Selfies?

Selfie

Nasci em Sampa e ouvi muito Roberto Carlos por influência do meu pai. Fui em parques de diversões nos anos 70 e ouvia Paulo Sergio e adorava. Curti punk rock, fui careca, black power, bicho grilo e pianista erudito tudo ao mesmo tempo. Toquei em várias bandas, toquei na TV e no rádio. Toquei em um show com 3 mil pessoas e numa pizzaria ao lado do banheiro, gravei discos. Com 8 anos cai de uma laje me achando o Super Homem.  Fumei, mas não traguei só pra impressionar. Nos anos 80, corri de homens enfurecidos por ter beijado as namoradas deles. Estudei música ao lado de 15 lindas mulheres. Cantei em um coral com elas. Eu era o “bendito ao fruto” e ficava vermelho quando ouvia isso. Fui o Tio Barnabé no teatro me pintando com uma rolha queimada. Fui no Rock in Rio em 1985. Tive um Juno 106. Já morei em Floripa, Munique, Erlangen, rodei o mundo e acabei congelado no topo da Europa. Abracei o Raul Gil e surfei uma onda incrível e quase morri afogado. Tive cálculos renais e ai sim quase morri. Fui tocar no Sílvio Santos e no João Kleber; vi o Palmeiras ganhar títulos em cima do Corinthians e ganhar a Libertadores, em compensação perdi algumas namoradas por isso. Fiz palestras na Europa e criei a primeira placa MIDI MSX/IBM/Apple nos anos 80. Em 1978 tomei uma latinha de cerveja e fiquei bêbado pela primeira e última vez;  já toquei cavaquinho. Cuspi lá de cima da Golden Gate, mas não da Torre Eiffel por falta de grana. Como músico, errei muitas vezes e fui expulso de uma banda e também fui expulso de uma igreja por causa de grana, ganhei troféu como músico, bati a Brasília do meu pai, gravei um disco em inglês, andei de moto e, por sorte, nunca cai. Virei produtor musical e pedi perdão por isso, mas mudei de ideia e não me arrependi. Carreguei no colo e na alça quatro mortos muito amados, toquei teclado com meus irmãos em shows memoráveis, pelo menos pra mim. Fui rato de praia em Balneário Camburiu. Certa vez perdoei alguém, e tenho certeza que fui perdoado também. Quis ser astronauta e astrônomo. Amei profundamente, chorei, amei de novo e sorri, fui dono de um Fiat 147 vermelho que sofreu demais na minha mão e eu na mão dele, inclusive fiz um Rally Universitário com esse possante. Foi legal, mas depois, nem tanto. Tive estúdio, já fiz 3 faculdades que me deixaram com um baita  medo da vida, mas cheio de esperança,  então arrumei empregos e me dei bem, mas fui demitido também, montei empresas e fali, criei robôs e fui um pouco famoso no que fiz, virei fotografo amador e fotografei gente linda e gente feia mais linda ainda. Fiz amigos eternos, já chorei vendo filme e ouvindo música, amei mais uma vez e fiz 2 filhos que me ensinaram o sentido da vida, escrevi algumas músicas, um livro e plantei muitas árvores. Estou escrevendo uma novela que pode virar romance. Ainda sofro pelas próprias burradas cometidas, mas aos poucos vou aprendendo a rir de mim mesmo. Tenho uma mulher incrível ao meu lado, um ser iluminado me ajudando nesta terra a ensinar outras pessoas a olhar o mundo como ele realmente é. Nos últimos anos ensino jovens a entenderem, astronomia, gramática, matemática, física, química e biologia e principalmente a si mesmos. E assim continuo vivendo, e continuo aprendendo… aprendendo…