Naqueles tempos…

Reproduzo aqui, um pedaço do livro que estou escrevendo.

Nele, em terceira pessoa, eu conto fragmentos de histórias que ocorreram na minha infância. Muitas delas, bem reais. Aqui conto uma pequena história que passei na minha infância:

Henrique a olhou nos olhos profundamente e ela correspondeu. Um arrepio percorreu todo seu corpo. Sentiu vontade de abraçá-la e beijá-la ali mesmo. Ficou nervoso, excitado e sua saliva engrossou. Ele, apesar de um pouco mais novo, era ligeiramente mais alto que ela. Acabou por desviar o olhar, abaixou o rosto e mirou os sapatos pretos envernizados de Cristina.

– Essa história está me matando, mas tenho que seguir com isso. Vou achar uma saída, talvez eu me atrase, talvez eu saia no meio do evento, não sei. – disse isso segurando suavemente os braços de Cristina que se deixou ser tocada e ela aproximou-se ligeiramente do rosto do amigo o suficiente para que ele sentisse seu suave perfume juvenil.

Os dois novamente se olharam. Cristina percebeu a falta de jeito do rapaz, mas notou certa coragem nele. Ela sabia que Henrique não era mais um menino e que ele logo se transformaria em um bom homem e ela sabia muito bem que esta história o estava mudando definitivamente.

– Quer ir comigo? – perguntou Henrique olhando novamente nos olhos de Cristina.

– Não sei, não sei. Meu pai vive de olho em mim, vai ser complicado com certeza.

– Bem, vou pensar em um jeito de fazer isso acontecer, pode acreditar. – disse Henrique mais confiante que nunca.

Eles andaram mais um pouco e alcançaram o entroncamento da Rua Dois com a Rua Três quase em frente à casa da Senhora Keller, a professora de piano. Ela se afastou um pouco esperando pela despedida. Ele a beijou no rosto. Cristina fechou os olhos para receber aquele beijo simples e quando os abriu percebeu que ele já olhava dentro de seus olhos castanhos de maneira terna, suave e que demonstravam a ela um desejo quase que sem controle. Ele dizia em pensamento que a amava e que desejava ficar ao lado dela para sempre, mas que ainda não estava pronto como um homem de verdade. “Espero que ela leia meus pensamentos e que me entenda” pensou Henrique enquanto se afastava vagarosamente.

Cristina desceu a rua em direção a sua casa e Henrique seguiu seu caminho ainda com as pernas tremulas por ter ficado tão próximo da mulher que amava. Pensava que deveria tê-la beijado na boca. “E se ela me rejeitasse?”, ele pensou. Ele sabia que tinha feito a coisa certa, mas sua insegurança de menino ainda era forte dentro dele. “Será que ela entendeu?” Seus pensamentos começavam atormenta-lo. Ao mesmo tempo em que estava feliz, começava a se preocupar com o que a menina estava pensando sobre ele. Não conseguia raciocinar decentemente. Pensava no bedel da escola, o pai de Cristina, com os olhos dele fixos sobre os dois e eles sendo pegos se beijando.

No final daquela tarde, ele resolveu dar uma passada no campinho de futebol. Deu uma volta no terreno, onde Nelson, Vandi, Mauro e outros moleques estavam juntando madeira para fazer uma fogueira. O campinho estava uma bagunça. Pedaços de jornal, folhas de caderno amarrotadas, que seriam usadas na fogueira provavelmente, e algumas garrafas de tubaína sem rótulo, tudo estava espalhado por todo o canto. Quando viram o Henrique, acenaram com as mãos.

– Vem cá, Magrão – disse Nelson acenando.

Ele ergueu a mão direita respondendo sem muito entusiasmo, fazendo sinal para esperarem um pouco, e parou para amarrar os sapatos e pensar no que dizer para aqueles moleques. Logo depois, se levantou já com algumas ideias na cabeça.

– Oi pessoal? E ai Nelson. Beleza? – Cumprimentou seu amigo com certa frieza.

– Saca só Magrão, alegre-se homem, veja só o que temos aqui, chega mais! – disse Nelson mostrando uma pequena revista com fotos coloridas para Henrique.

Henrique se aproximou surpreso e percebeu fotos que jamais ele havia imaginado existir. Mulheres nuas se exibindo frontal e lascivamente.

– Diretamente da Suécia cara! – murmurou Xavier com seu sotaque inconfundível.

– Caramba Nelson, que merda é essa? – exclamou Henrique mais surpreso ainda quando viraram a página e percebeu uma foto de um casal em uma posição muito estranha e outra com uma mulher, com uma maquiagem forçada e carregada, lambendo o sexo de outra mulher.

A molecada ria alto enquanto Henrique se sentia um pouco enjoado vendo as fotos das mulheres fazendo coisas que ele sequer imaginava serem possíveis.

Henrique procurou disfarçar seu nojo e indignação, afinal, muita gente dizia que aquelas relações eram normais para mulheres modernas e livres, e que nada mais poderia ser considerada uma aberração. Deveria já ter se acostumado com sua condição de homem.

– Vão também tocar fogo nisso? – Disse Henrique um pouco tremulo.

– Você está louco, seu maricas! – disse Maurinho rindo. Só depois de vermos tudo o que tem aqui. Precisamos descolar algumas páginas grudadas. – quando ele disse isso, a molecada riu alto.

Nelson notou que Henrique precisava falar com ele e pediu pra molecada esconder a revista e acender a fogueira para assar umas batatas.

– Diga meu velho, que bicho te mordeu? – perguntou Nelson.

Henrique cuspiu a saliva grossa que se acumulara em sua boca por causa do desconforto que as fotos provocaram nele.

– Vamos até aquele banco ali, disse ele. – Preciso te contar uma história.

Eles foram até o banco tosco de madeira ali perto e se sentaram. Os moleques continuaram na tarefa de acender a fogueira com os pedaços de papel e uma caixa de fósforos um pouco úmida.

– Sabe o Vitor? O repetente lá da escola?

– Sim. O que ele quer?

– Então, mataram um camarada dele no Rio de Janeiro. Uma briga de estudantes com a polícia. Sei lá. Ele foi pra lá. Ele estava transtornado e disse que era um garoto “gente boa” mesmo!

– E o que eu tenho a ver com isso? E você? Você sabe quem é o maluco que morreu? – perguntou Nelson desconfiado.

– Bem, não, mas ele está organizando alguma coisa com a turma dele. Falou que precisa recrutar gente para lutar pela causa, luta de classes. Olha Nelson, não sei bem o que ele quer. Mas ele pediu para encontrar o Nego Du no bar do seu Miraldo no Sábado. Pediu para falar com ele e combinar, mas sei que é você que tem contato com ele.

– Porra Henrique, que merda cara! – E esse Vitor? Ele pensa que é o que, heim? O Nego Du é gente da pesada. É ladrão e não revolucionário. – disse Nelson quase gaguejando. – Se a gente for pego na subversão a gente se fode.

Henrique não imaginava que Nelson saberia algo sobre essas palavras, essas coisas.

– Eles moram na mesma vila. Eles se conhecem. O problema é que o cara foi pro Rio e só volta na sexta. Me leva até lá daí eu marco esse encontro e tá tudo resolvido.

Nelson sabia que era um risco procurar Nego Du e se meter com os Galileias e que Henrique estava apenas pensando em mais uma “aventura”.

– Moleque, você não é dessa laia, você tem que tomar cuidado. Olha, a gente vai, mas fique sabendo que não me responsabilizo se você cagar nas calças. – disse Nelson rindo.

– Agora vamos terminar de ver as Suecas.

Nelson foi até a fogueira e se juntou aos outros moleques que pegaram novamente a tal revista. Henrique ficou atrás e esperou Nelson se virar e perguntou:

– Quando?

– Amanhã no fim da tarde. Esteja aqui.

Henrique se afastou do local, ainda enjoado por ter visto a revista e voltou para casa.

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Trecho do Livro: Naqueles Tempos – pags. 32 e 33

Autor: Cesar Manieri – Professor, Engenheiro, escritor nas horas livres.

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Vamos falar de privilégios…?

                  Reproduzo aqui, um pedaço do livro que estou escrevendo. Nele, eu conto fragmentos de histórias que ocorreram na minha infância. Muitas delas, bem reais. Quando vejo gente falando sobre pessoas que se deram bem por ter tido alguns privilégios na vida, me lembro destas histórias na bairro onde eu passei a infância e onde não havia muitos privilégios, apenas desgraça por todos os lados. Todos compartilhavam da mesma dor e alegria de viver. Grande parte da turma que eu convivi venceu na vida, alguns poucos sucumbiram. A natureza é assim mesmo. Implacável com muitos e gentil com alguns poucos, infelizmente. De fato, temos que lidar com a realidade, por mais dura que ela possa parecer. O resto é mimimi. Forçar uma igualdade, eliminar as paixões humanas e sua avareza, pecados ou ganancia, ou as diferenças entre os seres é algo tão surreal, que só trouxe morte e destruição quando quiseram implantar isso. Quando eramos crianças, chamávamos algumas crianças mais jovens ou que tinham um baixo desempenho de “cafés com leite”. Simples assim e o jogo seguia. O problema é que muitos adultos saudáveis, ainda querem ser tratados desta forma! Mas a vida é dor intensa (né Schopenhauer? ) e muitos não admitem que seja assim e batem o pé fazendo birra. (os nomes e apelidos dos personagens são fictícios). Boa Leitura!

Peladeiros

                 “Em dia comum no início dos anos 70 em um bairro na periferia de São Paulo…

 Então Henrique lembrou que quando criança, ele viu uma leva de gente sofrendo à sua volta. Certa vez, toda a molecada do bairro estava perto da fogueira, no campinho onde eles jogavam bola, assavam batatas e preparavam o cerol para passar nas linhas das pipas. Camarão, um menino da rua de baixo de uns oito anos, que ganhara este apelido por ser vermelho demais, estava segurando um monte de folhas de jornal sob o braço, preocupado apenas em manter o fogo aceso. Maurinho, um moleque gozador e vizinho dele, estava ali do lado, contando piadas e provocando o Camarão, enquanto os outros moleques socavam os braços uns dos outros em uma brincadeira chamada “braço de ferro”. Em um momento de distração de todos, Maurinho sorrateiramente acendeu um palito de fósforo e colocou fogo nos jornais que Camarão estava segurando e gritou:

– Fogo no Camarão!

 Todos riram muito, até Henrique, geralmente quieto, riu muito. Camarão não percebeu do que se tratava, pensou que era mais uma piada do Maurinho e ficou ainda concentrado na fogueira. De repente, Camarão sentiu o calor do fogo sobre sua pele. Instintivamente ele se levantou e começou a correr sem largar o jornal em chamas. Na corrida, o fogo se alastrou rapidamente e pegou em sua camiseta que entrou em chamas e que começou a derreter sobre a pele. Ainda sem largar os jornais, ele corria em direção a sua casa e gritava pelo nome da mãe. Os vizinhos ouviram os gritos de horror do menino e correram para ajudá-lo. Alguns com cobertores arrancados dos varais para abafar o fogo, outros com água, outros corriam para lá e para cá sem saber o que fazer. Nada foi suficiente. Camarão jamais se livraria das profundas cicatrizes das queimaduras em seu tórax e braços. Maurinho, depois daquele dia, que era alegre e gozador, se tornou um menino fechado e triste também, talvez tentando lidar com suas próprias feridas e cicatrizes.

   Henrique pensou que, às vezes, envergonhava-se de se queixar com a mãe ou o pai por quase nada e isso poderia ser muito injusto, ou até mesmo, depois disso, começou a ter vergonha de sentir dó de si mesmo, sabia viver em um lar sem muitas questões aparentes.

   Um dia, seu amigo Nelson, quase que perdeu a família inteira quando o pai resolveu matar um bandidaço da região a tiros que havia ameaçado a família deles e que, loucamente,  colocara todos no meio de um fogo cruzado sem fim. Por sorte, só o bandido levou a pior.

   Lembrou-se do dia em que a Dona Mariana, a sua vizinha bem velha, entrou em desespero total quando seus filhos bêbados brigaram e destruíram a casa toda. Do quarto, dava para Henrique ouvir os gritos desesperados dela pedindo para eles pararem.

     Do outro lado da casa de Henrique, tinha a casa da Dona Carlota. Toda a família dela tinha vindo da Bahia. Seu marido, o seu Jovelino, era músico e vivia viajando. Um dia, por causa dos preparativos técnicos para construir a casa principal, Eurico, o pai de Henrique, colocara um andaime para facilitar o acesso dos pedreiros às paredes. Mas por alguma razão que Henrique jamais descobrira, os filhos de dona Carlota retiraram os andaimes e atearam fogo nas madeiras. Dona Clara ficou indignada e houve uma discussão ferrenha entre Carlota e a mãe de Henrique. Nesse dia ele se sentiu com muito medo e Clara então pediu para que ele e o irmão pequenino entrassem em casa e saíssem daquela confusão. Carlota então pediu aos filhos, espumando de ódio, que apedrejassem a casa de Henrique como uma forma de intimidação maluca. Ouvindo os barulhos das pedras, Henrique se aninhou no colo da mãe junto com os irmãos pensando onde estaria seu pai que nunca aparecia para ajudá-los, enquanto ouvia as pedras batendo no telhado e nas paredes.

    Henrique ia se lembrando de todos esses eventos um atrás do outro, como vagões de um trem puxados pela locomotiva do tempo. Lembrou-se do Tonho, o irmão do seu amigo Jorge que foi operar das amídalas e ficou meio lelé por causa de um problema com a anestesia.

    Lembrou-se do cachorro, que diziam que estava louco e que tinha entrado na sua casa, e se escondido debaixo de uma escada, e que foi sacrificado com um tiro pelo Saldanha, o policial que morava na rua de cima, depois de ter sido retirado de seu esconderijo sob a escada que dava acesso ao porão. Saldanha deu um tiro na cabeça do pobre animal enquanto Clara apertava os ouvidos de Henrique para ele não ouvir os gritos do cão morrendo.

   Lembrou-se do filho mais velho da Dona Carlota sendo preso por ter molestado o Maurinho, foi então que o silêncio e a tristeza de Maurinho fora explicada e fazia sentido. Aquele sujeito entrando algemado na radiopatrulha e a Dona Carlota aos prantos, e chorando, e gritando, e pedindo para não levarem o filho preso. Cena que jamais iria sair da mente de Henrique.

    Lembrou-se do choro desesperador da vizinha da frente de sua casa quando ela soube que o amado tio havia morrido em um acidente de carro na Via Anchieta.

   Lembrou-se do dia em que Miltinho perdera o dedão da mão direita na corrente da bicicleta, enquanto ele empurrava o irmão mais velho dele. Miltinho desastradamente escorregou e segurou sem querer na corrente bem na hora que o irmão estava forçando uma pedalada. Henrique viu o povo procurando pelo dedo do menino e quando acharam lavaram e colocaram em um balde com gelo. Ele se lembrou de que viu Miltinho muito  pálido, chorando, sentado em um táxi e segurando uma fralda, que envolvia a sua mão, para evitar sujar o carro com sangue. E a última lembrança ainda bem viva, e a pior, foi ver o cadáver do homem na lagoa envolto em sangue, assassinado a facadas.

   Aquela vida naquele bairro afastado era só desgraça por todos os lados, apesar dos valores cristãos que as famílias dali procuravam preservar duramente. Mas a realidade nivelava todo mundo que ali vivia por baixo, em uma miséria humana quase sem fim.”

(trecho retirado do meu livro “Naquele tempo…” páginas 19 e 20)

Alguns diálogos com meu pai.

dia dos pais3                                                                             Meu pai, Eraclides Manieri, nos anos 50 em frente a sua casa na Rua do Parque no bairro do Ipiranga.

São Paulo, 21 de junho de 1970

– Pai, olhe só quantos balões coloridos no céu… – eu disse isso apontando o dedo indicador para o céu.

– Não dá nem pra contar filho, quantos você acha que tem? – ele perguntou seriamente.

-Infinitos! – eu respondi sem saber o real conceito disso.

-Hoje seremos os melhores do mundo de novo, filho. Por isso o povo solta os balões. Ouça os rojões – ele dizia isso olhando para o céu cheio de esperança.

-Que sorte eu tive de nascer no melhor país do mundo pai! – disse isso abraçando as finas pernas dele pai em agradecimento.

-Pois é filho, espero que não apaguem a luz que habita a alma caridosa e festiva do nosso povo. Agora vou ajustar a antena para vermos o jogo do Brasil! – e me puxou pra dentro de casa.

São Paulo, 13 de março de 1979 – 9 anos depois…

-Pai, quem é de verdade esse tal de Lula que eles tanto falam? – perguntei isso vendo pela TV a multidão aglomerada que ouvia o discurso do Lula que estava de pé sobre um pequeno palanque de madeira em uma assembleia do sindicato dos metalúrgicos lá no estádio da Vila Euclides em SBC.

-É um cara lá do sindicato. Um bandido filho da puta pelego. – disse isso sem cerimônias enquanto tragava profundamente seu Minister e soltava um baforada de fumaça pelo vão da janela aberta da sala.

-Não entendo, parece que ele quer o bem dos trabalhadores deste país, pai. Luta contra a ditadura – eu disse isso sem tirar os olhos da TV cheia de imagens fantasmagóricas.

-Eu conheço essa laia, filho, sei das intenções deles. Eu também sou do sindicato. Esse sapo barbudo nunca trabalhou. Ele é politico. Joga dos dois lados. Eu sei qual o tipo de “ditadura” ele gosta. – meu pai se levantou do sofá para ajustar o nível vertical da TV que insistia em se desestabilizar e reclamou: -Puta merda, essa porra de sinal…  e ficou lá ajustando o botão por alguns segundos e voltando para o sofá, falou:

-Filho, essa greve é uma farsa, esse povo que está ai no estádio foi coagido a ir até lá. Nada do que você vê aí é real.

-Pai, como assim? O senhor está louco…! – eu disse olhando para ele com cara de poucos amigos.

-Moleque, você não sabe nada da vida. Você verá quando esses canalhas chegarem ao poder, vocês estarão todos fudidos. Escreve ai, moleque… sorte que eu não estarei mais aqui pra ver toda essa merda se materializar.

Dezembro de 1980,

Era uma triste cerimonia de despedida…

-Filho, vamos até lá abraçar meu irmão, vamos, ele é seu tio.

De longe eu via um caixão onde estava uma prima querida. Ao lado dela um caixãozinho do seu filhinho que não suportara a doença repentina que fizera sua mãe sucumbir e que, infelizmente, ele também não suportara. Meu pai ao meu lado segurava o choro enquanto abraçava seu irmão desolado.

O cheiro das velas me deixou enjoado. Depois de alguns minutos de incredulidade e dor, saímos do local e lá fora fomos cercados por um senhor que me perguntou:

-Esse é seu pai? -apontando para ele.

-É sim senhor. -respondi secamente.

-Pois então eu vou te falar, esse é parceiro, viu? Você tem sorte garoto! – disse isso enquanto abraçava meu pai longamente dando batidas fortes com as mãos nas costas dele.

-Filho, esse é um amigo meu de longa data. A gente bagunçou muito naquela época. – disse meu pai como que rejuvenescendo.

-E como… lembra Dinho? – ele perguntou dando um sorriso maroto pra mim.

-Claro, lembra quando a gente arrumou aquelas namoradas que eram irmãs? – perguntou meu pai ao amigo.

E eu pensei:

-Como é que é? Que história é essa? Deixa só a mãe ouvir isso!! – enquanto fazia uma cara de espanto.

-Tá espantado com o que moleque? Sim, a gente saia para pegar umas meninas sim e dai, eramos solteiros porra!!!? – falou meu pai sempre de forma séria.

-Lembra quando aquela doida que eu estava dando uns beijos e que era irmã da sua namorada?  Lembra cara, estávamos juntos dando uns amassos nelas? – disse o amigo do meu pai.

-Nossa velho, lembra disso? E a mina te dispensou e, claro, e eu desisti da minha namorada na hora e fomos embora juntos rindo pra caralho! – disse meu pai sorrindo de forma velada.

-Viu só moleque, entendeu agora porque seu pai sempre foi um parceiro? Ele nunca abandonou seus amigos. – disse aquele senhor que eu nunca havia visto.

Eu ainda espantado, olhava meu pai boquiaberto.

-Tá olhando o que moleque? – disse ele, e continuou: – Se não fosse isso você não estaria aqui, agora vamos procurar sua mãe! virou-se enquanto puxava, eu e o amigo, de volta para o velório.

16 de abril de 1984

Eu havia acabado de chegar da faculdade.

– Pai, acabei de passar lá pela Praça da Sé, está uma loucura aquilo lá!

-Eu vi na TV. – ele disse e saiu assobiando para a cozinha.

Eu fui atrás dele.

-Pai, isso é um fato histórico. Finalmente vamos ter abertura politica neste país.

-Lembra meu filho quando eu disse que estaríamos fudidos se esses caras chegassem no poder? Se prepare. Tenho dó de vocês. Ali só tinha bandeira de comunista.

-Pai, os tempos são outros. Estamos progredindo. Somos uma democracia. Temos que evoluir. Abertura geral e irrestrita é a frase da moda. Os milicos tiveram a chance deles. Olha só, inflação descontrolada, dívida externa, precisamos de gente competente para administrar o país.

-Filho, você não entende, esses canalhas vão voltar e vão arrebentar mais ainda com o país. Até agora, vivemos tempos bons. Seguros. Espere só esses revolucionários tomarem o poder e aí sim você vai ver o que é uma ditadura real.

E acendendo seu Minister habitual, calmamente soltou a primeira baforada disse:

– De agora em diante, só Deus sabe o que será dos meus netos? – despejou algumas cinzas em um cinzeiro de metal azulado bem surrado e pediu em seguida:

– Agora vai lá na sala, pega o DiGiorgio que eu quero tocar uns boleros tristes.

Quando voltei com o violão, ele pegou o instrumento, agradeceu e resignadamente começou a tocar os acordes de Besame Mucho…

 

O que a idade madura me trouxe?

20171005_230012Bem, ela me trouxe um monte de dúvidas e um punhado de certezas. Se eu colocar isso em uma balança o ponteiro apontará um pouco mais para as dúvidas.

Trouxe também uma falta de paciência e quase quase nenhuma sabedoria que se espera da senioridade. Pelo menos, para mim, não está sendo como os sábios filósofos de plantão costumam alardear por aí de que essa fase se chama “melhor idade”. Para mim, trouxe a vergonha de ter sido um jovem tolo, como a maioria dos jovens de hoje o são. Sim eu era um tolo e aprendi com meu sábio professor de filosofia que “só os tolos esperam algo deste mundo”, foi o que ele disse serenamente do alto de seus mais de 65 anos, falou isso depois de sofrer a perda de sua filha, que morreu apenas para ele.

A idade me trouxe a realidade e a inexorabilidade da finitude, mas me deu, por outro lado, a beleza da visão da transcendência em Deus e a quietude das paixões desenfreadas.

A idade madura me fez olhar o mundo tal qual ele é. Sem floreios. Sem finais felizes. A madureza, me trouxe a certeza de saber que flagrar um beijo lascivo entre duas garotas lésbicas na porta da escola, não é nem bonito, nem moderno e nem tão atraente quanto nossas fantasias loucas, mas sim tão nauseabundo quanto o pecado. Pelo menos foi assim que eu me senti quando vi esse babaço juvenil na semana passada.

Trouxe a dor de saber que se auto reinventar nessa fase da vida só é bonito, fácil e dá certo nas palestras bem caras dos “Karnais e Cortelas” da vida, e agora entendo porque é que estes “rendezvous” estão sempre recheados de jovens vazios e tolos que aplaudem suas elucubrações filosóficas, falaciosas e óbvias. Essa platéia “nutella” que na verdade nunca experimentou, aparentemente, a dura realidade da vida. Ou se experimentou, busca loucamente fugir dela.

Para mim foi simples assim:

– Você está sem energia meu caro, pode ir pra casa, reinvente-se. Pois é amigo, seja feliz e obrigado pelos serviços prestados nestes últimos 30 anos!

Depois disso, foram várias invencionices. A mais louca foi voltar aos bancos escolares e descobrir que minhas sinapses ainda funcionam bem, mas a área de armazenamento está quase sem espaço útil, espaços que foram preenchidos com as tolices da meninice e com a cegueira do materialismo e de hedonismo barato. Com isso, sem espaço, loto cadernos e mais cadernos com etiquetas na capa onde escrevo “ajuda memória”. Eventualmente, tento apagar essas tolices inúteis que povoam meus pensamentos, sorte que são rapidamente preenchidas com a dura realidade da vida, mas essas são bem mais interessantes, com certeza.

A fase madura me trouxe uma dor física e uma fraqueza ocular que nunca pensei que teria. Um zumbido eterno nos ouvidos que me faz sonhar sistematicamente com uma TV valvulada defeituosa ou com naves espaciais em velocidade de dobra, e isso só não me enlouquece, meu caro, pois sei exatamente do que se trata, só por isso. Por outro lado, para me concentrar sem ter que ouvir essa tortura, fico imerso em Mozart, Brahms, Rachmaninoff quase que o tempo todo e isso é realmente muito bom. Assim, a fase sênior me deu a chance de ler mais e entender certos temas musicais, que só nessa fase pós cinquenta é possível compreender em toda sua extensão, sim, é preciso ter vivido certas aventuras na vida para isso.

Os jovens tolos, por exemplo, poderiam ganhar muito tempo na vida lendo os grandes escritores Russos ou ouvindo seus grandes pianistas, mas eles preferem ficar cabisbaixos olhando a tela de seus celulares. Confesso que eu também fico, mas eu vivi grande parte de minha vida sem essa tela colada ao rosto e tive a chance de ler e tocar ao piano os grandes clássicos, tive a chance de amar a arte, então tá tudo certo.

Mas, do que vale entender as coisas da vida, se ninguém ouve o que você realmente diz sobre elas e sobre toda a verdade que está anexa a ela? Afinal, na idade madura você está mais conservador que nunca, por isso muitos me acham um chato de galocha. Por isso, a idade vem me deixando mais frugal com as palavras ditas. Mas, posso garantir que o que vale é ter o prazer incomensurável de fazer uma leitura profunda. viver do que realmente vale a pena e da pesquisa de campo só para entender a natureza das coisas. Poder fazer isso sem se preocupar com o que vão pensar e uma vantagem afinal ninguém entende mesmo sobre o que estudo ou falo, a não ser eu mesmo.

A longevidade me trouxe o prazer e a sorte de entender o que é ter filhos filhos que esperam com muita fé eu ficar ainda mais anoso, me trouxe os problemas de ter uma esposa que, às vezes, não entende o problema de quem tem uma ligeira dificuldade em ouvir as frequências mais altas de sua linda voz feminina, em outras palavras ficando meio surdo, mas que entende perfeitamente bem que a tendência disso não é simplesmente se regenerar e sim piorar.

Ainda bem que tenho quase que todos os dentes na boca e espero mantê-los comigo, eles e minha audição claro, quando estiver mergulhado ainda mais profundamente nas rugas do tempo. Ah, o tempo, esse senhor, que não leva desaforo, me mostra a cada segundo que com ele não se negocia e nem se brinca. É como diz minha irmã, irônica e sabiamente, que “o tempo é uma fabrica de monstros”. E lá vamos nós lentamente libertando nossos monstros do corpo pouco a pouco… se tivermos sorte.

Felizmente o que passou, passou. Não tem volta. Agora é só continuar aceitando os presentinhos que a longevidade nos trás a cada dia, tudo isso com bom humor e alegria, mesmo que os dias de chorar e se enfurecer apareçam aqui e acolá como toda boa vida sempre nos dá de graça. Ora, então só nos resta aceitar e apenas agradeça a Deus pelas bençãos em estar vivo e siga em frente.

Blade Runner, um filme de arte grandioso!

dimsFinalmente eu fui assistir ao filme Blade Runner 2049, e foi lá no escuro da sala de cinema onde eu percebi que realmente esse filme moldou o futuro, afinal é possível ver ao redor do mundo cidades incrivelmente densas e tão caóticas como a L.A de 2049, mas, durante a exibição desta noite, não foi fácil esquecer do seu passado. O que foi muito bom.

Eu fui ao cinema ver o primeiro Blade Runner em 1983 creio eu, não me lembro muito bem, mas sei que fui ver o filme em sua estreia. Ora, como não se esquecer do lema da Tyrell Corp que era: ” Mais humano de que o humano”. Essa foi a empresa, fundada pelo gênio da engenharia genética Dr. Eldon Tyrell que criou os replicantes. Esses seres incríveis, dotados de força e inteligencia ímpares. Como se esquecer da criatura, o replicante Roy Betty matando o seu criador, o Dr. Eldon Tyrell? Ver o Roy com lágrimas nos olhos e apertando o cérebro de seu criador até matá-lo? Como se esquecer da Reachel, a replicante elegante e de olhar misterioso que se replicou intensamente em meus sonhos juvenis.

Depois desse dia, em 1983, vi o filme tantas vezes, ouvi à exaustão sua magistral trilha sonora composta por Vangelis, a tal ponto de me perder em criativos devaneios pueris, em criar tantas aventuras surreais. Ver esse filme me fez ter sonhos platônicos com a glamourosa e atraente Reachel (Sean Young), isso lá nos anos 80. E agora, felizmente e depois de mais de 30 anos, estou eu, aqui, em uma sala de cinema do século XXI, tentando descobrir o que aconteceu com a bela Reachel e se Deckard é um replicante ou não. Blade Runner é um filme universalmente aceito como um clássico, uma fantasia futuro-noir de Ridley Scott. Confesso que, depois de tudo isso, eu estava apreensivo em o que eu iria realmente assistir nessa continuação do perfeito Blade Runner e que tinha tudo para dar errado.

Perdoe-me leitor, mas aqui é necessário uma pausa para uma breve explicação. O nome do filme se refere a um romance de um misterioso escritor e médico chamado Alan E. Nourse. Ele amava escrever sobre a profissão médica e sobre os mundos fantásticos do futuro. Depois de lançar vários livros com relativo sucesso, em 28 de outubro de 1974 a editora David McKay lançou um romance de Nourse que combinava as duas áreas de especialização do autor em uma única obra de arte: o Bladerunner.

Este romance narra as aventuras de um jovem conhecido como Billy Gimp e seu parceiro no crime, Doc, enquanto navegam em uma distopia de saúde. É o futuro próximo, e a eugenia tornou-se uma filosofia americana orientadora. Os cuidados de saúde universais foram promulgados, mas para eliminar o rebanho dos fracos, as “leis de controle de saúde” – impostas pelo escritório de um “Secretário de Controle de Saúde” draconiano – determinam que qualquer pessoa que queira atendimento médico deve primeiro ser esterilizada . Como resultado, surgiu um sistema de cuidados de saúde do mercado negro em que os fornecedores obtêm equipamentos médicos, e os médicos usam para curar ilegalmente aqueles que não querem ser esterilizados e há pessoas que transportam o equipamento para os médicos. Como esse equipamento geralmente inclui bisturis e outros instrumentos de incisão, os transportadores são conhecidos como “bladerunners”. E voilà, a origem de um termo que passou a mudar a ficção científica.

Agora que tudo está esclarecido, me lembro que a primeira edição de 1982 já me conquistou de imediato, mas na verdade, foi somente quando o Blade Runner foi reconfigurado através de um “1992’s Directors Cut” e, mais tarde, o “Final Cut de Scott”, que seu status de obra-prima foi assegurado e agora o filme está sentado ao lado de Metropolis de Fritz Lang e do 2001 de Kubrick no panteão dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos.

O que eu posso dizer é que nenhuma dessas tribulações vivdas pelo primeiro filme acontecerá com Blade Runner 2049, que para mim, trouxe sentimentos diversos entre aflição, dor, risos e satisfação. No entanto, me surpreendi ainda mais com a audaz direção de Denis Villeneuve, co-escrita pelo roteirista original Hampton Fancher, que é muito boa, e isso é espetacular, pois já é o suficiente para conquistar as novas gerações de espectadores, e é muito boa para tranquilizar os fãs de que suas memórias do filme original, não foram reduzidas a implantes sintéticos de algum desconhecido.

A ação se desenrola 30 anos depois que o “Blade Runner” , Rick Deckard (Harrison Ford), desistiu de perseguir androides e ao invés disso e se apaixonou por um deles, a incrível e bela Reachel. Neste meio tempo, houve um “apagão” de 10 dias de escuridão que destruíram os registros de produção de replicantes que eram armazenados digitalmente, criando um espaço em branco na memória da base de dados da humanidade. As naves flutuantes que fazem a propaganda da mudança de humanos para as colônias fora da terra ainda atravessam a chuva ácida, empurrando o atenção do espectador para os logotipos corporativos da Sony, Atari, Coca-Cola e Pan Am. Por isso, fica tão deliciosamente impossível não se esquecer do passado.

Através deste mundo distópico, o “K” de Ryan Gosling caminha nos passos de Deckard, rastreando androides rebeldes e  fazendo-os “se aposentar”.

“Como se sente?”, Pergunta um androide antes de morrer, provocando esse caçador implacável, dizendo que ele só pode fazer seu trabalho porque ele “nunca viu um milagre”, uma frase enigmática que vai assombrar K (frase que também me assombrou) enquanto ele tenta desvendar seu significado.

K mora em um apartamento pequeno com sua namorada virtual Joi (Ana de Armas), uma inteligência artificial holográfica lindíssima que parece existir apenas nos mundos virtuais que criamos na adolescência.

Em suas discussões pós-missão, K é submetido a uma forma de associação de palavras interrogativas que invade os testes Voight-Kampff, aqueles detetadores de replicantes anteriormente administrados por Deckard. Após anos atuando como um assassino imperturbável, o constante e impassível “K” está experimentando dúvidas sobre seu trabalho, suas memórias e sua natureza.

Aqui está o ponto crucial onde ele questiona algo moral: “Eu nunca aposentei algo que nasceu de verdade”, ele diz a tenente Joshi (Robin Wright), acreditando que “nascer é ter uma alma”. Joshi não se impressiona, insiste que,  seguindo esta linha de raciocínio, você pode se dar bem se não tiver uma alma.

Tais ansiedades existenciais estão no coração do filme de Villeneuve, que tem a confiança e a coragem para prosseguir em um ritmo editado de forma totalmente incompatível com os filmes de sucesso atuais. Espelhando e inovando os temas-chave do seu antecessor, o Blade Runner 2049 troca unicórnios por cavalos de madeira, mantendo a grandeza visual que disparou o filme de Scott. De vastas paisagens de telhados e refletores cinza, através das conchas enferrujadas de abrigos pós-industriais, ao brilho queimado de terras radioativas, a fotografia evoca um mundo que tem um crepúsculo que parece nunca acabar. As cores brilhantes são restritas às luzes artificiais de publicidade e entretenimento. Arquiteturalmente, os projetos de produção evocam o um futuro caótico e esteticamente reto com todas as suas linhas angulares e sombras expressionistas.

Em um certo momento, fica evidente as homenagens às estatuas do filme AI de Spielberg: Inteligência Artificial.

As vistas são surpreendentes, mas os verdadeiros triunfos do Blade Runner 2049 são lindamente discretos. Carla Juri injeta a magia real em uma cena romântica dos sonhos; Sylvia Hoeks como Luv, a moça que detona tudo para conseguir o que quer e que derrama suas lágrimas aterrorizantes rivaliza com Rutger Hauer (Roy Betty); e Ana de Armas traz calor tridimensional a um personagem que é essencialmente uma projeção digital.

Os compositores Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer ( um dos meus preferidos) dançam em torno de lembranças dos temas de Vangelis, criando uma paisagem sonora que geme e uiva e que, ocasionalmente, cresce em um êxtase medonho como o Réquiem de Ligeti.

Pode ser um “spoiler” aqui, portanto, se ainda não viu o filme, evite ler esse trecho. Na cena final, “K” realmente me fez ouvir a fala de Roy Betty (Hutger Hauer) , em seu épico discurso: Tears in Rain, mesmo sem ele dizer uma única palavra.

Então, vendo Blade Runner 2049, eu realmente fiquei impressionado com os seus efeitos visuais e surpreendido por suas citações sutis retratadas em roupas, efeitos sonoros, frases, tudo referindo-se ao filme original, só os mais atentos perceberão esses pequenos detalhes que transformaram esse filme, pelo menos para mim, em um filme de arte grandioso.

O que dizem por aí sobre ETs?

ufoSingularityDizem que a eletrônica digital, essa que ajudou a criar os computadores modernos e que, por engenharia reversa foi desenvolvida, veio dos ETs, e que as tecnologias espaciais também são um legado dos ETs. Nada mais tolo crer na capacidade de criação do homem.

Dizem que as pirâmides ao redor do planeta é um projeto dos ETs e que, magnanimamente benévolos, auxiliaram os egípcios “cabeça de cone”, entre outros povos antigos a construí-las. E dizem que a lua também é um projeto dos ETs e que ela é oca.

Dizem que a matemática básica e avançada foi um presente dos ETs, e que Nicola Tesla recebeu seu conhecimento dos ETs, Albert Einstein também. Acho que por isso viviam às turras.

Dizem que Jesus é um ET e que seus milagres foram ensinamentos dos ETs, e que ele não ressuscitou, apenas pegou sua nave e partiu para os céus. A bíblia prova que tivemos muitos ETs entre nós: – Está no livro de Ezequiel ! -bradam os mais afoitos.

Dizem que os homens das cavernas e suas pinturas rupestres são obras dos ETs, os dinossauros são obras dos ETs também. Inclusive o meteoro que os matou foi lançado pelos ETs que não aguentavam mais a falta de educação desses monstros que eles mesmos criaram.

Dizem que o genoma humano veio dos ETs e que um deles usou o próprio DNA, manipulou tudo, misturou com um primata e criou o ser humano como ele é hoje.

Dizem que os ETs nos deram a escrita, a inteligência e a lógica, e que os ETs criaram a realidade virtual e que foram os ETs que apertaram o botão de “liga” do big bang.

Dizem que houve uma batalha épica com ETs sobre os céus da Índia antiga apenas por assegurar o poder deles no céu.

Dizem que o anjo da anunciação era um ET. Lucifer é na verdade um ET malvadão e que Adão e Eva foram experimentos dos ETs.

Dizem que os meus filhos, opa! esses não são obras dos ETs, posso garantir, mas dizem que se não fossem os ETs benévolos eu não teria evoluído até aqui para tê-los.

Dizem que eles já estão entre nós vivendo em cavernas, nas cidades ou no fundo dos mares e alguns dizem que eles voltarão para uma batalha épica final para dominar o planeta.

Conclusão, é mais fácil as pessoas acreditarem nos malditos ETs e responsabilizá-los por todas as nossas conquistas e mazelas, do que crer na realidade nua e crua deste mundo de que somos filhos de Deus. Afinal, crer em ETs não traz nenhuma responsabilidade moral, não é mesmo?

É só a sua família que eles querem destruir…

protestomampedofilia-1200x600Após as manifestações das últimas semanas contra o que aconteceu no MAM em São Paulo e no “Satãnder” cultural no RS, chegou a hora de analisarmos o que realmente está por trás destas ditas exposições de “arte” onde pretensos “artistas” se propõem a mostrar sua “obra” para meninas incautas e que mostram crianças sendo expostas a cenas de sexo e sendo coagidas a manipular as extremidades de homens nus a mando de seus pais. Eu mesmo fiquei indignado com tudo isso e ainda estou, pois não tolero nada que tire a inocência de nossas crianças.

Mas acho que cabe aqui agora uma analise mais fria do que está por trás dessa bruma que nos impede de ver com clareza o que acontece na mente de quem promove e cria esse tipo de manifestação cultural.

A mulher que incentivou a filha a tocar no homem completamente nu dentro do museu é uma militante esquerdista. Ela não entende realmente o que ela estava promovendo. Ela apenas repete um mantra que ecoa dentro de sua mente: “Fora sociedade conservadora patriarcal… Somos livres para fazermos o que quiser… fora família tradicional cristã…vamos desconstruir essa sociedade machista opressora, sou progressista” Ela e todas as pessoas que defendem essa agenda de sexualização infantil não pensam por si mesmas. Apenas atendem às vozes que ouvem dentro de suas mentes já pré programadas.

A primeira pergunta é:

– E quem programa a mente destas pessoas?

Um resumo…

Essa programação acontece já há muitas décadas e muito provavelmente você também foi programado assim como eu e muitos da minha geração. Começou muito antes da primeira guerra mundial e teve seu ápice com o fim da segunda guerra. Na década de 30 no Sec. XX, diversos pensadores marxistas perceberam que para mudar o ocidente e seus valores precisavam de outras estratégias que não fosse apenas fazer uma revolução sangrenta com o uso de armas. Criaram então  uma escola de pensadores chamada Escola de Frankfurt. (por favor, pesquisem)

Lá, usaram e abusaram da liberdade de pensamento do ocidente e criaram várias teorias, entre elas a do pensamento crítico. De lá, vieram vários pensadores que tinham como propósito minar os valores ocidentais. Desta forma, eles se estabeleceram em diversas universidades americanas e a partir desta escola, desenvolveram diversos movimentos sociais que visavam claramente a destruição moral das famílias e seus descendentes.

⇒ Leia https://monoskop.org/images/b/b6/Marcuse_Herbert_Eros_e_civilizacao_6a_ed.pdf

Os movimentos hippie, o woodsotck, liberação de drogas, sexo livre e sem responsabilidades, visavam, em um primeiro momento, libertar uma juventude oprimida pela família e pelo capitalismo opressor. Dar a esses jovens uma liberdade irrestrita onde o mundo deveria servi-los e dar a eles um prazer desmedido.

Quem nasceu nos anos 50 do séc. XX entende o que foi aquela época e como os pais da família tradicional eram tratados por seus filhos rebeldes sem causa. Tudo em nome de uma revolução cultural do Paz e Amor. Estava aberta a caixa de pandora. Então surgiram o feminismo, o gayzismo, e todos os “ismos” que confundem e seduzem até hoje a cabeça dos jovens adolescentes.

Através das drogas e do sexo sem limites, muitos se perderam pelo caminho, mulheres ficaram grávidas e se tornaram mães solteiras. Tabus foram quebrados quando se tratava do sexo homossexual. Ocidente finalmente estava mudando de dentro para fora.

A segunda pergunta é: – A quem interessa a destruição das famílias e do legado que elas deixam para os seus integrantes?

Vale aqui ressaltar que as pessoas que criaram essa revolução cultural, querem mudar a percepção da realidade das pessoas. Relativizam tudo e fizeram várias gerações, inclusive a minha, crer em um mundo livre e igualitário, onde nada e ninguém é de ninguém. É como na música dos tribalistas: “Já sei namorar”:

“Eu sou de ninguém. Eu sou de todo mundo. E todo mundo me quer bem. Eu sou de ninguém. Eu sou de todo mundo E todo mundo é meu também “

Esse tipo de pensamento sedutor é interessante, mas fica mais ainda interessante quando diretamente não afeta os seus entes queridos. As pessoas que cantam essa música, cantam para os outros, para os filhos dos outros, para os filhos adolescentes dos outros. Entenda: esses outros são os seus e os meus filhos. Mas, sabe, chego a crer que cantam acreditando que isso é bom mesmo, afinal estão programados a crer nisso. Mas, ATENÇÃO, quando se trata dos filhos deles ou das pessoas que eles mais amam, aí  esses propagandistas podem ser bem seletivos.

Essa é a lógica por trás desta propaganda de liberação sexual e de quebra de valores. Os incentivadores financeiros dessa cultura hedonista desejam que apenas seus filhos entrem nessa e não os deles. Eles querem que você fique discutindo nas redes sociais as picuinhas sobre o que é arte, ou não, ou sobre se a performance do artista é pedofilia ou não, ou porque ele não foi preso, ou, (e nessa eu me incluo), por que não pegamos esses filhos da puta e enchemos de porrada? Essa é bruma que eles criaram e que nos impede de ver a realidade. Quem financia esse tipo de “arte” e o que eles pretendem é que deve ser compreendido. Portanto, essa gente quer destruir a sua família e não a deles.

A terceira pergunta que devemos fazer é:

– E quem são esses financiadores?

Vejamos, só pode ser gente de muito dinheiro. Muito mesmo. Nada que se compare ao dinheiro roubado pelo PT e seus asseclas. Estamos falando de quase um século de propaganda marxista cultural criada para mudar as bases do pensamento ocidental judaico cristão. Sim, eles precisavam de muito dinheiro para propagar essa cultura por décadas e décadas e fio. E todos nós sabemos quem são os donos do dinheiro nesse mundo. Temos aí umas 4 ou 5 famílias donas dessa bolada e que com dinheiro infinito na conta corrente, conseguem com financiar esse tipo de “exposição” e controlar os rumos do mundo todo, controlar a geo politica e a narrativa cultural dominante.

O conceito de família, como era conhecido antes de tudo isso, já não é mais o mesmo. Hoje, tudo é considerado família: Homem casado com homem, mulher com mulher, homem com objeto. homem com várias mulheres, mulher com objetos, pessoas com animais. Vale tudo. Isso é fato! Percebe que já estão falando em casamento entre homens e crianças?

Esse pensamento de vale tudo é bastante sedutor. Imagine viver em um mundo livre das amarras do cristianismo e de seus valores. Um mundo livre para se fazer o que bem quiser. E é isso que essas famílias trilhardárias promovem mundo afora.

Agora, se fizermos uma pesquisa mais detalhada sobre quem são essas famílias, vamos notar que os donos do mundo, passam sua fortuna de geração em geração e cuidam, muito bem obrigado, das famílias deles. Podemos ver isso aqui mesmo no Brasil, onde temos gerações de políticos no poder que passa seu legado político de pai para filho. Lula, condenado pela justiça mas que ainda dá sua sarradinha por aí, protege seus filhos, dando rios de dinheiro a eles e mantendo sua “linhagem e estirpe” de pé. Ele jamais aceitaria que um deles se casasse com um morenão sarado, preferível vê-los sarrando uma cabritinha.

Não podemos ser tolos em acreditar que a esquerda quer apenas ter liberdade de expressão, ou quer promover a sexualização infantil, uso de drogas, a deterioração das universidades. Tudo tem um propósito muito bem definido e maior do que o tempo de vida de todos nós aqui. É um plano que foi feito para durar séculos e séculos.

Por isso, é importante educarmos nossos filhos para entender essa realidade. Temos que mantê-los fora disso a todo custo, devemos afastá-los deste pensamento extremamente sedutor e fácil da esquerda. Nossos filhos é que serão os habitantes do mundo futuro e, infelizmente, terão que lidar com as consequências de nossas inações atuais. Devemos então agir prontamente, lutar de forma firme e urgente pela manutenção do núcleo familiar tradicional. Devemos educar nossos filhos para entender a importância da conservação dos valores cristãos, do quanto é difícil a construção das coisas que verdadeiramente admiramos, mas que são facilmente destruídas por mentes doentias e programadas para amar o feio e destruir o belo. Devemos ensinar nossos filhos a lutar essa guerra cultural para entender seu inimigo e jamais subestimá-lo e o pior, evitar que sejam seduzidos pelo paraíso encantador e utópico criado pela mente esquerdista e, principalmente, que não caiam na esparrela de um homem nu que se expõe para crianças se dizendo artista.

Quer saber mais? Assista esse importante e esclarecedor vídeo do meu amigo Bernardo Küster e que me inspirou a escrever estas linhas :

Aproveitem e assinem o canal dele e sigam as orientações dele quanto ao COF do Prof. Olavo de Carvalho.