feliz. A dignidade de ser quem realmente somos de verdade é que devemos lutar para manter. Manter a nossa identidade e sanidade é mister, manter aquilo que realmente te faz feliz por dentro é tudo, mesmo que não tenhamos de fato vivido o que sonhamos.

Minhas escolhas me trouxeram até aqui com uma certa dignidade. Espero, que as escolhas que eu fizer a partir de agora, me ajudem a me manter perto do meu sonho, perto de quem amo, perto da minha família. Espero poder, um dia, olhar para trás e ver o meu rio da vida, longo e calmo, refletindo a luz do sol e mostrando que cada sinal, ruga no meu rosto, cabelo branco, dor, valeram pela luta e fez de cada segundo vivido a grande aventura real e maravilhosa que todos nós sonhamos viver neste mundo.