O ensino no país precisa evoluir já.

Schoolchildren bored in a classroom, during lesson.Muitos gritam aos quatro ventos que a educação do Brasil é um fracasso. O que eu realmente concordo. Só não gosto do termo “educação” para definir o que acontece nas escolas e nas universidades espalhadas pelo país. Por educação, entendo como um termo que é ensinado em família ou na pequena comunidade social onde um indivíduo vive. Isso não tem simplesmente nenhuma ligação com o elemento ir para a escola todos os dias para aprender matérias das ciências, das letras e das artes. Hoje, na verdade, temos em muitas das escolas apenas alunos mal educados vindo para a um ambiente onde eles encontram seus pares para passar o tempo, receber algum tipo de doutrinação ideológica, sem falar nas coisas piores que de fato acontecem dentro das escolas: Drogas, sexo, brigas, etc. Não respeitam nada e nem a ninguém.

Então, aqui temos um grande problema. Estudantes deveriam estudar apenas. Deveriam aprender alguma coisa, ou pelo menos, deveriam querer aprender algo. Mas na verdade, não se interessam em saber mais, eles não tem interesse em muita coisa, nem sabem ao certo quais são as suas próprias vontades e qual seria o seu caminho acadêmico, ou mesmo se querem seguir esse caminho verdadeiramente.

Vendo o comportamento de estudantes em todo o país que batem em professores, jogam latas de lixo sobre eles, socam a cara deles, tem um desempenho escolar abaixo do nível mínimo para ser aprovado, mas mesmo assim são aprovados, percebo que nunca recebem um não, pois para alguns “educadores” dizer um não a eles, pode deixa-los “traumatizados” pelo resto da vida. Sabemos que isso só ajuda a criar monstros totalmente burros e sem educação, vemos que é um comportamento adquirido pela falta completa de referências educacionais e de ensino.

Para mim, a educação forma pessoas auto conscientes, já o ensino, forma profissionais, artistas e pensadores, todos competentes e cientes da realidade que os cerca.

Até um certo momento de nossa civilização, as famílias ensinavam para seus filhos o que era absolutamente necessário para sua sobrevivência. Por muitos séculos, isso foi uma necessidade fundamental para a sobrevivência humana. Os conhecimentos adquiridos eram passados de geração em geração, de pai para filho. Esses conhecimentos eram a base de tudo, tais como: como se preparar para o rigoroso inverno, quando plantar e quando colher, quais frutas podiam ser comidas, como se defender de amimais selvagens, como preparar a caça para uma refeição, como fazer fogo e etc.

A partir do advento do arado, tudo começou a mudar. O homem descobriu que poderia melhorar e muito sua produtividade otimizando a produção de alimentos com determinadas ferramentas. Isso abriu as portas da criatividade humana, que trouxe em seu bojo a industrialização. Então, na revolução industrial, o trabalho evoluiu. Muitos processos foram automatizados e isso gerou mais oportunidades de emprego. Vale ressaltar aqui que as condições das famílias eram bastante difíceis naquele tempo pré revolução industrial. As famílias eram afligidas por doenças, fome e tinham poucos recursos. A industrialização trouxe novas possibilidades de se ganhar algum dinheiro trabalhando nas áreas urbanas, que era a única opção viável. Assim, muitos se dirigiram rapidamente para os locais onde haviam essas fábricas e famílias inteiras, inclusive suas crianças, começaram a trabalhar para não morrer de fome nos campos. Isso foi um avanço. Naturalmente que neste processo os salários foram gradualmente aumentando com o tempo. Assim, desta forma, as crianças que trabalhavam começaram a não mais ter a necessidade de sair para trabalhar, pois as rendas de suas famílias começaram a ser suficiente para mantê-las em casa. A sorte é que elas aprenderam a usar o que foi aprendido no trabalho e suas ferramentas.

Então, depois de séculos na agricultura de subsistência, seus pais começaram finalmente a enriquecer. Essa riqueza adicional, trouxe a possibilidade de deixar os filhos em casa com tempo livre para apenas aprender coisas novas e desenvolver suas habilidades. Para isso, foi necessário a criação de locais onde elas aprendessem as artes liberais e os ofícios. As escolas. Aqui, podemos observar a naturalidade com que se foi estabelecendo a ordem espontânea que direciona o pai ao trabalho, a mãe à educação, proteção e manutenção do lar e orientação os filhos ao aprendizado.

Então, aquelas pessoas que tinham uma maior facilidade de transmitir o que deveria ser ensinado se tornaram os professores. Agora cabe aqui uma explicação sobre a etimologia da palavra “professor”: Ela vem de professar, declarar.

Podemos observar então que, ao longo do tempo, o ensino escolar básico sempre esteve relacionado, de forma direta, com o trabalho. Quando as atividades estavam baseadas apenas no campo, a educação e o ensino eram voltados para atividades camponesas. A partir do momento em que o homem se torna mais urbano, a escola também fica mais urbana, então o acesso ao conhecimento aumenta de forma significativa.

Com o avanço da tecnologia, o acesso ao conhecimento foi se tornando cada vez mais necessário. Novos produtos e serviços foram sendo criados. Então, décadas adiante, surge a ferramenta chamada Internet. Essa ferramenta mágica que nos dá a nítida sensação de que todo o conhecimento do mundo está na palma de nossas mãos, na frente de nossos olhos. É simples, pois agora temos o Google. Agora podemos encontrar todas respostas para inúmeras questões. Basta perguntar literalmente. Sem sombra de dúvida, ter amplo acesso à informação nos traz muitos benefícios. Mas fica uma pergunta no ar: Como podemos, como pais,  saber quem está ensinando nossos filhos a separar o que é boa informação daquilo que não é? A internet é cheia de armadilhas, assim como nas escolas.

Sabemos que nas escolas de todo o país existem mais doutrinadores ideológicos que professores de fato.

Na minha atual atividade como professor de estudantes que querem melhorar seu desempenho escolar e, por força da minha formação, com um profundo conhecimento em tecnologias de ponta, percebo atitudes dentro do processo de ensino que não estão de acordo com a nossa época e estão muito longe disso. Com exceção de uma ou outra iniciativa tecnológica como a substituição do velho mimeógrafo (que exalava aquele agradável cheiro de álcool) pela impressora a jato de tinta para imprimir provas e trabalhos; ou a substituição da lousa pelo projetor inteligente sensível ao toque, não temos uma absurda mudança ou uma interrupção do curso normal deste processo na hora de ensinar as crianças. Posso ver claramente aqui que existe uma problematização vinda diretamente das cabeças pensantes, justamente os doutrinadores ideológicos, influenciadas pelo “guru” e “deus” da educação sócio-construtivista no país chamado Paulo Freire. Na minha opinião, um dos responsáveis pelo Brasil ter sido o único país do mundo a ter o Coeficiente de Inteligência mais baixo  das últimas décadas.

Tenho aqui uma proposta que creio ser razoável para realizar uma disruptura neste cenário: Além, claro, de buscar a integração do corpo, coração, mente e espírito dos alunos, que vai ajudar no seu auto conhecimento e nas suas ações e vontades, ora fica claro que se já utilizamos a internet como fonte de conhecimento dia após dia e o ensino está intimamente ligado a ela, precisamos evoluir para o estágio em que ensinamos os estudantes a aprender com ela.

Os jovens já se interessam mais pela internet e suas tecnologias do que pela sala de aula. Faça uma pesquisa: Pergunte a dez professores qual o maior inimigo deles hoje em dia e praticamente todos vão te responder que o principal inimigo deles hoje é o Smartphone.

Tive uma aluna que conseguia ficar em frente ao Smartphone por horas durante as madrugadas assistindo seriados americanos e enlatados na Netflix ou vendo “youtubers” imbecis se lambuzarem com Nutella ou jogarem trecos de cima de prédios, ou darem dicas de como fazer suas necessidades fisiológicas na casa de amigos, mas não ficava nem dez minutos atenta ao que eu dizia a ela em nossas aulas de álgebra, por mais que eu me esforçasse em deixar a aula mais dinâmica e interessante.

Proponho então, que se use todo esse potencial dos jovens e esse arsenal tecnológico à favor do ensino. Dou aqui algumas dicas: Bem, sugerir o uso de drones, robôs e computadores é o mais óbvio e relativamente barato. Mas, que tal colocar esses estudantes para pensar nos problemas da vida real? Que tal dar a eles responsabilidades e cobrar também um comportamento responsável? Fazê-los gerenciar projetos reais para a vida real usando as ferramentas que eles já sabem usar tão bem? Fazê-los criar seus próprios seriados no youtube?

Hoje em dia, qualquer pessoa tem um celular. Qualquer estudante sabe usar um editor de vídeo. Por que não, pedir a eles para gerenciar a compra e venda de seus próprios bens e serviços. Mostrar a eles como planejar investimentos financeiros ou a compra de um imóvel. Pedir a eles que se arrisquem mais e criem empresas virtuais de tecnologia. Pedir a eles que usem o que sabem para criar seu próprio conteúdo?

Tenho certeza que rapidamente irão usar o que aprenderam na teoria ou então perceberão a necessidade de aprender certos assuntos para progredirem nos seus projetos. Os professores serão seus mestres, mentores e orientadores.

Mas vejo que muitos colegas professores também tem muitas dificuldades em lidar com tudo isso.  Ainda estão presos em suas próprias limitações e presos nas limitações impostas pelo MEC e sua padronização educacional alinhada com a ONU que não entende as peculiaridades regionais que existe no país, quem dirá de cada estudante. Então, precisamos nos organizar para trazer o modelo que interessa aos jovens e que pode mantê-los, não presos na sala de aula, mas livres e atentos ao que a vida fora da sala de aula apresenta a eles como desafio de vida.

Precisamos romper, o mais rapidamente possível, com o modelo de ensino tradicional imposto pelo Estado ou a escola estará condenada a não cumprir sua missão principal que é a de ensinar os jovens a lidar com as complexidades técnicas inerentes ao mundo contemporâneo.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

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