Star Wars, O Último Jedi? Talvez sim!

star wars vanity fair (1)No dia 04 de Janeiro de 2016 fui ao cinema para ver o Star Wars – O Despertar da Força. Naquele dia sai do cinema feliz por ter experimentado novamente o mundo épico criado por George Lucas. Realmente havia sido uma experiência muito positiva que foi relatada por mim no texto Que a força esteja com vocês…

Infelizmente, não posso dizer o mesmo da sequência Star Wars – O Último Jedi que eu assisti ontem com minha família. O que eu posso dizer é que percebi, depois de ver o filme, é que estão acabando com a essência da história original. O que eu vi, foram pequenos detalhes que remetem apenas a questões culturais, políticas, de propaganda ideológica, e que são abordadas de formas bem sutis. Alguns destes acontecimentos, dentro da narrativa, foram claramente inseridos dentro do contexto do filme para tentar modificar o pensamento dos espectadores mais distraídos. Parece que os criadores do filme querem que a audiência se alinhe de forma forçada, mas imperceptível, com a cosmo visão deles.

O jogo de propaganda imposto no filme, parece querer provocar um controle do comportamento social. E isso foi feito de forma muito sutil. Não é fácil perceber esse jogo durante a narrativa. É um contorcionismo elaborado com a finalidade de pegar o incauto em sua pretensa inocência. Para perceber isso, é necessário estar bem atento ao que está de verdade acontecendo dentro do jogo político e cultural no mundo pós moderno. Tenho certeza que muitos fãs nem perceberam esse tipo de propaganda no filme. Confesso que eu percebi, pois já fui preparado ao cinema e isso me fez questionar a validade da continuidade desta franquia. Receio que se continuarem nesse caminho, podemos perder todo o espírito verdadeiro da história. Creio que a influência da Disney foi fundamental para que eles tomassem esse rumo.

O filme em si, não é de todo ruim. Tem um apelo visual interessante, a história até que está bem amarrada com todo o contexto do universo Star Wars e seus personagens e a trilha sonora, como sempre, é executada de forma impecável. Resumindo, é um filme  normal e que diverte, mas que não causou grande impacto em mim, que sou fã desta franquia desde sempre.

Na verdade, o primeiro ponto que gostaria de ressaltar sobre o que me incomodou, foram as críticas veladas ao capitalismo e a relativização sobre o que seria o bem e o mal. E também a insistente ideia de que é necessário formar novos revolucionários para lutarem pela “causa”.

Ora, a luta de uma aliança rebelde contra todo um império do mal nos faz crer que os membros da alianças são os revolucionários que lutam contra os opressores malvadões, mas agora esses rebeldes estão em desvantagem, pois os Jedi desapareceram. Precisam de novos rebeldes. Portanto, os novos revolucionários serão as crianças sujas e maltrapilhas que aparecem durante o filme. Crianças escravizadas por um sistema cruel de luxo, riqueza e poder.

Fica implícito no filme que esse sistema cruel de luxo, riqueza e poder só existe, pois ele conseguiu tudo isso através da exploração dos povos, da guerra e da destruição. Isso é uma clara referência ao “capitalismo opressor” que se alimenta da exploração e morte das pessoas de boa fé e que ao mesmo tempo alimenta o império do mal.

Neste sistema cruel, não só as crianças são escravizadas, mas também alguns animais, que são usados para um tipo corrida, como um turfe, onde as pessoas apostam seu dinheiro no animal mais veloz. As crianças e os animais ficam presos e escravizados sob o domínio do chicote de um feitor alienígina.

O filme passa a imagem de que a riqueza só existe em função da opressão e prisão de crianças, homens, mulheres e animais.

Uma personagem rebelde, quando empreende uma fuga espetacular deste lugar, antes de subir em uma nave, (que fora roubada por um hacker que os ajuda a se livrar das leis que ali impera), liberta esses animais, (mas eles se esquecem das crianças) e diz quando livra o animal de sua sela que estava amarrada no dorso: “Agora sim está tudo completo!” deixando claro que os revolucionários é que são os que irão libertar todos da opressão.

O hacker é um bandido que faz jogo duplo. Ele se revela um canalha vendedor de armas e relativiza o bem e o mal quando diz “Não existe o lado bom ou o lado mal, eu vendo armas para quem me pagar mais”. Ou seja, dentro desse jogo, de que forma o bem e o mal é interpretado, dependerá do ponto de vista de quem participa do jogo político. Querem nos fazer crer que não existe o certo e o errado nesse jogo de poder relativista e sujo que vivemos nesta pós modernidade. Ou seja podemos mudar a realidade, distorcê-la por uma causa ou uma ideologia e tudo vai depender de qual lado estamos.

Outra coisa, que chega a ser engraçada, é quanto ao total multiculturalismo imposto neste filme. Existem personagens de todas as culturas étnicas terrestres. Pretos, brancos, amarelos, vermelhos, caucasianos, indianos, etc, etc. Tudo pareceu cumprir uma meta de cotas raciais. Acho que foi por isso que poucos ETs tiveram oportunidade de aparecer mais nestas cenas. Sim, desde sempre, os Jedi sempre se relacionaram muito bem com os Ets e gente de todo o tipo, e isso parece que foi uma oportunidade de ouro para os produtores fazerem propaganda deste multiculturalismo. Colocaram em cada nave um representante de uma etnia diferente, colocaram inclusive um ET apenas para para não dar muito na cara, e que todos juntos combateriam o mal.

As feministas também não podem reclamar, pois as mulheres ocupam, no filme, muitas posições de liderança e destaque dentro da história e até encenaram lutas bem equilibradas contra homens muito fortes. Uma líder “stomp trooper” feminina, aparentemente loira e de olhos verdes, morreu de forma cruel ao ser atirada ao fogo, após ser politicamente incorreta com seu oponente de batalha afrodescendente. Uma outra líder feminina se sacrificou para salvar os rebeldes em fuga em um ato de extrema bravura. Outra morreu pilotando uma nave em combate. Outra líder feminina asiática, quase morreu para salvar seu amor, o mesmo que matou a stromp trooper queimada, e que queria realizar um último ato heroico.

O ápice desta propaganda ideológica, claro, fica para o final do filme. Ela é cheia de simbolismos. O anel dos rebeldes com seu simbolo vermelho característico é dado para as crianças que se tornarão os novos rebeldes. Uma das crianças, suja e maltrapilha e ainda escrava dos ricos e malvadões, olha para o anel, segura sua vassoura e olha para o céu avermelhado e onde os acordes graves da orquestra toca uma sequencia que lembra um hino à liberdade. A cena remete muito àqueles cartazes de propaganda da antiga URSS. Chega até ser engraçado.

Muitos fãs que estão lendo essa minha análise, podem não concordar comigo, eu até entendo e respeito, pois sei que, naturalmente, poucos conseguirão mesmo perceber esses detalhes que eu percebi, pois na dinâmica das cenas, tudo fica bem difuso dentro da narrativa.

Resumindo, o filme foi produzido até certo ponto para agradar fãs antigos como eu, mas foi fundo para agradar ainda mais o público do séc. XXI pós modernista, adeptos do politicamente correto. O filme pega os mais jovens que se sentem parte de uma mudança cultural, o rebelde , o novo revolucionário. E esse jovens poderão adotar essas ideias como regras para suas vidas e ficarão com elas em seu subconsciente por muitos anos.

A ideia de povos lutando contra os ditadores assustadores e sanguinários tipo Darth Vader, que escravizava todo mundo e mata quem atravessa seu caminho, está ficando para trás. Agora, a ideia é lutar contra novas causas relativistas. Os novos Jedi serão muito diferentes dos originais. Não lutarão mais pelos antigos valores como a honra e a crença no transcendente, não lutarão mais pela justiça,  pela paz e pela ordem das coisas.

Será uma luta parecida com o que temos visto hoje em nosso mundo, será uma conexão pura e simples com o que temos na nossa sociedade atual. Lutarão apenas por causas relativistas vazias, baseadas no politicamente correto, sem propósitos valorosos, lutarão para agradar ideologias políticas comprometidas apenas com um coletivo amorfo, sem face e sem alma.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação, cultura e auto conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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