Estrela D’Alva Futebol Clube

PeladeirosO ano era 1974. Mês: Maio ou Junho. Foi a época que me senti o dono de um time de futebol. O ano que muitos dizem que foi o auge da “ditadura militar”, o que eu considero uma injustiça. Foi um ano bem tranquilo na vida de minha família. Eu tinha só 11 anos. Para mim foi um dos anos mais legais da minha vida. Era o ano da copa do mundo. Tínhamos a segurança de que seriamos tetra na Alemanha. Como sempre a nossa seleção era imbatível. Tudo bem que o Pelé não iria mais jogar, ora, tínhamos ainda o divino Ademir da Guia.

No bairro onde eu morava as ruas eram de terra, mas em breve estariam todas asfaltadas e o campinho, onde jogávamos bola, estava sendo revitalizado. Haviam máquinas da prefeitura espalhadas pelo bairro. Naquele dia, juntamos a molecada e fizemos umas traves de madeira e testamos jogando a famosa rebatida. Tecemos uma rede tosca feita de barbante que um moleque amigo nosso “roubou” da mãe costureira. Jogo era de duplas. Uma dupla no gol e a outra dupla batendo pênaltis alternados. Se a dupla no gol rebatesse a bola, um da dupla que estava no gol saia para a linha contra a dupla de batedores. Gol direto valia 1, de rebatida valia 2 e bola na trave e valia 3.

Foi nesse campinho que as mais memoráveis partidas de futebol da minha infância foram travadas. A rua 2 contra a rua 3 e também contra a rua 1. Às vezes, quando não era jogo rua contra rua, montávamos os times misturados no Jakken Po , escolhíamos o lado do campo no par ou ímpar. Disputávamos: Tubaína de Maçã, sanduba de mortadela ou biscoito de polvilho. Muitas vezes aconteciam injustiças e os considerados “piores” jogadores,  não eram escolhidos.

Por uma razão, que até hoje não sei explicar, ficava chateado com isso e resolvia frequentemente jogar do lado dos “injustiçados”. Ficava no time dos lixos. Dos renegados. Me recordo que as melhores partidas foram essas, onde jogávamos com a alma, com raça, pois sabíamos que não tínhamos talento para  ganhar dos bons. Muitas vezes perdi a tampa do dedão do pé. Outras vezes, ficava com o joelho sangrando. Mesmo assim, o jogo jamais parava. Muitas vezes fomos humilhados pelos craques da rua. Mas eu insistia em jogar sempre no time fraco. Não por me achar o bom, mas talvez por ser ruim também, mas principalmente por querer fazer parte de uma improvável e saborosa vitória do time considerado “fraco”. Quando vencíamos, comemorávamos pela praça toda, e quando isso acontecia, ficávamos sob os olhares de desprezo dos bons do pedaço.

Um dia, um pouco antes das férias de junho e com a expectativa do inicio da copa do mundo da Alemanha, fizemos um jogo contra a rua 1. Como sempre montei meu time com os renegados. Aquele dia a escalação foi incrível: Éramos eu, vulgo “o magrão”, meu irmão “o cabelo de anjo”, o Cascão, Neca “o gago”, Mário “manco”, Vandi “meleca” e Jorge “caolho” no outro time tinha: Deley, Flavinho “Peidorreiro”,  Xavier Gringo, Maurinho “o rato branco”, Jaci “cabelo de índio”, Adauto Melancia o craque e Zé Pedro “o louco”, jogavam muito.

A fama do time da rua 1 com um mix da rua 3 era de imbatíveis. Jogamos como nunca aquele dia. Perdemos como sempre. De lavada. Saímos na porrada com eles por causa de um gol de mão claro feito pelo Jaci, ele era esperto e bom de bola, mas vivia sacaneando. O jogo nem acabou.

Voltei para casa indignado. Queria revanche. Naquela noite chamei meu irmão e fizemos uma reunião. Tínhamos que criar um time oficial só pra sacanear os bons. O time dos renegados. Pensamos, pensamos e não achávamos um bom nome.Estávamos no quarto de dormir. De lá conseguíamos ouvir a gritaria da molecada correndo pelas ruas do bairro brincando de “carrocinha”, tipo Policia e Ladrão. Abri a janela e vi a lua cheia e logo abaixo a estrela mais brilhante do céu. Eu sabia que era um planeta e sabia que era mais conhecido como Estrela D’Alva. Na hora batizei meu futuro time de Estrela D’Alva Futebol Clube. Eu e meus sonhos megalomaníacos.

No dia seguinte bem cedo, reuni o time dos renegados e anunciei minha criação. Sem grana e sem recurso algum, vi que tínhamos que montar um “fardamento”. Perguntei se alguém tinha alguma camiseta branca e velha em casa, sabe aquelas que teriam apenas como destino ser pano de chão? Pois é, pedi que procurassem e trouxessem para imprimir o escudo e a numeração. Éramos pobres. Não tínhamos nada. Mas logo, algumas camisetas furadas, outras meio rotas, apareceram, mas faltavam a do Cascão e de outro garoto.. Fui pra casa, abri as gavetas e fucei até achar algumas outras lá no fundo, cheirando a naftalina. Juntei uma para mim, outra para meu irmão e mais duas, uma para o Cascão e outra para o Neca e as outras eram dos outros jogadores. Tínhamos então 8 camisetas. Achei uma caneta piloto verde sem tinta e coloquei álcool para revitalizar a tinta e consegui desenhar o escudo que ficou mais ou menos assim:

1 Dalva

Rabiscamos os números atrás das camisetas, eu era o 10. Eu era o Ademir da Guia. No dia seguinte, levei o “fardamento” para o pessoal do time. Cada  um ficou com a sua, cada um era responsável pela sua camiseta. Quando nossos adversários souberam do novo time, ficaram loucos. Queriam marcar um jogo naquele dia mesmo. Queriam nos destruir. Mas seguramos o ímpeto e marcamos a peleja para o dia seguinte. Na pracinha. Com as traves e a rede tosca. Ansiedade geral.

No dia seguinte, estávamos lá, na hora marcada, para a estreia do nosso amado Estrela D’Alva Futebol Clube. O time dos renegados. Eu sabia que iríamos ganhar. Era um sentimento só meu.

Vestimos as rotas camisas orgulhosos. O time adversário tirou um sarro da gente. Entramos em quadra, ali, e rapidamente decidimos quem sairia jogando, quem jogaria no gol, sem juiz para atrapalhar. Eu tinha uma bola de borracha dente de leite original, a bola era minha, mas eu queria é jogar com ela, furar se possível, mas tinha que ganhar aquele jogo. Regras definidas: Vale tudo, menos mão na bola e gol de mão, não vale sair do jogo mesmo se ralar a perna, joelho. Vira 4  acaba 8.

Foi um jogo memorável. Duro. Sem bola perdida. Gol lá, gol cá.  O jogo virou 4 a 3 para a rua três. Segundo tempo. Eles estavam preocupados, queriam acabar logo com o jogo. Saíram feito loucos querendo marcar logo 4 gols e acabar com a disputa. 5 a 3. Tomamos um gol inesperado que furou a rede tosca. Meu irmão foi até a rua lá embaixo e pegou a bola já surrada pelo jogo duro. Trouxe a dente de leite debaixo do braço em silêncio e colocou no meio do campo para a nova saída. No entreolhamos e percebi que ele queria surpreender o adversário. Fiquei com o pé sobre a bola e dei um pequeno toque para ele encher o pé direto para o gol adversário, no ângulo. 5 a 4. Na saída do time adversário, Cascão, sem querer, tomou a bola do Adauto Melancia, e ela veio para mim que toquei  encobrindo do goleiro deles. 5 a 5. Tensão no ar. Faltavam três gols para cada lado. Uma hora de jogo. Na nova saída, o time adversário tentou chutar a bola direto para o nosso gol. Mas ela foi longe e caiu na rua lá embaixo.

– Quem vai buscar? Gritou alguém. – Eu vou! falou Cascão.

O garoto correu e sumiu atrás de um muro. Todos tensos esperando o Cascão voltar e nada. Passaram-se alguns minutos, lá vem o Cascão sem a bola.

– Cadê a bola Cascão? eu gritei.

Nem respondeu, pois atrás dele vinham o temidos meninos da vila do sapo, um deles com a bola. Fim de jogo. Empate forçado para minha profunda decepção. Para não apanharmos na nossa rua pelos “maloqueiros”, marcamos um contra no campo deles e eles ficaram com a bola que seria recuperada se ganhássemos no campo de areia na casa deles.

Nem preciso contar que para o jogo contra os meninos da vila do sapo, levamos os melhores da nossa vila. O Estrela D’Alva Futebol Clube ganhara reforços, era o segundo jogo e o primeiro na casa de um adversário, em um campo de areia e lama ao lado de um córrego de esgoto fedorento. Finalmente ganhamos e por isso, foi porrada para todo lado, o plano dos meninos da vila do sapo era ficar com a bola, levamos socos e pontapés, mas heroicamente recuperamos a nossa bola. Cheguei em casa feliz da vida com o meu troféu recuperado. Tinha sido o último jogo do meu time. Meu inesquecível Estrela D’Alva.

 

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Curriculum Vitae

 

Cesar Manieri 1Em tempos de crise é necessário manter nosso curriculum atualizado. Então, acho que aqui neste blog, seria uma boa oportunidade de dizer realmente como foi minha vida profissional de forma livre e sem as amarras do mundo corporativo. Quem sabe algum recrutador curioso se interesse pelo meu “eu” verdadeiro e me convide para tomar um café:

Meu nome é César Manieri, sou um homem de meia idade, empreendedor, desempregado. Bem, não tenho vergonha de dizer que eu estou desempregado com um pouco mais de 50 anos. Afinal, não há desonra em viver em um país de poucas oportunidades e com 15 milhões de desempregados, existe apenas a realidade dura e fria.

Minha vida escolar foi muito interessante e desafiadora.  Cheguei na escola já alfabetizado e logo fui convidado a ler em voz alta diante da minha primeira plateia: A sala de aula. Tive que mostrar a eles essa incrível habilidade de saber ler antes dos 6 anos de idade. Naquele dia, estava afônico e ler para uma classe de 30 alunos, sem voz, nervoso e tímido, foi uma tarefa árdua, mas consegui vencer, mesmo sob os risos e chacotas dos colegas de sala e o olhar sarcástico da professora maldosa. Nos primeiros anos de vida, lá nos anos 60, tive que lidar com as adversidades de ser um infeliz canhoto. Era um hábito mal visto pela professora. Então, desde cedo, aprendi a me adaptar às mudanças, pois fui obrigado a me tornar, forçosamente, destro. Às vezes, levava reguada para trocar de mão quando esquecia. Às vezes, ela amarrava minha mão esquerda como forma de castigo pelo esquecimento. Me decepcionei demais com a escola, mas não desisti, meu desempenho sempre foi excepcional até a 4a série.  Mudei de escola e tropecei na 6a série e fui reprovado em matemática. Isso me ensinou que nem sempre somos bons em tudo. Isso me ensinou a cair e a me levantar. Fora todas essas coisas, a vida no ensino fundamental foi tranquila.

No fim dos anos 70, entrei na escola técnica do ensino médio. Foi por minha escolha mesmo, mas essa escolha teve uma forte influência paterna. Eu sempre sonhei em ter uma profissão digna, assim como meu pai teve. Estudei eletrônica por 3 anos. Mas foi no ano da minha formatura que eu tive certeza que havia sido uma boa escolha, pois fechei as matérias com nota máxima no exame final. Ao mesmo tempo que eu estudava para ser técnico eletrônico, eu aulas de piano e inglês. E finalmente, em 1981, me formei técnico eletrônico e músico. Minha escolha foi levar tudo junto, de forma paralela. Técnico de profissão e músico por diversão. Eu era o dono do mundo.

Nessa época arrumei um estágio em uma empresa de aparelhos médicos perto de casa. Era inexperiente e sabia muito pouco sobre esse assunto. Nessa empresa ganhei uma mala de ferramentas e nenhum treinamento. Me jogaram no campo e aprendi como um peixe pequeno se sente em meio aos tubarões. Visitei UTIs em grandes hospitais e vi coisas que assustam de verdade um jovem de 19 anos. Três meses depois, cometi um erro técnico simples e fui massacrado pela chefia que me demitiu. Aprendi de forma implacável a dor de ser defenestrado sem ter recebido uma base técnica adequada. Prometi para mim mesmo que se um dia tivesse um funcionário, o treinaria adequadamente primeiro, antes de cobrá-lo.

Cheguei em casa naquele dia e toquei ao piano as valsas de Chopin por 2 horas.

Mas eu só tinha 19 anos e o tempo era infinito. Então, algumas semanas depois, fui contratado por uma empresa de máquinas de escrever, calculadoras e etiquetadoras eletrônicas. Era longe de casa, levava horas para chegar. Mais experiente, resolvi ficar atento ao que deveria ser feito e aprendi a desmontar os mecanismos das etiquetadoras e a testar seus circuitos eletrônicos. Aprendi ali o valor das amizades e o perigo delas também. Ali me ofereceram oportunidades e drogas também Desenvolvi o trabalho como deveria. Mas meu chefe ficou enciumado quando soube que eu era pianista e amava ler obras de ficção científica. Até hoje não entendo o porque. Ele me dava apelidos chulos na frente dos amigos e eu, como não queria ser defenestrado pela segunda vez, levava tudo na brincadeira sem questionar. Um dia, ele ficou bravo comigo por eu ter limpado mais máquinas do que deveria e gritou feito louco que eu não poderia ter feito aquilo. Chateado e de forma silenciosa subi para falar com o dono da empresa e educadamente entreguei minha carta de demissão. Foram dois anos interessantes onde aprendi a ter brios. Saí de lá prometendo a mim mesmo jamais gritar com algum funcionário meu ou colega de trabalho.

Naquele dia cheguei em casa e ouvi Led Zeppelin o dia todo no volume máximo.

Paralelamente, montava minha primeira banda de garagem. Desenvolvi meu primeiro projeto MIDI para computadores pessoais e me especializei em síntese de som.

Algumas semanas depois de ter procurado emprego no “Estadão” de domingo, fui chamado para uma entrevista em uma grande empresa metalúrgica que estava começando no ramo de automação industrial. Fui aceito e comecei a trabalhar como técnico de testes. Mais experiente ainda, sabia como deveria ser meu comportamento para sobreviver no mundo empresarial. Me tornei estudioso, comunicativo, mas profundamente cauteloso no trato com colegas e chefes. Foi ali que percebi claramente quem eram os amigos de verdade (alguns são meus amigos até hoje). Vi quem eram os carreiristas e como funcionava a política dentro das empresas. A amizade, a inveja, o ciúme, o “puxasaquismo” e às vezes competência, faziam parte do dia a dia. Foi nesse ambiente que aprendi tudo sobre pessoas e sobre o mundo da automação industrial e corporativo. Foram 6 anos de um profundo aprendizado sobre o amor a profissão e às pessoas. Um dia, depois de chegar ao meu limite neste aprendizado, pedi ajuda para ser transferido para a área comercial. Eu sabia que a área de desenvolvimento de hardware nos anos 80 não era o forte neste país, tampouco o meu. Eu sabia que como homem comercial, poderia chegar ao topo e ganhar mais dinheiro. Negaram. Pedi para sair e a moça do RH me indicou para outra empresa do setor, onde fui aceito como vendedor.

Naquele dia, voltei para casa e decidi que deveria concluir o curso de engenharia na universidade. Toquei Jarre no meu sintetizador e gravei tudo no meu porta-estúdio Tascam.

Com a banda de garagem, gravamos nosso primeiro disco. Paralelamente abri empresas e comecei a me apresentar como músico em teatros e igrejas pela cidade tocando em casamentos e fazendo eles chorarem, de emoção 🙂

Fui aceito como vendedor em uma gigante nacional fabricante de motores elétricos. Foi aí que me tornei um vendedor de verdade. Terminei a faculdade e virei engenheiro de aplicação em automação industrial. Lidava bem com robôs, motores, drivers, plc. Fui apaixonado pelo trabalho durante quase 7 anos. Atendia os clientes com esmero, mesmo quando era xingado por eles por razões que só eles sabiam. Dominei o estado de SP. Eu era conhecido como Cesar da Empresa de Motores. Eles falavam: “- O Cesar da Empresa de Motores chegou!”. As identidades se fundiram. Sonhava em chegar longe. Um dia, depois de ficar 12 horas de pé em uma pequena feira técnica, fui duramente criticado por deixar o posto de trabalho só por ter ido comer um lanche e na volta parei para ver uma banda muito boa tocar. Isso me fez ver que chegara a hora de alçar voos em empresas multinacionais maiores ou melhores, queria o Brasil, o mundo e não apenas o estado de São Paulo. Poderia passar fome no trabalho, mas que fosse na Europa ou EUA. Silenciosa e discretamente, busquei uma nova posição em empresas multinacionais de grande porte. Fui aceito em uma multinacional alemã como gerente de vendas. Estava pronto para crescer mais e mais.

Naquele dia, fui para casa e fiquei no meu home estúdio gravando até de madrugada, sonhando com as estrelas, novamente me sentia feliz. Fiz duas canções nesse dia. E decidi fazer pós graduação em Analise de Sistemas de Automação.

Era novo ainda, mas minha experiência já era de um sênior. Sabia muito tecnicamente, mas faltava saber vender mais e liderar. E a empresa alemã me deu a cancha que precisava. Fui gerenciar regiões, distribuidores, bati de porta em porta vendendo equipamentos de automação, dirigia por horas e horas visitando uma imensa carteira de clientes. Olhava meu trabalho como algo que tinha que ser feito. Era necessário enfrentar e atravessar o deserto para chegar onde eu queria. Comecei a ter cada vez mais contato com gente de fora do país. Meu pares e líderes gostavam de mim. Mas um dia, meu trabalho foi reconhecido por um concorrente. Era uma outra empresa alemã que me ligou convidando para ir trabalhar na Alemanha. Minha hora havia chegado. Aceitei.

Foi nessa época eu casei e montei minha família e foi aí que vi a importância de ser líder de si mesmo… e decidi fazer outra pós graduação em administração industrial.

Fui para a Europa, aprendi a lidar com minhas limitações, medos e cresci muito. Fiz palestras em grandes reuniões de vendas na Europa e EUA. Depois disso, enquanto minha vida pessoal se desenvolvia e meus filhos nasciam, rodei o mundo. Fiquei mais de 13 anos nessa vida profissional até chegar a Business Development Manager da América do Sul vendendo micro eletrônica de uma empresa de Munique. Um dia, depois de bons serviços prestados, essa empresa me chamou e disse que meu tempo lá havia acabado. Eu estava com 50 anos. Desde os anos 80 passei por muitas crises, desafios, fracassos e sucessos. Mas por essa eu não havia previsto, na verdade havia previsto sim, mas pensei que esse dia nunca chegaria para homens como eu. Me lembrei da 6a série.

Naquele dia cheguei em casa, deitei no colo de minha esposa, chorei em silêncio e dormi.

Conhecia o mundo, mas não o verdadeiro Brasil. Agora, sei como ele funciona depois de estudar muito nossas raízes. Foi aí que aprendi mais sobre mim mesmo e o povo brasileiro do que em 30 anos de trabalho.

Paralelamente, escrevi meu primeiro livro e inaugurei um blog e um canal no YouTube. E me tornei um bom fotografo. Ter tempo para a gente mesmo, muda tudo.

Pelo meu networking, consegui uma recolocação em uma outra multinacional como “terceiro” em desenvolvimento de produto.  Mas não sou um desenvolvedor de produtos da gema e sim de mercados. Posso ser eclético, mas nem tanto. Então, de cara percebi que ali não era meu lugar, saí depois de quase 2 anos e preferi empreender.  Agora, tenho uma escola (que decidi fechar por causa da crise e a montei na varanda do meu apartamento), uma marca (Escola Íntegro), sou auto didata em educação clássica, estudo ciências políticas, filosofia e estou escrevendo meu primeiro romance. Com mais tempo livre aproveito e leio cerca de 10 livros por mês (não inteiros). Com minha experiência, ajudo jovens a entender matemática, física e principalmente a eles mesmos. Ensino esses jovens a ler, escrever e pensar, a acreditar em si mesmos, estudar, treinar, a tomar boas decisões, a treinar de novo se falharem e jamais, jamais grito com eles. Eu os ensino a amar a verdade e a jamais gritar com qualquer pessoa que seja, sem uma boa justificativa.

Foto Jornal

César Manieri – Engenheiro, Músico, Professor, Pai e Escritor principiante…