Os professores brasileiros são medíocres? E dos alunos, ninguém diz nada?

1111a-day-in-the-life-of-a-connected-teacherPor Maicon Tenfen

Por mais brilhante e preparado que seja um professor, ele não irá longe sem o apoio da coordenação da escola, o auxílio dos pais e a disciplina dos alunos.

No seu mais famoso sermão, o da Sexagésima, proferido na Capela Real de Lisboa em 1655, o Padre Antônio Vieira parte de uma criativa interpretação da Parábola do Semeador para constatar que a palavra de Deus não faz fruto entre os homens.

Por que isso acontece?, pergunta-se o padre.

Porque tem algo errado, óbvio.

Mas O QUE exatamente está errado?

A partir dessas questões, o pregador dá uma antológica aula de lógica comparativa:

— Para um homem ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. (…) O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

A resposta é a que se espera de um padre: Deus é perfeito, logo não pode faltar; os ouvintes são ignorantes, logo não adianta culpá-los; resta pôr a culpa no PREGADOR, que fracassa por enfeitar demais o discurso, por falar com voz inadequada, por não dar bom exemplo etc.

Daí em diante, na busca de soluções para que a Boa Palavra frutifique na terra, Vieira dá dicas de como proceder para realizar um bom sermão.

“E saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto”, conclui o jesuíta.

A esmagadora maioria das assessorias públicas de educação se limita à premissa que sustenta o Sermão da Sexagésima. Troquemos Deus por conteúdo, ouvinte por aluno e pregador por professor. Quem é o culpado pelo fracasso do sistema educacional brasileiro? O professor, lógico, por isso ele deve aprender a se comportar assim ou assado para apascentar as feras que estão na sala e milagrosamente promover o conhecimento.

Há alguns anos, quando um colega professor começou a dar aulas num colégio particular, alguém da turma perguntou em “marxismo vulgar” se ele agora se dedicaria a limpar as bundas dos filhos da burguesia.

— Claro que sim — respondeu o espirituoso colega. — Do mesmo modo que vocês vão limpar as bundas dos filhos do proletariado.

Apesar do tom jocoso, ele estava expressando um descontentamento presente entre os velhos e os novos membros do magistério. Já naquele tempo, todos sabiam que, independentemente de a escola ser pública ou privada, o paternalismo pedagógico e a “alunocracia” são gerais. “Limpar a bunda” é apenas uma expressão mais direta para aquilo que nas salas de professores se conhece por suportar a indisciplina enquanto a coordenação “passa a mão” na cabecinha dos baderneiros.

Quando um estudante não faz a tarefa ou bagunça uma aula inteira, existem mil e uma formas de explicar o que aconteceu: é muito pobre (ou é muito rico!), os pais não lhe dão atenção (ou é sufocado por uma mãe superprotetora), sofre do Transtorno X (ou do Transtorno Y), é uma vítima dos meios digitais (ou lhe falta acesso à internet) etc, etc. Em vez de encararem a realidade de que, na maioria dos casos, o aluno indisciplinado se aproveita das colheres de chá da chamada pedagogia moderna, os psicopedagogos criam nomenclaturas complexas para justificar a preguiça e o desrespeito.

E muitos pais caem no conto sem a menor necessidade. Alguns chegam a admitir a incapacidade dos próprios filhos e, em vez de exigir empenho, entregam tudo nas mãos… de Deus? Não, dos professores. Estes, por sua vez, a partir do momento em que percebem o tamanho da armadilha — serão responsabilizados pelo fracasso de toda uma geração! — passam a jogar conforme as regras não escritas do jogo. É quando surgem as provinhas moleza, as notas gratuitas, os infindáveis trabalhos de recuperação…

Ninguém precisa tirar diploma em Harvard para perceber que a lógica do Sermão da Sexagésima não cabe na educação brasileira, pelo menos não com a displicência das secretarias de educação. Por mais brilhante e preparado que seja um professor, ele não irá longe sem o apoio da coordenação da escola, o auxílio dos pais e a disciplina dos alunos.

Os alunos, a propósito, deveriam ser incentivados a estudar pra valer. Deveriam, no mínimo, aprender a limpar as próprias bundas.

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Como a Internet torna as pessoas estúpidas.

moonATENÇÃO: Teorias da Conspiração são pura bobagem e histórias sem fundamento para que alguns ganhem muito dinheiro com isso.

Muitas pessoas que leem este blog podem achar que essa minha afirmação é tão obviamente verdadeira e trivial que não valeria a pena tratar deste assunto aqui.  Muitos outros acharão que a afirmação acima é tão falsa que vão pensar que eu devo ser um robô ou um escravo dos “Illuminati”. Espero que também haja entre os leitores algumas pessoas equilibradas que encontrarão algo de interessante neste texto.

Por quê?

Depois de ver alguns vídeos no Youtube de pessoas até muito inteligentes a cerca deste assunto (sobre o qual eles estavam claramente errados), comecei a me perguntar:

  • Como eu sei que eu sempre estive certo sobre essas coisas absurdas?
  • Como eu sei que as coisas que sei são verdadeiras e não as conspirações?
  • E por que acredito que essas coisas são verdadeiras, em vez de outras falsas?
  • E por que algumas pessoas acreditam em coisas que são obviamente falsas?

Meu sentimento inicial de que eu seja excepcionalmente inteligente para decidir o que é verdade, acabou dando lugar à percepção de que todos nós fazemos inferências praticamente da mesma maneira. Este texto é um resumo das minhas conclusões.

Incertezas

Em geral, não existe conhecimento “absoluto”. O melhor que podemos conseguir é o que poderíamos chamar de “certeza razoável”. Minha preocupação neste texto é descobrir quais coisas devem ser “razoavelmente certas”.

Como professor, vou pedir que você considere a lista de perguntas abaixo. Para aquelas perguntas que você já sabe a resposta, pergunte a si mesmo como você sabe. Esse é o ponto deste exercício.

1- Você acha mesmo que a terra é plana?
2 – O Sol é realmente uma bola sólida de grafite, com uma atmosfera gasosa de algumas centenas de milhas de espessura?
3 – A lua está mesmo a menos de 160.934 km de distância da terra?
4 – O World Trade Center foi mesmo atingido por aviões no 11 de setembro?
5 – Stanley Kubrick conspirou com a NASA, falsificando a ida do homem a lua com a Apolo 11?
6 – E finalmente, nós realmente vivemos no mundo da Matrix sob um domo?

Não espero que alguém que leia isso seja capaz de responder a mais do que algumas delas por experiência própria. (Você estava em Nova York no dia 11 de setembro? Se não, você está aceitando a palavra de outra pessoa em relação aos aviões.) Na maioria das vezes, dependemos das informações que recebemos de outra pessoa sobre um determinado assunto. Mas as pessoas podem estar erradas, podem mentir, experimentos podem ser fraudados, e até mesmo nossas próprias memórias podem estar erradas, como estudos de testemunhas oculares demonstraram. Então, como sabemos o que é verdade? Se você nunca esteve lá, como você sabe que o Acre existe? (E se você esteve lá, como você sabia que estava no Acre? Você andou até lá, verificando marcos para ter certeza de onde estava, ou checou sua localização com seu próprio sextante e relógio depois que chegou?)

Apelo à Autoridade

Quando não sabemos a resposta a uma pergunta, procuramos alguém que saiba. Em argumentos na Internet, isso é comumente denunciado como um “apelo à autoridade”. De fato, a menos que você seja um indivíduo que estuda ou que conhece muitas ciências, você provavelmente responderá quase todas as questões de fato pelo o que você encontrar por “apelo à autoridade”. Em que ano estamos? Verifique o calendário. Que horas são? Verifique o seu telefone, que recebe esta informação sobre a hora de uma fonte central, pelo menos é o que dizem. Isso é inevitável e garanto ser verdade há milhares de anos (exceto a parte do telefone celular, claro).

Encontrar fatos genuinamente novos por conta própria e confirmar que as coisas que pensamos saber realmente são verdadeiras usando seus próprios recursos é muito difícil, e não há tempo para confirmar mais do que uma pequena quantidade deles. Então, quase o tempo todo, dependemos do apelo à autoridade.

Isso nos leva à questão central, que determina o que achamos ser verdade, e leva diretamente ao problema das teorias da conspiração e da estupidez baseada na Internet:

  • Quem é “uma autoridade”?
  • Como sabemos em quem acreditar?

Teorias da Conspiração Introduzidas

Uma “teoria da conspiração” é uma afirmação geralmente considerada falsa por fontes de informação “mainstream”, mas que é afirmada por uma minoria para descrever o verdadeiro estado de coisas. Para que isso seja verdade, as fontes do “mainstream” devem estar conspirando para nos dizer o contrário, intencionalmente ou por estupidez compartilhada.

Teremos mais a dizer sobre eles mais adiante, mas por enquanto precisamos de um fato sobre as teorias da conspiração: elas são irrefutáveis. Por sua natureza, é impossível provar que estão errados. (Por critérios de Popper, portanto, não são teorias válidas, pois não são falsificáveis). A teoria da conspiração apenas se dobra para acomodar novas evidências. Abaixo temos mais perguntas com a prováveis respostas conspiratórias:

P: Você acha que nós fomos para a Lua porque você viu na TV ao vivo?

R: Claro que não, o vídeo da TV foi falsificado.

P: Você conhece o astronauta Buzz Aldrin pessoalmente, e ele disse que foi para a Lua?

R: Meu caro, ele mentiu para você.

P: Você é o Buzz Aldrin?

R: Se você realmente acredita que estava na Lua, então você teve falsas memórias implantadas em você pela CIA, através do uso de drogas e hipnose, então você acha que foi para a Lua, mas na verdade não o fez.

Antes da Internet, era raro encontrar alguém que aceitasse teorias da conspiração e rejeitasse as crenças comuns. Na era da Internet, isso tornou-se bem comum. No restante deste texto, consideraremos por que isso seja verdade. Também estaremos olhando para a questão de como podemos ter tanta certeza de que a maioria esmagadora das teorias de conspiração estão incorretas, já que elas não podem estar erradas.

Preconceito da confirmação em um mundo simples

Há muito tempo, quando havia menos pessoas no mundo e elas viviam em comunidades isoladas (ou tribos, ou qualquer outra coisa), era fácil montar um modelo mental das fontes de conhecimento. Pessoas que eram confiáveis ​​se tornariam conhecidas por isso. Por outro lado, pessoas que não eram confiáveis, ou inventavam histórias, e muitas vezes se mostraram erradas, logo seriam conhecidas também. Quando novas informações chegavam, elas eram testadas em relação ao que já se conhecia e avaliavam a fonte à luz do que se sabia sobre todos no grupo, e dava então para se ter uma boa ideia se que aquilo era verdade ou não.

Na era pré-internet, mas pós-industrial, nossas fontes de informação ainda eram limitadas. Se você quisesse aprender sobre algo técnico (como a teoria da relatividade ou como um foguete Saturno V funcionava) você poderia procurar em uma enciclopédia (se você possuísse uma), você poderia visitar uma biblioteca, ou você poderia ler sobre isso em uma revista como Science News ou lia sobre isso em um jornal especializado. Se você estivesse na escola, você poderia perguntar a um professor. Estes eram tudo o que poderíamos chamar de fontes fidedignas – então, desta forma, era improvável que você encontrasse um ponto de vista “alternativo”. O noticiário de televisão era geralmente restrito a alguns poucos canais  e eles eram quase tão “mainstream” quanto a enciclopédia ou o professor de física do ensino médio.

Nesse mundo do passado, se acontecesse de você se deparar com um ponto de vista “alternativo”, ele falharia em se encaixar com o que você sabia, ele falharia em se encaixar com informações que você poderia encontrar em fontes que você “sabia” serem precisas, e se você perguntasse a alguém cuja opinião você respeitava, era bem provável que eles lhe dissessem que você estava errado. Consequentemente, você tenderia a rejeitar a informação “alternativa” como sendo improvável que fosse verdadeira. Lembro-me de ter encontrado um livro na biblioteca que afirmava refutar a Relatividade, muito antes de a Internet existir. Eu não sabia o suficiente para julgá-lo na época, mas uma coisa se destacou para mim: não se encaixava com mais nada que eu lesse naquela época, e absolutamente não se encaixava com nada que eu soube posteriormente sobre a relatividade.

Julgar novas informações com base em se elas se encaixam com o que você já sabe é um viés de confirmação. Em um mundo primitivo, isso era uma ferramenta extremamente útil para eliminar o absurdo.

Talvez a afirmação mais conhecida do princípio do viés de confirmação como uma ferramenta útil seja “Exigências extraordinárias exigem provas extraordinárias“. Isso é um viés de confirmação. Algo “extraordinário” é algo “fora do comum”. Em outras palavras, se uma reivindicação não é o que esperamos, então é provavelmente falsa.

Viés de Confirmação na Internet

Na presença da Internet, há problemas com o viés de confirmação.

Na Internet, o problema de separar a verdade do absurdo é muito mais difícil. Há uma infinidade de fontes e não temos conhecimento direto de nenhuma delas. Além disso, podemos nos encontrar discutindo coisas com indivíduos que nunca viveram nos tempos anteriores à Internet. Nós apenas sabemos que não temos nada sobre sua reputação cientifica, não temos um conhecimento prévio de seus trabalhos e não temos meios de julgá-los além de suas próprias palavras.

Nesse ambiente, se começarmos a suspeitar que algo é verdade, geralmente não é difícil encontrar fontes na Internet que confirmem nossas suspeitas, quer a coisa seja verdadeira ou não. Se não tivermos critérios objetivos para julgar a verdade do que vemos, então selecionando as fontes que “se encaixam” no que já conhecemos (ou pensamos), podemos reforçar nossa visão inicial das coisas, o que, por sua vez, torna mais provável selecionarmos fontes que concordem com essa nossa visão no futuro. E em pouco tempo nos encontramos postando mensagens em sites conspiratórios, discutindo o fato de que os astrônomos estão escondendo a nossa situação real, que é a de que vivemos na superfície de um planeta plano sob um domo.

Assim, o viés de confirmação, que é extremamente útil em um mundo simples, acaba sendo uma receita para o desastre em um mundo “totalmente conectado”. A menos que você tenha a sorte de começar com uma coleção “sensata” de crenças na qual se encaixar no conhecimento recém-adquirido, o acesso à Internet provavelmente o levará a desviar-se do que é correto.

Como observamos anteriormente, o viés de confirmação é o que quase todos nós usamos para filtrar a verdade do lixo (quer percebamos ou não). Somente as coisas que passam pelos nossos “filtros de polarização” são consideradas para investigação séria. Temos que fazer assim; há muita informação e muita bobagem para tratar tudo isso seriamente. Os adeptos das teorias da conspiração estão adquirindo conhecimento da mesma forma que o resto de nós. É fácil demais cair na armadilha de usar a riqueza da Internet para reforçar idéias incorretas que as conduzem.

Então, como sabemos que estamos certos? Como sabemos que os teóricos da conspiração não são os que estão certos, e todo o resto de nós estão muito confusos para perceber isso? Por falar nisso, como sabemos que o Acre realmente existe?

Existe uma resposta para isso. Deveria ser ensinado nas escolas o método de investigação científica (mas não é, até onde eu sei). Essa seria a principal defesa contra a loucura da Internet. Isso é o que vamos considerar a partir de agora.

Navalha de Occam, tem que ser entendida como lei

Muitas vezes vi a Navalha de Occam apresentada como uma “regra prática” e, pelo que entendi, sua descrição original envolvia a escolha de soluções menos complexas com base na estética. Ou seja, a “explicação mais simples é a melhor” ou “não multiplique hipóteses desnecessariamente.”  É geralmente afirmado como algo ao longo das linhas de “não se deve desnecessariamente multiplicar suposições”. De fato, enquanto isso pode ser como Occam declarou, há aqui um princípio matemático sólido, e a Navalha de Occam pode ser reafirmada como uma lei, e não como uma regra geral.

A probabilidade de vários eventos independentes, todos ocorrendo ao mesmo tempo, é o produto de suas probabilidades individuais. Assim, se uma afirmação depende de alguma coleção de suposições, a probabilidade de que a afirmação seja correta é o produto das probabilidades de que cada uma das suposições está correta. Embora não possamos geralmente saber a probabilidade exata de que qualquer suposição particular esteja correta, podemos, pelo menos, ter certeza de que a probabilidade de cada suposição estará entre 0 e 1, e podemos ser capazes de adivinhar se ela está mais próxima 1 ou 0.

Consequentemente, se tivermos duas afirmações, e pudermos descobrir que uma delas exige que muitas outras suposições (independentes) sejam verdadeiras, então podemos concluir que aquela com menos suposições está mais provavelmente correta. E se a diferença nas suposições for extrema, podemos concluir que a afirmação com menos suposições é muito mais provável de ser verdadeira. Isto não é apenas uma questão de estética. Isso significa algo específico. Se somos confrontados por uma série de decisões, e em cada decisão, recebemos duas declarações conflitantes e precisamos adivinhar qual é a correta, e, quando não temos mais nada para continuar, sempre escolhemos a afirmação que incorpora menos suposições improváveis, descobriremos que na maioria das vezes fizemos a escolha certa. E não há questão de “estética” envolvida.

Voltaremos à navalha de Occam depois que passarmos algum tempo examinando o método científico e como ele é usado para separar a verdade da confusão.

Pré-Ciência: “Mas os especialistas dizem que”

No mundo pré-científico, acreditava-se que grande parte do que era “conhecido” (além do que era testado na existência cotidiana) só era verdade porque alguma “autoridade aceita” havia dito isso. Isto era o “apelo à autoridade”. Por exemplo: Se Aristóteles disse isso, deve ser verdade. (Então, por exemplo, a função dos pulmões era esfriar o corpo – Aristóteles disse isso, e ele olha que geralmente estava certo sobre coisas.)

Na ausência de qualquer ferramenta além do viés de confirmação, essa é uma maneira racional de proceder: Procuramos alguém que sabemos ser uma fonte confiável no passado. Eles estão mais propensos a estarem corretos do que alguém que não tem histórico.

Na Internet, onde determinar se alguém é “geralmente confiável” ou não é muito mais difícil, o princípio “Mas os especialistas dizem que” é ainda mais instável do que era no mundo pré-científico.

O método científico: a replicação é vital

A descoberta do método científico foi revolucionária. Substituiu o não confiável “Mas os especialistas dizem que” com uma maneira de determinar, com alta probabilidade, o que é realmente verdade.

Quando somos apresentados ao método científico na escola, normalmente nos dizem que envolve observar, depois fazer uma teoria, fazer previsões a partir da teoria e depois testar as previsões. Se as previsões não se confirmarem, então rejeitamos a teoria e recomeçamos. Também nos é dito que testar as previsões e rejeitar a teoria se for provado falso é o que distingue as sociedades científicas das sociedades pré-científicas.

Isso é verdade, e já coloca as teorias da conspiração em uma posição instável, já que pela sua natureza elas normalmente não podem ser usadas para fazer previsões testáveis. No entanto, há um passo adicional extremamente importante, que é a replicação. Quando uma pessoa testou algo e confirmou, temos motivos para acreditar que isso seja verdade. Mas até que outras pessoas também tenham testado e confirmado o resultado original, é, na melhor das hipóteses, uma conclusão provisória.

É a replicação que distingue um fato provavelmente verdadeiro confirmado de algo que sabemos ser verdadeiro porque “Mas os especialistas dizem que“. A razão está na navalha de Occam. Para ver isso, suponha que tenhamos um resultado – digamos, “o peixe antártico congela o sangue abaixo do ponto de congelamento da água pura”. Agora, considere a afirmação de que o resultado é falso. Quais suposições devem ser mantidas para que o resultado seja falso?

Se um pesquisador fez um experimento que apoiou o resultado, então, para que o resultado seja falso, apenas um experimento deve ter sido anulado. Alguém interpretou mal um termômetro, ou um estudante de pós-graduação frustrado inventou alguns números em vez de fazer medições reais, ou várias outras coisas deram errado.

Por outro lado, se o experimento foi replicado por cinco laboratórios diferentes, então para que o resultado ficasse errado, cada um desses experimentos teriam que ter dado errado. Se foi replicado, precisamos fazer muitas outras suposições para chegar à conclusão de que o resultado está errado.

A replicação é necessária para descartar erros por parte das pesquisas e também para descartar fraudes. O sistema de honra nunca funciona muito bem quando os seres humanos estão envolvidos, basta ver as grades que você tem que colocar nas janelas da sua casa.

Muito do que é publicado em revistas são revisados por pares nas discussões da ciência moderna. De fato, enquanto a revisão por pares assegura que os artigos ruins têm menos probabilidade de serem impressos, e o feedback da revisão por pares pode fazer com que os artigos sejam melhorados antes de serem publicados, e enquanto a revisão por pares economiza um trabalho para editores de revistas (sem isso, eles precisam revisar cuidadosamente cada artigo), a revisão por pares não pode impedir a fraude. Um artigo bem feito com dados mascarados não será pego pela revisão por pares, a menos que os dados estejam descaradamente falsificados, o que é obviamente impossível.

Os verdadeiros guardas contra a fraude são a publicidade sobre ela (quando ela é feita) e a replicação (o que pode levar à percepção de que um determinado resultado deve estar errado). Os artigos que relatam replicações de resultados anteriores podem ser publicados com a mesma facilidade com que podem ser publicados em literatura revisada por pares, e terão tanta validade quanto.

Estudos

Experimentos feitos em laboratório são valiosos, mas apenas acabam nos dizendo o que acontece durante os experimentos. Em alguns campos, como a física, é tudo o que precisamos saber. No entanto, nas ciências da vida em geral, e no campo da medicina em particular, existem muitas variáveis ​​no mundo real para permitir uma modelagem exata de situações reais em um ambiente de laboratório. Além disso, há muitas questões envolvendo o impacto de estilos de vida na saúde que não podem ser respondidas com simples experimentos de laboratório.

Para tais coisas, os pesquisadores fazem estudos. Eles examinam grupos de pessoas combinados entre os quais apenas uma ou algumas variáveis ​​são alteradas, ou eles seguem um grupo de pessoas durante um período de tempo durante o qual vários procedimentos podem ser feitos, e eles observam os resultados.

Estudos, assim como outros experimentos, são mais convincentes quando são replicados. No entanto, alguns estudos – em particular, grandes estudos longitudinais – podem ser muito convincentes, mesmo quando não replicados. Isso ocorre porque o “experimento” real consiste em analisar os dados reunidos no estudo e, se os dados brutos forem publicados (como normalmente é), qualquer outro pesquisador pode refazer a análise de dados e procurar outras causas ou efeitos o que pode explicar os dados, o que efetivamente “replica” a conclusão do pesquisador original.

Vale a pena mencionar de passagem que a “medicina alternativa” tende a ser severamente carente de estudos que apoiam as afirmações de seus praticantes, e de fato os defensores da medicina alternativa são frequentemente muito críticos tanto do uso de estudos quanto dos periódicos tradicionais nos quais resultados são comumente publicados. Talvez tenhamos mais a dizer sobre isso depois.

Mentiras

As mentiras são um anátema para a ciência dominante. Quando um pesquisador é pego mentindo sobre seus resultados, os principais periódicos geralmente retraem todos os seus trabalhos, e cada artigo no qual ele colaborou é cuidadosamente examinado para ver se ele tinha alguma influência sobre os dados brutos. Se o fizesse, esses documentos também poderiam ser recolhidos, porque ele não é mais considerado confiável.

A justiça pode ser draconiana. Um pesquisador que mente sobre seus dados e é pego provavelmente terminou sua carreira.

Isso não é verdade no mundo das teorias da conspiração, mas deveria ser. Assim que alguém que está expondo uma teoria “alternativa” é pego em uma mentira descarada, sabemos que eles não são confiáveis. Daquele ponto em diante, tudo o que eles dizem deve ser visto com desconfiança. A menos que saibamos que é verdade a partir de fontes de terceiros, devemos assumir que qualquer outra coisa que eles dizem também é mentira.

Isso é duro. No entanto, é completamente natural; é, na verdade, o outro lado do viés de confirmação: quando você sabe que alguém não é confiável, não aceite o que ele diz pelo seu valor nominal. O viés de confirmação, nossa ferramenta mais básica, embora perigosa no mundo da Internet, continua valioso.

Mais sobre teorias da conspiração

Até aqui mostrei o ponto de que as teorias de conspiração não são falseáveis. Existem outras marcas de tais teorias, e há também uma questão muito interessante de onde elas vêm.

Envenenando o Poço

Ainda mais do que a falta de falseabilidade, a principal característica de uma teoria da conspiração é que ela inclui a afirmação de que fontes tradicionais não são confiáveis. Então, você não pode refutar apenas olhando na Enciclopédia Britânica ou verificando uma cópia da revista Science, porque eles são parte da conspiração. O termo para isso é “envenenar o poço” – sua principal fonte de informação que você pode usar para refutar a teoria foi “envenenada”.

Em alguns casos, somos informados de que todas as fontes convencionais são confusas, enganadas ou ignorantes; em outros casos, nos é dito que as fontes convencionais estão ativamente suprimindo o “novo conhecimento”. Mas de um jeito ou de outro, a questão é que fontes convencionais não são confiáveis. Este deve ser o caso; caso contrário, a teoria seria mostrada errada desde o início.

Irrefutável

Como dissemos anteriormente, as teorias da conspiração são irrefutáveis. Na versão mais crua, qualquer tentativa de provar que uma teoria da conspiração está errada, introduzindo um fato novo, pode ser combatida com o aumento da suposta conspiração para incluir a fonte do novo fato. Fazer isso aumenta o número de suposições que devem ser verdadeiras para que a teoria seja correta e, portanto, torna-a ainda menos provável quando vista com a Navalha de Occam.
Por outro lado, quase todas as teorias populares da conspiração poderiam facilmente ser provadas corretas … apenas se os dados corretos aparecessem, ou alguém na conspiração quebrasse seu silêncio. Mas de alguma forma isso nunca acontece.

O galope de Gish

Este termo maravilhoso – “Gish Gallop” – é um nome para um fenômeno familiar. Em uma discussão sobre uma teoria da conspiração, é comum encontrar uma série de objeções lançadas contra o ponto de vista convencional. São geralmente simples objeções a serem levantadas, mas cada uma delas faria um esforço significativo para provar que estava incorreta. Além disso, é comum encontrar objeções que somente alguém com experiência técnica reconheceria como sendo ilusório. Esta abordagem pretende esmagar a oposição e convencer quem não é especialista. Pode ser muito eficaz. Você não costuma ver que é usado para apoiar a ciência convencional – a maioria das conclusões da ciência convencional é apoiada por um número relativamente limitado de testes sólidos, em vez de um grande número de pontos triviais.

Por exemplo, se você assistir a um dos vídeos sobre o “embuste do pouso na Lua”, pode ser informado de que:

Devido à falta de atmosfera, as estrelas deveriam estar visíveis nas fotos da Apollo na Lua. Eles não são; Portanto, as fotos são (mal e estupidamente) falsas.

As sombras projetadas pela luz do sol são paralelas devido à extrema distância ao sol. As sombras em muitas das fotografias da Apollo não são paralelas; eles convergem.

Portanto, foram filmados com uma fonte de luz de perto, não com a luz do sol, e por isso devem ter sido falsificados.

As sombras nas fotografias da Apollo não são escuras, como poderíamos esperar sem atmosfera. Portanto, uma luz de preenchimento deve ter sido usada. A NASA nega isso. Então, eles estão mentindo e a coisa toda foi falsificada.

A falta de atmosfera na Lua significa que os níveis ultravioleta são extremamente altos – tão altos que qualquer câmera convencional teria seu filme embaçado pelo ambiente UV.

Os slides da Lua são claros e afiados, e não embaçados; portanto, eles não foram tirados na Lua e devem ter sido falsificados.

A câmera usada foi fixada a um encaixe no peito do traje espacial do astronauta. No entanto, algumas das fotos não poderiam ter sido tiradas com a câmera naquela posição! Portanto, as imagens devem ter sido falsificadas.

A radiação nos cinturões de Van Allen é tão intensa que os astronautas teriam morrido antes de chegarem à Lua. A alegação da NASA de que eles passaram pelos cinturões de radiação muito rápido, e por isso não estavam lá por muito tempo, e tem uma dose subletal é falsa – é como a afirmação de que se você correr pela chuva, ficará menos molhado. Isso é falso. E a alegação de passar pelos cinturões de Van Allen é muito rápida. (E Mythbusters testaram o ‘correndo na chuva’ e obtiveram a resposta errada, (correr os deixou mais molhados), aparentemente devido a uma falha em sua configuração, e então apoiaram os teóricos do embuste sobre este. a dizer sobre isso depois. Replicação é tudo!)

Não havia cratera de explosão sob o módulo lunar, e esperávamos ver uma. Portanto, deve ter sido falsificado.

Havia imagens de vídeo do módulo decolando no final da missão. Quem filmou essa cena? É impossível – não havia ninguém na lua para fazer isso! Portanto, eles não estavam na Lua – foi falsificado.

A lista continua. Estes são alguns dos pontos que posso me recordar de cabeça. Cada um deles pode ser facilmente refutado. No entanto, por “facilmente” quero dizer que levaria pelo menos alguns parágrafos de texto e dez ou vinte minutos de pesquisa séria. Então, para acertar todas as entradas neste “galope Gish” eu precisaria investir várias horas, e nesse tempo alguém que estava determinado a encontrar falhas nas missões da Lua poderia chegar a mais pontos que levariam muito mais tempo para refutar.

Quando confrontado com algo assim, uma abordagem inicial eficaz é olhar para alista e ver se há alguma mentira óbvia. (Uma mentira não é apenas um erro – uma mentira é uma falsa afirmação que podemos ter certeza de que o autor sabia ser falsa.) Se não houver, então talvez seja algo a ser levado a sério. Mas, por outro lado, se houver, talvez devêssemos jogar tudo isso no lixo e ir ler algum clássico da literatura universal.

A primeira objeção, de que as estrelas deveriam estar visíveis nas fotos, pode parecer totalmente surpreendente (e convincente) quando encontrada pela primeira vez. Pode sim ser refutado, mas requer algum trabalho. Muitos cientistas sérios e físicos mostram resultados de experimentos com uma câmera à noite, que indicavam que as fotos deveriam aparecer assim mesmo (o problema principal é o alcance dinâmico), mas é uma questão bastante confusa que os autores do vídeo ‘falso’ ‘vídeo poderiam ter sido apenas enganados sobre isso. Então não vamos chamar isso de “mentira”.

No entanto, falando como um fotógrafo amador e artista, o segundo ponto – as sombras projetadas pela luz do sol são paralelas – realmente saltou para mim como sendo falso na parede. Os exemplos mostrados no vídeo foram cuidadosamente selecionados para mostrar sombras paralelas, mas qualquer um que tenha aprendido o desenho em perspectiva sabe que a afirmação é falsa; sombras em uma fotografia raramente são paralelas. Se os produtores do vídeo tivessem algum conhecimento dos princípios de gráficos (e eles diziam ser especialistas em gráficos), eles também sabiam disso. Portanto, isso é uma mentira, não apenas um erro.

O quarto e quinto pontos também se mostram trivialmente falsos, e os autores certamente deveriam saber que eram falsos, então eu os chamaria de mentiras também. Filtros UV estão disponíveis para câmeras desde pelo menos a década de 1950, então o UV não teria embaçado o filme (e a Hasselblad, que fez a câmera, sabe tudo sobre coisas como essa). Então, o ponto 4 está errado, e os autores deveriam saber disso. O ponto 5 é uma mentira descarada, como revelaram alguns minutos de pesquisa na Internet – a câmera foi projetada para ser presa ao traje do astronauta ou para ser segurada em uma mão enluvada e poderia ser usada de qualquer maneira.

Concluímos que alguém semeou esta lista com mentiras e, portanto, usando nosso bom amigo Viés de Confirmação, devemos presumir que qualquer coisa sobre ela que não possamos verificar de forma independente também é falsa, porque ela nos vem de uma fonte não confiável.

Pessoas mal-intencionadas versus pessoas mal orientadas
De onde vêm as teorias da conspiração e quem as espalha?

A maioria das pessoas que as divulgam são bem intencionadas, mas erradas (e não compreendem a navalha de Occam). A teoria da conspiração do embuste do pouso na Lua provavelmente suga muita gente por causa da falta de estrelas nas fotos. É extremamente surpreendente e as razões para isso estão além da compreensão fotográfica da maioria das pessoas. Quando alguém tem a ideia de que pode ter sido falsificado, é fácil encontrar muitas “informações” na Internet para apoiar essa noção.

Mas alguém levou a teoria ao próximo nível. O galope de Gish sobre o absurdo do pouso na Lua que mostrei acima continha uma série de mentiras descaradas, que teriam sido reconhecidas como mentiras por qualquer um com a perícia de montar tal lista, só para começar. Portanto, alguém intencionalmente criou uma série de argumentos enganosos para convencer as pessoas de que os desembarques na Lua eram falsos. Desde que eles estavam dispostos a mentir para apoiar a alegação, ficamos com a suspeita de que, não só eles são inescrupulosos, eles também sabem perfeitamente que a farsa afirma que eles estão se espalhando são falsos.

Pode não estar imediatamente claro por que alguém faria isso, mas posso ver sinais disso em todas as principais teorias conspiratórias que encontrei. Na parte de trás das teorias, há pessoas maliciosas que estão dispostas a apenas fazer coisas para apoiar a teoria. A maioria das pessoas que repetem as teorias são meramente equivocadas e ignorantes, mas é preciso um certo conhecimento e muita má vontade para criar os argumentos que as sustentam.

O motivo financeiro que está escondido à vista

Um argumento comum a favor das teorias da conspiração é que as pessoas que as espalham não têm nada a ganhar. Eles estão dedicando seu tempo e trabalho para espalhar “a verdade” e não obtendo nada dela, portanto devem ser fundamentalmente honestos e bem-intencionados. Há uma falha nisso, no entanto, que é que aqueles que espalham as teorias geralmente ganham alguma coisa com eles. As pessoas que vendem vídeos de embuste de aterrissagem na Lua estão vendendo-as, não as distribuindo gratuitamente no Youtube. O homem que ajudou algumas vítimas de queimaduras a sair do elevador no porão do World Trade Center pouco antes do colapso, e que posteriormente contou uma história bizarra de explosões e incêndios inexplicáveis, mais tarde foi em uma turnê de palestras cobrando algo bem mais de mil dólares por cada aparição. Incentivos financeiros para mentir não devem ser ignorados.

As pessoas que eu conhecia que distribuíam vídeos e publicações nas manifestações da Truth Out não ganharam nada com isso, e aparentemente eram completamente sinceras, mas também não eram as criadoras das idéias sobre o 11 de setembro, que estavam se espalhando. Por outro lado, Thierry Meyssan, que alegou que o Pentágono foi atingido por um caminhão-bomba, não um avião, vendeu uma enorme pilha de livros afirmando que não havia avião (seu livro foi traduzido para 25 idiomas). Ele teve um incentivo financeiro? Obviamente! Quando a versão “caminhão-bomba” de sua teoria foi refutada (por, entre outras coisas, a recuperação de um monte de peças de avião) ele não recuou, mas mudou a afirmação, para dizer que havia um avião bem, mas era um Global Hawk, não um Boeing. E assim a teoria de que não havia nenhum avião de passageiros envolvido se mostrou inexequível (assim como todas as teorias da conspiração fazem).

Esta é talvez a pior coisa que a Internet faz: dá aos autores das teorias da conspiração – que não são de todo bem intencionadas – um público muito maior do que teriam de outra maneira.

“Como você sabe?”

Vamos agora voltar à lista de perguntas com as quais começamos e considerar como sabemos as respostas para elas, usando a navalha de Occam conforme a necessidade de escolher entre alternativas.

1- A terra é realmente plana?

Nós só sabemos que a terra é redonda pois sabemos que é. Poucos seres humanos foram ao espaço para provar isso, como sabemos que as fontes que nos dizem que el ela é redonda estão dizendo a verdade? Vamos examinar as suposições envolvidas.

Para concluir que a terra é redonda, precisamos assumir que as fontes que nos dizem isso são verdadeiras, e existem registros científicos deste fato (documentos em bibliotecas, arquivos dos mais variados sobre o assunto e assim por diante) e que discutem sua esfericidade, e estes documentos são o que são, e estão corretos. Além disso, não precisamos assumir que todas essas fontes estão totalmente corretas, nem que apenas uma delas esteja completamente correta – tudo o que precisamos fazer é supor que algumas delas são muito corretas, pois relatam um fato real.

Para concluir que a terra é plana, devemos assumir que toda fonte que nos diz que ela seja redonda e todos os registros históricos que mostram sua esfericidade sejam falsos, ou precisamos assumir que os próprios registros fotográficos de satélite sejam falsos, o que não faz muito sentido a menos que sejam fabricações espetaculares. Além disso, devemos supor que todas as fotos que foram tiradas por todas as agencias espaciais são falsas – presumivelmente, são todas as invenções, ou atribuições de coisas feitas por um grupo de pessoas que quer enganar a todos. Isso equivale a um número muito grande de suposições sobre uma coleção diversa de fontes, e todas as suposições devem estar corretas para concluir que a terra seja plana. Se até mesmo uma única fonte que discute a terra plana esteja correta, não podemos concluir que ela seja. Além disso, uma vez que assumimos que há um grande número de fontes fabricadas sobre isso, ficamos nos perguntando por que alguém fez isso – e precisaremos fazer ainda mais suposições para explicar o comportamento dos fabricantes.

Ao comparar o conjunto de suposições que precisamos fazer, deve ser fácil ver que a afirmação de que a terra é redonda é muito mais provável do que a afirmação de que ela seja plana.

2 – O Sol é realmente uma bola sólida de grafite, com uma atmosfera gasosa de algumas centenas de milhas de espessura?

Esta é uma afirmação real que eu vi na Internet. Alguém escreveu um livro sobre isso, na verdade, que você poderia comprar, embora eu não recomende.

Se você é um astrônomo, pode ter certeza de que sabe a resposta para isso. Para o resto de nós, porém, estamos apenas contando o que nos é dito, por isso precisamos considerar o quão confiáveis ​​são as fontes. Como no caso da terra plana, a afirmação “não-padrão” desmorona rapidamente quando olhamos para as suposições que entram na afirmação.

Primeiro, para concluir que o Sol é uma bola de gás (ou plasma), como é comumente acreditado, precisamos assumir que pelo menos alguns dos relatos que lemos sobre o que os astrônomos aprenderam sobre isso estão corretos, e precisamos assumir que pelo menos alguns dos astrônomos em questão não foram iludidos nem desonestos, e precisamos assumir que pelo menos alguns dos experimentos nos quais eles basearam essa conclusão foram bem feitos e produziram resultados corretos. Isso não parece improvável!

Por outro lado, para o Sol ser feito de grafite sólida, precisaríamos assumir que ou todos os relatos que lemos sobre o que os astrônomos aprenderam foram confundidos ou fabricados, ou que todos os astrônomos que concluíram que o O sol é uma bola de gás eram tolos incompetentes ou mentirosos (ou ambos), ou que todos os experimentos em que eles basearam suas conclusões foram malfeitos ou falsificados. Isso é um monte de suposições independentes – e todas elas devem ser verdadeiras para que a afirmação “Bola de grafite” esteja correta.

Então, é fácil ver que é extremamente improvável que o Sol seja uma bola sólida de grafite.

3 – A lua está mesmo a mais de 160.934 km de distância?

Na verdade, nos dizem que está a 386.242 Km de distância, o que é muito mais do que 160.934 Km. Mas como sabemos?

Nós novamente somos dependentes para dar resposta certa a esta pergunta. Nós, que não somos especialistas, precisamos decidir o quanto acreditamos que os especialistas são os confiáveis para nos ajudar nesta resposta.

De acordo com a informação encontrada on-line, a distância até a lua foi testada extensivamente, tanto via trigonometria (medindo ângulos para determinar sua distância) quanto por medição direta (através de pulsos de laser enviados a espelhos instalados na lua e medindo o atraso de ida e volta). Além disso, foi verificado diretamente pela espaçonave que realmente foi para a Lua, e cuja velocidade e tempo de viagem eram ambos conhecidos.

Como a alegação de que o Sol é uma bola de gás, precisamos assumir que um grupo muito grande de registros foi falsificado, ou que um grande grupo de pessoas está mentindo para nós ou estão totalmente confusos, e todos os relatórios geralmente independentes na distância da Lua devem estar errados. Assim, um número extremamente grande de suposições independentes é necessário para acreditarmos que a Lua está a menos de 160.934 Km de distância, e assim concluímos que é extremamente improvável que todas elas possam ser verdadeiras – e assim concluímos que a Lua é, com uma probabilidade muito alta, tão longe quanto nos foi dito, que é de fato muito mais distante do que 160.934 Km.

4 – O World Trade Center foi atingido por aviões no 11 de setembro?
A alegação alternativa é que o WTC foi derrubado por explosivos.

De minha parte, tudo que eu preciso assumir aqui é que os vídeos do colapso do WTC realmente mostraram o colapso do WTC. Depois de assistir a um número nauseante de vídeos de demolições reais de prédios, e considerando o que seria necessário para fazer uma série de explosões controladas por computador para simular o tipo de colapso que vemos nos vídeos do WTC, posso dizer com alguma certeza que as Torres Gêmeas não foram demolidos com explosivos. Então, deve ter havido alguns aviões envolvidos, de acordo com a história oficial.

Para aqueles que tiveram menos tempo livre ou menos experiência com computadores, isso não é tão óbvio. A questão que estamos considerando aqui, no entanto, é bem simples: as Torres, foram ou não atingidas por aviões? (Por enquanto, não vamos nos preocupar com o que realmente causou o colapso.)

Para a afirmação de que não havia aviões de verdade envolvidos, precisamos assumir o seguinte:
Os vídeos do segundo impacto foram falsificados. Eles foram analisados ​​extensivamente, particularmente por pessoas que procuravam por evidências de que havia mísseis ou outros objetos presentes além do avião, e se os vídeos eram falsos, eles foram surpreendentemente bem feitos.
Todas as testemunhas oculares da cidade de Nova York que silenciosamente concordaram com a história da grande mídia ou imaginaram um avião ou, de alguma forma, ficaram intimidadas demais para mencionar que estavam lá e que não havia nenhum avião presente.
Um número de testemunhas que especificamente afirmou ter visto o segundo avião (incluindo pelo menos um que negou a história do governo e alegou que não era um avião de passageiros) estavam enganados ou mentindo.
Precisamos assumir que a história do governo de rastrear os aviões no radar e enviar jatos militares depois deles (tarde demais) foi fabricada, e todo o pessoal militar supostamente envolvido na perseguição deve estar mentindo ou, pelo menos, concordando com a mentira. permanecendo em silêncio.
E todas essas suposições amplamente independentes devem ser verdadeiras, se não houvesse aviões presentes. Não é difícil ver que tudo isso é extremamente improvável.

5 – O diretor de cinema Stanley Kubrick falsificou os desembarques da Lua?
Eu já toquei neste ponto, acima, e não vou entrar em detalhes aqui.

Vamos apenas observar que havia um grande número de pessoas envolvidas nos lançamentos das missões para a Lua, e um grande número deles teria que estar mentindo se tivessem sido falsificados. Por outro lado, tudo o que precisamos supor para concluir é que os desembarques ocorreram como foi dito e visto, e que os cientistas e engenheiros da época encontraram maneiras inteligentes de contornar as dificuldades (muito reais) das missões.

Muitos de nós não podemos avaliar a dificuldade real de uma missão até a lua com alguma confiança. No entanto, a maioria de nós tem alguma ideia de como é fácil fazer com que grandes grupos de pessoas cooperem, e não é difícil ver a probabilidade de que todos os astronautas, através da equipe de solo na Austrália (onde o downlink da Apollo 11 estavam localizados), através do pessoal de controle da missão em Houston, para os astrônomos que trabalharam para a NASA, todos os envolvidos no lançamento e recuperação das cápsulas da Apollo. é difícil crer que todos esses homens e mulheres envolvidos neste projeto cooperaram para esconder a verdade é realmente improvável.

6 – E finalmente, nós realmente vivemos no mundo da Matrix sob um domo?
Vou deixar este como um exercício para voce leitor.

 

Fontes:

http://physicsinsights.org

O Trivium –  É realizações

O andar do Bebado –  Leonard Mlodinow

Amor e Matemática – Edward Frenkel

Manual Politicamente Incorreto da Ciência – Tom Bethel.