Como ser um conservador…

533799_como-ser-um-conservador-697640_L2A leitura de grandes livros e autores é um dos meus passatempos prediletos. Neste domingo, em visita a uma livraria de um grande shopping, me deparei com um livro com o titulo “Como ser um conservador” de Roger Scruton. Por estarmos em um momento politico social onde valores tradicionais e a relativização esquerdista estão dominando a vida dos brasileiros, decidi comprar livro sem pestanejar. Logo no prefácio o autor me impressiona com sua clareza em explicar o temperamento das pessoas dito “conservadoras”. Essa palavra “maldita” que ultimamente tem sido alvo de muitos ataques infundados. Fiquei aliviado em saber que meus sentimentos em querer conservar as coisas admiráveis que a civilização judaico-cristã ocidental deixou para nós como um legado não são tão solitários quanto eu pensava. É como o autor nos revela quando diz que: “O conservadorismo nasce de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: A consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas.” e foi isso me encantou e foi essa afirmação que me fisgou imediatamente.

Uma das lições que estou aprendendo nesta leitura é que, me descobrindo um conservador, percebi que levo certa desvantagem quando se trata da opinião pública. Tenho uma posição e pensamentos verdadeiros, mas que chateia muita gente; mas a posição dos meus antagonistas progressistas é maravilhosamente excitante a todos, mas falsa. E isso o autor explica de forma magistral.

Eu como conservador, ando perdendo de forma geral, muitas coisas admiráveis. Por isso, tive que passar por um luto impensado nos últimos 3 anos tentando , desesperadamente, digerir essas perdas. Depois deste processo, me movo calma e silenciosamente pela vida procurando pessoas que, como eu, vivem sob a pressão para esconder o que são justamente por medo da exclusão total por conta do establishment da esquerda. Agora sei (como diz o autor) que, pelas escolhas que fiz nos últimos anos, minha vida tem se tornado mais interessante do que eu pretendia que fosse.

Para quem gosta  de uma boa leitura, ou ainda tem dúvida sobre seu viés político nos confusos dias atuais, recomendo 100% este livro: Como ser um conservador – Roger Scruton – Editora Record.

O mal, neste mundo, provém do pecado, e não da desigualdade de renda nem das mudanças climáticas

5950816151_351f96ba7dA doutora Anca-Maria Cernea, uma médica do Center for Diagnosis and Treatment – Victor Babes (Centro de Diagnóstico e Tratamento – Victor Babes) e Presidente da Associação dos Médicos Católicos de Bucareste (Romênia), apresentou ao sínodo, no dia 16 de outubro, o seguinte apelo ao Papa Francisco e aos padres sinodais:

– Santidade, Padres sinodais, irmãos e irmãs, Eu represento a Associação dos Médicos Católicos de Bucareste.  Pertenço à Igreja Grego-Católica Romena. Meu pai era um líder político cristão que foi preso pelos comunistas por 17 anos. Meus pais estavam noivos, prestes a se casar, mas o casamento deles ocorreu 17 anos depois. Minha mãe esperou por meu pai por todos esses anos, mesmo sem saber se ainda estava vivo. Foram heroicamente fiéis a Deus e ao compromisso deles. O exemplo deles mostra que, com a Graça de Deus, se podem superar terríveis dificuldades sociais e a pobreza material. Nós como médicos católicos, em defesa da vida e da família, podemos ver que, antes de tudo, se trata realmente de uma batalha espiritual. A pobreza material e o consumismo não são as causas principais da crise da família. A causa principal da revolução sexual e cultural é ideológica. Nossa Senhora de Fátima disse que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo. Isso aconteceu primeiro com a violência: o marxismo clássico matou dezenas de milhões de pessoas. Agora acontece, sobretudo, com o marxismo cultural. Há uma continuidade entre a revolução sexual de Lenin, passando por Gramsci e a Escola de Frankfurt, até à hodierna defesa ideológica dos “direitos” dos gays. O marxismo clássico pretendia redesenhar a sociedade, através da violenta apropriação dos bens.  Agora, a revolução vai ainda mais a fundo: pretende redefinir a família, a identidade sexual e a natureza humana. Essa ideologia se autodenomina “progressista”. Mas nada mais é do que a oferta da antiga serpente ao homem no sentido de assumir o controle, de substituir Deus, de organizar a Salvação aqui, neste mundo. É um erro de natureza religiosa: é o gnosticismo. É tarefa dos pastores reconhecê-lo, e alertar o rebanho contra este perigo. “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33). A missão da Igreja é a de salvar as almas. O mal, neste mundo, provém do pecado, e não da desigualdade de renda nem das “mudanças climáticas”. A solução é a Evangelização, a conversão.  Não pode ser (a solução) um sempre crescente controle do governo. Não pode ser nem mesmo um governo mundial. São exatamente estes, hoje, os principais atores que impõem o marxismo cultural nas nossas nações, através do controle da população, a “saúde reprodutiva”, os “direitos” dos homossexuais, a educação de gênero etc. O que o mundo precisa hoje mais do que nunca, não é a limitação da liberdade, mas a verdadeira liberdade: a libertação do pecado. A Salvação. A nossa Igreja foi suprimida pela ocupação soviética [refere-se à história da Romênia, em particular, mas quem quiser ler mais do que isso, não está errado! NdT]. Mas nenhum dos nossos doze bispos traiu a comunhão com o Santo Padre. A nossa Igreja tem sobrevivido graças à determinação e ao exemplo dos nossos bispos, os quais têm resistido ao cárcere e ao terror. Os nossos bispos pediram à comunidade para não seguir o mundo, para não cooperar com os comunistas.  Agora precisamos que Roma diga ao mundo:  “Arrependei-vos de vossos pecados e convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”. Não só nós, os leigos católicos, mas também muitos cristãos ortodoxos rezaram com ansiedade por este sínodo, pois, como se diz, se a Igreja Católica cede ao espírito do mundo, então é muito difícil também para todos os outros cristãos resistir.

O que vocês socialistas e comunistas precisam entender é..

communist-friend-featured-672x372… que este mundo nunca será perfeito por conta de sua própria natureza. Que a vida jamais será algo em que todos os terráqueos serão igualmente reconhecidos, recompensados. Não dá pra ficar mimando, para sempre, os seres portadores de coitadismos ou vitimismos só pela suas diferenças sociais que eles acham que tem. Não adianta, senhores, esperar dos homens deste mundo este tipo de vida totalmente igualitária. O mundo que vocês têm em sua mente é de mentirinha. O nosso mundo real não foi criado para isso.

Ora, cada ser humano tem seus desejos e vontades. Cada ser humano tem seus vícios e prazeres e cada um deveria saber o que é certo e errado para seguir em frente em querer realizar seus mais profundos desejos vis. Vocês deveriam saber que para cada escolha um resultado é produzido e que somos responsáveis pelo que escolhemos, desejamos e realizamos e não pelo que simplesmente cativamos.(Coisa que nem isso vocês fazem direito).

Sim, é verdade, todos nós desejamos possuir bens, eu, vocês, todo mundo. Sejam quais bens forem. O que é preciso entender é que os bens que tem valor intrínseco para alguns, pode não ter para outros. Mas o que não podemos negar é que todos nós sabemos que os bens em geral estão, claramente, divididos em classes de valorização e que basicamente são as seguintes:

Bens valiosos: São aqueles que são desejados não apenas por sua própria causa, mas também porque aumentam o valor intrínseco de quem os possuir. Por exemplo: Conhecimento, virtude e saúde são bens valiosos.

Bens úteis: São aqueles que são desejados porque permitem que alguém adquira bens valiosos. Por exemplo: alimento, remédio, dinheiro, ferramentas e livros são bens úteis

Bens aprazíveis: São aqueles que são desejados por si mesmos em função da satisfação que dão a quem os possuir. Por exemplo: felicidade, uma reputação honrada, prestigio social, flores e comida saborosa são bens aprazíveis. Eles em nada acrescentam ao valor intrínseco do possuidor nem são desejados como meios, ainda que possam estar associados a bens valiosos ou úteis. Por exemplo, o conhecimento, que acrescenta valor, pode ao mesmo tempo ser prazeroso; sorvete, que é um alimento nutritivo e, portanto, promove saúde, é, ao mesmo tempo agradável.

Mas para vocês, bens como o dinheiro e prestigio social é apenas um meio para chegar aonde querem: Ao poder.

Todavia, para se adquirir estes bens, é necessário ir às artes utilitárias (aprender os ofícios, profissões, o trabalho de verdade),que permitem que alguém seja um servidor – de outra pessoa, até do Estado, ou de uma corporação, que tenha uma profissão – e que GANHE A VIDA honestamente. Saber as artes da gramática, retórica e lógica, além das profissões, em contraste, ensinam a viver, treinam as faculdades mentais e as aperfeiçoam, nos deixam mais inteligentes; permitem a uma pessoa elevar-se acima de seu ambiente material para viver uma vida intelectual, uma vida racional e, portanto, uma vida livre para adquirir a verdade. Jesus Cristo disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8,32).

Mas isso não lhes interessa. Interessa discursar para um bando de imbecis em uma universidade publica. Por isso, ver gente como vocês, (inclusive os que te aplaudem), com esse discurso tacanho, com seu desejo apenas pelo poder e pelo dinheiro e que não entendem nada sobre bens valiosos, úteis e aprazíveis, e ver, ainda por cima, essa gente (como um borra botas como Mauro Iasi) ameaçar de morte outros que, como eu, querem adquirir bens valiosos, me enoja.

Eu sou um desses homens, que vocês querem mandar para o fuzilamento, pessoas que tem o desejo de serem livres para buscar a verdade. Não queremos a mentira Gramsciana que vocês citam com orgulho e que escraviza e vem matando, física, intelectual e moralmente, os homens livres, esses mesmos homens que, como eu, querem conservar o saber, a cultura ocidental e a verdade real divina.

Por isso, penso que acertei quando criei uma escola que quer “transformar crianças e jovens em homens livres por meio de livros e comparações experimentais.” Quero deixá-los alertas para a desonestidade intelectual imposta pelo seu pensamento marxista socialista, comunista e lulopetista (no Brasil) ao longo do séc. XX e XXI. Quero meus alunos longe desse antro que são as universidade publicas brasileiras que parecem dominadas por acéfalos como os senhores.

Senhores da bandeira vermelha, da foice e do martelo, a verdadeira educação os assusta não é mesmo? Sim, pois ela liberta verdadeiramente o ser, mas isso não os intimida né? Claro que não, pois essa conversa não é mais de cunho ideológico, mas é uma discussão sobre a sua profissão de fé religiosa e aqui não cabe a lógica, nem a retórica, ne a boa gramática, é apenas uma simples questão de fé, só isso. Eu sei que vocês estão seguros do bom trabalho de destruição de valores através da cultura da morte que vocês vêm propagandeando há quase cem anos, eu sei também que nós conservadores nos perdemos no meio do caminho, sim, temos muito ainda que fazer como: reaprender a reagir, resgatar valores e muito ainda a fazer no campo das ciências (conhecimento) e das artes liberais (o fazer em si).

Mas, eu, pelo menos não estou mais dormindo no ponto. Eu acordei. O que eu estou empreendendo agora é apenas lançando as sementes que darão o conhecimento claro de determinados preceitos às futuras gerações, para que meus futuros alunos, quando maduros, saibam diferenciar por que certas formas de expressão ou de pensamento estão certas ou erradas. Esses alunos aprenderão a ler, redigir, falar e ouvir, mas principalmente irão aprender a pensar e a se comunicar. Irão dominar amplamente essas artes e as belas artes. Aprenderão a discordar e a refutar suas falácias e discursos ilusórios através da lógica e da retórica, mesmo que vocês não entendam disso. Um dia eles serão a maioria. Dominarão as universidades. Eles serão os futuros guerreiros desta guerra cultural imposta por vocês desde a Escola de Frankfurt. Serão os futuros guardiões da liberdade duramente conquistada por nossos antepassados e que não está e nem será perdida. Essa mesma liberdade que vocês usurparam e agora a usam para tentar escravizar seus antagonistas novamente.

Se a guerra ainda é cultural, felizmente ainda podemos travá-las com livros e não com as velhas e boas armas, que, diga-se de passagem, são inegavelmente muito úteis neste processo de defesa de nossa civilização. Penso que, desta forma, através dos livros, se levará algumas décadas para reconstruir o pensamento filosófico grego, a alta cultura, a noção do direito romano e a fé cristã que sumiram deste país por causa do trabalho sujo que vocês empreenderam nas universidades do país.

E não foi isso o que os senhores fizeram durante anos? Lembram-se, ficaram “brabinhos” no começo e lutaram com armas matando milhões? E, pacientemente, (levaram décadas), mas aprenderam a distorcer o pilares da civilização ocidental? Criaram seu deus Marx, junto com todos os seus discípulos e os profetas Engels e Gramsci, em seu pretenso paraíso terreno? Vejo que muito de seus militantes de fé cega, desesperados, ainda pensam e disparar balas e em dar pás para que os homens de bem cavem suas próprias covas para alocar os corpos deles mesmos que querem conservar os pilares da civilização ocidental, assim com fez Che. Ainda por cima, inteligentemente desarmaram covardemente as populações para subjugá-las em caso de problemas, caso algo desse errado com sua doutrina mentirosa e vil? Ora, como vai ser isso agora? Serão mais alguns milhões de mortos pela “causa”?

Perceberam, seus tolos, por que prezamos em manter os bens valiosos em nossos corações? Porque são esses os únicos bens que podemos levar conosco depois que deixarmos este mundo e que também ficarão aqui nos corações dos homens de bem. É o legado que passamos de pai para filho através da família natural. Por isso, vou viver, amar, ensinar e assim deixarei este legado para as futuras gerações. Um legado onde alguns jamais se deixarão enganar pelo doce canto da sereia que vocês e seus asseclas aprenderam a cantar e a oferecer aos pobres corações desesperados dos seres humanos cegos pelo ter, que, como crianças inocentes, aceitam humildemente um doce das mãos de pessoas canalhas e abjetas como vocês.

Dia 12 de outubro: Nesse dia vivi três historias: Uma de amor, outra de fé e uma outra de esperança…

Marcelo1

1) 12 de outubro de 2004 – 2h da manhã. O Amor.

Estava sonhando com um avião que caia sem controle. Eu era um mero expectador de uma tragédia. Este foi um sonho recorrente que sempre tive quando trabalhava como executivo de vendas. No exato momento em que a merda do avião ia se espatifar no chão, acordo assustado com o telefone tocando sobre minha cabeça. Sem saber onde eu estava, procurei pelo aparelho e bati com a cabeça em uma prateleira de madeira que ficava na cabeceira da cama e onde o telefone sem fio ficava hospedado. “Deus meu, a essa hora? Deve ser aquele velho maluco” – pensei, isso foi depois de ter recebido ligações de um mesmo senhor várias vezes nesse horário por semanas.

– Alo?- perguntei eu, pronto para xingar, e esperando ouvir a voz do velho senhor.

– César, sou eu.

– Eu quem? – Perguntei.

– Seu irmão Mauricio! – respondeu ele com a voz grave.

– Cara, o que houve? A mãe tá bem? – perguntei meio dormindo, meio acordado.

– Não, foi o Marcelinho, ele não tá bem, é grave. Coração. Ele está no Hospital Brasil em Santo André. Vem já pra cá.

– O que houve? O que ele tem? Falei com ele ontem mesmo?.

Depois desse rápido diálogo, não obtive reposta à minha pergunta, pois a linha havia caído, ou minha mente bloqueou as palavras do meu irmão. Minha mulher a essa hora já estava acordada e um pouco assustada:

– O que houve? O que houve, Cé?

Levantei atordoado sem saber o que fazer, o que vestir, o que pensar. Rapidamente nos vestimos com qualquer roupa. Saímos correndo feito loucos.

“- Onde é esse maldito hospital?” – pensei descontrolado.

– Eu sempre falei pra ele, c&%$#@aleo mano, cuida da saúde. Investigue mais profundamente seus desmaios.

– Calma Cé, calma! falava minha esposa tentando me fazer entrar no controle novamente.

– A hora que “eu chegar” lá no hospital vou “comer o toco dele. Inconsequente”.

-Vou tirar ele de lá e vou transferir para o INCOR.

Eram frases desconexas. Com esses pensamentos, me perdi no caminho, não achava o maldito hospital. Rodei perdido pelas ruas vazias de Santo Andre por uns 10 minutos talvez. Aquele era um pesadelo sem fim e que só podia estar continuando, não era possível!! Tudo bem, eu acordaria daqui a pouco suando como sempre.

-É ali Cé, vai, vai, chegamos! – minha esposa mantinha o controle. Parei o carro tremendo de ódio daquela situação. Queria pegar meu irmão e tirá-lo dali. Levá-lo para um lugar onde seria bem tratado.

Descemos do carro e entramos pela porta principal do hospital. Uma enfermeira do atendimento olhou diretamente para mim e não disse nada. Foi um olhar de dor, compaixão e pena, pois ela sabia o que nos esperava naquele momento e para o resto de nossas vidas. Naquele momento percebi que tudo havia desmoronado e que não havia nada que eu pudesse fazer a não ser me encostar na parede e chorar pelo intenso amor fraternal que eu havia acabado de perder.

-Precisaria de um coração novo, nem Jesus aqui resolveria! – Disse o médico para mim friamente.

Na hora pensei “O amor de Cristo faz qualquer coisa doutor, até colar corações despedaçados”

Cinco minutos depois, ou meia hora, não sei bem, vejo minha esposa voltando de uma sala lá de dentro me dizendo: -Ele está bem agora e “dorme” feito um anjo. Saiba que será um tempo de dor, mas que o amor superará tudo.

Show 

2) 12 de outubro de 2004 – 5h da manhã. Um segundo depois. A Fé.

De repente uma voz ecoou me contando essa historia:

-Oi tudo bem?

-Tudo. Onde eu estou, que lugar é esse?

-Calma, não se levante! Você precisa descansar.

-Não estou cansado. Cade meu irmão? Quem é você?

-Sou um doutor aqui!

-Doutor, já estou bem melhor, posso ir embora?

-Calma filho, ainda não. Antes tenho algumas perguntas para te fazer.

– Eles já devem ter resolvido toda a papelada dos exames. Minha esposa e meus irmãos estão lá vendo isso.

-Estão sim, pode ficar tranquilo. Como estão as coisas? Sua vida?

-Eu estou um pouco preocupado, ando estressado, sabe doutor. Quero que as coisas deem certo, estou formando família. Mas tenho fé que tudo dará certo. Sou guitarrista sabia? Vida louca. Meu coração não aguentou.

-Sim, meu filho eu sabia e acredite, tudo vai dar certo. A fé já é um grande passo para que tudo dê certo na vida da gente. Seu coração agora está ótimo.

-E sua mãe, conversou com ela ultimamente?

-Ahh doutor, ela é fogo. Faz um monte de comida boa, eu adoro, como todas as “tranqueiras” que ela faz. Estive recentemente com ela, comendo os seus famosos quitutes. Ela é orgulhosa da gente.

-Eu sei. Ela é fogo mesmo. Sempre fez de tudo para dar cultura e estudos para vocês.

-E de onde você a conhece doutor?

-A conheço faz tempo. Ela vive visitando os médicos. Mas tem uma saúde de ferro. Vai viver muito ainda. Costumávamos falar muito sobre isso. Falar sobre os filhos, os sonhos dela. É uma mulher de força. Sonhadora.

-Eu conheço o senhor de algum lugar doutor? O senhor não me é estranho não. Me diz coisas familiares. E esses óculos.

-Filho, vou dizer uma coisa para você, nós médicos sabemos de muita coisa. Mais do que você imagina. E agora como você está meu filho? Mantendo sua fé, você vai longe, meu filho.

-Doutor, que história é essa de filho? Filho… O senhor fala como um padre…

-Filho, preste atenção! Agora é a hora de você manter sua fé. Tudo mudou. Por isso fiz questão de vir até aqui te receber e atender. Você sempre foi um filho amoroso. As coisas nem sempre foram fáceis para você e seu irmão. Agora ele seguirá o caminho dele. Um caminho de sucesso. Seus irmãos agora estão em outra missão, eles serão pais. Sinto saudade da sua mãe também. Uma grande mulher. Uma guerreira. Sempre amei vocês e os protegi e agora estou aqui para receber você, filho.

-Filho, de novo? Como assim? Que lugar é esse? Eu te conheço…?

-Filho, preste atenção. Estou aqui para te receber.

-Pai, é você?

-Sim meu amado filho! Quanta saudades… me de aqui um abraço…

Ferias 2014 2015-8

3) 12 de outubro de 2015 2h da tarde. 11 anos depois do dia 12 de outubro de 2004 – A Esperança:

Gabriel 9 anos

– Gabriel, hoje você aprende a andar de bicicleta!

– Sério pai? Não sei não… eu me desequilibro fácil.

– Eu tenho esperança que hoje será o grande dia. Agora vai filho. Sente aqui na bicicleta. Mantenha a calma e concentre-se no caminho e não pare de pedalar.

– Pai, não quero que você se canse. Me preocupo com suas articulações.

– Ahaha Cala boca menino, e continue pedalando, não pare. É a velocidade constante que te mantem equilibrado, NÃO PARE!!

– Pai, cuidado com suas lesões! Olha está vendo? você já está cansado. Droga…

– Filho, preste atenção: Não pare de pedalar em hipótese alguma. Vá sempre em frente. Seu pai não estará aqui eternamente nesta terra para segurar seu selim, entendeu? Agora, vamos de novo.

– Pai, tenho esperança que estará aqui comigo para sempre. Não é você mesmo que diz que viverá até os 100 anos?

– Sim, sim, eu vou, agora, concentre-se e continue pedalando, vai, vai, pedale forte que estou ao seu lado, mantenha o foco, pedale, estou ao seu lado, vai, vai, você consegue filho, você consegue, sinta, você está no controle, andando sozinho, percebeu??

– Pai, eu consegui…eeeeeeeee

Vinicius 4 anos

– Pai?

– O que meu filho?

– Para onde você vai depois que morrer? Você vai nascer de novo como criança?

-Não sei filho? Porque?

-Ahh Isso seria muito legal. Eu cuidaria de você quando ficasse doente. Daria xarope para a tosse e faria inalação. Pegaria você no colinho e daria a chupeta para você quando chorasse. Levaria você para a escola de inglês e faria cocegas e contaria historinha antes de dormir.

-Mas o papai vai viver até os 100 anos, lembra?

-Ah, então até lá espero que você é que cuide de mim tá bom?

– Claro filho, eu te amo e sempre vou cuidar de ti.

– Também te amo papai, agora escove meus dentes, tá?