Mozart, Rocks!

mozart-manuscript“Dia de ira, aquele dia no qual os séculos irão se desfazer em cinzas, assim testificam Davi e Sibila. Quanto temor haverá então, quando o Juiz vier, Para julgar com rigor todas as coisas.” W. A. Mozart

Sou fascinado por Mozart. Principalmente pelo réquiem. Primeiramente por tocar profundamente minha alma. É a Luz verdadeira tocando meu coração. É o erudito, o profundo que te faz refletir sobre sua própria vida. O Kyrie é simplesmente sensacional, você sente a Luz bater direto na sua alma. Por outro lado, é puro rock, é visceral tal qual o metal. As bandas de Metal deveriam se inspirar mais em Mozart. (para os céticos ouçam a parte Dies irae e confiram, curtam a linha do contrabaixo e os violinos, ou Confutatis Maledictis com todo o peso das suas vozes).

De vez em quando, me atrevo a cantar no banheiro partes da Tuba Mirum, lá, no vapor do banho quente. O som da voz reverbera bem melhor no box do banheiro os meus tons graves pela manhã:

– Tuba mirum spargens sonum per sepulchra regionum, coget omnes ante thronum. (A trombeta poderosa espalha seu som pela região dos sepulcros, para juntar a todos diante do trono – “De Deus”.)

Réquiem é uma missa fúnebre do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, de 1791, sua última composição e talvez uma de suas melhores e mais famosas obras, não apenas pela música em si, mas também pelos debates em torno de até qual parte da obra foi preparada por Mozart antes de sua morte.

É uma celebração a morte e à vida. É fúnebre com todos os seus rituais. É uma celebração da morte como ritual de passagem. É uma missa completa como deveria ser todas as missas. É vida, pois te coloca novamente nos trilhos da fé, do amor e te dá esperança.

O réquiem de Mozart é , para mim, uma entidade de Luz. Uma fresta onde se pode ver um pedacinho do reino de Deus. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que ouviria o réquiem de Mozart com tanto prazer como agora. Acho que meu estado de espírito atual de felicidade me induz a esse sentimento bom. É música de velho, diziam meus amigos adolescentes quando eu ousava dizer que gostava disso. Tolos. Puro rock! Não me julguem por essa suposta heresia. Eu creio no rock puro e creio que ele venha de Deus, (noves fora algumas bobagens “demoníacas” de ateuzinhos tolos). Não só o erudito. Eu creio que todas as musicas BOAS e que tocam seu coração verdadeiramente, que te fazem sonhar com algo grandioso, que potencialize seu ser, nem que o grandioso seja tocar “air guitar” 😉 venham de Deus.

Tudo bem, temos as músicas ruins. As piruás da deliciosa panela de pipoca que degustamos no cinema, felizes da vida. Ouvir Mozart compensa as duras piruás que temos que encarar pela vida. Agora, como fazer todos curtirem uma deliciosa pipoca, se quase todos querem comer só as piruás a vida toda?

Ouvir o Réquiem nos coloca no devido lugar neste mundo de Deus. Nada somos se não temos grandeza interior, mas não viveremos eternamente e, por isso, tantos temem o encontro com a Luz. Temor sim, pois sabemos da nossa responsabilidade como seres de LUZ e nada fazemos, apenas nos afundamos cada vez mais em nossa prepotência como seres que pensam ser deuses. Não estamos ainda preparados para a LUZ apesar de tantos avisos. Aliás, somos como adolescentes mimados com medo de crescer. Somos selvagens ainda tentando entender o sentido de nossas vidas. Ainda somos os selvagens que corrompem, maculam e bebem o sangue de seus semelhantes por um punhado de pequenos desejos satisfeitos, promessas vazias e esquemas ilusórios.

É como dizia o Aborto Elétrico em Fátima nos lindos anos 80: “E vocês armam seus esquemas ilusórios, Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez, Mas acontece que tudo tem começo, E se começa, um dia acaba, eu tenho pena de vocês”.

Profeticamente Mozart escreveu: Mors stupebit et natura, cum resurget creatura, judicanti responsura. Liber scriptus proferetur, in quo totum continetur, unde mundus judicetur. ( A morte e a natureza se espantarão com as criaturas que ressurgem, para responderem ao juízo). Aprendi recentemente que não há julgamento pior do que ter a verdade revelada depois que nada mais se possa fazer para arrumar ou corrigir os erros cometidos. A verdade é que você é o único responsável pelo mundo maluco em que vive e o único responsável por corrigi-lo. A única forma de sair disso, é tentar o auto perdão e o perdão ao próximo aqui e agora. Claro, isso se você tiver sorte de entender o que é isso, e dependendo do que faz nesta vida, talvez perceba a verdade no último segundo. Sim, a Luz é piedosa. Mas lembre-se: Não existe almoço grátis. Você terá que trabalhar muito. Na verdade, todo mundo ainda terá que trabalhar muito para merecer a Luz.

A Luz inspira, então, relaxe e inspire-se com o está escrito aqui: Agnus Dei, Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiem. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiemsempiternam. Lux aeterna luceat eis, Domine, cum sanctis in aeternum, quiapius es. Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis.*
Salve-se. Aprenda a ouvir e a ver as obras deixadas pelos grandes mestres da Luz que passaram por este mundo e dos que ainda estão por aqui. Tire lições delas. Pare de degustar as indigestas piruás da vida. Afinal, enfiar coisas na sua cachola que só servem para iluminar de maneira fugaz o seu mundo, e por apenas uma fração de segundo, não servem definitivamente para iluminar seu longo caminho pela eternidade. Ahhh não tenham medo da LUZ, afinal todos voltamos para Ela um dia.
* Cordeiro de Deus, Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso. Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso eterno. Que a Luz eterna os ilumine, Senhor, Com os teus santos pela eternidade: pois és piedoso.
Agora para facilitar a sua salvação, vejam e ouçam Réquiem de Mozart aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=q5Y2B55nKZY
Enjoy!!! 🙂 🙂
* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.
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2 comentários sobre “Mozart, Rocks!

  1. Ligia Renuncio março 13, 2015 / 1:49 pm

    Oi Cesar!
    Comecei lendo o teu relato da varanda gourmet e agora estou aqui “folheando” o teu blog. Cheio de coisas lindas! Eu sou velha também, roqueira que descobriu as guitarras pela mão de sir Brian May do Queen e que, por isso, sempre acho que música erudita e metal tem tudo a ver. Assim que fui do rock para o melódico, do melódico para o progressivo, do progressivo a única saída era voltar para Bach e Beethoven. Hoje eu ando velha demais para multidões, então não tenho mais ido a shows de rock (e bastante saudosista para achar que não se fazem mais rock´n´rios como em 85…) então passo meus domingos no Guaíra, aqui em Curitiba, ouvindo as maravilhas que a Orquestra Sinfônica do Paraná oferece, a módicos 10 reais de entrada, quase todo fim de semana. Eu lembro que a primeira vez que vi uma orquestra tocar, o pensamento que me inundava era esse teu. Alguma coisa divina existia dentro desse compositor e dentro desses meninos que são dotados do exato mesmo cérebro que eu possuo, mas que sabem falar a língua das estrelas enquanto eu só ouço, embasbacada… e dessa idéia, claro, eu fui descendo das nuvens e pensando que é o exato mesmo cérebro que possuem aqueles que vivem na droga, que só escutam funk e calipso, que assistem novela da globo, que leem só porcaria, que matam, estupram, que maltratam velhos e crianças. Que caçam animais indefesos, que chutam cachorro de rua. Que se rebaixam no que há de mais monstruoso dentro do ser humano… e fiquei pensando em por quê, meu Deus, existem muitíssimos mais desses do que Mozarts. E no mundo que nossos filhos e netos vão herdando, cada vez mais pobre, cada vez mais feio, cada vez menos Villas Lobos e mais mc´s e pancadões… Talvez as boas almas iluminadas e os mestres de Luz estejam mesmo evoluindo e nos abandonando. Parece lógico. E aí a última pergunta que demanda resposta é porque, então, nós, eu e você, nossos filhos, nossas famílias, porque estamos exatamente no mesmo mundo que assassinos e ladrões?
    Isso para mim é a música clássica. Uma lembrança de casa. Aquela casa lá em cima. Uma saudade. E um lembrete que, dentro de mim, alguma coisa ainda deve estar no mesmo nível do que há de pior por aqui, então vamos evoluir, vamos melhorar, vamos correr atrás do tempo perdido.

    • Cesar Manieri março 14, 2015 / 12:44 am

      Que lindo comentário… emocionante! OBRIGADO de coração… Ligia 🙂

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