Selfies? O minha foto não diz quem sou…

cropped-FB_IMG_1512959068449Eu, em dezembro de 2017.

Nasci em Sampa e ouvi muito Roberto Carlos por influência do meu pai. Fui em parques de diversões nos anos 70 e ouvia Paulo Sergio e adorava. Curti punk rock, fui careca, black power, bicho grilo da MPB e pianista erudito tudo ao mesmo tempo. Toquei em várias bandas, toquei na TV e no rádio. Toquei em um show com 3 mil pessoas e numa pizzaria ao lado do banheiro feminino, gravei discos.

Com 8 anos cai de uma laje me achando o Super Homem.  Fumei, mas não traguei só pra impressionar. Nos anos 80, corri de homens enfurecidos por ter beijado as namoradas deles. Estudei música e me formei ao lado de 15 lindas mulheres. Cantei em um coral com elas. Eu era o “bendito ao fruto” e ficava vermelho quando ouvia isso. Fui o Tio Barnabé no teatro me pintando com uma rolha queimada.

Fui no Rock in Rio em 1985. Tive um Juno 106. Já morei em Floripa, Munique, Erlangen, rodei o mundo e acabei congelado no topo da Europa. Abracei o Raul Gil e surfei uma onda incrível e quase morri afogado. Tive cálculos renais e ai sim quase morri. Fui tocar no Sílvio Santos e no João Kleber; vi o Palmeiras ganhar títulos em cima do Corinthians e ganhar a Libertadores, em compensação perdi algumas namoradas por isso.

Fiz palestras na Europa e criei a primeira placa MIDI MSX/IBM/Apple nos anos 80. Em 1978 tomei uma latinha de cerveja e fiquei bêbado pela primeira e última vez;  já toquei cavaquinho. Cuspi lá de cima da Golden Gate, mas não da Torre Eiffel, somente por falta de grana. Como músico, errei muitas vezes e fui expulso de uma banda e também fui expulso de uma igreja por causa de grana, ganhei troféu como músico, bati a Brasília do meu pai, gravei um disco em inglês, andei de moto e, por sorte, nunca cai. Virei produtor musical e pedi perdão por isso, mas mudei de ideia e não me arrependi.

Carreguei no colo e na alça quatro mortos muito amados, toquei teclado com meus irmãos em shows memoráveis, pelo menos pra mim. Fui rato de praia em Balneário Comburiu. Certa vez perdoei alguém, e tenho certeza que fui perdoado também. Quis ser astronauta e astrônomo. Amei profundamente, chorei, amei de novo e sorri, fui dono de um Fiat 147 vermelho que sofreu demais na minha mão e eu na mão dele, inclusive fiz um Rally Universitário com esse possante. Foi legal, mas depois, nem tanto.

Tive estúdio, já fiz 5 faculdades que me deixaram com um baita  medo da vida, mas cheio de esperança,  então arrumei empregos e me dei bem, mas fui demitido também, montei empresas e fali, criei robôs e fui um pouco famoso no que fiz, virei fotografo amador e fotografei gente linda e gente feia mais linda ainda.

Fiz amigos eternos, já chorei vendo filme e ouvindo música, amei mais uma vez e fiz 2 filhos que me ensinaram o sentido da vida, escrevi algumas músicas, um livro e plantei muitas árvores. Estou escrevendo uma novela que pode virar romance. Ainda sofro pelas próprias burradas cometidas, mas aos poucos vou aprendendo a rir de mim mesmo.

Tenho uma mulher incrível ao meu lado, um ser iluminado me ajudando nesta terra a ensinar outras pessoas a olhar o mundo como ele realmente é. Nos últimos anos ensino jovens a entenderem, astronomia, gramática, matemática, física, química e biologia e principalmente a si mesmos. E assim continuo vivendo, e continuo aprendendo… aprendendo…

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

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