Que a força esteja com vocês…

the_dark_side_by_eddieholly-d8866ixQuando comecei a escrever meus textos aqui neste espaço chamado “Na metade do caminho” tinha a intenção de mostrar meus passos em direção à mudança provocada pela busca do auto conhecimento. Não sei se estou sendo bem sucedido nisso, espero que sim. Bem, mas a única coisa que eu sei é que foi nesse processo eu percebi o quão conservador eu sou, coisa que eu já desconfiava, mas antes eu tinha vergonha em admitir. Descobri também que durante toda minha vida eu fora enganado. Eu sabia que havia algo profundamente errado em minha vida, mas não sabia o que era. Foram anos de luta contra meus antagonistas internos, simplesmente porque eu achava que meus inimigos estavam do lado de fora do meu ser. Um luta comigo mesmo e que geralmente eu saia derrotado sem entender o porque das coisas serem do jeito que eram. Na verdade, colocando uma visão maniqueísta neste tema, era a luta do bem contra o mal dentro do meu universo interior.

O processo de auto conhecimento pelo qual passei me mostrou isso claramente, mas não fora o suficiente para esclarecer o quanto eu  havia sido enganado, programado e idiotizado e deixado minha parte má, o medo, o lado negro, dominar parte do meu ser por quase 40 anos da minha vida.

Ontem, levei minha família para ver o filme do momento: Star Wars – O Despertar da Força. Não tenho dúvidas em afirmar que foi um dos filmes mais espetaculares que eu vi nos últimos tempos. Pelo menos para mim que sou nerd de carteirinha. Algumas cenas tiveram o poder de me emocionar profundamente. (Não posso deixar de citar aqui o fato de que ontem mesmo eu estava também muito sensibilizado pela perda de uma querida amiga que participou comigo deste processo de auto conhecimento e isso também contribuiu para que eu me sentisse muito mais emocionado ainda.)

Antes de entrarmos na sala de projeção, conversei com meus filhos sobre a primeira vez que vi o primeiro filme dessa série ( que é o quarto cronologicamente falando) em 1977 quando eu estava com 14 anos de idade. Disse para eles que saí do cinema leve, sonhando em pilotar uma X-wing Starfighter, em ser o copiloto do Han Solo em sua Millennium Falcon, em salvar a princesa Leia do Jabba malvadão . Falei sobre o sabre de luz e sobre o Darth Vader e o mundo épico criado por George Lucas. Os olhos deles brilhavam e ficaram loucos para chegar logo a hora do filme começar.

Esse filme retrata, logicamente, a luta do bem contra o mal. O mal é retratado pela cor vermelha do sabre de luz do vilão (aqui, qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência). Essa luta do bem contra o mal é extremamente interessante pois tipifica a realidade. Se observarmos bem, vivemos essa luta aqui na nossa realidade, tanto no nosso mundo interno, quanto no nosso mundo externo. Só que na nossa realidade o mal está demoniacamente disfarçado e do qual estamos sujeitos desde o nosso nascimento.

Envolvido pela espetacular trilha sonora do John Williams, pude claramente fazer uma imersão no universo do filme e me vi no papel do personagem Finn. Ele despertou. Saiu de seu isolamento, saiu de sua desumanização provocada pelo império que o doutrinou, ainda criança, para transforma-lo em um soldado Stromtrooper. Ele, inicialmente se rebelou, mas não sabia o que fazer, nem como fazer para se reconciliar com o passado e resolver o que já havia feito de errado. Achava que fugindo resolveria seus problemas. Mas, sem clichês, foi justamente enfrentando seus medos que ele os superou.

Nossa luta contra o lado negro da força é constante. São centenas de situações cotidianas e pequenos detalhes que nos fazem vencer ou perder essa luta. Além dos padrões comportamentais que herdamos dos nossos pais e que levamos conosco por toda a vida, temos ainda que enfrentar o mal disfarçado do mundo real, que não se mostra claramente como o Darth Vader, mas que mente e te engana fazendo pose de bom moço e transformando você em um Stromtrooper sem que você saiba disso.

No filme, existe a figura dos heróis, homens virtuosos e mulheres de verdade que não se vitimizam, mas lutam. Sentem medo, sente-se desprotegidas quando seus homens se ferem ou morrem, mas não desistem. A mulher é muito bem representada pela protagonista Daisy Ridley (Ray). Ela, hesita em abandonar o planeta Jakku por crer que os pais que a abandonaram voltarão um dia.

No planeta Jakku, a posse de armas era proibida e com isso as tropas do império dizimou facilmente a população indefesa.

Meus filhos entenderam isso e saíram do cinema fingindo serem o Finn, o Han Solo, ou o piloto da X-Wing. Me disseram que queriam um sabre de luz azul para nos defender do mal e resgatar a mocinha Ray da mão do vilão. Muitos homens morreram nessa luta épica criada no filme, mas em nossa luta diária muitos também morrem, mortos por uma força oculta muito mais maléfica que a do império.

No final, fiquei feliz em saber que os Jedi sobrevivem. Que a força Jedi ainda está com eles. Por isso, peço que não desanimem diante do lado negro. Busquem sempre a verdade, encontrem seu mestre Yoda, busquem no fundo do seu ser a força para superar suas dores e seus medos em 2016.

E o que eu aprendi diante de tudo isso?

Aprendi que não devemos ter a pretensão de controlar tudo. Na nossa realidade, os objetos não vem até nós apenas com a força do pensamento, mas com certeza com a atitude certa, com fé e esperança você entenderá o poder que a força tem de trazer o que a vida tem de mais valioso: O amor.

Então, que a força esteja com vocês!!

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

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