Quem tem medo de armas, levante a mão.

IMG_5566O medo do brasileiro por armas de fogo chega a ser patológico. Eu mesmo sempre tive pavor. Uma cultura de demonização das armas vem sendo sistematicamente introduzida na mente das pessoas há décadas. Até um tempo atrás, eu não sabia como reagiria ao ver uma arma, principalmente com uma apontada para mim. Além disso, as próprias pessoas não sabem como agiriam caso possuíssem uma arma de fogo e andassem com uma no carro, por exemplo. Me parecem que elas teriam medo delas mesmas. É compreensível.

Recentemente, um artista famoso admitiu publicamente ser à favor da revogação do estatuto do desarmamento, (estatuto esse que é definitivamente ilegal). Ele foi massacrado pela mídia em um programa semanal que passa aos domingos à noite em um canal aberto de TV bem popular, por expor sua opinião abertamente e se mostrar favorável que a população ordeira e de bem, tenha acesso às armas de fogo. Ele tem ainda o agravante de ser simpatizante ao pré candidato à presidente, o senhor Jair Bolsonaro. E isso, me parece ainda mais imperdoável para os seus algozes.

Vendo os comentários de pessoas comuns, que assistiram ao programa, sobre a população ter livre acesso à armas de fogo, em sua grande maioria, justifica seu medo apenas pelo “possível” aumento dos crimes no trânsito, entre outros, justamente pelo temperamento explosivo do brasileiro nessas ocasiões onde saem muitas discussões banais. Coisa que não víamos acontecer com tanta frequência nos anos 70, onde armas eram vendidas livremente no Mappin.

Observem aqui a falta de uma análise mais criteriosa deste assunto e o baixo grau do entendimento da realidade que a maioria das pessoas tem. O Brasil possui hoje uma taxa de homicídios maior que qualquer país em guerra. São 60 mil mortes violentas por ano. Pessoas são mortas pelas ruas do país de forma indiscriminada por bandidos armados até os dentes e por gente maluca que possui arma sem nenhum critério ou controle. Tudo isso só porque temos uma das leis rígidas de controle de armas de fogo do mundo. Ora, se temos o estatuto do desarmamento, como tanta gente ainda carrega consigo uma arma e sai matando pelo país afora?

São essas perguntas que esses canais de TV extremamente hipócritas não respondem para a população. Apenas desinformam. Não contam a verdade. Ou pelo menos o outro lado da história. E seus apresentadores patéticos, ficam com cara de bebes chorões quando falam sobre armas e demonizam quem não pensa como eles. A hipocrisia dessa gente que diz que “se o porte de armas de fogo for liberado, os crimes de trânsito (e outros) no país irão aumentar muito” é de uma superficialidade inacreditável. Basta olharmos as estatísticas de crimes e veremos que estamos em uma guerra assimétrica, onde o lado armado é apenas formado por bandidos, gente desequilibrada e instáveis que saem dando tiros à esmo por aí. Esses sim, merecem todo o rigor da lei, afinal são criminosos.

O sujeito que quer desarmar todo mundo, sabe intimamente o que ele quer. Ele sabe sua real intenção. Ele sabe que dispararia sua arma sob qualquer condição idiota. Justamente contra aqueles que pensam diferente dele sobre o porte de armas, dizendo coisas do tipo: “Fascista se combate na ponta do fuzil, eles não passarão”. Ou “merecem uma boa bala e uma boa cova…” É esse tipo de gente que quer desarmar todo mundo.

Muitos tem medo de lidar com uma arma por achar que ela mata por vontade própria. Coisa completamente sem sentido, afinal quem mata é o desequilibrado, o psicopata que a possui . É lógico que um sujeito desses, sem acesso a uma arma de fogo, usará qualquer ferramenta para realizar seu intento, pode ser uma faca, um cadarço, um martelo, uma foice, uma pá ou as próprias mãos, não precisa de uma arma de fogo necessariamente.

O fato é: O desequilíbrio psicológico desses cidadãos é que não permite as pessoas normais de terem uma arma de fogo, pois os que querem proibir armas coloca todas as pessoas normais na vala dos psicopatas e desequilibrados mentais, invertendo a realidade. Então, dentro de sua loucura, eles transferem seus medos, inseguranças para todas as pessoas dizendo que as ruas do país viraria um “bang bang” caso o povo tivesse livre acesso às armas. Ele faz isso baseado na sua própria cosmovisão, nos seus próprios sentimentos e desejos. Fica claro que esse tipo de pessoa, não hesitaria em facilmente comprar uma arma no mercado negro para fazer uma revolução, caso necessite de uma, enquanto o cidadão comum normal pensaria mil vezes antes de fazer uma coisa dessas.

A coragem do cantor citado acima em dizer abertamente seus pensamentos sobre esse assunto é admirável. Ele postou um vídeo atirando com uma arma de grosso calibre em um estande de tiros nos EUA. Tudo legalizado. Mas mesmo assim, demonizaram o rapaz.

Eu mesmo já levei minha família para atirar em um estande de tiro em São Paulo. Foi uma tarde divertida onde ensinei para minha esposa e filhos como uma arma funciona, mostrei a eles o alto grau de responsabilidade que devemos ter ao possuir e manusear tais objetos e como funciona a física, balística e a letalidade de cada uma delas. Veja aqui: (https://www.youtube.com/watch?v=KPZyts_z6rw)

É um dever dos pais bons e zelosos pela sua família, ensiná-los a entender e a lidar com armas, manusear algumas ou pelo menos saber como elas funcionam. Eles devem entender o respeito que se deve ter por esses objetos e principalmente ao ser humano. Saber como deve ser o comportamento deles quando, Deus nos livre e guarde, algum marginal apontar uma pistola em nossa direção. (Eu mesmo já sofri essa situação, uma delas com meus filhos). Saber como elas funcionam e não ficarmos nervosos ao ver esses objetos, já é um grande passo para evitarmos tragédias. Isso faz parte da educação.

Eu não sei se eu andaria armado ou teria uma arma em casa. Provavelmente não. Mas com certeza, me sentira mais seguro se soubesse que no meu condomínio, em um shopping, restaurante, loja no centro da cidade ou no supermercado, tivesse algum cidadão de bem, equilibrado e bem treinado portando armas de fogo. Afinal, a polícia ou o Estado não é onipresente a ponto de proteger todo mundo desta imensa cidade dos criminosos que assolam o país.

Alguns podem dizer aqui que estou radicalizando, que meu espectro político está à extrema direita. Que isso é ruim, etc, etc. Mas não vejo dessa forma. Apenas penso que TODOS que desejam possuir armas para os variados fins legais, poderiam ter o direito de adquirir essas armas também de forma legal. Não acho isso algum tipo de extremismo, mas sim o respeito às liberdades individuais do cidadão comum. Extremismo é deixar apenas esse alto poder de fogo na mão dos criminosos, psicopatas e traficantes.

Desmistificar as armas será uma tarefa muito grande para os ativistas deste setor. Foram décadas e décadas de doutrinação esquerdista dizendo que armas matam. Foram décadas onde ONGs pacifistas se manifestaram contra o porte e a comercialização, nos ensinando que abraçar pessoas vestidas de branco e com flores, soltando pombas da paz, cantando o hino Imagine resolveriam o problema da violência no Brasil. Notamos aqui que este é um problema que está se tornando perigosamente quase insolúvel.

Para finalizar, uma história que aconteceu comigo:

Certa vez, eu estava passeando pelas ruas de um bairro na cidade Chicago nos EUA, junto com um morador local. A criminalidade daquele bairro é literalmente zero. Fiquei admirado com as ruas calmas, tranquilas, casas sem muros ou grades nas janelas. Eu, inocentemente, perguntei a ele se as pessoas não se sentiam inseguras vivendo tão expostas assim. Ele calmamente me respondeu:

“- A segurança está dentro das casas. Cada família aqui tem sua arma para defesa de sua propriedade e para atividades de caça, etc. E tome cuidado, ande apenas pelas calçadas, não entre nos terrenos de propriedades privadas, pois aqui você poderá se ferir gravemente se fizer isso.”

Diante do meu espanto, ele completou:

“Se no seu país não é assim, vocês estão com sérios problemas meu caro”

Sem mais…

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

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A saga do número 22.02.2002

casamento1Há exatos 16 anos, conheci a saga do número 22. Me casei com a doce Debby no dia 22.02.2002. Escolhemos essa data por ela achar cabalisticamente (seja lá o que isso signifique) perfeita. Foram essas as palavras dela:

-Imagine só? Vamos casar na data cabalisticamente perfeita!!! Que sorte a nossa…

Aceitei na hora casar neste dia quando ela veio com esse argumento irrefutável.

A cerimônia estava marcada para às 20:40, mas atrasou e ela pisou na Igreja a exatos 21:01 (4 = 2+2)

Desde então, essa sequência de números 2, nos “persegue”. Meu filho mais velho nasceu no dia 1.10.2006 às 23:52. (a soma da 22) Já o mais novo no dia 08.12.2010 23:30. (aqui também).

– Só coincidência! – eu falo.

Minha esposa acha que vivemos no “Mundo de Truman”, onde um “diretor” fica pregando peças na gente com o número 22.

Se estamos vendo um programa na TV, lá aparece o 22 na mesa de um bar, ou na fala de um personagem. Poderia ser qualquer número. Sei lá 17, 55, ou até o 7, o mais comum de todos. Mas vira e mexe e está lá o 22. É complicado.

A placa do carro da família do desenho do Gumball é 22. Poderia ser 76, sei lá.

Semana passada, recebi o e-mail da universidade dizendo o dia do início das aulas: Lá estava ele, o 22.02. Imaginei o nosso “diretor” altivo e irônico dizendo:

– Vou estragar o dia do aniversário de casamento dele com essa aula…

Há alguns anos, eu fazia frequentes viagens, em fevereiro, para o exterior. e adivinhem quando era a viagem? Quase sempre no dia 22.02, sim, mas várias vezes foi no dia 02.02 justamente no dia que me casei no civil.

Começamos a brincar com isso quando percebemos a magia do 22 no nosso passado desde que casamos. Foram várias ocasiões em que o 22 apareceu sem aviso na nossa frente. É divertido, pois a saga do número 22 nos faz frequentemente lembrar da data mais importante de nossas vidas.

Ano passado, estávamos passeando com as crianças de carro quando ouvimos o anúncio de um filme chamado “2:22 Encontro Marcado”. Ouvimos atentamente o locutor dizendo:

“- Um homem que tem a sua vida permanentemente mudada quando uma série de eventos se repete exatamente no mesmo horário todos os dias, às 2:22 da tarde. Quando Dylan se apaixona por Sarah (Teresa Palmer), uma jovem mulher que tem sua vida ameaçada pelos eventos ocorridos, ele deve resolver o mistério que o cerca para preservar o amor que a vida lhe ofereceu como uma segunda chance. “

Rimos juntos e juntos falamos: – esse ‘diretor” da nossa vida não brinca em serviço.

Não poderia ter sido 3:33, ou 4:44 da tarde? Não, o filme se refere ao 2:22.

Para nós o 22.2 aparece em todos os lugares, na escola, no parque, no restaurante, nas placas dos carros. Neste último chegou ao cúmulo de acharmos uma placa FEV – 2202…

Pode parecer mentira, mas isso nada tem de extraordinário, é apenas probabilidades e estatísticas. É tipo , quando sua mulher fica grávida, (ou você acha que a SUA namorada está) e você literalmente vê todas as mulheres grávidas da cidade passando por você o tempo todo, fazendo tu lembrar que você será destronado em breve por um bebê rosadinho e chorão e que tomará sua mulher de você e mesmo assim você vai amá-lo loucamente.

O universo é bom, ele faz com que minha mulher e eu nunca nos esqueçamos da magia que o 22.02.2002 trouxe para nossas vidas.

E por falar nisso, que venha 22.02.2022… daqui a 4 anos. Olha só 2 anos + 2 anos = 4 anos. Tenho certeza que esse dia vai ser muito doido! Será nossas bodas de 20 anos. Aí sim faremos um festão. E as bodas de 22 anos? Será no dia 22.02.2024 ou seja 22.02.202(2+2). Melhor ainda, outro festão.

Para os casais apaixonados, que estão pensando em se casar, reservem essa data na igreja mais linda da sua cidade, tenho certeza que vocês jamais se arrependerão de fazer parte da saga do 22.02.2022. Para mim, esses números representam o amor e sempre nos fará lembrar do comprometimento que eu e a Debby tivemos um com o outro de seguir em frente, na alegria e na tristeza na saúde e na doença, na riqueza e pobreza, sempre juntos!

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

A escola não foi feita para divertir ninguém.

bagunça1O carnaval está chegando. Agora é hora de esquecermos nossos problemas e cair na folia. É uma explosão de prazeres e diversão. Muitos de nossa sociedade vive única e exclusivamente para desfrutar destes dias de alegria e felicidade. São sensações prazerosas que experimentamos e que são difíceis esquecer. Duram apenas cinco dias. “Pena que acaba”, dizem uns, que insistem em prolongar a festa até a quinta feira de “cinzas”

Quando vemos que somos um país que tenta construir uma civilização baseada nos prazeres das sensações, onde temos um projeto civilizatório baseado em carnaval, samba, pagode, funk, futebol, novelas, reality shows e suas comemorações, fica claro que nós brasileiros nos emocionamos somente com coisas deste tipo.

Um dia desses, proferi uma palestra para uma equipe de alunos e professores em uma universidade. Uma das coisas mais difíceis que me deparei nesse dia foi a de tentar manter aquelas pessoas atentas às minhas argumentações sobre o tema em discussão. Após os trabalhos, no fim do dia fomos para um “happy hour” em uma casa noturna tomar umas cervejas e relaxar um pouco.

O bar estava lotado de professores e alunos da universidade. Todos caíram na farra dançando alegremente ao som do funk proibidão do momento. Todos estavam fascinados por aquela situação. Era um contraste incrível. Os sorrisos daquelas pessoas com seus olhos brilhando de felicidade. Olhei para todos que estavam ali e fiz uma auto análise me achando um chato.

– Minha palestra deve ter sido uma chatice – pensei.

Conclui que todos os colegas devem ter pensado justamente isso enquanto eu tentava aplacar minhas argumentações sobre o problema do ensino e da educação e seus efeitos sobre o mercado da tecnologia e o desenvolvimento no Brasil. Me lembrei de que muitos dos colegas bocejavam ou literalmente “pescavam” durante minha explanação.

Que contraste isso, vejam só, aquelas pessoas que ficaram duas horas, em uma atenção artificial dificílima, sofrendo, tentando prestar atenção em minhas ideias, contra aquelas pessoas com uma espontaneidade genuína e encantadora durante a festa na casa noturna. Eram literalmente outras pessoas.

A proposição civilizatória brasileira é essa. É a de produzir uma sociedade baseada em entidades quantitativas.  Muitos prazeres. Muitos deleites sensuais. Muita diversão. É por isso que aqui temos essa epidemia de diversão, sensualidade, do calor, praia, carnaval, e tudo que é correlato a esses prazeres efêmeros. Basta ver o vídeo que a pretensa  candidata ao posto de Ministra do Trabalho do atual governo postou no youtube em uma lancha, com quatro homens sem camisa “sarados e depilados”, falando sobre sua seriedade para ser a postulante ao cargo de ministra e de que não sabia que tinha processos trabalhistas nas costas.

O problema dessa proposta civilizatória hedonista é que ela é impossível de se estabelecer como uma grande civilização em si, pois para se criar uma civilização de fato é necessário ter ligados a ela entidades qualitativas e não quantitativas. Não se produz uma civilização de verdade baseada em quantidades.

Veja, a diferença entre o prazer e a dor é a intensidade. Para ir do prazer a dor é apenas uma questão de segundos. É como comer chocolate. Uma barrinha é uma delícia, duas, é bom, mas dez barrinhas, dever ser no  mínimo indigesto. Se você duvida disso, é só experimentar comer dez barras de chocolate brasileiro, mesmo o de boa qualidade, e verá o resultado imediatamente na sensação que isso provoca no seu estomago guerreiro. O prazer de comer chocolate está em comer pouco. Mesmo que você ame comer chocolate, você não irá aguentar comer muitos mais depois da quinta  ou sexta barra.

Aprendi isso quando fui prestar um serviço na fabrica de bombons da Nestlé. O chefe da produção falou:

– Aqui pode comer à vontade! Não há limites. – com um sorriso malicioso no canto da boca.

Eu, com os olhos maior que o estômago, logo na primeira hora de trabalho comi vários bombons, de todos os tamanhos e sabores, na segunda hora, meu ímpeto havia diminuído, eu já estava meio cansado, na terceira hora o cheiro do chocolate já me causava náuseas te tão enjoativo que se tornara. Sábio o chefe da produção. Um mestre em controle de perdas.

Muitos mestres da pedagogia dizem que a educação vai mal, pois as aulas não são prazerosas aos alunos. Com aulas mais prazerosas e divertidas os alunos aprenderiam mais e melhor. Quanto mais diversão, mais aprendizado. quanto mais diversão, melhor.

Você, inteligente que é, deve estar perguntado:

-Mas quem foi que criou esse pensamento hedonista na educação?

Bem, no Renascimento, um sujeito chamado Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius; em português, João Amós Comênio;) criou essa proposição. Ele é o padroeiro da educação moderna. Ele foi o inventor deste pensamento. Das aulas prazerosas. A concepção da educação neste sentido, que estão implantando faz mais de 500 anos, se mostrou um fracasso. Ele sugere uma aula agradável tanto para professores quanto para os estudantes. O problema é que, tudo que foi pensado na pedagogia desde o Comenius, foi o que catalizou a destruição do verdadeiro conceito de educação e colocou no lugar o que chamamos de ensino. Portanto, hoje, na prática, o que temos no sistema educacional é o ensino puro e simples.

No Brasil, tiramos as crianças de suas casas por cinco horas diárias durante oito anos. O país investe 20% do PIB com esse tipo de educação e após esse período, conseguimos formar uma horda de analfabetos funcionais andando por ai. Dos que chegam ao oitavo ano, nenhum deles sabe ler efetivamente ou, se leem, não conseguem entender verdadeiramente o que leu. Não sabem para que serve a matemática ou sequer percebem os fenômenos da física ou da química no seu dia a dia. Não sou eu quem afirma isso. Basta fazer uma rápida pesquisa no Google e vocês irão observar esse fenômeno incrível nas estatísticas oficiais do governo.

Percebam que, tudo o que tem a ver com prazer é um processo de quantidade. Prazer e dor são graduações quantitativas. A educação verdadeira não lida com quantidade. Ela lida com qualidade. Lida com as virtudes que são entidades qualitativas. Quando pensamos na quantidade, estamos apenas nos desviando da virtude. A virtude é o caminho do meio. Não que uma boa aula agradável não deva ser dada. Nem que a aula seja tão enfadonha que todos queriam fugir dela. Não é isso. O que digo é que não é esse o objetivo da escola. A escola não foi feita para divertir ninguém, nem para torturar ninguém.

A escola foi feita para ensinar determinadas qualidades. O abandono destas qualidades, que era meta dominante na idade média, com o uso das sete artes liberais (Trivium e Quadrivium) foram substituídas apenas por uma experiência agradável e acreditem, esse movimento destruiu completamente a possibilidade de oferecermos uma boa educação para os nossos filhos.

 

Texto baseado em uma palestra do Prof. J.M. Nasser

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

E se todos tivessem uma educação clássica?

1classicaHoje é domingo e domingo pede um cachimbo, então, como não fumo, peguei meu café e, entre um gole e outro, comecei a pensar sobre o motivo dessa profunda crise que nos afeta. Como diretor de uma pequena escola de apoio escolar, comecei a pensar sobre os porquês de estarmos profundamente afetados por uma educação tacanha e que levou nosso país à beira de um colapso econômico e social. Pensei nos motivos que nos deixaram à mercê de uma cultura que destrói a cada dia as coisas admiráveis que foram construídas por séculos e transformam nosso país em um amontoado de gente sem rumo. Então, idealizei uma nova escola para nossos estudantes fazendo a mim mesmo a seguinte pergunta:

– E se todos tivessem uma Educação Clássica?

É uma boa pergunta, não é? E como uma boa pergunta merece sempre uma boa resposta, comecei idealizando como essa escola deveria ser para responder a essa intrigante pergunta. Pensei em grandes nomes de nossa civilização:

Galileu Galilei, Willian Shakespeare, Charles Darwin, Martin Luther King, Albert Einstein, Thomas Jefferson, entre outros. O que esses grandes nomes teriam em comum?  Certamente uma educação clássica.

Tenho certeza absoluta que muitos dos leitores não tem a menor ideia do que esse tipo de educação possa significar. Esclareço que esse foi o método onde muitos dos grandes e mais influentes nomes da história, inclusive os que citei aqui, foram educados.

Eu descobri a educação clássica por influência de um renomado professor, já falecido, chamado José Monir Nasser, que me apresentou postumamente, um livro chamado O Trivium (Gramática, Lógica e Retórica) e O Quadrivium (Álgebra, Arquitetura, Música e Cosmologia)  escrito pela irmã Miriam Josef e um outro livro chamado “A arte de ler” do autor Mortimer Adler. Quanto mais eu lia esses grandes livros, mais eu me convencia que essa deveria ser a educação ideal para as crianças de todo o país.

É um conceito de sucesso histórico comprovado e muitos educadores pelo mundo afora estão redescobrindo esse método como uma das mais efetivas maneiras de se ensinar as crianças.

Como sou pai de duas crianças de 5 e 9 anos, eu e minha esposa nos preocupamos com o tipo de educação que eles recebem fora de casa. Eles estudam em uma escola particular com boa reputação como bolsistas. Mas mesmo essas boas escolas estão sob o rígido controle pedagógico do MEC em matérias como: Matemática, ciências, história, língua portuguesa, geografia, filosofia e ensino religioso.

“Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nós perdemos praticamente nossa humanidade, nossa alma?”

É fácil perceber como os alunos das escolas particulares e estaduais não estão sendo academicamente desafiados e não aprendem os valores que nós consideramos os mais importantes para eles aprenderem. É muito frustrante isso, mas essa frustração faz todo o sentido. Basta você ver os resultados dos testes destes mesmos alunos, comparados com de outros países e você verá que ocupamos as últimas posições no desempenho em Matemática, Ciência e Leitura.

Esses resultados são terríveis! Isso mostra que o ensino da forma como é hoje no Brasil é praticamente irrecuperável.

O país se depara hoje em dia com as dificuldades em contratar profissionais, melhorar o desempenho empresarial e governamental. Além disso, estamos perdendo jovens com grande potencial de sucesso para a violência e as drogas. Então eu me pergunto: Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nos levou a perder praticamente nossa humanidade, nossa alma?

A escola que sonho em fundar, é aquela que ofereceria o tipo de educação clássica e que encontraria os pais desejosos desse tipo de ensino: O ensino de uma Escola Clássica. Muitos devem, agora estar se perguntando: “Mas que raios é uma Escola Clássica?”

“Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.”

Aprendi no livro “O Trivium”  que a educação clássica começa com 3 matérias ou três estágios de aprendizado: Gramática, Lógica e Retórica.  Na gramática o aluno aprende sua língua mãe, como uma ferramenta para entender as outras matérias que virão. Na lógica, ele aplica todos os assuntos aprendidos e, mais tarde, se foca na retórica onde ele aprende a se comunicar adequadamente. Todos esses estágios se integram perfeitamente com a progressão natural do desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Nesta escola, os alunos aprenderiam a pensar de forma estruturada, pois crianças aprendem qualquer coisa com muita facilidade. Vejo isso em casa, com meus filhos, que conversam comigo sobre assuntos da literatura e das ciências com muita desenvoltura. Eles nunca se cansam de falar sobre planetas, velocidade da luz, ondas gravitacionais, estrelas de outras galáxias, histórias de reis e conquistadores, a vida de Jesus, histórias clássicas e fábulas.

Um outro aspecto da Educação Clássica, nesta hipotética escola, seria o uso de escritores clássicos logo no início do estágio gramatical. Os clássicos resistiram a ação do tempo. Possuem toda a sabedoria de gerações e são repletos de tanta riqueza de conteúdo que encanta as crianças que adoram lê-los.

Me deparo diariamente com alunos do ensino médio com uma caligrafia horrível e uma péssima compreensão do que leem, não só pela letra ruim que eles não entendem, mas por não saberem ler efetivamente. Na fase Gramatical, nesta escola, ensinaríamos a arte da boa caligrafia, por ela trazer benefícios cognitivos já conhecidos. O ensino do Latim seria parte do currículo. O Latim é a base de TODAS as línguas românicas, base da nossa própria língua. Os alunos que sabem Latim, tendem a apresentar um desempenho muito melhor em provas padrão, e ainda por cima, aprendem outros idiomas modernos com muito mais facilidade.

História é outra parte importante da nossa escola dos sonhos. Ensinaríamos desde a História Antiga até a Moderna sequencialmente, várias e várias vezes durante os 12 anos de estudos dos alunos. Priorizaríamos os estudos dos documentos originais, ao invés de cartilhas e apostilas, assim, os alunos estariam na verdade, lendo o que as próprias pessoas tiveram que pensar e dizer quando da ocasião dos fatos.

E sobre a fase Lógica?

Nessa fase os alunos estão curiosos e vivem perguntando o “porquê” ou “como” disso ou daquilo. Eles estão se tornando argumentativos. O objetivo da fase lógica seria: Dar ao estudante uma compreensão profunda das matérias estudadas até aqui. Daríamos aulas de Lógica Formal, onde elas aprenderiam a arte da argumentação, aprenderiam argumentos formais e bem fundamentados reconhecendo falácias lógicas tão comuns nos dias atuais. Neste mesmo período, ensinaríamos aos alunos o processo de como escrever de verdade, tudo isso até o final do ensino médio.

Na fase Retórica, os alunos já estariam mais independentes. Com o que aprenderam eles já formariam suas próprias opiniões e começariam a se “separar” da família. Agora eles teriam as ferramentas dos assuntos e opinião própria, mas o mais importante eles entenderiam profundamente esses assuntos. Eles analisariam e sintetizariam as informações, formariam suas próprias opiniões embasadas em fundamentos sólidos, e seriam capazes de comunicar essas opiniões de forma efetiva e persuasiva.

Esse seria o grande tesouro que a nossa Escola Clássica daria aos estudantes. A capacidade de discutir profundamente o que foi estudado, onde eles poderiam aplicar a análise e a síntese imediatamente na vida real. Desenvolveriam argumentos baseados na razão, e depois disso, receberiam um treinamento formal em retórica onde aprenderiam a arte de escrever e falar de forma articulada e persuasiva. Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.

E os valores?

A Escola Clássica abordaria tanto a mente quanto a alma, a integridade do ser (Corpo, Coração, Mente e Espírito). Nutriríamos a alma com os valores e crenças Judaico-Cristãs. Jamais exigiríamos que nossos alunos fossem Cristãos. Os faríamos apenas entender a perspectiva Cristã e seus valores fundamentais. Exporíamos outras tradições de fé e assim eles seriam capazes de compreender outros pontos de vista do mundo.

Para muitos leitores, isso pode parecer fora da realidade atual. Mas sonhos foram feitos para serem sonhados. Estou convencido que se todas as pessoas da minha geração e da geração seguinte a minha tivessem estudado na Escola Clássica, viveríamos hoje em um país muito diferente e menos vulnerável aos mentirosos profissionais de plantão.

Os alunos , expostos a esse método, estariam aptos a frequentar cursos superiores em qualquer país do mundo e teríamos muito mais empreendedores e profissionais qualificados para desenvolver o país que queremos.

Na escola clássica, como dito anteriormente, nossos alunos aprenderiam como se tornar pensadores profundos e a falar de forma persuasiva e articulada, aprenderiam a raciocinar de forma lógica e a escrever bem. Aprenderiam a aprender.

Isso faria com que eles desenvolvessem o respeito pelos outros e por si mesmos, inclusive por aqueles que tem valores e crenças diferentes, mas sem tolerar a destruição das coisas admiráveis que nossa civilização conquistou. Internalizariam seus valores e teriam, com isso, uma orientação correta para tirar conclusões morais. Se tornariam responsáveis, confiáveis e aprenderiam a dar atenção ao mundo à sua volta. Eles desenvolveriam a força de caráter para agir com compaixão.

Agora , vamos voltar à pergunta inicial:

Como o mundo seria se todos de nossa cultura tivessem uma educação clássica?

Imaginem como seria se todos estudassem na Escola Clássica?

Pense nessas pessoas atuando nos gabinetes em Brasilia, no Senado Federal, nos governos estaduais, prefeituras, nas empresas, liderando grandes projetos, nos meios de comunicação de todo o país, nos sistemas de ensino, na nossa vizinhança.

Como seria a nossa sociedade? Faça uma reflexão.

Cidadãos que saberiam sua história verdadeira, de forma tão profunda que isso evitaria os erros do passado. Cidadãos que tomariam suas decisões baseados na razão e não apenas na emoção, e que reconheceriam as mentiras de modo que não poderiam ser enganados ou manipulados. Cidadãos capazes de expressar seus pensamentos e ideias de forma articulada e convincente através de debates respeitosos, ao invés apenas de denegrir aquele de quem discordamos. Isso seria uma mudança prazerosa no cenário das diferentes áreas da interação social

Qual o tipo de educação vocês querem que nossos futuros líderes tenham? E seus próprios filhos, a educação escolar que eles recebem hoje, está adequada para a construção do país que queremos?

Pense nisso!

Eu sei que a Educação Clássica funciona… ou vocês acham que a educação atual, que temos nas escolas nos dias de hoje, é apenas um mero acaso?

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.