O que aprendemos com as olimpíadas?

vanderlei-silva-padre-neil-horan-olimpíadas-maratonaHoje percebi o quanto vivemos em uma sociedade perdida e fora da realidade. Tenho visto jovens se debruçando em postagens na internet onde apoiam as “vitimas do sistema capitalista opressor” e que ficam choramingando seus infortúnios juntos com elas. É um monte de gente chorando por causa da Marta que ganha menos que o Neymar, outros tantos reclamando da injustiça com a nadadora Maranhão, milhões dizendo que agora a judoca medalhista calou a boca de seus inimigos das redes sociais. Me lembrei dos jogadores da seleção brasileira na última copa chorando feito uns cagões. Entre tantas outras bobagens, a pior foi sobre a meritocracia ser algo “injusto” e que tanta gente não tem oportunidades reais para se destacarem como esportistas, músicos, pintores, engenheiros, dentistas, ou seja lá o que for. Foi aí que percebi o quanto odiamos o mérito.Tenho certeza que somos um país de invejosos. (Já escrevi sobre isso aqui neste blog: A inveja no Brasil é cultural)

Ok, sabemos que todas as pessoas tem dias bons e ruins. Às vezes eu tenho vontade de ficar o dia todo dormindo, na cama quentinha. Tem dias que não quero ficar procurando emprego ou dando aulas, por estar me sentindo chateado ou entediado. Tem dias que quero ficar em casa no sofá encolhido no cobertor, só para fugir dos meus problemas, das minhas dores e das minhas frustrações diante do mundo.

É necessário que nossos jovens e muitas pessoas mais velhas, aprendam a lidar com tudo isso. É só desta forma que podemos crescer como pessoa. É através das dificuldades que nos tornamos fortes.Quem de vocês, meus leitores, não enfrenta ou já enfrentou alguma dificuldade na vida? Ora, quem não sabe lidar com as frustrações da vida é um mero perdedor. Aqui, me lembrei dos jogadores da seleção brasileira na última copa chorando feito uns cagões. Ser um vencedor não é ganhar sempre, o vencedor é aquele que consegue lidar com as derrotas se preparando para as próximas possibilidades e oportunidades de vitória.

Como pode alguém acreditar que a vida tem que ser apenas doce, colorida, gentil e delicada? Quem ensinou para nossos jovens que o mundo pode ser um paraíso de igualdades e onde todos terão os mesmas oportunidades e conseguirão os mesmos resultados agindo sempre igual, como o gado que fica no pasto comendo grama e olhando para o chão?

Basta vermos os jogos olímpicos e perceberemos o quanto o mundo é malvadão com uns e generoso com outros. Fica fácil observar que só os melhores preparados física e mentalmente passam adiante e são premiados. Isso, meu caro, quer você aceite ou não, se chama meritocracia. E sim, todo mundo gosta, aplaude, se emociona, vibra com vencedores e também com os perdedores. Mas com os perdedores de fibra e raça, que caem de pé, que lutam até o fim. Não gostamos dos “cagalhões”.

Mas não, os jovens sabichões se enganam achando que tudo tem que ser fácil e lúdico, com purpurinas coloridas caindo do céu. Muitos imaginam que os “café com leite” merecem uma chance de sair um pouco mais na frente por serem mais fracos ou estarem mal preparados.

Vamos pegar alguns exemplos na escola. Os alunos querem tudo fácil, tudo tem que ser facinho, reclamam feito bebezinhos diante da primeira dificuldade. E toca a sociedade passar a mão na cabecinha deles. Diante disso, eles se tornam fracotes, uns bobalhões, uns analfabetos funcionais que se borram na primeira dificuldade. Então formamos uma geração de pessoas superficiais e rasas. É preciso que se tenha um grau maior de dificuldade na educação. Os alunos precisam estudar coisas difíceis, precisam realizar coisas complexas, porque se estudarem só coisas facinhas eles não aprenderão porcaria nenhuma, essa é a verdade. Serão uns inertes na vida. Que diante de qualquer dificuldade irão começar a chorar. Basta olharmos para as nossa sociedade moderna, muitos tem a vida completamente obsoleta e fútil. Vivem de ilusões acreditando que tudo tem que ser cor de rosa e bem ajeitadinho, tudo tem que ser delicioso como uma colher de doce de leite. Mas na maioria das vezes a vida é amarga e cruel. Conformemo-nos com isso. Não temos como fugir da realidade. Sim, existem momentos bons e ruins. Faz parte da vida. Nossa vida é como uma planta que precisa das quatro estações do ano para crescer, florescer e frutificar.

A escola moderna engana os alunos, forma jovens fracos e susceptíveis a pensamentos distorcidos da realidade. Formas fracos e incapazes que só sabem falar da “pedagogia do oprimido paulofreiriana”. Isso acontece faz décadas, por isso temos tanta gente fraquinha, pequenas vítimas do sistema, analfabetos funcionais que não entendem a realidade e fogem dela desesperadamente quando ficam cara a cara com ela. Quando peço para meus alunos lerem as grandes obras da literatura universal, eles não querem. Por que? “- Porque é chato e difícil”, eles dizem. Mas ler essas obras os coloca em contato com a realidade. Essas grandes obras mostra a dureza da vida real.

É triste ver o quanto nossa sociedade foge dos problemas. Se penduram nas novelas globais e acreditam na abertura das olimpíadas e ficam hipnotizados pelas cores e luzes como as mariposas, como se fosse um balsamo para suas dores, mas que as levam para o abismo e escuridão. A abertura das olimpíadas foi feita justamente para isso, levantou apenas discussões superficiais sobre quem criou o avião, empoderamento da mulher, uma classe de excluídos, vitimas de uma sociedade capitalista e opressora. Mas quase ninguém conseguiu ver a verdadeira mensagem subliminar por trás daquela bela plasticidade artística e cheia de luzes coloridas.

Fica difícil para uma sociedade hedonista aceitar que a vida é dura. Preferimos nos enganar achando que tudo de errado que acontece é fruto da opressão do sei lá o que. Não aceitamos que somos os responsáveis por tudo e que somos vitimas de nós mesmos, da nossa fraqueza interior. Somos os artífices de nosso destino. Normalmente a vida não é um romance com final feliz, pois no seu fim sempre existe um velório. Mas isso não significa que a vida tem que ser infeliz,  entendam que nesta vida nós experimentamos de tudo, desde momentos lindos e até a morte. Vamos ser honestos, vamos afirmar isso de coração: A vida é isso, é feita de momentos bons e ruins. Vamos parar de nos enganar, vamos parar de fugir das nossas dores, mazelas e sofrimentos. O ser humano atual é fugitivo de si mesmo, da realidade e do seu destino. É a amargura do jovem com a vida que o faz com que ele queira um mundo cor de rosa, um paraíso terrestre. Os jovens se deparam então, com uma vida cheia de páginas em branco esperando para serem escritas, mas sem coragem, a vida segue e as páginas jamais são escritas. Se não lutar para resolver seus problemas com coragem, então eles jamais encontrarão seu paraíso. E isso, tenho certeza, não o encontrarão se eles não mudarem o principal que é seu coração, seu espírito e sua mente.

 

 

 

Baseado em um vídeo do Professor Maro.

 

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