A escola não foi feita para divertir ninguém.

bagunça1O carnaval está chegando. Agora é hora de esquecermos nossos problemas e cair na folia. É uma explosão de prazeres e diversão. Muitos de nossa sociedade vive única e exclusivamente para desfrutar destes dias de alegria e felicidade. São sensações prazerosas que experimentamos e que são difíceis esquecer. Duram apenas cinco dias. “Pena que acaba”, dizem uns, que insistem em prolongar a festa até a quinta feira de “cinzas”

Quando vemos que somos um país que tenta construir uma civilização baseada nos prazeres das sensações, onde temos um projeto civilizatório baseado em carnaval, samba, pagode, funk, futebol, novelas, reality shows e suas comemorações, fica claro que nós brasileiros nos emocionamos somente com coisas deste tipo.

Um dia desses, proferi uma palestra para uma equipe de alunos e professores em uma universidade. Uma das coisas mais difíceis que me deparei nesse dia foi a de tentar manter aquelas pessoas atentas às minhas argumentações sobre o tema em discussão. Após os trabalhos, no fim do dia fomos para um “happy hour” em uma casa noturna tomar umas cervejas e relaxar um pouco.

O bar estava lotado de professores e alunos da universidade. Todos caíram na farra dançando alegremente ao som do funk proibidão do momento. Todos estavam fascinados por aquela situação. Era um contraste incrível. Os sorrisos daquelas pessoas com seus olhos brilhando de felicidade. Olhei para todos que estavam ali e fiz uma auto análise me achando um chato.

– Minha palestra deve ter sido uma chatice – pensei.

Conclui que todos os colegas devem ter pensado justamente isso enquanto eu tentava aplacar minhas argumentações sobre o problema do ensino e da educação e seus efeitos sobre o mercado da tecnologia e o desenvolvimento no Brasil. Me lembrei de que muitos dos colegas bocejavam ou literalmente “pescavam” durante minha explanação.

Que contraste isso, vejam só, aquelas pessoas que ficaram duas horas, em uma atenção artificial dificílima, sofrendo, tentando prestar atenção em minhas ideias, contra aquelas pessoas com uma espontaneidade genuína e encantadora durante a festa na casa noturna. Eram literalmente outras pessoas.

A proposição civilizatória brasileira é essa. É a de produzir uma sociedade baseada em entidades quantitativas.  Muitos prazeres. Muitos deleites sensuais. Muita diversão. É por isso que aqui temos essa epidemia de diversão, sensualidade, do calor, praia, carnaval, e tudo que é correlato a esses prazeres efêmeros. Basta ver o vídeo que a pretensa  candidata ao posto de Ministra do Trabalho do atual governo postou no youtube em uma lancha, com quatro homens sem camisa “sarados e depilados”, falando sobre sua seriedade para ser a postulante ao cargo de ministra e de que não sabia que tinha processos trabalhistas nas costas.

O problema dessa proposta civilizatória hedonista é que ela é impossível de se estabelecer como uma grande civilização em si, pois para se criar uma civilização de fato é necessário ter ligados a ela entidades qualitativas e não quantitativas. Não se produz uma civilização de verdade baseada em quantidades.

Veja, a diferença entre o prazer e a dor é a intensidade. Para ir do prazer a dor é apenas uma questão de segundos. É como comer chocolate. Uma barrinha é uma delícia, duas, é bom, mas dez barrinhas, dever ser no  mínimo indigesto. Se você duvida disso, é só experimentar comer dez barras de chocolate brasileiro, mesmo o de boa qualidade, e verá o resultado imediatamente na sensação que isso provoca no seu estomago guerreiro. O prazer de comer chocolate está em comer pouco. Mesmo que você ame comer chocolate, você não irá aguentar comer muitos mais depois da quinta  ou sexta barra.

Aprendi isso quando fui prestar um serviço na fabrica de bombons da Nestlé. O chefe da produção falou:

– Aqui pode comer à vontade! Não há limites. – com um sorriso malicioso no canto da boca.

Eu, com os olhos maior que o estômago, logo na primeira hora de trabalho comi vários bombons, de todos os tamanhos e sabores, na segunda hora, meu ímpeto havia diminuído, eu já estava meio cansado, na terceira hora o cheiro do chocolate já me causava náuseas te tão enjoativo que se tornara. Sábio o chefe da produção. Um mestre em controle de perdas.

Muitos mestres da pedagogia dizem que a educação vai mal, pois as aulas não são prazerosas aos alunos. Com aulas mais prazerosas e divertidas os alunos aprenderiam mais e melhor. Quanto mais diversão, mais aprendizado. quanto mais diversão, melhor.

Você, inteligente que é, deve estar perguntado:

-Mas quem foi que criou esse pensamento hedonista na educação?

Bem, no Renascimento, um sujeito chamado Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius; em português, João Amós Comênio;) criou essa proposição. Ele é o padroeiro da educação moderna. Ele foi o inventor deste pensamento. Das aulas prazerosas. A concepção da educação neste sentido, que estão implantando faz mais de 500 anos, se mostrou um fracasso. Ele sugere uma aula agradável tanto para professores quanto para os estudantes. O problema é que, tudo que foi pensado na pedagogia desde o Comenius, foi o que catalizou a destruição do verdadeiro conceito de educação e colocou no lugar o que chamamos de ensino. Portanto, hoje, na prática, o que temos no sistema educacional é o ensino puro e simples.

No Brasil, tiramos as crianças de suas casas por cinco horas diárias durante oito anos. O país investe 20% do PIB com esse tipo de educação e após esse período, conseguimos formar uma horda de analfabetos funcionais andando por ai. Dos que chegam ao oitavo ano, nenhum deles sabe ler efetivamente ou, se leem, não conseguem entender verdadeiramente o que leu. Não sabem para que serve a matemática ou sequer percebem os fenômenos da física ou da química no seu dia a dia. Não sou eu quem afirma isso. Basta fazer uma rápida pesquisa no Google e vocês irão observar esse fenômeno incrível nas estatísticas oficiais do governo.

Percebam que, tudo o que tem a ver com prazer é um processo de quantidade. Prazer e dor são graduações quantitativas. A educação verdadeira não lida com quantidade. Ela lida com qualidade. Lida com as virtudes que são entidades qualitativas. Quando pensamos na quantidade, estamos apenas nos desviando da virtude. A virtude é o caminho do meio. Não que uma boa aula agradável não deva ser dada. Nem que a aula seja tão enfadonha que todos queriam fugir dela. Não é isso. O que digo é que não é esse o objetivo da escola. A escola não foi feita para divertir ninguém, nem para torturar ninguém.

A escola foi feita para ensinar determinadas qualidades. O abandono destas qualidades, que era meta dominante na idade média, com o uso das sete artes liberais (Trivium e Quadrivium) foram substituídas apenas por uma experiência agradável e acreditem, esse movimento destruiu completamente a possibilidade de oferecermos uma boa educação para os nossos filhos.

 

Texto baseado em uma palestra do Prof. J.M. Nasser

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

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Star Wars, O Último Jedi? Talvez sim!

star wars vanity fair (1)No dia 04 de Janeiro de 2016 fui ao cinema para ver o Star Wars – O Despertar da Força. Naquele dia sai do cinema feliz por ter experimentado novamente o mundo épico criado por George Lucas. Realmente havia sido uma experiência muito positiva que foi relatada por mim no texto Que a força esteja com vocês…

Infelizmente, não posso dizer o mesmo da sequência Star Wars – O Último Jedi que eu assisti ontem com minha família. O que eu posso dizer é que percebi, depois de ver o filme, é que estão acabando com a essência da história original. O que eu vi, foram pequenos detalhes que remetem apenas a questões culturais, políticas, de propaganda ideológica, e que são abordadas de formas bem sutis. Alguns destes acontecimentos, dentro da narrativa, foram claramente inseridos dentro do contexto do filme para tentar modificar o pensamento dos espectadores mais distraídos. Parece que os criadores do filme querem que a audiência se alinhe de forma forçada, mas imperceptível, com a cosmo visão deles.

O jogo de propaganda imposto no filme, parece querer provocar um controle do comportamento social. E isso foi feito de forma muito sutil. Não é fácil perceber esse jogo durante a narrativa. É um contorcionismo elaborado com a finalidade de pegar o incauto em sua pretensa inocência. Para perceber isso, é necessário estar bem atento ao que está de verdade acontecendo dentro do jogo político e cultural no mundo pós moderno. Tenho certeza que muitos fãs nem perceberam esse tipo de propaganda no filme. Confesso que eu percebi, pois já fui preparado ao cinema e isso me fez questionar a validade da continuidade desta franquia. Receio que se continuarem nesse caminho, podemos perder todo o espírito verdadeiro da história. Creio que a influência da Disney foi fundamental para que eles tomassem esse rumo.

O filme em si, não é de todo ruim. Tem um apelo visual interessante, a história até que está bem amarrada com todo o contexto do universo Star Wars e seus personagens e a trilha sonora, como sempre, é executada de forma impecável. Resumindo, é um filme  normal e que diverte, mas que não causou grande impacto em mim, que sou fã desta franquia desde sempre.

Na verdade, o primeiro ponto que gostaria de ressaltar sobre o que me incomodou, foram as críticas veladas ao capitalismo e a relativização sobre o que seria o bem e o mal. E também a insistente ideia de que é necessário formar novos revolucionários para lutarem pela “causa”.

Ora, a luta de uma aliança rebelde contra todo um império do mal nos faz crer que os membros da alianças são os revolucionários que lutam contra os opressores malvadões, mas agora esses rebeldes estão em desvantagem, pois os Jedi desapareceram. Precisam de novos rebeldes. Portanto, os novos revolucionários serão as crianças sujas e maltrapilhas que aparecem durante o filme. Crianças escravizadas por um sistema cruel de luxo, riqueza e poder.

Fica implícito no filme que esse sistema cruel de luxo, riqueza e poder só existe, pois ele conseguiu tudo isso através da exploração dos povos, da guerra e da destruição. Isso é uma clara referência ao “capitalismo opressor” que se alimenta da exploração e morte das pessoas de boa fé e que ao mesmo tempo alimenta o império do mal.

Neste sistema cruel, não só as crianças são escravizadas, mas também alguns animais, que são usados para um tipo corrida, como um turfe, onde as pessoas apostam seu dinheiro no animal mais veloz. As crianças e os animais ficam presos e escravizados sob o domínio do chicote de um feitor alienígina.

O filme passa a imagem de que a riqueza só existe em função da opressão e prisão de crianças, homens, mulheres e animais.

Uma personagem rebelde, quando empreende uma fuga espetacular deste lugar, antes de subir em uma nave, (que fora roubada por um hacker que os ajuda a se livrar das leis que ali impera), liberta esses animais, (mas eles se esquecem das crianças) e diz quando livra o animal de sua sela que estava amarrada no dorso: “Agora sim está tudo completo!” deixando claro que os revolucionários é que são os que irão libertar todos da opressão.

O hacker é um bandido que faz jogo duplo. Ele se revela um canalha vendedor de armas e relativiza o bem e o mal quando diz “Não existe o lado bom ou o lado mal, eu vendo armas para quem me pagar mais”. Ou seja, dentro desse jogo, de que forma o bem e o mal é interpretado, dependerá do ponto de vista de quem participa do jogo político. Querem nos fazer crer que não existe o certo e o errado nesse jogo de poder relativista e sujo que vivemos nesta pós modernidade. Ou seja podemos mudar a realidade, distorcê-la por uma causa ou uma ideologia e tudo vai depender de qual lado estamos.

Outra coisa, que chega a ser engraçada, é quanto ao total multiculturalismo imposto neste filme. Existem personagens de todas as culturas étnicas terrestres. Pretos, brancos, amarelos, vermelhos, caucasianos, indianos, etc, etc. Tudo pareceu cumprir uma meta de cotas raciais. Acho que foi por isso que poucos ETs tiveram oportunidade de aparecer mais nestas cenas. Sim, desde sempre, os Jedi sempre se relacionaram muito bem com os Ets e gente de todo o tipo, e isso parece que foi uma oportunidade de ouro para os produtores fazerem propaganda deste multiculturalismo. Colocaram em cada nave um representante de uma etnia diferente, colocaram inclusive um ET apenas para para não dar muito na cara, e que todos juntos combateriam o mal.

As feministas também não podem reclamar, pois as mulheres ocupam, no filme, muitas posições de liderança e destaque dentro da história e até encenaram lutas bem equilibradas contra homens muito fortes. Uma líder “stomp trooper” feminina, aparentemente loira e de olhos verdes, morreu de forma cruel ao ser atirada ao fogo, após ser politicamente incorreta com seu oponente de batalha afrodescendente. Uma outra líder feminina se sacrificou para salvar os rebeldes em fuga em um ato de extrema bravura. Outra morreu pilotando uma nave em combate. Outra líder feminina asiática, quase morreu para salvar seu amor, o mesmo que matou a stromp trooper queimada, e que queria realizar um último ato heroico.

O ápice desta propaganda ideológica, claro, fica para o final do filme. Ela é cheia de simbolismos. O anel dos rebeldes com seu simbolo vermelho característico é dado para as crianças que se tornarão os novos rebeldes. Uma das crianças, suja e maltrapilha e ainda escrava dos ricos e malvadões, olha para o anel, segura sua vassoura e olha para o céu avermelhado e onde os acordes graves da orquestra toca uma sequencia que lembra um hino à liberdade. A cena remete muito àqueles cartazes de propaganda da antiga URSS. Chega até ser engraçado.

Muitos fãs que estão lendo essa minha análise, podem não concordar comigo, eu até entendo e respeito, pois sei que, naturalmente, poucos conseguirão mesmo perceber esses detalhes que eu percebi, pois na dinâmica das cenas, tudo fica bem difuso dentro da narrativa.

Resumindo, o filme foi produzido até certo ponto para agradar fãs antigos como eu, mas foi fundo para agradar ainda mais o público do séc. XXI pós modernista, adeptos do politicamente correto. O filme pega os mais jovens que se sentem parte de uma mudança cultural, o rebelde , o novo revolucionário. E esse jovens poderão adotar essas ideias como regras para suas vidas e ficarão com elas em seu subconsciente por muitos anos.

A ideia de povos lutando contra os ditadores assustadores e sanguinários tipo Darth Vader, que escravizava todo mundo e mata quem atravessa seu caminho, está ficando para trás. Agora, a ideia é lutar contra novas causas relativistas. Os novos Jedi serão muito diferentes dos originais. Não lutarão mais pelos antigos valores como a honra e a crença no transcendente, não lutarão mais pela justiça,  pela paz e pela ordem das coisas.

Será uma luta parecida com o que temos visto hoje em nosso mundo, será uma conexão pura e simples com o que temos na nossa sociedade atual. Lutarão apenas por causas relativistas vazias, baseadas no politicamente correto, sem propósitos valorosos, lutarão para agradar ideologias políticas comprometidas apenas com um coletivo amorfo, sem face e sem alma.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação, cultura e auto conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em busca da fórmula do amor.

math_love5Nesta época do ano, atendo muitos alunos desesperados. A maioria deles me procuram para que eu os ajude a passar de ano. Me dizem que odeiam estudar, principalmente matemática e física. Eles choram, se angustiam, se enganam e nutrem um ódio profundo pelos números. Normalmente tento entender a causa deles sentirem esse desprezo profundo pelo campo das ciências exatas.

Meus alunos dizem que eles ficam confusos, que a matéria os entristecem. Os símbolos estranhos os afastam. Um dos meus alunos disse que nem sabe sequer como chamá-los.

    -Para mim, cada um deles é um palavrão professor! – disse um deles, sorrindo.

Na verdade, o desconhecimento deles é mais profundo. Eles não entendem que matemática está em um mundo secreto. Não entendem que a matemática é um universo oculto de beleza e alegância. E este mundo está, inexoravelmente, entrelaçado com o nosso. Esse mundo é invisível para todos nós. E que para dominar esse vasto território é necessário aprender a falar o Matematiquês.

Na verdade, a matemática está incrustada no nosso dia a dia. Todas as vezes que compramos algo pela internet, usamos o Whatsapp, ligamos o Waze, todas aquelas fórmulas matemáticas e os algoritmos que normalmente vemos no ensino médio, estão lá dentro, presentes, como um espirito que faz as coisas funcionarem. Por outro lado, quase todo mundo se apavora com a matemática e seus espíritos. Pensam que esse é um assunto apenas para os iniciados no mundo dos espíritos da ciência, para uma elite inteligente que conseguiu se entrincheirar nesse mundo estranho e oculto.

Consigo entender esse sentimento, afinal, eu mesmo sofri com isso e consegui levar bomba na sexta série por não saber decodificar essa linguagem, justamente por não ter estudado o suficiente seus segredos. Eu não tinha consciência do mundo oculto da matemática. Como a maioria das pessoas, achava que era um assunto chato, insipido. Para mim, a matemática era abstrata demais e sem sentido. Hoje percebo que o que aprendemos na escola é apenas um arranhão nessa ciência e cuja a maior parte dela foi estabelecida há mais de mil anos por homens corajosos e curiosos.

As leis da natureza estão escritas na linguagem matemática. Ela descreve a realidade e nos faz entender como o mundo funciona. Essa linguagem é universal e atemporal e que se tornou o padrão ouro da verdade.

Com ela eu aprendi que a vida é cheia de possibilidades, cheia de elegância e beleza, exatamente como a poesia, as artes plásticas e a música. Fiquei apaixonado. E depois que comecei a me relacionar intimamente com ela, minha visão do mundo nunca mais foi a mesma.

É notável a democracia inerente da matemática, as suas equações pertencem a todos nós. Ninguém detêm o monopólio sobre esse conhecimento. Não se pode patentear E=mc2. Ela é uma Verdade Eterna a respeito do universo. Rico, pobre, negro ou branco, jovem ou adulto, ninguém pode tirar essas fórmulas de nós. Nesse mundo, nada é mais profundo e elegante e, no entanto, tão disponível para todos. Basta querer ter uma relação mais íntima com ela e ela desvendará seus segredos, mas não tão facilmente.

A matemática oferece um fundamento lógico e uma capacidade adicional de nos amarmos e amarmos o mundo ao nosso redor. Uma fórmula matemática não explica o amor, mas pode transmitir uma carga de amor.

Eisntein disse: ” Todos que estão lidando de forma séria com a ciência se convenceram que algum Espirito se manifesta nas leis do universo, um Espirito muitíssimo superior a nós e que diante Dele devemos nos sentir humildes!” e Newton expressou assim: “Tenho a impressão que fui apenas um garoto brincando na praia, encontrando conchas, uma aqui outra ali, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo desconhecido diante de mim”

Meu sonho é despertar nos estudantes esse amor pelo saber e que um dia todos nós nos daremos conta dessa realidade escondida.  Dessa forma, talvez possamos ser capazes de deixar nossas diferenças e nos voltarmos para as profundas verdades que nos unem. Assim, seremos como crianças brincando na praia, maravilhados com a beleza deslumbrante e a harmonia que descobrimos, compartilhamos e apreciamos juntos.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

Vamos falar de terra plana?

terra planaAs teorias da conspiração sempre foram muito divertidas para mim, mas mesmo sendo auto explicativas, ultimamente estão se tornando muito cansativas. Vejam só: Recentemente vi um vídeo de um cientista dizendo que tudo que a humanidade havia aprendido ao logo de séculos, todas as verdades confirmadas por observações e experiências, tudo que foi exaustivamente provado, visto e analisado por gerações de astrônomos, físicos, químicos e matemáticos, não passa de uma imensa mentira. Fica claro aqui, que este cientista pensa que ele é o portador da verdade cristalina, da verdade verdadeira. Ele diz sem cerimônias:

– Eu sou o portador da verdade. E se você crer em mim, você também poderá pertencer a esse pequeno circulo de iluminados que não se misturam à “patuleia ignara”.

Assim, muitos incautos estão aderindo a essas idéias, por curiosidade ou mesmo por acreditar fielmente que está galgando um patamar superior de conhecimento.

Eu sou um dos que teimam em duvidar dessas novas teorias mirabolantes. Sou aquele que pensa que se você tem uma nova hipótese ou teoria, você deve ser dar os trabalho de provar de forma cientifica, válida e clara essas tais hipóteses ou teses. Eu sou o primeiro, como amante das ciências, a dar abertura que eles tenham a oportunidade de prová-las.

Recentemente tive uma interessante discussão com uma dessas pessoas que se auto denominam “terra planistas”. Pedi gentilmente que me provasse sua tese. Eu disse que tinha genuíno interesse em entender o que estava por trás dessa nova mania. Ele gentilmente me mostrou vídeos, palestras, cálculos matemáticos feitos por físicos, etc, etc.

Quando eu o questionei sobre as fontes primárias de tudo que estavam expondo, ele, com com uma fé inabalável, me informou que todos esses cientistas desta teoria estão afrontando forças muito poderosas que mandam no mundo. Ele me disse:

– Não temos como apresentar esses documentos, pois nossos inimigos nos vedaram o acesso à algumas provas incontestáveis.

Me parece o seguinte, quanto menos provas uma teoria da conspiração apresenta, mais forte ela aparenta ser. É como crer em Alienígenas do passado, nos seres reptilianos e que governos já assinaram um tratado intergaláctico de paz com esses seres de outros mundos. Esses exemplos e o da teoria da terra plana é pra deixar qualquer pessoa sensata se sentindo um peixe fora d´água. Vejam só, vinte séculos depois de Cristo, e me deparo com gente falando muito à sério que a terra não é um globo e que são capazes de provar, que a terra é, na verdade, um disco achatado. Fico esperando eles me dizerem que estamos sobre as costas de elefantes e que os mesmos estão apoiados sobre as costas de uma tartaruga gigante.

Bem, pedi a ele, não uma prova incontestável, apenas pedi que me apresentasse um fato qualquer, uma simples foto ou alguma prova científica para provar que a terra é plana. E ele com uma seriedade cientifica singular me diz que todas as fotos e filmes feitos do planeta são da NASA e ela manipula todas as informações à respeito. Ela faz parte dessa conspiração global para esconder o fato de que a terra é plana.

Eu, exercendo meu direito de ser curioso ao extremo, pedi a ele que me citasse apenas um cientista realmente sério que mostrasse que a terra realmente é plana. Algum artigo cientifico escrito por ele e publicado na Nature. Ele ajeitou os óculos e olhou fixamente em mim e respondeu:

– Não posso meu caro, todos esses cientistas fazem parte desta mega conspiração.

Citei a ele todos os grandes astrônomos, físicos e cientistas tais como Keppler, Copernico, Newton, Einstien, etc. Ele, ainda bem paciente me responde:

– Todos mentirosos, meu caro. Todos são uma farsa.

Então, pensei com meus botões um pouco e disparei a pergunta fundamental:

– Então, quem está falando a verdade? Todos os cientistas que geraram um conhecimento acumulado dos últimos 1000 anos, todas as agencias espaciais do mundo, inclusive aquelas que são inimigas politicas entre si, todas as demonstrações empíricas que qualquer pessoa é capaz de enxergar tais como eclipses, movimento da lua e do sol, estações do ano, etc etc ou os terra planistas da internet?

Ele parou, pensou, respirou fundo, já perdendo a paciência e me disse:

– Cara, eu não estou sozinho nessa, tem milhões de pessoas nesse momento compartilhando da mesma crença sobre a terra plana. Só no meu canal do Youtube tem meio milhão de inscritos. Eu sou chancelado pela Associação dos Terraplanistas dos EUA e fui convidado a palestrar em um dos seus seminários. Alguns artistas de Hollywood e músicos famosos já se associaram ao nosso movimento. Agora, nosso papo se encerra por aqui. Se você quiser se associar também, basta preencher o formulário no link que vou te passar. Saiba da verdade e não seja mais um alienado.

Já ia me despedindo dele, quando ele voltou dizendo:

– Olha meu amigo, preste atenção, fique esperto com a elite globalista. Eles são responsáveis por espalhar a mentira gigantesca que é a terra globo.

Nesse instante, me senti em um episódio do seriado Arquivo X. Foi só ai percebi o quão nefasto é o pensamento revolucionário, seja ele qual for. O que ele faz com as mentes das pessoas é algo diabólico.

Para mostrar a realidade de verdade, eu poderia aqui explicar em detalhes como funciona a geometria euclidiana e como a matemática nos habilita a perceber a geometria espacial em todas as suas encarnações e formas e em todas as suas dimensões. Poderia entrar na teoria dos espaços quadrimensionais, e de que forma podemos visualizar pontos de um espaço plano n-dimensional. Explicar as linhas planas e das diversas variedades curvadas em um plano tridimensional. Mas, vou poupar-lhes de verborragia matemática. Ficarei apenas no campo filosófico, campo esse que não sou lá também essas coisas.

O que está acontecendo é que muita gente, para provar a criação divina deste mundo, (fato que realmente eu acredito) está se baseando em ideias totalmente revolucionarias querendo confirmar a ideia de que o ser humano é especial aos olhos de Deus, (sim nos somos especiais para o nosso Criador) e que por isso ele criou esse aquário gigantesco para nos morarmos e vivermos como peixes. Isso provaria que não somos um ponto de poeira neste imenso universo.

Contrariamente, é o mesmo tipo de revolução maluca pregada pelo hedonismo, veganismo, feminismo, gayzismo, ecologismo barato, crenças em ETs de tudo quanto é tipo, etc. Eles criam tudo isso para provar que o ser humano não é um ser especial aos olhos de Deus e que o homem sim é um deus de si mesmo.

No fundo, todos nós precisamos preencher o vazio que a finitude nos trás. É esse vazio que, na verdade, precisa ser preenchido a todo custo, mas entendo que não deveria ser preenchido com teorias conspiratórias estapafúrdias. O vazio dos nossos corações precisa ser preenchido com o que realmente importa nessa vida que é com o amor de Deus. E é isso que temos de realmente verdadeiro nesta vida que são os ensinamentos que Jesus nos trouxe. O ensinamento de que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Se a terra é plana, ou se somos poeira cósmica, pouco importa. O que importa mesmo é o que realmente devemos fazer e aprender nesta nossa breve vida neste planeta. Devemos imitar o que Jesus fez quando caminhou entre nós para que, na nossa hora, possamos encarar essa Verdade de frente para fazer jus ao que recebemos de Deus, que é todo o Seu amor infinito para conosco.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Blade Runner, um filme de arte grandioso!

dimsFinalmente eu fui assistir ao filme Blade Runner 2049, e foi lá no escuro da sala de cinema onde eu percebi que realmente esse filme moldou o futuro, afinal é possível ver ao redor do mundo cidades incrivelmente densas e tão caóticas como a L.A de 2049, mas, durante a exibição desta noite, não foi fácil esquecer do seu passado. O que foi muito bom.

Eu fui ao cinema ver o primeiro Blade Runner em 1983 creio eu, não me lembro muito bem, mas sei que fui ver o filme em sua estreia. Ora, como não se esquecer do lema da Tyrell Corp que era: ” Mais humano de que o humano”. Essa foi a empresa, fundada pelo gênio da engenharia genética Dr. Eldon Tyrell que criou os replicantes. Esses seres incríveis, dotados de força e inteligencia ímpares. Como se esquecer da criatura, o replicante Roy Betty matando o seu criador, o Dr. Eldon Tyrell? Ver o Roy com lágrimas nos olhos e apertando o cérebro de seu criador até matá-lo? Como se esquecer da Reachel, a replicante elegante e de olhar misterioso que se replicou intensamente em meus sonhos juvenis.

Depois desse dia, em 1983, vi o filme tantas vezes, ouvi à exaustão sua magistral trilha sonora composta por Vangelis, a tal ponto de me perder em criativos devaneios pueris, em criar tantas aventuras surreais. Ver esse filme me fez ter sonhos platônicos com a glamourosa e atraente Reachel (Sean Young), isso lá nos anos 80. E agora, felizmente e depois de mais de 30 anos, estou eu, aqui, em uma sala de cinema do século XXI, tentando descobrir o que aconteceu com a bela Reachel e se Deckard é um replicante ou não. Blade Runner é um filme universalmente aceito como um clássico, uma fantasia futuro-noir de Ridley Scott. Confesso que, depois de tudo isso, eu estava apreensivo em o que eu iria realmente assistir nessa continuação do perfeito Blade Runner e que tinha tudo para dar errado.

Perdoe-me leitor, mas aqui é necessário uma pausa para uma breve explicação. O nome do filme se refere a um romance de um misterioso escritor e médico chamado Alan E. Nourse. Ele amava escrever sobre a profissão médica e sobre os mundos fantásticos do futuro. Depois de lançar vários livros com relativo sucesso, em 28 de outubro de 1974 a editora David McKay lançou um romance de Nourse que combinava as duas áreas de especialização do autor em uma única obra de arte: o Bladerunner.

Este romance narra as aventuras de um jovem conhecido como Billy Gimp e seu parceiro no crime, Doc, enquanto navegam em uma distopia de saúde. É o futuro próximo, e a eugenia tornou-se uma filosofia americana orientadora. Os cuidados de saúde universais foram promulgados, mas para eliminar o rebanho dos fracos, as “leis de controle de saúde” – impostas pelo escritório de um “Secretário de Controle de Saúde” draconiano – determinam que qualquer pessoa que queira atendimento médico deve primeiro ser esterilizada . Como resultado, surgiu um sistema de cuidados de saúde do mercado negro em que os fornecedores obtêm equipamentos médicos, e os médicos usam para curar ilegalmente aqueles que não querem ser esterilizados e há pessoas que transportam o equipamento para os médicos. Como esse equipamento geralmente inclui bisturis e outros instrumentos de incisão, os transportadores são conhecidos como “bladerunners”. E voilà, a origem de um termo que passou a mudar a ficção científica.

Agora que tudo está esclarecido, me lembro que a primeira edição de 1982 já me conquistou de imediato, mas na verdade, foi somente quando o Blade Runner foi reconfigurado através de um “1992’s Directors Cut” e, mais tarde, o “Final Cut de Scott”, que seu status de obra-prima foi assegurado e agora o filme está sentado ao lado de Metropolis de Fritz Lang e do 2001 de Kubrick no panteão dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos.

O que eu posso dizer é que nenhuma dessas tribulações vivdas pelo primeiro filme acontecerá com Blade Runner 2049, que para mim, trouxe sentimentos diversos entre aflição, dor, risos e satisfação. No entanto, me surpreendi ainda mais com a audaz direção de Denis Villeneuve, co-escrita pelo roteirista original Hampton Fancher, que é muito boa, e isso é espetacular, pois já é o suficiente para conquistar as novas gerações de espectadores, e é muito boa para tranquilizar os fãs de que suas memórias do filme original, não foram reduzidas a implantes sintéticos de algum desconhecido.

A ação se desenrola 30 anos depois que o “Blade Runner” , Rick Deckard (Harrison Ford), desistiu de perseguir androides e ao invés disso e se apaixonou por um deles, a incrível e bela Reachel. Neste meio tempo, houve um “apagão” de 10 dias de escuridão que destruíram os registros de produção de replicantes que eram armazenados digitalmente, criando um espaço em branco na memória da base de dados da humanidade. As naves flutuantes que fazem a propaganda da mudança de humanos para as colônias fora da terra ainda atravessam a chuva ácida, empurrando o atenção do espectador para os logotipos corporativos da Sony, Atari, Coca-Cola e Pan Am. Por isso, fica tão deliciosamente impossível não se esquecer do passado.

Através deste mundo distópico, o “K” de Ryan Gosling caminha nos passos de Deckard, rastreando androides rebeldes e  fazendo-os “se aposentar”.

“Como se sente?”, Pergunta um androide antes de morrer, provocando esse caçador implacável, dizendo que ele só pode fazer seu trabalho porque ele “nunca viu um milagre”, uma frase enigmática que vai assombrar K (frase que também me assombrou) enquanto ele tenta desvendar seu significado.

K mora em um apartamento pequeno com sua namorada virtual Joi (Ana de Armas), uma inteligência artificial holográfica lindíssima que parece existir apenas nos mundos virtuais que criamos na adolescência.

Em suas discussões pós-missão, K é submetido a uma forma de associação de palavras interrogativas que invade os testes Voight-Kampff, aqueles detetadores de replicantes anteriormente administrados por Deckard. Após anos atuando como um assassino imperturbável, o constante e impassível “K” está experimentando dúvidas sobre seu trabalho, suas memórias e sua natureza.

Aqui está o ponto crucial onde ele questiona algo moral: “Eu nunca aposentei algo que nasceu de verdade”, ele diz a tenente Joshi (Robin Wright), acreditando que “nascer é ter uma alma”. Joshi não se impressiona, insiste que,  seguindo esta linha de raciocínio, você pode se dar bem se não tiver uma alma.

Tais ansiedades existenciais estão no coração do filme de Villeneuve, que tem a confiança e a coragem para prosseguir em um ritmo editado de forma totalmente incompatível com os filmes de sucesso atuais. Espelhando e inovando os temas-chave do seu antecessor, o Blade Runner 2049 troca unicórnios por cavalos de madeira, mantendo a grandeza visual que disparou o filme de Scott. De vastas paisagens de telhados e refletores cinza, através das conchas enferrujadas de abrigos pós-industriais, ao brilho queimado de terras radioativas, a fotografia evoca um mundo que tem um crepúsculo que parece nunca acabar. As cores brilhantes são restritas às luzes artificiais de publicidade e entretenimento. Arquiteturalmente, os projetos de produção evocam o um futuro caótico e esteticamente reto com todas as suas linhas angulares e sombras expressionistas.

Em um certo momento, fica evidente as homenagens às estatuas do filme AI de Spielberg: Inteligência Artificial.

As vistas são surpreendentes, mas os verdadeiros triunfos do Blade Runner 2049 são lindamente discretos. Carla Juri injeta a magia real em uma cena romântica dos sonhos; Sylvia Hoeks como Luv, a moça que detona tudo para conseguir o que quer e que derrama suas lágrimas aterrorizantes rivaliza com Rutger Hauer (Roy Betty); e Ana de Armas traz calor tridimensional a um personagem que é essencialmente uma projeção digital.

Os compositores Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer ( um dos meus preferidos) dançam em torno de lembranças dos temas de Vangelis, criando uma paisagem sonora que geme e uiva e que, ocasionalmente, cresce em um êxtase medonho como o Réquiem de Ligeti.

Pode ser um “spoiler” aqui, portanto, se ainda não viu o filme, evite ler esse trecho. Na cena final, “K” realmente me fez ouvir a fala de Roy Betty (Hutger Hauer) , em seu épico discurso: Tears in Rain, mesmo sem ele dizer uma única palavra.

Então, vendo Blade Runner 2049, eu realmente fiquei impressionado com os seus efeitos visuais e surpreendido por suas citações sutis retratadas em roupas, efeitos sonoros, frases, tudo referindo-se ao filme original, só os mais atentos perceberão esses pequenos detalhes que transformaram esse filme, pelo menos para mim, em um filme de arte grandioso.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

O que dizem por aí sobre ETs?

ufoSingularityDizem que a eletrônica digital, essa que ajudou a criar os computadores modernos e que, por engenharia reversa foi desenvolvida, veio dos ETs, e que as tecnologias espaciais também são um legado dos ETs. Nada mais tolo crer na capacidade de criação do homem.

Dizem que as pirâmides ao redor do planeta é um projeto dos ETs e que, magnanimamente benévolos, auxiliaram os egípcios “cabeça de cone”, entre outros povos antigos a construí-las. E dizem que a lua também é um projeto dos ETs e que ela é oca.

Dizem que a matemática básica e avançada foi um presente dos ETs, e que Nicola Tesla recebeu seu conhecimento dos ETs, Albert Einstein também. Acho que por isso eles viviam às turras.

Dizem que Jesus é um ET e que seus milagres foram ensinamentos dos ETs, e que ele não ressuscitou, apenas pegou sua nave e partiu para os céus. A bíblia prova que tivemos muitos ETs entre nós: – Está no livro de Ezequiel ! -bradam os mais afoitos.

Dizem que os homens das cavernas e suas pinturas rupestres são obras dos ETs, os dinossauros são obras dos ETs também. Inclusive o meteoro que os matou foi lançado pelos ETs que não aguentavam mais a falta de educação desses monstros que eles mesmos criaram.

Dizem que o genoma humano veio dos ETs e que um deles usou o próprio DNA, manipulou tudo, misturou com um primata e criou o ser humano como ele é hoje.

Dizem que os ETs nos deram a escrita, a inteligência e a lógica, e que os ETs criaram a realidade virtual e que foram os ETs que apertaram o botão de “liga” do big bang.

Dizem que houve uma batalha épica com ETs sobre os céus da Índia antiga apenas por assegurar o poder deles no céu.

Dizem que o anjo da anunciação era um ET. Lucifer é na verdade um ET malvadão e que Adão e Eva foram experimentos dos ETs.

Dizem que os meus filhos, opa! esses não são obras dos ETs, posso garantir, mas dizem que se não fossem os ETs benévolos eu não teria evoluído até aqui para tê-los.

Dizem que eles, os ETs, já estão entre nós vivendo em cavernas nas profundezas, nas cidades ou no fundo dos mares e alguns dizem que eles voltarão para uma batalha épica final para dominar o planeta.

Conclusão, é mais fácil as pessoas acreditarem nos malditos ETs e responsabilizá-los por todas as nossas conquistas e mazelas, do que crer na realidade nua e crua deste mundo de que somos filhos de Deus. Afinal, crer em ETs não traz nenhuma responsabilidade moral, não é mesmo?

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

Saia de casa e vá ver um belo Jardim enquanto é tempo!

jardimEu sou apenas um simples professor de matemática que entende um pouco de música em busca do saber e não um crítico de arte. Desde o primeiro dia que resolvi escrever aqui neste blog sobre meu processo de auto conhecimento, tinha dúvidas sobre se eu estava realmente tendo sucesso nessa empreitada pessoal. Meu objetivo aqui era apenas dar vazão aos meus pensamentos sobre tudo o que eu via e não entendia em minha volta. Mas depois de hoje, percebi que não tenho mais motivos para duvidar sobre o sucesso da minha empreitada pessoal.

      Há alguns anos, mais precisamente na páscoa de 2013, estava conversando com meu irmão sobre a situação execrável de nossa política e sobre como nossa sociedade havia chegado quase ao fundo do poço, falávamos sobre o risco que corríamos em perder tudo de admirável que havíamos construído até então, nossos valores, nossas famílias. Naquele dia ele me disse:

“- Irmão, você tem que ver as palestras, ver o vídeos do Olavo, o homem é muito bom”.

       Naquela semana, entrei no youtube e assisti horas e horas de vídeos, comprei vários livros do professor Olavo de Carvalho, entre eles O Jardim das Aflições” e desde então, comecei a entender o motivo das minhas aflições pessoais.  Não pense que me livrei destas aflições depois disso, apenas as entendi. Apenas percebi que teria que estudar como jamais havia estudado antes se quisesse entender a realidade que me cercava.

      Pois bem, hoje foi um dia muito especial. Hoje foi o dia em que fui ao cinema ver finalmente o documentário O Jardim das Aflições do competente diretor Josias Teófilo, que conta o percurso biográfico, a rotina e o pensamento deste filósofo brasileiro chamado Olavo de Carvalho.

       Escolhemos a sala Kinoplex Vila Olimpia.  Apenas um pequeno detalhe: O homem responsável pela projeção errou feio quando começou a passar de um tal de Amor.com no lugar do Jardim. Algumas pessoas ficaram atônitas. Na hora eu perguntei para minha esposa:

“- Erramos de sala?!”

       Imediatamente saí do meu lugar e seguido por uma dezena de espectadores, fomos reclamar com o responsável sobre aquele erro tosco. Além disso, por algum problema no projetor, o filme não ficou tão bem enquadrado naquela tela enorme.

      Acredito que muitas pessoas devem ter ouvido falar deste filme/documentário de que ele “não deveria existir” ou sei lá. Coisa de gente invejosa. Gente que fala isso, sempre nega até sua feiura quando olha para o espelho. Esse documentário foi tratado por essa gente como um filme perigoso. Incrivelmente dito por diversos diretores e cineastas brasileiros e, depois de eu ver o filme, ficou claro a razão dessa reação.

      Detalhes à parte, o filme é de uma qualidade ímpar. A trilha sonora me impressionou, eu que sempre critiquei a qualidade do som do cinema nacional, garanto que a trilha sonora é de  extremo bom gosto. A música dá um contraponto extremamente agradável à narrativa. O bandoneon e depois o clarinete, que aparece graciosamente, e dá um tom tristonho e nostálgico em algumas cenas (sim, lembra o tema do Poderoso Chefão, pois esse usa a linha melódica mesma sinfonia #1 de Sibelius), te remete ao seu eu interior e ao mesmo tempo leva a você a pensar sobre si mesmo, enquanto espera as próximas falas do professor Olavo, que está sempre calmo e preciso em seu pensamento.

      A fotografia usa uma paleta de cores equilibrada e que evolui em tons quentes, que é muito confortável, agradável e combina perfeitamente com a narrativa do documentário. Parece que você está lá naquela casa no estado da Virginia nos EUA ouvindo o professor falar exclusivamente para você.

      Só esses dois pontos que coloquei aqui já seriam o suficiente para despertar a inveja e a ira de vários diretores de cinema que, mesmo sem ter visto o filme, morrem de inveja e vergonha  de si mesmos quando sabem que este documentário foi produzido com recursos vindo de processos de “crowdfunding”.

      Mas o que mais me emocionou neste filme foi o seu conteúdo. O momento em que o professor Olavo dispara seu rifle é o momento que você acorda para a realidade e toda a narrativa começa. Ver aquela família simples, cheia de vida e amor é como ver todas as famílias simples deste Brasil, sua fé e seus valores.

      Outra coisa que me emocionou foi ver o quanto minha esposa se identificou com a proposta do Olavo sobre a transcendência filosófica, com trechos sobre a consciência individual e a herança psíquica que recebemos dos nossos antepassados e a finitude humana. Isso mostra que estamos alinhados no pensamento filosófico. Só isso já alivia minhas aflições profundamente.

       Quando o filme terminou, fiquei por alguns segundos esperando por mais, mas tive que aceitar que o filme já havia terminado, e me contentei em ficar ali sentado para ver os nomes de algumas pessoas conhecidas subindo nos créditos: Mauro Ventura, Rodney Eloi…

       Agora, depois de uma dura caminhada pela vida para saber mais sobre mim, fecho um ciclo depois desse filme e com isso acabo entendo muita coisa. Entendo minhas aflições e as aflições alheias, entendo que estou tendo relativo sucesso em minha empreitada pessoal na busca pelo auto conhecimento, por outro lado entendo o motivo de tanta gente não querer que você veja este filme, pois esse filme é realmente muito bom.

      Esses seres sem personalidade que o boicotaram são os seres irracionais que dormem, são os que vivem sonhando com suas utopias vãs, e um filme desses os ameaçam e os fazem ver que é hora de acordar para vomitar para se livrarem seus venenos que destroem suas almas, esse filme os fazem parar para pensar em suas miseráveis e porcas vidas. E todos sabemos que somente a pura arte real é que tem esse poder, que é de nos fazer acordar, pensar, refletir sobre nós mesmos!

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.