A escola não foi feita para divertir ninguém.

bagunça1O carnaval está chegando. Agora é hora de esquecermos nossos problemas e cair na folia. É uma explosão de prazeres e diversão. Muitos de nossa sociedade vive única e exclusivamente para desfrutar destes dias de alegria e felicidade. São sensações prazerosas que experimentamos e que são difíceis esquecer. Duram apenas cinco dias. “Pena que acaba”, dizem uns, que insistem em prolongar a festa até a quinta feira de “cinzas”

Quando vemos que somos um país que tenta construir uma civilização baseada nos prazeres das sensações, onde temos um projeto civilizatório baseado em carnaval, samba, pagode, funk, futebol, novelas, reality shows e suas comemorações, fica claro que nós brasileiros nos emocionamos somente com coisas deste tipo.

Um dia desses, proferi uma palestra para uma equipe de alunos e professores em uma universidade. Uma das coisas mais difíceis que me deparei nesse dia foi a de tentar manter aquelas pessoas atentas às minhas argumentações sobre o tema em discussão. Após os trabalhos, no fim do dia fomos para um “happy hour” em uma casa noturna tomar umas cervejas e relaxar um pouco.

O bar estava lotado de professores e alunos da universidade. Todos caíram na farra dançando alegremente ao som do funk proibidão do momento. Todos estavam fascinados por aquela situação. Era um contraste incrível. Os sorrisos daquelas pessoas com seus olhos brilhando de felicidade. Olhei para todos que estavam ali e fiz uma auto análise me achando um chato.

– Minha palestra deve ter sido uma chatice – pensei.

Conclui que todos os colegas devem ter pensado justamente isso enquanto eu tentava aplacar minhas argumentações sobre o problema do ensino e da educação e seus efeitos sobre o mercado da tecnologia e o desenvolvimento no Brasil. Me lembrei de que muitos dos colegas bocejavam ou literalmente “pescavam” durante minha explanação.

Que contraste isso, vejam só, aquelas pessoas que ficaram duas horas, em uma atenção artificial dificílima, sofrendo, tentando prestar atenção em minhas ideias, contra aquelas pessoas com uma espontaneidade genuína e encantadora durante a festa na casa noturna. Eram literalmente outras pessoas.

A proposição civilizatória brasileira é essa. É a de produzir uma sociedade baseada em entidades quantitativas.  Muitos prazeres. Muitos deleites sensuais. Muita diversão. É por isso que aqui temos essa epidemia de diversão, sensualidade, do calor, praia, carnaval, e tudo que é correlato a esses prazeres efêmeros. Basta ver o vídeo que a pretensa  candidata ao posto de Ministra do Trabalho do atual governo postou no youtube em uma lancha, com quatro homens sem camisa “sarados e depilados”, falando sobre sua seriedade para ser a postulante ao cargo de ministra e de que não sabia que tinha processos trabalhistas nas costas.

O problema dessa proposta civilizatória hedonista é que ela é impossível de se estabelecer como uma grande civilização em si, pois para se criar uma civilização de fato é necessário ter ligados a ela entidades qualitativas e não quantitativas. Não se produz uma civilização de verdade baseada em quantidades.

Veja, a diferença entre o prazer e a dor é a intensidade. Para ir do prazer a dor é apenas uma questão de segundos. É como comer chocolate. Uma barrinha é uma delícia, duas, é bom, mas dez barrinhas, dever ser no  mínimo indigesto. Se você duvida disso, é só experimentar comer dez barras de chocolate brasileiro, mesmo o de boa qualidade, e verá o resultado imediatamente na sensação que isso provoca no seu estomago guerreiro. O prazer de comer chocolate está em comer pouco. Mesmo que você ame comer chocolate, você não irá aguentar comer muitos mais depois da quinta  ou sexta barra.

Aprendi isso quando fui prestar um serviço na fabrica de bombons da Nestlé. O chefe da produção falou:

– Aqui pode comer à vontade! Não há limites. – com um sorriso malicioso no canto da boca.

Eu, com os olhos maior que o estômago, logo na primeira hora de trabalho comi vários bombons, de todos os tamanhos e sabores, na segunda hora, meu ímpeto havia diminuído, eu já estava meio cansado, na terceira hora o cheiro do chocolate já me causava náuseas te tão enjoativo que se tornara. Sábio o chefe da produção. Um mestre em controle de perdas.

Muitos mestres da pedagogia dizem que a educação vai mal, pois as aulas não são prazerosas aos alunos. Com aulas mais prazerosas e divertidas os alunos aprenderiam mais e melhor. Quanto mais diversão, mais aprendizado. quanto mais diversão, melhor.

Você, inteligente que é, deve estar perguntado:

-Mas quem foi que criou esse pensamento hedonista na educação?

Bem, no Renascimento, um sujeito chamado Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius; em português, João Amós Comênio;) criou essa proposição. Ele é o padroeiro da educação moderna. Ele foi o inventor deste pensamento. Das aulas prazerosas. A concepção da educação neste sentido, que estão implantando faz mais de 500 anos, se mostrou um fracasso. Ele sugere uma aula agradável tanto para professores quanto para os estudantes. O problema é que, tudo que foi pensado na pedagogia desde o Comenius, foi o que catalizou a destruição do verdadeiro conceito de educação e colocou no lugar o que chamamos de ensino. Portanto, hoje, na prática, o que temos no sistema educacional é o ensino puro e simples.

No Brasil, tiramos as crianças de suas casas por cinco horas diárias durante oito anos. O país investe 20% do PIB com esse tipo de educação e após esse período, conseguimos formar uma horda de analfabetos funcionais andando por ai. Dos que chegam ao oitavo ano, nenhum deles sabe ler efetivamente ou, se leem, não conseguem entender verdadeiramente o que leu. Não sabem para que serve a matemática ou sequer percebem os fenômenos da física ou da química no seu dia a dia. Não sou eu quem afirma isso. Basta fazer uma rápida pesquisa no Google e vocês irão observar esse fenômeno incrível nas estatísticas oficiais do governo.

Percebam que, tudo o que tem a ver com prazer é um processo de quantidade. Prazer e dor são graduações quantitativas. A educação verdadeira não lida com quantidade. Ela lida com qualidade. Lida com as virtudes que são entidades qualitativas. Quando pensamos na quantidade, estamos apenas nos desviando da virtude. A virtude é o caminho do meio. Não que uma boa aula agradável não deva ser dada. Nem que a aula seja tão enfadonha que todos queriam fugir dela. Não é isso. O que digo é que não é esse o objetivo da escola. A escola não foi feita para divertir ninguém, nem para torturar ninguém.

A escola foi feita para ensinar determinadas qualidades. O abandono destas qualidades, que era meta dominante na idade média, com o uso das sete artes liberais (Trivium e Quadrivium) foram substituídas apenas por uma experiência agradável e acreditem, esse movimento destruiu completamente a possibilidade de oferecermos uma boa educação para os nossos filhos.

 

Texto baseado em uma palestra do Prof. J.M. Nasser

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

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E se todos tivessem uma educação clássica?

1classicaHoje é domingo e domingo pede um cachimbo, então, como não fumo, peguei meu café e, entre um gole e outro, comecei a pensar sobre o motivo dessa profunda crise que nos afeta. Como diretor de uma pequena escola de apoio escolar, comecei a pensar sobre os porquês de estarmos profundamente afetados por uma educação tacanha e que levou nosso país à beira de um colapso econômico e social. Pensei nos motivos que nos deixaram à mercê de uma cultura que destrói a cada dia as coisas admiráveis que foram construídas por séculos e transformam nosso país em um amontoado de gente sem rumo. Então, idealizei uma nova escola para nossos estudantes fazendo a mim mesmo a seguinte pergunta:

– E se todos tivessem uma Educação Clássica?

É uma boa pergunta, não é? E como uma boa pergunta merece sempre uma boa resposta, comecei idealizando como essa escola deveria ser para responder a essa intrigante pergunta. Pensei em grandes nomes de nossa civilização:

Galileu Galilei, Willian Shakespeare, Charles Darwin, Martin Luther King, Albert Einstein, Thomas Jefferson, entre outros. O que esses grandes nomes teriam em comum?  Certamente uma educação clássica.

Tenho certeza absoluta que muitos dos leitores não tem a menor ideia do que esse tipo de educação possa significar. Esclareço que esse foi o método onde muitos dos grandes e mais influentes nomes da história, inclusive os que citei aqui, foram educados.

Eu descobri a educação clássica por influência de um renomado professor, já falecido, chamado José Monir Nasser, que me apresentou postumamente, um livro chamado O Trivium (Gramática, Lógica e Retórica) e O Quadrivium (Álgebra, Arquitetura, Música e Cosmologia)  escrito pela irmã Miriam Josef e um outro livro chamado “A arte de ler” do autor Mortimer Adler. Quanto mais eu lia esses grandes livros, mais eu me convencia que essa deveria ser a educação ideal para as crianças de todo o país.

É um conceito de sucesso histórico comprovado e muitos educadores pelo mundo afora estão redescobrindo esse método como uma das mais efetivas maneiras de se ensinar as crianças.

Como sou pai de duas crianças de 5 e 9 anos, eu e minha esposa nos preocupamos com o tipo de educação que eles recebem fora de casa. Eles estudam em uma escola particular com boa reputação como bolsistas. Mas mesmo essas boas escolas estão sob o rígido controle pedagógico do MEC em matérias como: Matemática, ciências, história, língua portuguesa, geografia, filosofia e ensino religioso.

“Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nós perdemos praticamente nossa humanidade, nossa alma?”

É fácil perceber como os alunos das escolas particulares e estaduais não estão sendo academicamente desafiados e não aprendem os valores que nós consideramos os mais importantes para eles aprenderem. É muito frustrante isso, mas essa frustração faz todo o sentido. Basta você ver os resultados dos testes destes mesmos alunos, comparados com de outros países e você verá que ocupamos as últimas posições no desempenho em Matemática, Ciência e Leitura.

Esses resultados são terríveis! Isso mostra que o ensino da forma como é hoje no Brasil é praticamente irrecuperável.

O país se depara hoje em dia com as dificuldades em contratar profissionais, melhorar o desempenho empresarial e governamental. Além disso, estamos perdendo jovens com grande potencial de sucesso para a violência e as drogas. Então eu me pergunto: Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nos levou a perder praticamente nossa humanidade, nossa alma?

A escola que sonho em fundar, é aquela que ofereceria o tipo de educação clássica e que encontraria os pais desejosos desse tipo de ensino: O ensino de uma Escola Clássica. Muitos devem, agora estar se perguntando: “Mas que raios é uma Escola Clássica?”

“Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.”

Aprendi no livro “O Trivium”  que a educação clássica começa com 3 matérias ou três estágios de aprendizado: Gramática, Lógica e Retórica.  Na gramática o aluno aprende sua língua mãe, como uma ferramenta para entender as outras matérias que virão. Na lógica, ele aplica todos os assuntos aprendidos e, mais tarde, se foca na retórica onde ele aprende a se comunicar adequadamente. Todos esses estágios se integram perfeitamente com a progressão natural do desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Nesta escola, os alunos aprenderiam a pensar de forma estruturada, pois crianças aprendem qualquer coisa com muita facilidade. Vejo isso em casa, com meus filhos, que conversam comigo sobre assuntos da literatura e das ciências com muita desenvoltura. Eles nunca se cansam de falar sobre planetas, velocidade da luz, ondas gravitacionais, estrelas de outras galáxias, histórias de reis e conquistadores, a vida de Jesus, histórias clássicas e fábulas.

Um outro aspecto da Educação Clássica, nesta hipotética escola, seria o uso de escritores clássicos logo no início do estágio gramatical. Os clássicos resistiram a ação do tempo. Possuem toda a sabedoria de gerações e são repletos de tanta riqueza de conteúdo que encanta as crianças que adoram lê-los.

Me deparo diariamente com alunos do ensino médio com uma caligrafia horrível e uma péssima compreensão do que leem, não só pela letra ruim que eles não entendem, mas por não saberem ler efetivamente. Na fase Gramatical, nesta escola, ensinaríamos a arte da boa caligrafia, por ela trazer benefícios cognitivos já conhecidos. O ensino do Latim seria parte do currículo. O Latim é a base de TODAS as línguas românicas, base da nossa própria língua. Os alunos que sabem Latim, tendem a apresentar um desempenho muito melhor em provas padrão, e ainda por cima, aprendem outros idiomas modernos com muito mais facilidade.

História é outra parte importante da nossa escola dos sonhos. Ensinaríamos desde a História Antiga até a Moderna sequencialmente, várias e várias vezes durante os 12 anos de estudos dos alunos. Priorizaríamos os estudos dos documentos originais, ao invés de cartilhas e apostilas, assim, os alunos estariam na verdade, lendo o que as próprias pessoas tiveram que pensar e dizer quando da ocasião dos fatos.

E sobre a fase Lógica?

Nessa fase os alunos estão curiosos e vivem perguntando o “porquê” ou “como” disso ou daquilo. Eles estão se tornando argumentativos. O objetivo da fase lógica seria: Dar ao estudante uma compreensão profunda das matérias estudadas até aqui. Daríamos aulas de Lógica Formal, onde elas aprenderiam a arte da argumentação, aprenderiam argumentos formais e bem fundamentados reconhecendo falácias lógicas tão comuns nos dias atuais. Neste mesmo período, ensinaríamos aos alunos o processo de como escrever de verdade, tudo isso até o final do ensino médio.

Na fase Retórica, os alunos já estariam mais independentes. Com o que aprenderam eles já formariam suas próprias opiniões e começariam a se “separar” da família. Agora eles teriam as ferramentas dos assuntos e opinião própria, mas o mais importante eles entenderiam profundamente esses assuntos. Eles analisariam e sintetizariam as informações, formariam suas próprias opiniões embasadas em fundamentos sólidos, e seriam capazes de comunicar essas opiniões de forma efetiva e persuasiva.

Esse seria o grande tesouro que a nossa Escola Clássica daria aos estudantes. A capacidade de discutir profundamente o que foi estudado, onde eles poderiam aplicar a análise e a síntese imediatamente na vida real. Desenvolveriam argumentos baseados na razão, e depois disso, receberiam um treinamento formal em retórica onde aprenderiam a arte de escrever e falar de forma articulada e persuasiva. Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.

E os valores?

A Escola Clássica abordaria tanto a mente quanto a alma, a integridade do ser (Corpo, Coração, Mente e Espírito). Nutriríamos a alma com os valores e crenças Judaico-Cristãs. Jamais exigiríamos que nossos alunos fossem Cristãos. Os faríamos apenas entender a perspectiva Cristã e seus valores fundamentais. Exporíamos outras tradições de fé e assim eles seriam capazes de compreender outros pontos de vista do mundo.

Para muitos leitores, isso pode parecer fora da realidade atual. Mas sonhos foram feitos para serem sonhados. Estou convencido que se todas as pessoas da minha geração e da geração seguinte a minha tivessem estudado na Escola Clássica, viveríamos hoje em um país muito diferente e menos vulnerável aos mentirosos profissionais de plantão.

Os alunos , expostos a esse método, estariam aptos a frequentar cursos superiores em qualquer país do mundo e teríamos muito mais empreendedores e profissionais qualificados para desenvolver o país que queremos.

Na escola clássica, como dito anteriormente, nossos alunos aprenderiam como se tornar pensadores profundos e a falar de forma persuasiva e articulada, aprenderiam a raciocinar de forma lógica e a escrever bem. Aprenderiam a aprender.

Isso faria com que eles desenvolvessem o respeito pelos outros e por si mesmos, inclusive por aqueles que tem valores e crenças diferentes, mas sem tolerar a destruição das coisas admiráveis que nossa civilização conquistou. Internalizariam seus valores e teriam, com isso, uma orientação correta para tirar conclusões morais. Se tornariam responsáveis, confiáveis e aprenderiam a dar atenção ao mundo à sua volta. Eles desenvolveriam a força de caráter para agir com compaixão.

Agora , vamos voltar à pergunta inicial:

Como o mundo seria se todos de nossa cultura tivessem uma educação clássica?

Imaginem como seria se todos estudassem na Escola Clássica?

Pense nessas pessoas atuando nos gabinetes em Brasilia, no Senado Federal, nos governos estaduais, prefeituras, nas empresas, liderando grandes projetos, nos meios de comunicação de todo o país, nos sistemas de ensino, na nossa vizinhança.

Como seria a nossa sociedade? Faça uma reflexão.

Cidadãos que saberiam sua história verdadeira, de forma tão profunda que isso evitaria os erros do passado. Cidadãos que tomariam suas decisões baseados na razão e não apenas na emoção, e que reconheceriam as mentiras de modo que não poderiam ser enganados ou manipulados. Cidadãos capazes de expressar seus pensamentos e ideias de forma articulada e convincente através de debates respeitosos, ao invés apenas de denegrir aquele de quem discordamos. Isso seria uma mudança prazerosa no cenário das diferentes áreas da interação social

Qual o tipo de educação vocês querem que nossos futuros líderes tenham? E seus próprios filhos, a educação escolar que eles recebem hoje, está adequada para a construção do país que queremos?

Pense nisso!

Eu sei que a Educação Clássica funciona… ou vocês acham que a educação atual, que temos nas escolas nos dias de hoje, é apenas um mero acaso?

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Star Wars, O Último Jedi? Talvez sim!

star wars vanity fair (1)No dia 04 de Janeiro de 2016 fui ao cinema para ver o Star Wars – O Despertar da Força. Naquele dia sai do cinema feliz por ter experimentado novamente o mundo épico criado por George Lucas. Realmente havia sido uma experiência muito positiva que foi relatada por mim no texto Que a força esteja com vocês…

Infelizmente, não posso dizer o mesmo da sequência Star Wars – O Último Jedi que eu assisti ontem com minha família. O que eu posso dizer é que percebi, depois de ver o filme, é que estão acabando com a essência da história original. O que eu vi, foram pequenos detalhes que remetem apenas a questões culturais, políticas, de propaganda ideológica, e que são abordadas de formas bem sutis. Alguns destes acontecimentos, dentro da narrativa, foram claramente inseridos dentro do contexto do filme para tentar modificar o pensamento dos espectadores mais distraídos. Parece que os criadores do filme querem que a audiência se alinhe de forma forçada, mas imperceptível, com a cosmo visão deles.

O jogo de propaganda imposto no filme, parece querer provocar um controle do comportamento social. E isso foi feito de forma muito sutil. Não é fácil perceber esse jogo durante a narrativa. É um contorcionismo elaborado com a finalidade de pegar o incauto em sua pretensa inocência. Para perceber isso, é necessário estar bem atento ao que está de verdade acontecendo dentro do jogo político e cultural no mundo pós moderno. Tenho certeza que muitos fãs nem perceberam esse tipo de propaganda no filme. Confesso que eu percebi, pois já fui preparado ao cinema e isso me fez questionar a validade da continuidade desta franquia. Receio que se continuarem nesse caminho, podemos perder todo o espírito verdadeiro da história. Creio que a influência da Disney foi fundamental para que eles tomassem esse rumo.

O filme em si, não é de todo ruim. Tem um apelo visual interessante, a história até que está bem amarrada com todo o contexto do universo Star Wars e seus personagens e a trilha sonora, como sempre, é executada de forma impecável. Resumindo, é um filme  normal e que diverte, mas que não causou grande impacto em mim, que sou fã desta franquia desde sempre.

Na verdade, o primeiro ponto que gostaria de ressaltar sobre o que me incomodou, foram as críticas veladas ao capitalismo e a relativização sobre o que seria o bem e o mal. E também a insistente ideia de que é necessário formar novos revolucionários para lutarem pela “causa”.

Ora, a luta de uma aliança rebelde contra todo um império do mal nos faz crer que os membros da alianças são os revolucionários que lutam contra os opressores malvadões, mas agora esses rebeldes estão em desvantagem, pois os Jedi desapareceram. Precisam de novos rebeldes. Portanto, os novos revolucionários serão as crianças sujas e maltrapilhas que aparecem durante o filme. Crianças escravizadas por um sistema cruel de luxo, riqueza e poder.

Fica implícito no filme que esse sistema cruel de luxo, riqueza e poder só existe, pois ele conseguiu tudo isso através da exploração dos povos, da guerra e da destruição. Isso é uma clara referência ao “capitalismo opressor” que se alimenta da exploração e morte das pessoas de boa fé e que ao mesmo tempo alimenta o império do mal.

Neste sistema cruel, não só as crianças são escravizadas, mas também alguns animais, que são usados para um tipo corrida, como um turfe, onde as pessoas apostam seu dinheiro no animal mais veloz. As crianças e os animais ficam presos e escravizados sob o domínio do chicote de um feitor alienígina.

O filme passa a imagem de que a riqueza só existe em função da opressão e prisão de crianças, homens, mulheres e animais.

Uma personagem rebelde, quando empreende uma fuga espetacular deste lugar, antes de subir em uma nave, (que fora roubada por um hacker que os ajuda a se livrar das leis que ali impera), liberta esses animais, (mas eles se esquecem das crianças) e diz quando livra o animal de sua sela que estava amarrada no dorso: “Agora sim está tudo completo!” deixando claro que os revolucionários é que são os que irão libertar todos da opressão.

O hacker é um bandido que faz jogo duplo. Ele se revela um canalha vendedor de armas e relativiza o bem e o mal quando diz “Não existe o lado bom ou o lado mal, eu vendo armas para quem me pagar mais”. Ou seja, dentro desse jogo, de que forma o bem e o mal é interpretado, dependerá do ponto de vista de quem participa do jogo político. Querem nos fazer crer que não existe o certo e o errado nesse jogo de poder relativista e sujo que vivemos nesta pós modernidade. Ou seja podemos mudar a realidade, distorcê-la por uma causa ou uma ideologia e tudo vai depender de qual lado estamos.

Outra coisa, que chega a ser engraçada, é quanto ao total multiculturalismo imposto neste filme. Existem personagens de todas as culturas étnicas terrestres. Pretos, brancos, amarelos, vermelhos, caucasianos, indianos, etc, etc. Tudo pareceu cumprir uma meta de cotas raciais. Acho que foi por isso que poucos ETs tiveram oportunidade de aparecer mais nestas cenas. Sim, desde sempre, os Jedi sempre se relacionaram muito bem com os Ets e gente de todo o tipo, e isso parece que foi uma oportunidade de ouro para os produtores fazerem propaganda deste multiculturalismo. Colocaram em cada nave um representante de uma etnia diferente, colocaram inclusive um ET apenas para para não dar muito na cara, e que todos juntos combateriam o mal.

As feministas também não podem reclamar, pois as mulheres ocupam, no filme, muitas posições de liderança e destaque dentro da história e até encenaram lutas bem equilibradas contra homens muito fortes. Uma líder “stomp trooper” feminina, aparentemente loira e de olhos verdes, morreu de forma cruel ao ser atirada ao fogo, após ser politicamente incorreta com seu oponente de batalha afrodescendente. Uma outra líder feminina se sacrificou para salvar os rebeldes em fuga em um ato de extrema bravura. Outra morreu pilotando uma nave em combate. Outra líder feminina asiática, quase morreu para salvar seu amor, o mesmo que matou a stromp trooper queimada, e que queria realizar um último ato heroico.

O ápice desta propaganda ideológica, claro, fica para o final do filme. Ela é cheia de simbolismos. O anel dos rebeldes com seu simbolo vermelho característico é dado para as crianças que se tornarão os novos rebeldes. Uma das crianças, suja e maltrapilha e ainda escrava dos ricos e malvadões, olha para o anel, segura sua vassoura e olha para o céu avermelhado e onde os acordes graves da orquestra toca uma sequencia que lembra um hino à liberdade. A cena remete muito àqueles cartazes de propaganda da antiga URSS. Chega até ser engraçado.

Muitos fãs que estão lendo essa minha análise, podem não concordar comigo, eu até entendo e respeito, pois sei que, naturalmente, poucos conseguirão mesmo perceber esses detalhes que eu percebi, pois na dinâmica das cenas, tudo fica bem difuso dentro da narrativa.

Resumindo, o filme foi produzido até certo ponto para agradar fãs antigos como eu, mas foi fundo para agradar ainda mais o público do séc. XXI pós modernista, adeptos do politicamente correto. O filme pega os mais jovens que se sentem parte de uma mudança cultural, o rebelde , o novo revolucionário. E esse jovens poderão adotar essas ideias como regras para suas vidas e ficarão com elas em seu subconsciente por muitos anos.

A ideia de povos lutando contra os ditadores assustadores e sanguinários tipo Darth Vader, que escravizava todo mundo e mata quem atravessa seu caminho, está ficando para trás. Agora, a ideia é lutar contra novas causas relativistas. Os novos Jedi serão muito diferentes dos originais. Não lutarão mais pelos antigos valores como a honra e a crença no transcendente, não lutarão mais pela justiça,  pela paz e pela ordem das coisas.

Será uma luta parecida com o que temos visto hoje em nosso mundo, será uma conexão pura e simples com o que temos na nossa sociedade atual. Lutarão apenas por causas relativistas vazias, baseadas no politicamente correto, sem propósitos valorosos, lutarão para agradar ideologias políticas comprometidas apenas com um coletivo amorfo, sem face e sem alma.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação, cultura e auto conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A vida é dor!

crusadersQuem pensa que a vida é apenas uma festa hedonista sem fim está enganado. A vida é sofrimento. Sofrimento dos grandes. Aos mimados, sensíveis e chorões de plantão, me desculpem a franqueza: Iremos sempre sofrer como qualquer mortal, nós iremos morrer. Eu, você… todos!! Não importa o que façamos, teremos que prestar contas pelos nossos atos.

Caso você seja um revoltadinho por não ter aquilo que deseja, ou apenas sonha com um paraíso reconstruído aqui na terra, esqueça. Logo alguém que você ama, que você tem alguma simpatia e apreço, vai partir antes de você, caso você não tenha a sorte de ir primeiro. É só uma questão de tempo.

Hoje perdi um amigo querido. Ele se foi tão rapidamente e sem aviso. Passeando pelas redes sociais vi uma foto dele sorrindo e a palavra RIP estampada logo acima do rosto. Fiquei chocado. Então, vários avisos sobre este fato, começou a pipocar aos montes entre meus amigos do meio musical. Então pensei: “Como dói perder amigos”. Temos o péssimo hábito de não encarar essa dura realidade de frente: “Para morrer, basta estar vivo”.

Hoje também tive a infelicidade de ler um artigo sobre Jesus de um cidadão chamado Gregório. Gregório é um desses senhores que se enganam o tempo todo. Ele foge da realidade. Tem medo de encarar os fatos. Ele quer viver em um mundo igualitário, mas não encara o fato de que a morte nos iguala forçosamente na condição de pó. Ele tem medo de ver que a única coisa que faz a diferença nessa hora é apenas a fé genuína no transcendente que cada um de nós possui.

Ele prefere entrar em uma guerra do nós contra eles. Gente como ele tem medo do transcendente. Por isso, querem ser os donos da narrativa hedonista e igualitária do pós modernismo. E todos que não compactuam dessa narrativa pueril são chamados de intolerantes e preconceituosos. Esse senhor é incoerente. É defensor dos que se sentem oprimidos, é defensor das minorias. Usa essa prerrogativa para oprimir a verdade. A verdade que todos os seres que vivem neste planeta estão, de certo modo, sendo oprimidos, cada um a seu modo. Cada um de nós está dando ouvidos as vozes que habitam nossa mente e nos diz que nós mesmos poderíamos ser mais belos, mais inteligentes, mais magros, mais bonzinhos. Esse senhor reduz cada indivíduo, com seus problemas psicológicos, até se tornarem uma minoria individual. Esse senhor é o tipo de homem que acredita ter o poder de corrigir toda e qualquer opressão do ser humano com suas piadas e historinhas de péssimo gosto.

Mas esse tipo de idiota não entende que isso é impossível. Prefere criar um mundo de fantasias perfeitinho e busca incansavelmente realizá-lo. Mas a pergunta que fica é:

-Quem pode realizar isso? O mercado? O ditador? Quem pode?

Ora, nenhum humano pode resolver isso. É impossível. Não somos Deus.

Esse senhor é um boboca coitadista tentando oferecer algo que não querermos e nem precisamos. Não precisamos de sua falsa intelectualidade para dizer quem foi Jesus. Não estamos dispostos a pagar esse preço por algo que não precisamos. Gente como ele quer atomizar a sociedade. Esse tipo de crápula pega Deus e o enterra. Quer apagar Aquele que foi injustamente pregado em uma cruz e torturado de uma forma inimaginavelmente dolorosa, justamente para nos livrar desse sofrimento.

E o que ele faz com esse exemplo de sofrimento atroz? Ele o enterra.

Gregório é um homem ressentido e que não aceita que todos que ele conhece morrerão em breve, inclusive ele mesmo. É compreensível que um tipo desses esteja realmente ressentido com Deus somente por esse motivo. O que ele não percebe é que ele está experimentando do sentimento de que ele tanto quer sublimar. Ele está criando um inferno pior do que já é, única e exclusivamente para ele. Ele está submergindo no seu sofrimento pessoal cada vez mais, sem perceber. E cada vez mais se vende para não sentir essa dor.

Mas a vida é isso mesmo, a vida é dor e sofrimento. E esse idiota faz de tudo para reduzir essa verdade incontestável a uma piada que só ele acha graça. Esse coitado foge da dor, pra que?

Quando meu pai, minhas avós e meu irmão morreram, tive que encarar a dor, o sofrimento. Tive que me erguer e arrumar forças para organizar os funerais. Não me permiti ficar chorando em um canto feito um cãozinho sem dono. Me ergui com firmeza para conquistar a confiança de todos de que eu faria o que tinha que ser feito que era enterrar meus mortos. Mesmo sendo também uma vitima daquela situação extremamente dolorosa. E é assim que todos fazem. E é assim que deve ser.

Esse senhor chamado Gregório deveria se perguntar:

– Que há de errado comigo? Por que eu odeio Deus?

Sempre se pode buscar e encontrar o que faz falta na sua atual condição para ser um Homem de verdade. Você pode se auto corrigir. Procurar reunir o fragmentos de seu ser. Deixar de ser um bebê mimado, briguento, odioso e neurótico com o transcendente. Não seja como o Gregório. Um destruidor e vilipendiador da força espiritual das pessoas.

Quando você se auto corrigir, mesmo que minimamente, sim, porque Deus é misericordioso, talvez você perceba que esse ato de se auto corrigir o ajudou a aliviar seu sofrimento, mas que, infelizmente, agora fez com que você não possa mais destilar todo seu ódio aos que creem. Enfim, notará que o que fez é realmente muito difícil, e verá o quão complexo é arrumar toda a bagunça que foi gerada pelas horrendas palavras proferidas por você durante toda a sua vida, e que fez isso mesmo para enganar os incautos. Perceberá a complexidade que é a nossa sociedade e perceberá a impossibilidade de consertá-la. Se perceberá um tolo.

Hoje, o Gregório quer consertar o mundo usando uma revolução cultural criada em seu mundo interno fragmentado. Mas, não, nada consertará este mundo. É preciso da ajuda de um Ser especial para consertar, não esse mundo, mas seu corpo, coração, mente e espírito destroçados.

Tá, e como superar a dor e o sofrimento desta vida?

Seja uma pessoa melhor, veja, não seja como o Gregório. Ser como ele é fácil. Ser diferente dele exige grande responsabilidade. Até agora Gregório não deu a mínima para isso em sua vida. Ele está vagando por ela fazendo o que bem entende, falando o que dá na veneta. Tudo isso para satisfazer seus impulsos mais vis, mais mundanos, tudo para viver uma vida hedonista, por mais inútil que isso seja na prática. Ele está preso apenas ao significado tolo de suas idéias, que gera uma falta de responsabilidade em todo o resto.

Eu pergunto a ele:

O que o senhor está perseguindo? Uma vida só de prazeres fúteis ou uma vida de responsabilidades? Claro que é primeiro caso. Isso é que eu chamo de “vender a alma”.

Esse senhor tem que encarar o fato de que a vida é dor. Ele deve se recompor diante disso. E fazer isso não é nada fácil. Fico surpreso quando vejo quantos Gregórios existem por ai e me espanto que o mundo ainda esteja de pé, mesmo que aos trancos e barrancos.

Mas é assim que nossa sociedade funciona. Ela é composta de gente com inúmeros problemas. Sejam eles de ordem física ou mental. E mesmo assim a coisa anda. Milhões fazem coisas que detestam, mas fazem seu trabalho com honra e responsabilidade. Outros milhões, fazem apenas o que lhes dão prazer.

É um verdadeiro milagre que o mundo ainda esteja de pé, se temos milhões de pessoas que pensam como esse tal de Gregório e que destilam o ódio sobre o amalgama que ainda segura a sociedade de pé que é a fé no que transcende esse mundo físico.

Esse senhor é de uma ingratidão enorme. Está o tempo todo cercado por pequenos milagres da vida, mas prefere os ignorar em nome de um mundo utópico distante. É um milagre que ainda funcionamos com tanta loucura Gregoriana espalhada por aí. Como é possível isso?

Por isso, peço a todos: Recomponham-se, transcenda seu sofrimento. Seja um herói para tanta gente que está perto de você. Lute consigo mesmo, antes de tentar destruir o que ainda resta do que salva o ocidente. Tente diminuir ao máximo o sofrimento das pessoas, mas não com piadas sem graça e sem conteúdo. Mas com a espada da justiça.

A sorte é que, cada vez mais, milhões já pensam: “E eu sei porque os Gregórios da vida fazem esse tipo de coisa e o que realmente querem com isso.”

E pensar em tudo isso que eu escrevi e no meu amigo que se foi, vem uma dor imensa que dilacera meu coração, mas que me faz ter ainda mais fé, amor e esperança Naquele que transcende o tempo e que jamais nos abandonará à merce de gente como esse tal de Gregório.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Feliz Natal!

holy family2O menino Jesus nasceu. Tão humilde. Os pais Dele, poderiam ter ficado em casa. Lá, pelo menos, teriam o apoio dos seus amigos e familiares mais próximos. José não teria levado tantos nãos, tantas portas na cara. Onde Ele nasceu, era um lugar simples, perigoso e ordinário. Mas os anjos de Deus O anunciaram com um coro de vozes de extrema beleza enquanto Ele descansava nos braços da Virgem Maria.

São apenas 2017 anos que nos separam desta verdade eterna.

O Natal é uma data importante para nós cristãos, mas é mais fundamental ainda para quem não crê em Jesus. Afinal, eles tem a grande chance, uma vez por ano, de refletirem sobre suas vidas. Os que não creem e os crentes tem a chance de perdoar e serem perdoados, de amar e serem amados. Têm a chance de se entregar ao amor infinito de Deus que transcende esta vida.

Mas para entender isso, todos devemos entender o mistério dos acontecimentos que separam a manjedoura do calvário. Deus nos disse: “Eu amo todos vocês”. justamente quando nos deu Seu Filho amado para nos guiar. Para destruir nossos medos, nossos sacrifícios e nossos fracassos. Sacrificando a Si Mesmo, Ele nos deu a vida eterna.

Ele nos deu o príncipe da Paz para nos ajudar em nossa luta de nós com nós mesmos. Ele veio para nos dar a coragem para dizer: Eu te amo minha mãe, eu te amo meu pai, eu te amo meu filho, minha filha, eu te amo meus amigos, eu te amo meu irmão e minha irmã! Quero que vocês me perdoem. De coração me perdoem! Eu te perdoo meus filhos, pois eu vos amo! Eu te amo meu Pai, Eu te amo minha mãe, sempre precisei de vosso amor. É isso. Você tem coragem de dizer isso para alguém?

Pois é, de algum jeito te fizeram pensar que é sinal de fraqueza dizer essas coisas. Melhor ficar só que se entregar ao amor de Jesus. Fizeram muitos crer que o Natal é uma festa sem sentido e uma farsa. Assim, fizeram muitos perder a fé e a humanidade.

Vejam só, Ele se entregou por nós. Se fez Homem e veio se entregar neste mundo de dor e solidão. Ele sofreu tudo que poderia sofrer para que você não precisasse se sacrificar. E mesmo assim, muitos nem ligam. Preferem a tristeza e a escuridão.

Alegrem-se, o Natal chegou e já não existe mais solidão. Ele está conosco. Sacrifícios não são mais necessários.

Peço a todos que tenham essa experiência com Deus. Não tenham medo. Seguir a Jesus é seguir o caminho do Amor, da Fé e da Esperança. Não se espante quando tudo que você vê ao seu redor é morte e destruição, com Jesus iremos vencer, sempre, como Ele assim o fez do presépio até a cruz. O fracasso aparente foi o caminho do triunfo!

Vamos nos alegrar! É no ato desta fé é que somos visitados e tocados por Cristo e por isso temos este Feliz Natal. Ele reina! Ele chegou! O príncipe da Paz…

Que todos nós tenhamos um feliz e Santo Natal!

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

 

 

 

 

Em busca da fórmula do amor.

math_love5Nesta época do ano, atendo muitos alunos desesperados. A maioria deles me procuram para que eu os ajude a passar de ano. Me dizem que odeiam estudar, principalmente matemática e física. Eles choram, se angustiam, se enganam e nutrem um ódio profundo pelos números. Normalmente tento entender a causa deles sentirem esse desprezo profundo pelo campo das ciências exatas.

Meus alunos dizem que eles ficam confusos, que a matéria os entristecem. Os símbolos estranhos os afastam. Um dos meus alunos disse que nem sabe sequer como chamá-los.

    -Para mim, cada um deles é um palavrão professor! – disse um deles, sorrindo.

Na verdade, o desconhecimento deles é mais profundo. Eles não entendem que matemática está em um mundo secreto. Não entendem que a matemática é um universo oculto de beleza e alegância. E este mundo está, inexoravelmente, entrelaçado com o nosso. Esse mundo é invisível para todos nós. E que para dominar esse vasto território é necessário aprender a falar o Matematiquês.

Na verdade, a matemática está incrustada no nosso dia a dia. Todas as vezes que compramos algo pela internet, usamos o Whatsapp, ligamos o Waze, todas aquelas fórmulas matemáticas e os algoritmos que normalmente vemos no ensino médio, estão lá dentro, presentes, como um espirito que faz as coisas funcionarem. Por outro lado, quase todo mundo se apavora com a matemática e seus espíritos. Pensam que esse é um assunto apenas para os iniciados no mundo dos espíritos da ciência, para uma elite inteligente que conseguiu se entrincheirar nesse mundo estranho e oculto.

Consigo entender esse sentimento, afinal, eu mesmo sofri com isso e consegui levar bomba na sexta série por não saber decodificar essa linguagem, justamente por não ter estudado o suficiente seus segredos. Eu não tinha consciência do mundo oculto da matemática. Como a maioria das pessoas, achava que era um assunto chato, insipido. Para mim, a matemática era abstrata demais e sem sentido. Hoje percebo que o que aprendemos na escola é apenas um arranhão nessa ciência e cuja a maior parte dela foi estabelecida há mais de mil anos por homens corajosos e curiosos.

As leis da natureza estão escritas na linguagem matemática. Ela descreve a realidade e nos faz entender como o mundo funciona. Essa linguagem é universal e atemporal e que se tornou o padrão ouro da verdade.

Com ela eu aprendi que a vida é cheia de possibilidades, cheia de elegância e beleza, exatamente como a poesia, as artes plásticas e a música. Fiquei apaixonado. E depois que comecei a me relacionar intimamente com ela, minha visão do mundo nunca mais foi a mesma.

É notável a democracia inerente da matemática, as suas equações pertencem a todos nós. Ninguém detêm o monopólio sobre esse conhecimento. Não se pode patentear E=mc2. Ela é uma Verdade Eterna a respeito do universo. Rico, pobre, negro ou branco, jovem ou adulto, ninguém pode tirar essas fórmulas de nós. Nesse mundo, nada é mais profundo e elegante e, no entanto, tão disponível para todos. Basta querer ter uma relação mais íntima com ela e ela desvendará seus segredos, mas não tão facilmente.

A matemática oferece um fundamento lógico e uma capacidade adicional de nos amarmos e amarmos o mundo ao nosso redor. Uma fórmula matemática não explica o amor, mas pode transmitir uma carga de amor.

Eisntein disse: ” Todos que estão lidando de forma séria com a ciência se convenceram que algum Espirito se manifesta nas leis do universo, um Espirito muitíssimo superior a nós e que diante Dele devemos nos sentir humildes!” e Newton expressou assim: “Tenho a impressão que fui apenas um garoto brincando na praia, encontrando conchas, uma aqui outra ali, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo desconhecido diante de mim”

Meu sonho é despertar nos estudantes esse amor pelo saber e que um dia todos nós nos daremos conta dessa realidade escondida.  Dessa forma, talvez possamos ser capazes de deixar nossas diferenças e nos voltarmos para as profundas verdades que nos unem. Assim, seremos como crianças brincando na praia, maravilhados com a beleza deslumbrante e a harmonia que descobrimos, compartilhamos e apreciamos juntos.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

Oi, sou o Estado, em que posso te ferrar hoje?

Apresentação1Conheci recentemente um empresário muito simpático, falante e que tinha um sotaque diferente. Pensei que se tratava de um italiano. Mais tarde ele me revelou que era argentino e que morava no Brasil havia 30 anos. Em uma conversa inicial sobre filhos, escola, família, começamos a falar sobre politica e empreendedorismo. Disse a ele sobre meu desanimo com relação a isso e a completa falta de coragem para empreender novamente depois de sucessivos fracassos.

-Amo esse lugar. São Paulo é uma cidade incrível. Mas muito complicada sabe? – ele disse isso de forma segura.

Concordei com ele. Disse que os sucessivos governos de esquerda populistas de tivemos nos últimos 30 anos destruíram a maior cidade do país. – Infelizmente temos que conviver com isso. –  eu disse a ele com um tom de resignação.

– Na Argentina foi a mesma coisa. Os Kirchner, populismo, esquerdismo, um inferno, disse ele rindo. – Mas o Brasil é forte, precisa apenas acabar com a corrupção. – ele concluiu. Então, depois de alguns segundos pensativo continuou:

– Meu caro, vou te contar uma história inacreditável que eu vivi aqui em São Paulo:

– Há alguns anos, resolvi abrir um bistrô charmoso em Moema. Aluguei o local, reformei, investi um bom dinheiro nisso. Abri a empresa, contratei o pessoal e comecei logo a atender o público, pois acreditava que estava com toda a documentação em ordem e algumas outras em andamento com o contador, e precisava faturar né?

Aí começaram os problemas. Para conseguir que o alvará de funcionamento fosse definitivamente autorizado, tive que conseguir um monte de outros alvarás e pagar um monte de taxas que eu nem sabia que existiam. Era necessário tirar documento para tudo: desde corpo de bombeiros até vigilância sanitária, tudo era regulamentado. Precisava ter milhares de autorizações da prefeitura. Tudo tem que ter um tamanho padrão, uma altura padrão, uma cor padrão.

Bem, pra você ter uma ideia, levei mais de um ano para colocar tudo que pediram em ordem. Gastei uma fortuna nisso. Um dia, depois disso tudo, veio um fiscal da prefeitura para verificar se a regulamentação da regulamentação estava sendo seguida e em ordem, pediu para verificar se a acessibilidade da rua estava de acordo com as normas da prefeitura. Eu estava tranquilo, pois havia feito tudo de acordo com as tais regulamentações. Mas o tal fiscal me fez a seguinte pergunta:

– Cade o estacionamento do cadeirante?

Então eu disse que não tinha como parar na frente do estabelecimento tinha uma plana de proibido estacionar. O fiscal então disse:

– Você tem que providenciar um estacionamento, se não o alvará final não será liberado!

Bem, fui até a CET pedir para providenciar um espaço em frente para que carros de cadeirantes pudessem parar em frente. Como sempre, não fui atendido. Então pesquisei com meus vizinhos e descobri que havia um estacionamento quase do lado que eu podeira fazer um convênio. Providenciei tudo, contrato, tudo certinho e fui até a prefeitura para tentar liberar o alvará. Chegando lá, o servidor público responsável por isso me atendeu com uma má vontade desgraçada. Disse que o contrato não servia e que não era possível liberar, etc, etc. Então eu fiz a clássica pergunta:

– O que eu tenho que fazer para que eu consiga a liberação do alvará?

O servidor me olhou cinicamente e disse:

– Cinquentinha!

No começo eu não havia entendido e perguntei novamente:

– Cinquentinha o que?

Ele disse na maior calma do mundo:

– Cinquenta, meu amigo, cinquenta.

Eu ainda sem entender perguntei:

– Pagar uma taxa de cinquenta reais?

Naquela altura eu pagaria os cinquenta reais da taxa para para me livrar daquela situação. Mas, o homem disse:

– Cinquenta Mil reais… isso porque sua empresa já está de acordo com tudo. Se não estivesse, seria o dobro.

Meu amigo, na hora meu sangue argentino ferveu e parti pra cima do cara. Seguranças tiveram que me conter. Chamei o cidadão de tudo que é palavrão. Ele calmamente me disse:

– O senhor poderá ser preso por desrespeito ao servidor público!

Imagine, ele falou isso com um sorriso sínico no rosto. Então, eu coloquei o dedo na cara dele gritando:

– Esse foi  o valor que eu investi só na reforma para atender as exigências da prefeitura, seu canalha!

E ele gritou:

-Você não terá alvará porra nenhuma.

E eu falei para todos da repartição ouvir:

– Eu serei obrigado a fechar o estabelecimento e mandar oito funcionários embora, caramba!

Ninguém deu a minima, o pessoal de lá pareciam acostumados com aquele tipo de reação dos contribuintes.

Hoje trabalho como corretor de imóveis. – ele concluiu com cara de desanimado.

Então, meio espantando mas consciente de que lidar com o Estado todo poderoso é assim mesmo, contei a ele clássica piada sobre isso:

– Sabe aquela? “Oi, sou o estado, em que posso te ferrar hoje?”

Ele riu e disse:

– Vocês brasileiros são incríveis, admiro vocês!

Por fim, o Estado venceu e ele teve que fechar o estabelecimento com dois anos de funcionamento apenas, e desempregando oito pessoas.

É esse é o meu país! – pensei com os meu botões – bonzinho para com os parasitas e cruel e extorsivo com quem deseja empreender, desenvolver um bom trabalho e melhorar sua vida e a dos outros.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.