Em busca da fórmula do amor.

math_love5Nesta época do ano, atendo muitos alunos desesperados. A maioria deles me procuram para que eu os ajude a passar de ano. Me dizem que odeiam estudar, principalmente matemática e física. Eles choram, se angustiam, se enganam e nutrem um ódio profundo pelos números. Normalmente tento entender a causa deles sentirem esse desprezo profundo pelo campo das ciências exatas.

Meus alunos dizem que eles ficam confusos, que a matéria os entristecem. Os símbolos estranhos os afastam. Um dos meus alunos disse que nem sabe sequer como chamá-los.

    -Para mim, cada um deles é um palavrão professor! – disse um deles, sorrindo.

Na verdade, o desconhecimento deles é mais profundo. Eles não entendem que matemática está em um mundo secreto. Não entendem que a matemática é um universo oculto de beleza e alegância. E este mundo está, inexoravelmente, entrelaçado com o nosso. Esse mundo é invisível para todos nós. E que para dominar esse vasto território é necessário aprender a falar o Matematiquês.

Na verdade, a matemática está incrustada no nosso dia a dia. Todas as vezes que compramos algo pela internet, usamos o Whatsapp, ligamos o Waze, todas aquelas fórmulas matemáticas e os algoritmos que normalmente vemos no ensino médio, estão lá dentro, presentes, como um espirito que faz as coisas funcionarem. Por outro lado, quase todo mundo se apavora com a matemática e seus espíritos. Pensam que esse é um assunto apenas para os iniciados no mundo dos espíritos da ciência, para uma elite inteligente que conseguiu se entrincheirar nesse mundo estranho e oculto.

Consigo entender esse sentimento, afinal, eu mesmo sofri com isso e consegui levar bomba na sexta série por não saber decodificar essa linguagem, justamente por não ter estudado o suficiente seus segredos. Eu não tinha consciência do mundo oculto da matemática. Como a maioria das pessoas, achava que era um assunto chato, insipido. Para mim, a matemática era abstrata demais e sem sentido. Hoje percebo que o que aprendemos na escola é apenas um arranhão nessa ciência e cuja a maior parte dela foi estabelecida há mais de mil anos por homens corajosos e curiosos.

As leis da natureza estão escritas na linguagem matemática. Ela descreve a realidade e nos faz entender como o mundo funciona. Essa linguagem é universal e atemporal e que se tornou o padrão ouro da verdade.

Com ela eu aprendi que a vida é cheia de possibilidades, cheia de elegância e beleza, exatamente como a poesia, as artes plásticas e a música. Fiquei apaixonado. E depois que comecei a me relacionar intimamente com ela, minha visão do mundo nunca mais foi a mesma.

É notável a democracia inerente da matemática, as suas equações pertencem a todos nós. Ninguém detêm o monopólio sobre esse conhecimento. Não se pode patentear E=mc2. Ela é uma Verdade Eterna a respeito do universo. Rico, pobre, negro ou branco, jovem ou adulto, ninguém pode tirar essas fórmulas de nós. Nesse mundo, nada é mais profundo e elegante e, no entanto, tão disponível para todos. Basta querer ter uma relação mais íntima com ela e ela desvendará seus segredos, mas não tão facilmente.

A matemática oferece um fundamento lógico e uma capacidade adicional de nos amarmos e amarmos o mundo ao nosso redor. Uma fórmula matemática não explica o amor, mas pode transmitir uma carga de amor.

Eisntein disse: ” Todos que estão lidando de forma séria com a ciência se convenceram que algum Espirito se manifesta nas leis do universo, um Espirito muitíssimo superior a nós e que diante Dele devemos nos sentir humildes!” e Newton expressou assim: “Tenho a impressão que fui apenas um garoto brincando na praia, encontrando conchas, uma aqui outra ali, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo desconhecido diante de mim”

Meu sonho é despertar nos estudantes esse amor pelo saber e que um dia todos nós nos daremos conta dessa realidade escondida.  Dessa forma, talvez possamos ser capazes de deixar nossas diferenças e nos voltarmos para as profundas verdades que nos unem. Assim, seremos como crianças brincando na praia, maravilhados com a beleza deslumbrante e a harmonia que descobrimos, compartilhamos e apreciamos juntos.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s