Como a Internet torna as pessoas estúpidas.

moonATENÇÃO: Teorias da Conspiração são pura bobagem e histórias sem fundamento para que alguns ganhem muito dinheiro com isso.

Muitas pessoas que leem este blog podem achar que essa minha afirmação é tão obviamente verdadeira e trivial que não valeria a pena tratar deste assunto aqui.  Muitos outros acharão que a afirmação acima é tão falsa que vão pensar que eu devo ser um robô ou um escravo dos “Illuminati”. Espero que também haja entre os leitores algumas pessoas equilibradas que encontrarão algo de interessante neste texto.

Por quê?

Depois de ver alguns vídeos no Youtube de pessoas até muito inteligentes a cerca deste assunto (sobre o qual eles estavam claramente errados), comecei a me perguntar:

  • Como eu sei que eu sempre estive certo sobre essas coisas absurdas?
  • Como eu sei que as coisas que sei são verdadeiras e não as conspirações?
  • E por que acredito que essas coisas são verdadeiras, em vez de outras falsas?
  • E por que algumas pessoas acreditam em coisas que são obviamente falsas?

Meu sentimento inicial de que eu seja excepcionalmente inteligente para decidir o que é verdade, acabou dando lugar à percepção de que todos nós fazemos inferências praticamente da mesma maneira. Este texto é um resumo das minhas conclusões.

Incertezas

Em geral, não existe conhecimento “absoluto”. O melhor que podemos conseguir é o que poderíamos chamar de “certeza razoável”. Minha preocupação neste texto é descobrir quais coisas devem ser “razoavelmente certas”.

Como professor, vou pedir que você considere a lista de perguntas abaixo. Para aquelas perguntas que você já sabe a resposta, pergunte a si mesmo como você sabe. Esse é o ponto deste exercício.

1- Você acha mesmo que a terra é plana?
2 – O Sol é realmente uma bola sólida de grafite, com uma atmosfera gasosa de algumas centenas de milhas de espessura?
3 – A lua está mesmo a menos de 160.934 km de distância da terra?
4 – O World Trade Center foi mesmo atingido por aviões no 11 de setembro?
5 – Stanley Kubrick conspirou com a NASA, falsificando a ida do homem a lua com a Apolo 11?
6 – E finalmente, nós realmente vivemos no mundo da Matrix sob um domo?

Não espero que alguém que leia isso seja capaz de responder a mais do que algumas delas por experiência própria. (Você estava em Nova York no dia 11 de setembro? Se não, você está aceitando a palavra de outra pessoa em relação aos aviões.) Na maioria das vezes, dependemos das informações que recebemos de outra pessoa sobre um determinado assunto. Mas as pessoas podem estar erradas, podem mentir, experimentos podem ser fraudados, e até mesmo nossas próprias memórias podem estar erradas, como estudos de testemunhas oculares demonstraram. Então, como sabemos o que é verdade? Se você nunca esteve lá, como você sabe que o Acre existe? (E se você esteve lá, como você sabia que estava no Acre? Você andou até lá, verificando marcos para ter certeza de onde estava, ou checou sua localização com seu próprio sextante e relógio depois que chegou?)

Apelo à Autoridade

Quando não sabemos a resposta a uma pergunta, procuramos alguém que saiba. Em argumentos na Internet, isso é comumente denunciado como um “apelo à autoridade”. De fato, a menos que você seja um indivíduo que estuda ou que conhece muitas ciências, você provavelmente responderá quase todas as questões de fato pelo o que você encontrar por “apelo à autoridade”. Em que ano estamos? Verifique o calendário. Que horas são? Verifique o seu telefone, que recebe esta informação sobre a hora de uma fonte central, pelo menos é o que dizem. Isso é inevitável e garanto ser verdade há milhares de anos (exceto a parte do telefone celular, claro).

Encontrar fatos genuinamente novos por conta própria e confirmar que as coisas que pensamos saber realmente são verdadeiras usando seus próprios recursos é muito difícil, e não há tempo para confirmar mais do que uma pequena quantidade deles. Então, quase o tempo todo, dependemos do apelo à autoridade.

Isso nos leva à questão central, que determina o que achamos ser verdade, e leva diretamente ao problema das teorias da conspiração e da estupidez baseada na Internet:

  • Quem é “uma autoridade”?
  • Como sabemos em quem acreditar?

Teorias da Conspiração Introduzidas

Uma “teoria da conspiração” é uma afirmação geralmente considerada falsa por fontes de informação “mainstream”, mas que é afirmada por uma minoria para descrever o verdadeiro estado de coisas. Para que isso seja verdade, as fontes do “mainstream” devem estar conspirando para nos dizer o contrário, intencionalmente ou por estupidez compartilhada.

Teremos mais a dizer sobre eles mais adiante, mas por enquanto precisamos de um fato sobre as teorias da conspiração: elas são irrefutáveis. Por sua natureza, é impossível provar que estão errados. (Por critérios de Popper, portanto, não são teorias válidas, pois não são falsificáveis). A teoria da conspiração apenas se dobra para acomodar novas evidências. Abaixo temos mais perguntas com a prováveis respostas conspiratórias:

P: Você acha que nós fomos para a Lua porque você viu na TV ao vivo?

R: Claro que não, o vídeo da TV foi falsificado.

P: Você conhece o astronauta Buzz Aldrin pessoalmente, e ele disse que foi para a Lua?

R: Meu caro, ele mentiu para você.

P: Você é o Buzz Aldrin?

R: Se você realmente acredita que estava na Lua, então você teve falsas memórias implantadas em você pela CIA, através do uso de drogas e hipnose, então você acha que foi para a Lua, mas na verdade não o fez.

Antes da Internet, era raro encontrar alguém que aceitasse teorias da conspiração e rejeitasse as crenças comuns. Na era da Internet, isso tornou-se bem comum. No restante deste texto, consideraremos por que isso seja verdade. Também estaremos olhando para a questão de como podemos ter tanta certeza de que a maioria esmagadora das teorias de conspiração estão incorretas, já que elas não podem estar erradas.

Preconceito da confirmação em um mundo simples

Há muito tempo, quando havia menos pessoas no mundo e elas viviam em comunidades isoladas (ou tribos, ou qualquer outra coisa), era fácil montar um modelo mental das fontes de conhecimento. Pessoas que eram confiáveis ​​se tornariam conhecidas por isso. Por outro lado, pessoas que não eram confiáveis, ou inventavam histórias, e muitas vezes se mostraram erradas, logo seriam conhecidas também. Quando novas informações chegavam, elas eram testadas em relação ao que já se conhecia e avaliavam a fonte à luz do que se sabia sobre todos no grupo, e dava então para se ter uma boa ideia se que aquilo era verdade ou não.

Na era pré-internet, mas pós-industrial, nossas fontes de informação ainda eram limitadas. Se você quisesse aprender sobre algo técnico (como a teoria da relatividade ou como um foguete Saturno V funcionava) você poderia procurar em uma enciclopédia (se você possuísse uma), você poderia visitar uma biblioteca, ou você poderia ler sobre isso em uma revista como Science News ou lia sobre isso em um jornal especializado. Se você estivesse na escola, você poderia perguntar a um professor. Estes eram tudo o que poderíamos chamar de fontes fidedignas – então, desta forma, era improvável que você encontrasse um ponto de vista “alternativo”. O noticiário de televisão era geralmente restrito a alguns poucos canais  e eles eram quase tão “mainstream” quanto a enciclopédia ou o professor de física do ensino médio.

Nesse mundo do passado, se acontecesse de você se deparar com um ponto de vista “alternativo”, ele falharia em se encaixar com o que você sabia, ele falharia em se encaixar com informações que você poderia encontrar em fontes que você “sabia” serem precisas, e se você perguntasse a alguém cuja opinião você respeitava, era bem provável que eles lhe dissessem que você estava errado. Consequentemente, você tenderia a rejeitar a informação “alternativa” como sendo improvável que fosse verdadeira. Lembro-me de ter encontrado um livro na biblioteca que afirmava refutar a Relatividade, muito antes de a Internet existir. Eu não sabia o suficiente para julgá-lo na época, mas uma coisa se destacou para mim: não se encaixava com mais nada que eu lesse naquela época, e absolutamente não se encaixava com nada que eu soube posteriormente sobre a relatividade.

Julgar novas informações com base em se elas se encaixam com o que você já sabe é um viés de confirmação. Em um mundo primitivo, isso era uma ferramenta extremamente útil para eliminar o absurdo.

Talvez a afirmação mais conhecida do princípio do viés de confirmação como uma ferramenta útil seja “Exigências extraordinárias exigem provas extraordinárias“. Isso é um viés de confirmação. Algo “extraordinário” é algo “fora do comum”. Em outras palavras, se uma reivindicação não é o que esperamos, então é provavelmente falsa.

Viés de Confirmação na Internet

Na presença da Internet, há problemas com o viés de confirmação.

Na Internet, o problema de separar a verdade do absurdo é muito mais difícil. Há uma infinidade de fontes e não temos conhecimento direto de nenhuma delas. Além disso, podemos nos encontrar discutindo coisas com indivíduos que nunca viveram nos tempos anteriores à Internet. Nós apenas sabemos que não temos nada sobre sua reputação cientifica, não temos um conhecimento prévio de seus trabalhos e não temos meios de julgá-los além de suas próprias palavras.

Nesse ambiente, se começarmos a suspeitar que algo é verdade, geralmente não é difícil encontrar fontes na Internet que confirmem nossas suspeitas, quer a coisa seja verdadeira ou não. Se não tivermos critérios objetivos para julgar a verdade do que vemos, então selecionando as fontes que “se encaixam” no que já conhecemos (ou pensamos), podemos reforçar nossa visão inicial das coisas, o que, por sua vez, torna mais provável selecionarmos fontes que concordem com essa nossa visão no futuro. E em pouco tempo nos encontramos postando mensagens em sites conspiratórios, discutindo o fato de que os astrônomos estão escondendo a nossa situação real, que é a de que vivemos na superfície de um planeta plano sob um domo.

Assim, o viés de confirmação, que é extremamente útil em um mundo simples, acaba sendo uma receita para o desastre em um mundo “totalmente conectado”. A menos que você tenha a sorte de começar com uma coleção “sensata” de crenças na qual se encaixar no conhecimento recém-adquirido, o acesso à Internet provavelmente o levará a desviar-se do que é correto.

Como observamos anteriormente, o viés de confirmação é o que quase todos nós usamos para filtrar a verdade do lixo (quer percebamos ou não). Somente as coisas que passam pelos nossos “filtros de polarização” são consideradas para investigação séria. Temos que fazer assim; há muita informação e muita bobagem para tratar tudo isso seriamente. Os adeptos das teorias da conspiração estão adquirindo conhecimento da mesma forma que o resto de nós. É fácil demais cair na armadilha de usar a riqueza da Internet para reforçar idéias incorretas que as conduzem.

Então, como sabemos que estamos certos? Como sabemos que os teóricos da conspiração não são os que estão certos, e todo o resto de nós estão muito confusos para perceber isso? Por falar nisso, como sabemos que o Acre realmente existe?

Existe uma resposta para isso. Deveria ser ensinado nas escolas o método de investigação científica (mas não é, até onde eu sei). Essa seria a principal defesa contra a loucura da Internet. Isso é o que vamos considerar a partir de agora.

Navalha de Occam, tem que ser entendida como lei

Muitas vezes vi a Navalha de Occam apresentada como uma “regra prática” e, pelo que entendi, sua descrição original envolvia a escolha de soluções menos complexas com base na estética. Ou seja, a “explicação mais simples é a melhor” ou “não multiplique hipóteses desnecessariamente.”  É geralmente afirmado como algo ao longo das linhas de “não se deve desnecessariamente multiplicar suposições”. De fato, enquanto isso pode ser como Occam declarou, há aqui um princípio matemático sólido, e a Navalha de Occam pode ser reafirmada como uma lei, e não como uma regra geral.

A probabilidade de vários eventos independentes, todos ocorrendo ao mesmo tempo, é o produto de suas probabilidades individuais. Assim, se uma afirmação depende de alguma coleção de suposições, a probabilidade de que a afirmação seja correta é o produto das probabilidades de que cada uma das suposições está correta. Embora não possamos geralmente saber a probabilidade exata de que qualquer suposição particular esteja correta, podemos, pelo menos, ter certeza de que a probabilidade de cada suposição estará entre 0 e 1, e podemos ser capazes de adivinhar se ela está mais próxima 1 ou 0.

Consequentemente, se tivermos duas afirmações, e pudermos descobrir que uma delas exige que muitas outras suposições (independentes) sejam verdadeiras, então podemos concluir que aquela com menos suposições está mais provavelmente correta. E se a diferença nas suposições for extrema, podemos concluir que a afirmação com menos suposições é muito mais provável de ser verdadeira. Isto não é apenas uma questão de estética. Isso significa algo específico. Se somos confrontados por uma série de decisões, e em cada decisão, recebemos duas declarações conflitantes e precisamos adivinhar qual é a correta, e, quando não temos mais nada para continuar, sempre escolhemos a afirmação que incorpora menos suposições improváveis, descobriremos que na maioria das vezes fizemos a escolha certa. E não há questão de “estética” envolvida.

Voltaremos à navalha de Occam depois que passarmos algum tempo examinando o método científico e como ele é usado para separar a verdade da confusão.

Pré-Ciência: “Mas os especialistas dizem que”

No mundo pré-científico, acreditava-se que grande parte do que era “conhecido” (além do que era testado na existência cotidiana) só era verdade porque alguma “autoridade aceita” havia dito isso. Isto era o “apelo à autoridade”. Por exemplo: Se Aristóteles disse isso, deve ser verdade. (Então, por exemplo, a função dos pulmões era esfriar o corpo – Aristóteles disse isso, e ele olha que geralmente estava certo sobre coisas.)

Na ausência de qualquer ferramenta além do viés de confirmação, essa é uma maneira racional de proceder: Procuramos alguém que sabemos ser uma fonte confiável no passado. Eles estão mais propensos a estarem corretos do que alguém que não tem histórico.

Na Internet, onde determinar se alguém é “geralmente confiável” ou não é muito mais difícil, o princípio “Mas os especialistas dizem que” é ainda mais instável do que era no mundo pré-científico.

O método científico: a replicação é vital

A descoberta do método científico foi revolucionária. Substituiu o não confiável “Mas os especialistas dizem que” com uma maneira de determinar, com alta probabilidade, o que é realmente verdade.

Quando somos apresentados ao método científico na escola, normalmente nos dizem que envolve observar, depois fazer uma teoria, fazer previsões a partir da teoria e depois testar as previsões. Se as previsões não se confirmarem, então rejeitamos a teoria e recomeçamos. Também nos é dito que testar as previsões e rejeitar a teoria se for provado falso é o que distingue as sociedades científicas das sociedades pré-científicas.

Isso é verdade, e já coloca as teorias da conspiração em uma posição instável, já que pela sua natureza elas normalmente não podem ser usadas para fazer previsões testáveis. No entanto, há um passo adicional extremamente importante, que é a replicação. Quando uma pessoa testou algo e confirmou, temos motivos para acreditar que isso seja verdade. Mas até que outras pessoas também tenham testado e confirmado o resultado original, é, na melhor das hipóteses, uma conclusão provisória.

É a replicação que distingue um fato provavelmente verdadeiro confirmado de algo que sabemos ser verdadeiro porque “Mas os especialistas dizem que“. A razão está na navalha de Occam. Para ver isso, suponha que tenhamos um resultado – digamos, “o peixe antártico congela o sangue abaixo do ponto de congelamento da água pura”. Agora, considere a afirmação de que o resultado é falso. Quais suposições devem ser mantidas para que o resultado seja falso?

Se um pesquisador fez um experimento que apoiou o resultado, então, para que o resultado seja falso, apenas um experimento deve ter sido anulado. Alguém interpretou mal um termômetro, ou um estudante de pós-graduação frustrado inventou alguns números em vez de fazer medições reais, ou várias outras coisas deram errado.

Por outro lado, se o experimento foi replicado por cinco laboratórios diferentes, então para que o resultado ficasse errado, cada um desses experimentos teriam que ter dado errado. Se foi replicado, precisamos fazer muitas outras suposições para chegar à conclusão de que o resultado está errado.

A replicação é necessária para descartar erros por parte das pesquisas e também para descartar fraudes. O sistema de honra nunca funciona muito bem quando os seres humanos estão envolvidos, basta ver as grades que você tem que colocar nas janelas da sua casa.

Muito do que é publicado em revistas são revisados por pares nas discussões da ciência moderna. De fato, enquanto a revisão por pares assegura que os artigos ruins têm menos probabilidade de serem impressos, e o feedback da revisão por pares pode fazer com que os artigos sejam melhorados antes de serem publicados, e enquanto a revisão por pares economiza um trabalho para editores de revistas (sem isso, eles precisam revisar cuidadosamente cada artigo), a revisão por pares não pode impedir a fraude. Um artigo bem feito com dados mascarados não será pego pela revisão por pares, a menos que os dados estejam descaradamente falsificados, o que é obviamente impossível.

Os verdadeiros guardas contra a fraude são a publicidade sobre ela (quando ela é feita) e a replicação (o que pode levar à percepção de que um determinado resultado deve estar errado). Os artigos que relatam replicações de resultados anteriores podem ser publicados com a mesma facilidade com que podem ser publicados em literatura revisada por pares, e terão tanta validade quanto.

Estudos

Experimentos feitos em laboratório são valiosos, mas apenas acabam nos dizendo o que acontece durante os experimentos. Em alguns campos, como a física, é tudo o que precisamos saber. No entanto, nas ciências da vida em geral, e no campo da medicina em particular, existem muitas variáveis ​​no mundo real para permitir uma modelagem exata de situações reais em um ambiente de laboratório. Além disso, há muitas questões envolvendo o impacto de estilos de vida na saúde que não podem ser respondidas com simples experimentos de laboratório.

Para tais coisas, os pesquisadores fazem estudos. Eles examinam grupos de pessoas combinados entre os quais apenas uma ou algumas variáveis ​​são alteradas, ou eles seguem um grupo de pessoas durante um período de tempo durante o qual vários procedimentos podem ser feitos, e eles observam os resultados.

Estudos, assim como outros experimentos, são mais convincentes quando são replicados. No entanto, alguns estudos – em particular, grandes estudos longitudinais – podem ser muito convincentes, mesmo quando não replicados. Isso ocorre porque o “experimento” real consiste em analisar os dados reunidos no estudo e, se os dados brutos forem publicados (como normalmente é), qualquer outro pesquisador pode refazer a análise de dados e procurar outras causas ou efeitos o que pode explicar os dados, o que efetivamente “replica” a conclusão do pesquisador original.

Vale a pena mencionar de passagem que a “medicina alternativa” tende a ser severamente carente de estudos que apoiam as afirmações de seus praticantes, e de fato os defensores da medicina alternativa são frequentemente muito críticos tanto do uso de estudos quanto dos periódicos tradicionais nos quais resultados são comumente publicados. Talvez tenhamos mais a dizer sobre isso depois.

Mentiras

As mentiras são um anátema para a ciência dominante. Quando um pesquisador é pego mentindo sobre seus resultados, os principais periódicos geralmente retraem todos os seus trabalhos, e cada artigo no qual ele colaborou é cuidadosamente examinado para ver se ele tinha alguma influência sobre os dados brutos. Se o fizesse, esses documentos também poderiam ser recolhidos, porque ele não é mais considerado confiável.

A justiça pode ser draconiana. Um pesquisador que mente sobre seus dados e é pego provavelmente terminou sua carreira.

Isso não é verdade no mundo das teorias da conspiração, mas deveria ser. Assim que alguém que está expondo uma teoria “alternativa” é pego em uma mentira descarada, sabemos que eles não são confiáveis. Daquele ponto em diante, tudo o que eles dizem deve ser visto com desconfiança. A menos que saibamos que é verdade a partir de fontes de terceiros, devemos assumir que qualquer outra coisa que eles dizem também é mentira.

Isso é duro. No entanto, é completamente natural; é, na verdade, o outro lado do viés de confirmação: quando você sabe que alguém não é confiável, não aceite o que ele diz pelo seu valor nominal. O viés de confirmação, nossa ferramenta mais básica, embora perigosa no mundo da Internet, continua valioso.

Mais sobre teorias da conspiração

Até aqui mostrei o ponto de que as teorias de conspiração não são falseáveis. Existem outras marcas de tais teorias, e há também uma questão muito interessante de onde elas vêm.

Envenenando o Poço

Ainda mais do que a falta de falseabilidade, a principal característica de uma teoria da conspiração é que ela inclui a afirmação de que fontes tradicionais não são confiáveis. Então, você não pode refutar apenas olhando na Enciclopédia Britânica ou verificando uma cópia da revista Science, porque eles são parte da conspiração. O termo para isso é “envenenar o poço” – sua principal fonte de informação que você pode usar para refutar a teoria foi “envenenada”.

Em alguns casos, somos informados de que todas as fontes convencionais são confusas, enganadas ou ignorantes; em outros casos, nos é dito que as fontes convencionais estão ativamente suprimindo o “novo conhecimento”. Mas de um jeito ou de outro, a questão é que fontes convencionais não são confiáveis. Este deve ser o caso; caso contrário, a teoria seria mostrada errada desde o início.

Irrefutável

Como dissemos anteriormente, as teorias da conspiração são irrefutáveis. Na versão mais crua, qualquer tentativa de provar que uma teoria da conspiração está errada, introduzindo um fato novo, pode ser combatida com o aumento da suposta conspiração para incluir a fonte do novo fato. Fazer isso aumenta o número de suposições que devem ser verdadeiras para que a teoria seja correta e, portanto, torna-a ainda menos provável quando vista com a Navalha de Occam.
Por outro lado, quase todas as teorias populares da conspiração poderiam facilmente ser provadas corretas … apenas se os dados corretos aparecessem, ou alguém na conspiração quebrasse seu silêncio. Mas de alguma forma isso nunca acontece.

O galope de Gish

Este termo maravilhoso – “Gish Gallop” – é um nome para um fenômeno familiar. Em uma discussão sobre uma teoria da conspiração, é comum encontrar uma série de objeções lançadas contra o ponto de vista convencional. São geralmente simples objeções a serem levantadas, mas cada uma delas faria um esforço significativo para provar que estava incorreta. Além disso, é comum encontrar objeções que somente alguém com experiência técnica reconheceria como sendo ilusório. Esta abordagem pretende esmagar a oposição e convencer quem não é especialista. Pode ser muito eficaz. Você não costuma ver que é usado para apoiar a ciência convencional – a maioria das conclusões da ciência convencional é apoiada por um número relativamente limitado de testes sólidos, em vez de um grande número de pontos triviais.

Por exemplo, se você assistir a um dos vídeos sobre o “embuste do pouso na Lua”, pode ser informado de que:

Devido à falta de atmosfera, as estrelas deveriam estar visíveis nas fotos da Apollo na Lua. Eles não são; Portanto, as fotos são (mal e estupidamente) falsas.

As sombras projetadas pela luz do sol são paralelas devido à extrema distância ao sol. As sombras em muitas das fotografias da Apollo não são paralelas; eles convergem.

Portanto, foram filmados com uma fonte de luz de perto, não com a luz do sol, e por isso devem ter sido falsificados.

As sombras nas fotografias da Apollo não são escuras, como poderíamos esperar sem atmosfera. Portanto, uma luz de preenchimento deve ter sido usada. A NASA nega isso. Então, eles estão mentindo e a coisa toda foi falsificada.

A falta de atmosfera na Lua significa que os níveis ultravioleta são extremamente altos – tão altos que qualquer câmera convencional teria seu filme embaçado pelo ambiente UV.

Os slides da Lua são claros e afiados, e não embaçados; portanto, eles não foram tirados na Lua e devem ter sido falsificados.

A câmera usada foi fixada a um encaixe no peito do traje espacial do astronauta. No entanto, algumas das fotos não poderiam ter sido tiradas com a câmera naquela posição! Portanto, as imagens devem ter sido falsificadas.

A radiação nos cinturões de Van Allen é tão intensa que os astronautas teriam morrido antes de chegarem à Lua. A alegação da NASA de que eles passaram pelos cinturões de radiação muito rápido, e por isso não estavam lá por muito tempo, e tem uma dose subletal é falsa – é como a afirmação de que se você correr pela chuva, ficará menos molhado. Isso é falso. E a alegação de passar pelos cinturões de Van Allen é muito rápida. (E Mythbusters testaram o ‘correndo na chuva’ e obtiveram a resposta errada, (correr os deixou mais molhados), aparentemente devido a uma falha em sua configuração, e então apoiaram os teóricos do embuste sobre este. a dizer sobre isso depois. Replicação é tudo!)

Não havia cratera de explosão sob o módulo lunar, e esperávamos ver uma. Portanto, deve ter sido falsificado.

Havia imagens de vídeo do módulo decolando no final da missão. Quem filmou essa cena? É impossível – não havia ninguém na lua para fazer isso! Portanto, eles não estavam na Lua – foi falsificado.

A lista continua. Estes são alguns dos pontos que posso me recordar de cabeça. Cada um deles pode ser facilmente refutado. No entanto, por “facilmente” quero dizer que levaria pelo menos alguns parágrafos de texto e dez ou vinte minutos de pesquisa séria. Então, para acertar todas as entradas neste “galope Gish” eu precisaria investir várias horas, e nesse tempo alguém que estava determinado a encontrar falhas nas missões da Lua poderia chegar a mais pontos que levariam muito mais tempo para refutar.

Quando confrontado com algo assim, uma abordagem inicial eficaz é olhar para alista e ver se há alguma mentira óbvia. (Uma mentira não é apenas um erro – uma mentira é uma falsa afirmação que podemos ter certeza de que o autor sabia ser falsa.) Se não houver, então talvez seja algo a ser levado a sério. Mas, por outro lado, se houver, talvez devêssemos jogar tudo isso no lixo e ir ler algum clássico da literatura universal.

A primeira objeção, de que as estrelas deveriam estar visíveis nas fotos, pode parecer totalmente surpreendente (e convincente) quando encontrada pela primeira vez. Pode sim ser refutado, mas requer algum trabalho. Muitos cientistas sérios e físicos mostram resultados de experimentos com uma câmera à noite, que indicavam que as fotos deveriam aparecer assim mesmo (o problema principal é o alcance dinâmico), mas é uma questão bastante confusa que os autores do vídeo ‘falso’ ‘vídeo poderiam ter sido apenas enganados sobre isso. Então não vamos chamar isso de “mentira”.

No entanto, falando como um fotógrafo amador e artista, o segundo ponto – as sombras projetadas pela luz do sol são paralelas – realmente saltou para mim como sendo falso na parede. Os exemplos mostrados no vídeo foram cuidadosamente selecionados para mostrar sombras paralelas, mas qualquer um que tenha aprendido o desenho em perspectiva sabe que a afirmação é falsa; sombras em uma fotografia raramente são paralelas. Se os produtores do vídeo tivessem algum conhecimento dos princípios de gráficos (e eles diziam ser especialistas em gráficos), eles também sabiam disso. Portanto, isso é uma mentira, não apenas um erro.

O quarto e quinto pontos também se mostram trivialmente falsos, e os autores certamente deveriam saber que eram falsos, então eu os chamaria de mentiras também. Filtros UV estão disponíveis para câmeras desde pelo menos a década de 1950, então o UV não teria embaçado o filme (e a Hasselblad, que fez a câmera, sabe tudo sobre coisas como essa). Então, o ponto 4 está errado, e os autores deveriam saber disso. O ponto 5 é uma mentira descarada, como revelaram alguns minutos de pesquisa na Internet – a câmera foi projetada para ser presa ao traje do astronauta ou para ser segurada em uma mão enluvada e poderia ser usada de qualquer maneira.

Concluímos que alguém semeou esta lista com mentiras e, portanto, usando nosso bom amigo Viés de Confirmação, devemos presumir que qualquer coisa sobre ela que não possamos verificar de forma independente também é falsa, porque ela nos vem de uma fonte não confiável.

Pessoas mal-intencionadas versus pessoas mal orientadas
De onde vêm as teorias da conspiração e quem as espalha?

A maioria das pessoas que as divulgam são bem intencionadas, mas erradas (e não compreendem a navalha de Occam). A teoria da conspiração do embuste do pouso na Lua provavelmente suga muita gente por causa da falta de estrelas nas fotos. É extremamente surpreendente e as razões para isso estão além da compreensão fotográfica da maioria das pessoas. Quando alguém tem a ideia de que pode ter sido falsificado, é fácil encontrar muitas “informações” na Internet para apoiar essa noção.

Mas alguém levou a teoria ao próximo nível. O galope de Gish sobre o absurdo do pouso na Lua que mostrei acima continha uma série de mentiras descaradas, que teriam sido reconhecidas como mentiras por qualquer um com a perícia de montar tal lista, só para começar. Portanto, alguém intencionalmente criou uma série de argumentos enganosos para convencer as pessoas de que os desembarques na Lua eram falsos. Desde que eles estavam dispostos a mentir para apoiar a alegação, ficamos com a suspeita de que, não só eles são inescrupulosos, eles também sabem perfeitamente que a farsa afirma que eles estão se espalhando são falsos.

Pode não estar imediatamente claro por que alguém faria isso, mas posso ver sinais disso em todas as principais teorias conspiratórias que encontrei. Na parte de trás das teorias, há pessoas maliciosas que estão dispostas a apenas fazer coisas para apoiar a teoria. A maioria das pessoas que repetem as teorias são meramente equivocadas e ignorantes, mas é preciso um certo conhecimento e muita má vontade para criar os argumentos que as sustentam.

O motivo financeiro que está escondido à vista

Um argumento comum a favor das teorias da conspiração é que as pessoas que as espalham não têm nada a ganhar. Eles estão dedicando seu tempo e trabalho para espalhar “a verdade” e não obtendo nada dela, portanto devem ser fundamentalmente honestos e bem-intencionados. Há uma falha nisso, no entanto, que é que aqueles que espalham as teorias geralmente ganham alguma coisa com eles. As pessoas que vendem vídeos de embuste de aterrissagem na Lua estão vendendo-as, não as distribuindo gratuitamente no Youtube. O homem que ajudou algumas vítimas de queimaduras a sair do elevador no porão do World Trade Center pouco antes do colapso, e que posteriormente contou uma história bizarra de explosões e incêndios inexplicáveis, mais tarde foi em uma turnê de palestras cobrando algo bem mais de mil dólares por cada aparição. Incentivos financeiros para mentir não devem ser ignorados.

As pessoas que eu conhecia que distribuíam vídeos e publicações nas manifestações da Truth Out não ganharam nada com isso, e aparentemente eram completamente sinceras, mas também não eram as criadoras das idéias sobre o 11 de setembro, que estavam se espalhando. Por outro lado, Thierry Meyssan, que alegou que o Pentágono foi atingido por um caminhão-bomba, não um avião, vendeu uma enorme pilha de livros afirmando que não havia avião (seu livro foi traduzido para 25 idiomas). Ele teve um incentivo financeiro? Obviamente! Quando a versão “caminhão-bomba” de sua teoria foi refutada (por, entre outras coisas, a recuperação de um monte de peças de avião) ele não recuou, mas mudou a afirmação, para dizer que havia um avião bem, mas era um Global Hawk, não um Boeing. E assim a teoria de que não havia nenhum avião de passageiros envolvido se mostrou inexequível (assim como todas as teorias da conspiração fazem).

Esta é talvez a pior coisa que a Internet faz: dá aos autores das teorias da conspiração – que não são de todo bem intencionadas – um público muito maior do que teriam de outra maneira.

“Como você sabe?”

Vamos agora voltar à lista de perguntas com as quais começamos e considerar como sabemos as respostas para elas, usando a navalha de Occam conforme a necessidade de escolher entre alternativas.

1- A terra é realmente plana?

Nós só sabemos que a terra é redonda pois sabemos que é. Poucos seres humanos foram ao espaço para provar isso, como sabemos que as fontes que nos dizem que el ela é redonda estão dizendo a verdade? Vamos examinar as suposições envolvidas.

Para concluir que a terra é redonda, precisamos assumir que as fontes que nos dizem isso são verdadeiras, e existem registros científicos deste fato (documentos em bibliotecas, arquivos dos mais variados sobre o assunto e assim por diante) e que discutem sua esfericidade, e estes documentos são o que são, e estão corretos. Além disso, não precisamos assumir que todas essas fontes estão totalmente corretas, nem que apenas uma delas esteja completamente correta – tudo o que precisamos fazer é supor que algumas delas são muito corretas, pois relatam um fato real.

Para concluir que a terra é plana, devemos assumir que toda fonte que nos diz que ela seja redonda e todos os registros históricos que mostram sua esfericidade sejam falsos, ou precisamos assumir que os próprios registros fotográficos de satélite sejam falsos, o que não faz muito sentido a menos que sejam fabricações espetaculares. Além disso, devemos supor que todas as fotos que foram tiradas por todas as agencias espaciais são falsas – presumivelmente, são todas as invenções, ou atribuições de coisas feitas por um grupo de pessoas que quer enganar a todos. Isso equivale a um número muito grande de suposições sobre uma coleção diversa de fontes, e todas as suposições devem estar corretas para concluir que a terra seja plana. Se até mesmo uma única fonte que discute a terra plana esteja correta, não podemos concluir que ela seja. Além disso, uma vez que assumimos que há um grande número de fontes fabricadas sobre isso, ficamos nos perguntando por que alguém fez isso – e precisaremos fazer ainda mais suposições para explicar o comportamento dos fabricantes.

Ao comparar o conjunto de suposições que precisamos fazer, deve ser fácil ver que a afirmação de que a terra é redonda é muito mais provável do que a afirmação de que ela seja plana.

2 – O Sol é realmente uma bola sólida de grafite, com uma atmosfera gasosa de algumas centenas de milhas de espessura?

Esta é uma afirmação real que eu vi na Internet. Alguém escreveu um livro sobre isso, na verdade, que você poderia comprar, embora eu não recomende.

Se você é um astrônomo, pode ter certeza de que sabe a resposta para isso. Para o resto de nós, porém, estamos apenas contando o que nos é dito, por isso precisamos considerar o quão confiáveis ​​são as fontes. Como no caso da terra plana, a afirmação “não-padrão” desmorona rapidamente quando olhamos para as suposições que entram na afirmação.

Primeiro, para concluir que o Sol é uma bola de gás (ou plasma), como é comumente acreditado, precisamos assumir que pelo menos alguns dos relatos que lemos sobre o que os astrônomos aprenderam sobre isso estão corretos, e precisamos assumir que pelo menos alguns dos astrônomos em questão não foram iludidos nem desonestos, e precisamos assumir que pelo menos alguns dos experimentos nos quais eles basearam essa conclusão foram bem feitos e produziram resultados corretos. Isso não parece improvável!

Por outro lado, para o Sol ser feito de grafite sólida, precisaríamos assumir que ou todos os relatos que lemos sobre o que os astrônomos aprenderam foram confundidos ou fabricados, ou que todos os astrônomos que concluíram que o O sol é uma bola de gás eram tolos incompetentes ou mentirosos (ou ambos), ou que todos os experimentos em que eles basearam suas conclusões foram malfeitos ou falsificados. Isso é um monte de suposições independentes – e todas elas devem ser verdadeiras para que a afirmação “Bola de grafite” esteja correta.

Então, é fácil ver que é extremamente improvável que o Sol seja uma bola sólida de grafite.

3 – A lua está mesmo a mais de 160.934 km de distância?

Na verdade, nos dizem que está a 386.242 Km de distância, o que é muito mais do que 160.934 Km. Mas como sabemos?

Nós novamente somos dependentes para dar resposta certa a esta pergunta. Nós, que não somos especialistas, precisamos decidir o quanto acreditamos que os especialistas são os confiáveis para nos ajudar nesta resposta.

De acordo com a informação encontrada on-line, a distância até a lua foi testada extensivamente, tanto via trigonometria (medindo ângulos para determinar sua distância) quanto por medição direta (através de pulsos de laser enviados a espelhos instalados na lua e medindo o atraso de ida e volta). Além disso, foi verificado diretamente pela espaçonave que realmente foi para a Lua, e cuja velocidade e tempo de viagem eram ambos conhecidos.

Como a alegação de que o Sol é uma bola de gás, precisamos assumir que um grupo muito grande de registros foi falsificado, ou que um grande grupo de pessoas está mentindo para nós ou estão totalmente confusos, e todos os relatórios geralmente independentes na distância da Lua devem estar errados. Assim, um número extremamente grande de suposições independentes é necessário para acreditarmos que a Lua está a menos de 160.934 Km de distância, e assim concluímos que é extremamente improvável que todas elas possam ser verdadeiras – e assim concluímos que a Lua é, com uma probabilidade muito alta, tão longe quanto nos foi dito, que é de fato muito mais distante do que 160.934 Km.

4 – O World Trade Center foi atingido por aviões no 11 de setembro?
A alegação alternativa é que o WTC foi derrubado por explosivos.

De minha parte, tudo que eu preciso assumir aqui é que os vídeos do colapso do WTC realmente mostraram o colapso do WTC. Depois de assistir a um número nauseante de vídeos de demolições reais de prédios, e considerando o que seria necessário para fazer uma série de explosões controladas por computador para simular o tipo de colapso que vemos nos vídeos do WTC, posso dizer com alguma certeza que as Torres Gêmeas não foram demolidos com explosivos. Então, deve ter havido alguns aviões envolvidos, de acordo com a história oficial.

Para aqueles que tiveram menos tempo livre ou menos experiência com computadores, isso não é tão óbvio. A questão que estamos considerando aqui, no entanto, é bem simples: as Torres, foram ou não atingidas por aviões? (Por enquanto, não vamos nos preocupar com o que realmente causou o colapso.)

Para a afirmação de que não havia aviões de verdade envolvidos, precisamos assumir o seguinte:
Os vídeos do segundo impacto foram falsificados. Eles foram analisados ​​extensivamente, particularmente por pessoas que procuravam por evidências de que havia mísseis ou outros objetos presentes além do avião, e se os vídeos eram falsos, eles foram surpreendentemente bem feitos.
Todas as testemunhas oculares da cidade de Nova York que silenciosamente concordaram com a história da grande mídia ou imaginaram um avião ou, de alguma forma, ficaram intimidadas demais para mencionar que estavam lá e que não havia nenhum avião presente.
Um número de testemunhas que especificamente afirmou ter visto o segundo avião (incluindo pelo menos um que negou a história do governo e alegou que não era um avião de passageiros) estavam enganados ou mentindo.
Precisamos assumir que a história do governo de rastrear os aviões no radar e enviar jatos militares depois deles (tarde demais) foi fabricada, e todo o pessoal militar supostamente envolvido na perseguição deve estar mentindo ou, pelo menos, concordando com a mentira. permanecendo em silêncio.
E todas essas suposições amplamente independentes devem ser verdadeiras, se não houvesse aviões presentes. Não é difícil ver que tudo isso é extremamente improvável.

5 – O diretor de cinema Stanley Kubrick falsificou os desembarques da Lua?
Eu já toquei neste ponto, acima, e não vou entrar em detalhes aqui.

Vamos apenas observar que havia um grande número de pessoas envolvidas nos lançamentos das missões para a Lua, e um grande número deles teria que estar mentindo se tivessem sido falsificados. Por outro lado, tudo o que precisamos supor para concluir é que os desembarques ocorreram como foi dito e visto, e que os cientistas e engenheiros da época encontraram maneiras inteligentes de contornar as dificuldades (muito reais) das missões.

Muitos de nós não podemos avaliar a dificuldade real de uma missão até a lua com alguma confiança. No entanto, a maioria de nós tem alguma ideia de como é fácil fazer com que grandes grupos de pessoas cooperem, e não é difícil ver a probabilidade de que todos os astronautas, através da equipe de solo na Austrália (onde o downlink da Apollo 11 estavam localizados), através do pessoal de controle da missão em Houston, para os astrônomos que trabalharam para a NASA, todos os envolvidos no lançamento e recuperação das cápsulas da Apollo. é difícil crer que todos esses homens e mulheres envolvidos neste projeto cooperaram para esconder a verdade é realmente improvável.

6 – E finalmente, nós realmente vivemos no mundo da Matrix sob um domo?
Vou deixar este como um exercício para voce leitor.

 

Fontes:

http://physicsinsights.org

O Trivium –  É realizações

O andar do Bebado –  Leonard Mlodinow

Amor e Matemática – Edward Frenkel

Manual Politicamente Incorreto da Ciência – Tom Bethel.

 

 

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A inveja no Brasil é cultural. Um exemplo real.

 

Allianz_Parque_-_Palmeiras_Campeão_Brasileiro_de_2016Essa semana, por causa da polemica da final do campeonato, eu assisti a um vídeo de um dirigente de um grande clube de futebol da cidade de São Paulo dizer que “não se ganha campeonato se não for roubando”. Meu filho de 11 anos, que observava esse vídeo junto comigo, ficou assustado. Foi aí que iniciamos uma interessante conversa:

– Por que esse homem falou isso, papai? Foi por causa do jogo de domingo?

Como explicar uma excrescência dessas a uma garoto de 11 anos de idade e que adora futebol e não entendeu bem por que as regras do jogo não foram respeitadas. Como explicar essa “frase de efeito” e que foi dita por um dirigente famoso, líder e referência de uma grande comunidade esportiva.

Comecei explicando a ele:

Filho, a situação politica em que nos encontramos é fruto da falta de noção da realidade do nosso povo. O que esse dirigente disse foi algo totalmente errado e reprovável. Ele, provavelmente falou isso por ‘brincadeira’ ou talvez estivesse bêbado. Mas, infelizmente isso não muda o fato de o dirigente ter uma certa razão no que disse. Afinal, esse é o pensamento geral do brasileiro. Olha só, vou te contar uma história: Nos anos 70 teve uma propaganda de cigarro que ficou conhecida como a “Lei de Gerson”. Esse  Gerson foi um grande jogador de futebol e fazia a propaganda de uma marca de cigarros chamada Vila Rica. A Lei de Gerson postula que todo brasileiro que supostamente fuma essa marca de cigarro “sempre gosta de levar vantagem em tudo”. E como o brasileiro tem essa característica, a marca vendeu seus cigarros como nunca.

-Vantagem? Por que, nós brasileiros, gostamos de levar vantagem em tudo?

-Porque somos um povo culturalmente invejoso, não poderia generalizar, mas essa é a nossa natureza. Infelizmente é essa a nossa realidade. O brasileiro, diante de sua incapacidade de criar algo de positivo para si mesmo, inveja os poucos que conseguem um determinado sucesso na vida profissional ou na vida intelectual verdadeira. Essa é a tônica do sentimento do brasileiro comum. E quando eles tem a oportunidade, passam a perna nas outras pessoas ou invalidam suas ações positivas para se sentirem bem ou ganharem algo com isso.

– Mas pai, como é possível que a inveja do sucesso dos outros seja a tônica no sentimento do brasileiro comum?

Porque, grande parte do nosso povo odeia o sucesso alheio. Principalmente se for um sucesso baseado em ações honestas e lucrativas. Ganhar ou perder é do jogo, filho. Faz parte. Mas o pensamento geral é que sempre é mais fácil destruir um trabalho bem feito, bem planejado, do que construir um trabalho sólido e deixar um legado para as futuras gerações. Deixar um legado é algo que leva uma vida inteira. Devido a grande incompetência geral do nosso povo, formada em decorrência da péssima estrutura educacional brasileira e da falta, em grande parte, de estrutura familiar e moral decente, o brasileiro se sente incapaz de buscar sua elevação espiritual, social e financeira e se sente mal quando percebe que alguém foi mais longe que ele e conseguiu resultados concretos em seus empreendimentos. Por isso, foi mais dolorido que de costume essa derrota em uma situação tão inacreditável como foi nessa final.

-Ainda não consegui entender pai, me de um exemplo real, por favor.

– Olha só, sempre fomos um clube de muitas vitórias. Mas nos anos 80, nosso clube de futebol preferido era motivos de piadas. E com razão. Era financeiramente falido, montava esquadrões de péssima qualidade, não ganhava jogos, muito menos campeonatos. O pensamento geral de nossa torcida era um pensamento vitimista e derrotado. Então, nos anos 90, homens inteligentes que gostavam de futebol e do nosso clube, fizeram um acordo com uma empresa e montaram um sistema de gerenciamento do departamento de futebol extremamente profissional. Era algo inédito e exclusivo. Levou um certo tempo para a coisa engrenar. Normal. Por isso, muitos disseram que não daria certo, mas logo os frutos começaram a aparecer. Ganhamos partidas, depois ganhamos campeonatos seguidos, eramos um dos maiores clubes de futebol da América do Sul. Mas, até hoje, muitas pessoas não admitem que foi um sucesso e dizem que foi armado um “esquema” sei lá do que para ganharmos campeonatos. Mas estava claro que ganhamos por pura competência e sucesso financeiro. Esses são os invejosos que não aceitam e nem entendem o sucesso alheio. Um dia essa parceria infelizmente acabou, tudo voltou na mediocridade como era antes e muitos de fato comemoraram sabendo que isso colocaria o clube em uma situação muito difícil. Voltamos a era da incompetência e fomos rebaixados duas vezes. Isso você já sabe.

-Mas não entendo, pai, por que muitos preferem e torcem pela mediocridade?

É uma questão complexa filho. A inveja está relacionada ao pensamento da escassez de recursos, por medo e pela incompetência pessoal. O brasileiro comum pensa que se ele está pobre é só porque alguém está rico e esse rico se apropriou indevidamente do seu pedaço de riqueza, trabalho e recursos. Então, esse ser pensa que essa riqueza poderia e deveria ser distribuída igualitariamente entre as pessoas. Outros torcem para que a mediocridade se estabeleça para subtrair dinheiro das entidades que eles lideram, sejam elas pública ou privada.

-Deixa eu ver se eu entendi: eles querem destruir quem gera a riqueza ou se mostra competente em suas áreas para colocar todo mundo no mesmo patamar de pobreza?

Exatamente! Olha só, veja o que houve na final do campeonato. Uma confusão maluca. Isso aconteceu por que as autoridades descumprirem determinadas regras já acordadas pelos participantes. Com isso, nosso clube perdeu a partida e o outro se sagrou campeão. Alguém vencer e se sagrar campeão é algo absolutamente normal. O problema é que por causa da confusão criada e a partir deste ponto é que começou um massacre da narrativa do rico e poderoso que já se achava campeão e foi derrotado pelo mais humilde. Mesmo sendo uma mentira isso. Alguém usou de sua prerrogativa de “autoridade” para alterar uma decisão tomada com muita convicção por um juiz e que jamais poderia ter sido alterada naquelas circunstâncias e isso abriu as portas para uma série de ataques invejosos, maliciosos e maldosos se iniciarem. A tiração de onda por parte dos rivais é algo saudável no futebol, mas em cima de um fato ilegal é que assusta.

-É foi ridículo, mas o que isso tem a ver com a riqueza em si?

Bem, depois que fomos rebaixados no início dos anos 2000, algumas pessoas de alto poder aquisitivo e que gostavam do clube, viram que poderiam trazer os anos de glória novamente. Perceberam que o clube tinha um capital humano imenso. Existia a possibilidade de transformar esse clube em um produto altamente rentável e ao mesmo tempo ter um time extremamente forte juntamente com a maior e mais moderna arena de shows e espetáculos da América Latina. Então, essas pessoas sanearam financeiramente o clube e começaram a montar uma estrutura de trabalho digna de qualquer clube europeu. Sabe esses clubes internacionais que todos “babam o ovo”? Barcelona, Real Madri, Bayern, Liverpool, etc? Essas pessoas resolveram pensar grande igual aos dirigentes desses clubes europeus. Quem sonha grande, consegue resultados grandes. Pois é, nosso clube pensa assim agora. E esse tipo de pensamento causa muita inveja nos incompetentes. Muitos torcem para que isso não de frutos. Mesmo dentro do próprio clube. Eles torcem o nariz para os que buscam ser excelentes no que fazem. Essa visão moderna e de geração de riqueza causa inveja a muita gente sem capacidade de entender a realidade. essa gente torce de verdade que a mediocridade vença a competência.

-Mas pai, eu quero ver meu time ganhar título sempre, todo ano.

Todos os torcedores de todos os times querem que seus times do coração ganhem, filho. E isso nada tem de errado. Mas o problema é que eles querem apenas os fins, ou seja, querem apenas ser campeões, não importando quais os meios usados para isso. Muitos se endividam e dão o passo maior que a perna. Outros, com essa confusão mental do povo, aproveitam e roubam o clube e destroem seu patrimônio, outros para agradar políticos fazem negociatas, usam de meios escusos e sua influência para mudar resultados e ganhar campeonatos. Usam sua influência política para construir seus estádios privados usando dinheiro público. O povo brasileiro, que adora adora futebol, não liga pra isso e ainda apoia esse tipo de “gestão”, afinal se o time de coração for campeão tá tudo certo. Isso é levar vantagem. É o pensamento imediatista, vitimista e socialista que os impedem de ver a realidade. Ainda por cima, criticam os clubes que querem se tornar verdadeiramente grandes, ricos e vencedores. A maioria dos torcedores não tem paciência de esperar o momento de colher os frutos. Preferem criar a confusão e o caos em nome de uma conquista pequena e torcem para que os gestores sérios se deem mal e percam tudo que construíram. Inventam histórias dizendo que boa gestão não ganha campeonato. Mas filho, torcida também não ganha campeonatos. Brasileiro, além de invejoso, quer resultados imediatos e se eles não aparecem, os torcedores ameaçam de morte todos os “responsáveis”, culpam jogadores, destroem o patrimônio do clube. Não entendem que conquistas sólidas e honestas demandam anos e anos de trabalho duro. Isso vale para todas as esferas da sua vida. Torcedores reclamam que agora o time está rico, mas que o ingresso é caro e elitizou o esporte. Antigamente, reclamavam que o estádio não tinha banheiro e eram tratados como gado e levavam copo de mijo na cabeça. Ora, filho, esse esporte é composto por torcedores apaixonados, entenda que futebol é um negócio como outro qualquer. Lei da oferta e procura. Nosso clube tem milhões de torcedores apaixonados só aqui na capital. O nosso estádio tem apenas 40 mil lugares. Todos esses milhões de fãs ardorosos querem ir aos jogos. É obvio que um ingresso vai custar caro. Se chegarmos a final do campeonato, quanto você acha que vai custar o ingresso?

-Caríssimo né pai?

Sim, filho. Quando tem show de artistas internacionais na arena, os ingressos custam o olho da cara e lota. Veja, só nos últimos três jogos na arena, nosso clube arrecadou mais de 11 milhões. Isso é muito bom. Saudável. Nós não vamos aos jogos porque é realmente caro, tem prioridade de compra quem é sócio torcedor e patrocina o clube. Nós, no momento, temos outras prioridades. Mas, um dia desses podemos nos programar e ir se tiver ingressos disponíveis e pudermos pagar. Se o time tá mal, o torcedor não vai. Capitalismo é assim mesmo. Uma vez fui ver um jogo da Liga dos Campeões e o ingresso custou 50 EUR. Faça as contas… Times de futebol precisam de tempo para se tornar um time de verdade. Técnicos precisam de tempo para fazer isso. E tempo é coisa que torcedor não quer negociar.

-Mas será que seremos campeões? se o time jogar bem…acho que sim…

Bem, isso é uma questão de tempo. Não é uma questão de “será”. É estatística. E tem outros fatores que influenciam. Mas matematicamente posso dizer que quanto mais campeonatos disputarmos e com chances de ganhar, mais ganharemos. Logo as coisas vão se encaixar e você vai ver o fruto do bom trabalho aparecer. O pensamento vitimista do povo sempre vai colocar as coisas de forma distorcida na discussão meu filho. Mas são argumentos pueris. Acabamos de “perder” um campeonato em casa. Realmente foi chato, mas em que condições? Arrumaram uma confusão danada e então criaram a narrativa do “time gigante e rico das Perdizes”, o que tem melhores contratações caiu diante do mais “fraco”, da “quarta força”, dos “coitadinhos”, do time do “povão da periferia”. O clube do povo que não tinha e agora tem um estádio graças a um financiamento impagável e que foi um presente do ex-presidente do Brasil. Veja só: o titulo “conquistado” foi um presente para o ex-presidente do Brasil que está “injustamente” preso por corrupção. Todos eles são vitimas do capital opressor, mas que superaram os poderosos malvadões e porcos capitalistas. Ao mesmo tempo que tripudiam o trabalho sério falando bobagens nas redes sociais, mostram toda sua inveja sem saber que a possuem. Mas isso é medo do rumo que as coisas estão tomando. Não tem mais volta filho. O nosso time vai investigar o que aconteceu e que foi o responsável pela influência externa ao campo de jogo. É uma questão séria. Se as instituições não forem sérias e tudo for um jogo de cartas marcadas, o publico se afastará naturalmente do esporte. Não podemos abaixar a cabeça para o desrespeito às leis filho. Agora é apenas uma questão de tempo para subirmos definitivamente o nível geral desse país. Chegou a hora de deixarmos os medíocres em seus devidos lugares. Tem que apurar de verdade por que criaram toda a confusão com o juiz da partida. Não importa, não são os títulos duvidosos que queremos. Queremos é seriedade neste país para fazer valer os investimentos que estão sendo feitos por um monte de gente séria. Em breve, seremos nós que vamos deixar alguns rivais bravos, mas só porque perderam o jogo para o melhor, outros nós deixaremos chorando na prisão. E quem trabalhar sério, colherá os frutos. E certamente isso será bom para o país. Só assim vamos deixar o Brasil em uma condição em que todos que vivem aqui ganharão.

A escola não foi feita para divertir ninguém.

bagunça1O carnaval está chegando. Agora é hora de esquecermos nossos problemas e cair na folia. É uma explosão de prazeres e diversão. Muitos de nossa sociedade vive única e exclusivamente para desfrutar destes dias de alegria e felicidade. São sensações prazerosas que experimentamos e que são difíceis esquecer. Duram apenas cinco dias. “Pena que acaba”, dizem uns, que insistem em prolongar a festa até a quinta feira de “cinzas”

Quando vemos que somos um país que tenta construir uma civilização baseada nos prazeres das sensações, onde temos um projeto civilizatório baseado em carnaval, samba, pagode, funk, futebol, novelas, reality shows e suas comemorações, fica claro que nós brasileiros nos emocionamos somente com coisas deste tipo.

Um dia desses, proferi uma palestra para uma equipe de alunos e professores em uma universidade. Uma das coisas mais difíceis que me deparei nesse dia foi a de tentar manter aquelas pessoas atentas às minhas argumentações sobre o tema em discussão. Após os trabalhos, no fim do dia fomos para um “happy hour” em uma casa noturna tomar umas cervejas e relaxar um pouco.

O bar estava lotado de professores e alunos da universidade. Todos caíram na farra dançando alegremente ao som do funk proibidão do momento. Todos estavam fascinados por aquela situação. Era um contraste incrível. Os sorrisos daquelas pessoas com seus olhos brilhando de felicidade. Olhei para todos que estavam ali e fiz uma auto análise me achando um chato.

– Minha palestra deve ter sido uma chatice – pensei.

Conclui que todos os colegas devem ter pensado justamente isso enquanto eu tentava aplacar minhas argumentações sobre o problema do ensino e da educação e seus efeitos sobre o mercado da tecnologia e o desenvolvimento no Brasil. Me lembrei de que muitos dos colegas bocejavam ou literalmente “pescavam” durante minha explanação.

Que contraste isso, vejam só, aquelas pessoas que ficaram duas horas, em uma atenção artificial dificílima, sofrendo, tentando prestar atenção em minhas ideias, contra aquelas pessoas com uma espontaneidade genuína e encantadora durante a festa na casa noturna. Eram literalmente outras pessoas.

A proposição civilizatória brasileira é essa. É a de produzir uma sociedade baseada em entidades quantitativas.  Muitos prazeres. Muitos deleites sensuais. Muita diversão. É por isso que aqui temos essa epidemia de diversão, sensualidade, do calor, praia, carnaval, e tudo que é correlato a esses prazeres efêmeros. Basta ver o vídeo que a pretensa  candidata ao posto de Ministra do Trabalho do atual governo postou no youtube em uma lancha, com quatro homens sem camisa “sarados e depilados”, falando sobre sua seriedade para ser a postulante ao cargo de ministra e de que não sabia que tinha processos trabalhistas nas costas.

O problema dessa proposta civilizatória hedonista é que ela é impossível de se estabelecer como uma grande civilização em si, pois para se criar uma civilização de fato é necessário ter ligados a ela entidades qualitativas e não quantitativas. Não se produz uma civilização de verdade baseada em quantidades.

Veja, a diferença entre o prazer e a dor é a intensidade. Para ir do prazer a dor é apenas uma questão de segundos. É como comer chocolate. Uma barrinha é uma delícia, duas, é bom, mas dez barrinhas, dever ser no  mínimo indigesto. Se você duvida disso, é só experimentar comer dez barras de chocolate brasileiro, mesmo o de boa qualidade, e verá o resultado imediatamente na sensação que isso provoca no seu estomago guerreiro. O prazer de comer chocolate está em comer pouco. Mesmo que você ame comer chocolate, você não irá aguentar comer muitos mais depois da quinta  ou sexta barra.

Aprendi isso quando fui prestar um serviço na fabrica de bombons da Nestlé. O chefe da produção falou:

– Aqui pode comer à vontade! Não há limites. – com um sorriso malicioso no canto da boca.

Eu, com os olhos maior que o estômago, logo na primeira hora de trabalho comi vários bombons, de todos os tamanhos e sabores, na segunda hora, meu ímpeto havia diminuído, eu já estava meio cansado, na terceira hora o cheiro do chocolate já me causava náuseas te tão enjoativo que se tornara. Sábio o chefe da produção. Um mestre em controle de perdas.

Muitos mestres da pedagogia dizem que a educação vai mal, pois as aulas não são prazerosas aos alunos. Com aulas mais prazerosas e divertidas os alunos aprenderiam mais e melhor. Quanto mais diversão, mais aprendizado. quanto mais diversão, melhor.

Você, inteligente que é, deve estar perguntado:

-Mas quem foi que criou esse pensamento hedonista na educação?

Bem, no Renascimento, um sujeito chamado Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius; em português, João Amós Comênio;) criou essa proposição. Ele é o padroeiro da educação moderna. Ele foi o inventor deste pensamento. Das aulas prazerosas. A concepção da educação neste sentido, que estão implantando faz mais de 500 anos, se mostrou um fracasso. Ele sugere uma aula agradável tanto para professores quanto para os estudantes. O problema é que, tudo que foi pensado na pedagogia desde o Comenius, foi o que catalizou a destruição do verdadeiro conceito de educação e colocou no lugar o que chamamos de ensino. Portanto, hoje, na prática, o que temos no sistema educacional é o ensino puro e simples.

No Brasil, tiramos as crianças de suas casas por cinco horas diárias durante oito anos. O país investe 20% do PIB com esse tipo de educação e após esse período, conseguimos formar uma horda de analfabetos funcionais andando por ai. Dos que chegam ao oitavo ano, nenhum deles sabe ler efetivamente ou, se leem, não conseguem entender verdadeiramente o que leu. Não sabem para que serve a matemática ou sequer percebem os fenômenos da física ou da química no seu dia a dia. Não sou eu quem afirma isso. Basta fazer uma rápida pesquisa no Google e vocês irão observar esse fenômeno incrível nas estatísticas oficiais do governo.

Percebam que, tudo o que tem a ver com prazer é um processo de quantidade. Prazer e dor são graduações quantitativas. A educação verdadeira não lida com quantidade. Ela lida com qualidade. Lida com as virtudes que são entidades qualitativas. Quando pensamos na quantidade, estamos apenas nos desviando da virtude. A virtude é o caminho do meio. Não que uma boa aula agradável não deva ser dada. Nem que a aula seja tão enfadonha que todos queriam fugir dela. Não é isso. O que digo é que não é esse o objetivo da escola. A escola não foi feita para divertir ninguém, nem para torturar ninguém.

A escola foi feita para ensinar determinadas qualidades. O abandono destas qualidades, que era meta dominante na idade média, com o uso das sete artes liberais (Trivium e Quadrivium) foram substituídas apenas por uma experiência agradável e acreditem, esse movimento destruiu completamente a possibilidade de oferecermos uma boa educação para os nossos filhos.

 

Texto baseado em uma palestra do Prof. J.M. Nasser

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Star Wars, O Último Jedi? Talvez sim!

star wars vanity fair (1)No dia 04 de Janeiro de 2016 fui ao cinema para ver o Star Wars – O Despertar da Força. Naquele dia sai do cinema feliz por ter experimentado novamente o mundo épico criado por George Lucas. Realmente havia sido uma experiência muito positiva que foi relatada por mim no texto Que a força esteja com vocês…

Infelizmente, não posso dizer o mesmo da sequência Star Wars – O Último Jedi que eu assisti ontem com minha família. O que eu posso dizer é que percebi, depois de ver o filme, é que estão acabando com a essência da história original. O que eu vi, foram pequenos detalhes que remetem apenas a questões culturais, políticas, de propaganda ideológica, e que são abordadas de formas bem sutis. Alguns destes acontecimentos, dentro da narrativa, foram claramente inseridos dentro do contexto do filme para tentar modificar o pensamento dos espectadores mais distraídos. Parece que os criadores do filme querem que a audiência se alinhe de forma forçada, mas imperceptível, com a cosmo visão deles.

O jogo de propaganda imposto no filme, parece querer provocar um controle do comportamento social. E isso foi feito de forma muito sutil. Não é fácil perceber esse jogo durante a narrativa. É um contorcionismo elaborado com a finalidade de pegar o incauto em sua pretensa inocência. Para perceber isso, é necessário estar bem atento ao que está de verdade acontecendo dentro do jogo político e cultural no mundo pós moderno. Tenho certeza que muitos fãs nem perceberam esse tipo de propaganda no filme. Confesso que eu percebi, pois já fui preparado ao cinema e isso me fez questionar a validade da continuidade desta franquia. Receio que se continuarem nesse caminho, podemos perder todo o espírito verdadeiro da história. Creio que a influência da Disney foi fundamental para que eles tomassem esse rumo.

O filme em si, não é de todo ruim. Tem um apelo visual interessante, a história até que está bem amarrada com todo o contexto do universo Star Wars e seus personagens e a trilha sonora, como sempre, é executada de forma impecável. Resumindo, é um filme  normal e que diverte, mas que não causou grande impacto em mim, que sou fã desta franquia desde sempre.

Na verdade, o primeiro ponto que gostaria de ressaltar sobre o que me incomodou, foram as críticas veladas ao capitalismo e a relativização sobre o que seria o bem e o mal. E também a insistente ideia de que é necessário formar novos revolucionários para lutarem pela “causa”.

Ora, a luta de uma aliança rebelde contra todo um império do mal nos faz crer que os membros da alianças são os revolucionários que lutam contra os opressores malvadões, mas agora esses rebeldes estão em desvantagem, pois os Jedi desapareceram. Precisam de novos rebeldes. Portanto, os novos revolucionários serão as crianças sujas e maltrapilhas que aparecem durante o filme. Crianças escravizadas por um sistema cruel de luxo, riqueza e poder.

Fica implícito no filme que esse sistema cruel de luxo, riqueza e poder só existe, pois ele conseguiu tudo isso através da exploração dos povos, da guerra e da destruição. Isso é uma clara referência ao “capitalismo opressor” que se alimenta da exploração e morte das pessoas de boa fé e que ao mesmo tempo alimenta o império do mal.

Neste sistema cruel, não só as crianças são escravizadas, mas também alguns animais, que são usados para um tipo corrida, como um turfe, onde as pessoas apostam seu dinheiro no animal mais veloz. As crianças e os animais ficam presos e escravizados sob o domínio do chicote de um feitor alienígina.

O filme passa a imagem de que a riqueza só existe em função da opressão e prisão de crianças, homens, mulheres e animais.

Uma personagem rebelde, quando empreende uma fuga espetacular deste lugar, antes de subir em uma nave, (que fora roubada por um hacker que os ajuda a se livrar das leis que ali impera), liberta esses animais, (mas eles se esquecem das crianças) e diz quando livra o animal de sua sela que estava amarrada no dorso: “Agora sim está tudo completo!” deixando claro que os revolucionários é que são os que irão libertar todos da opressão.

O hacker é um bandido que faz jogo duplo. Ele se revela um canalha vendedor de armas e relativiza o bem e o mal quando diz “Não existe o lado bom ou o lado mal, eu vendo armas para quem me pagar mais”. Ou seja, dentro desse jogo, de que forma o bem e o mal é interpretado, dependerá do ponto de vista de quem participa do jogo político. Querem nos fazer crer que não existe o certo e o errado nesse jogo de poder relativista e sujo que vivemos nesta pós modernidade. Ou seja podemos mudar a realidade, distorcê-la por uma causa ou uma ideologia e tudo vai depender de qual lado estamos.

Outra coisa, que chega a ser engraçada, é quanto ao total multiculturalismo imposto neste filme. Existem personagens de todas as culturas étnicas terrestres. Pretos, brancos, amarelos, vermelhos, caucasianos, indianos, etc, etc. Tudo pareceu cumprir uma meta de cotas raciais. Acho que foi por isso que poucos ETs tiveram oportunidade de aparecer mais nestas cenas. Sim, desde sempre, os Jedi sempre se relacionaram muito bem com os Ets e gente de todo o tipo, e isso parece que foi uma oportunidade de ouro para os produtores fazerem propaganda deste multiculturalismo. Colocaram em cada nave um representante de uma etnia diferente, colocaram inclusive um ET apenas para para não dar muito na cara, e que todos juntos combateriam o mal.

As feministas também não podem reclamar, pois as mulheres ocupam, no filme, muitas posições de liderança e destaque dentro da história e até encenaram lutas bem equilibradas contra homens muito fortes. Uma líder “stomp trooper” feminina, aparentemente loira e de olhos verdes, morreu de forma cruel ao ser atirada ao fogo, após ser politicamente incorreta com seu oponente de batalha afrodescendente. Uma outra líder feminina se sacrificou para salvar os rebeldes em fuga em um ato de extrema bravura. Outra morreu pilotando uma nave em combate. Outra líder feminina asiática, quase morreu para salvar seu amor, o mesmo que matou a stromp trooper queimada, e que queria realizar um último ato heroico.

O ápice desta propaganda ideológica, claro, fica para o final do filme. Ela é cheia de simbolismos. O anel dos rebeldes com seu simbolo vermelho característico é dado para as crianças que se tornarão os novos rebeldes. Uma das crianças, suja e maltrapilha e ainda escrava dos ricos e malvadões, olha para o anel, segura sua vassoura e olha para o céu avermelhado e onde os acordes graves da orquestra toca uma sequencia que lembra um hino à liberdade. A cena remete muito àqueles cartazes de propaganda da antiga URSS. Chega até ser engraçado.

Muitos fãs que estão lendo essa minha análise, podem não concordar comigo, eu até entendo e respeito, pois sei que, naturalmente, poucos conseguirão mesmo perceber esses detalhes que eu percebi, pois na dinâmica das cenas, tudo fica bem difuso dentro da narrativa.

Resumindo, o filme foi produzido até certo ponto para agradar fãs antigos como eu, mas foi fundo para agradar ainda mais o público do séc. XXI pós modernista, adeptos do politicamente correto. O filme pega os mais jovens que se sentem parte de uma mudança cultural, o rebelde , o novo revolucionário. E esse jovens poderão adotar essas ideias como regras para suas vidas e ficarão com elas em seu subconsciente por muitos anos.

A ideia de povos lutando contra os ditadores assustadores e sanguinários tipo Darth Vader, que escravizava todo mundo e mata quem atravessa seu caminho, está ficando para trás. Agora, a ideia é lutar contra novas causas relativistas. Os novos Jedi serão muito diferentes dos originais. Não lutarão mais pelos antigos valores como a honra e a crença no transcendente, não lutarão mais pela justiça,  pela paz e pela ordem das coisas.

Será uma luta parecida com o que temos visto hoje em nosso mundo, será uma conexão pura e simples com o que temos na nossa sociedade atual. Lutarão apenas por causas relativistas vazias, baseadas no politicamente correto, sem propósitos valorosos, lutarão para agradar ideologias políticas comprometidas apenas com um coletivo amorfo, sem face e sem alma.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação, cultura e auto conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em busca da fórmula do amor.

math_love5Nesta época do ano, atendo muitos alunos desesperados. A maioria deles me procuram para que eu os ajude a passar de ano. Me dizem que odeiam estudar, principalmente matemática e física. Eles choram, se angustiam, se enganam e nutrem um ódio profundo pelos números. Normalmente tento entender a causa deles sentirem esse desprezo profundo pelo campo das ciências exatas.

Meus alunos dizem que eles ficam confusos, que a matéria os entristecem. Os símbolos estranhos os afastam. Um dos meus alunos disse que nem sabe sequer como chamá-los.

    -Para mim, cada um deles é um palavrão professor! – disse um deles, sorrindo.

Na verdade, o desconhecimento deles é mais profundo. Eles não entendem que matemática está em um mundo secreto. Não entendem que a matemática é um universo oculto de beleza e alegância. E este mundo está, inexoravelmente, entrelaçado com o nosso. Esse mundo é invisível para todos nós. E que para dominar esse vasto território é necessário aprender a falar o Matematiquês.

Na verdade, a matemática está incrustada no nosso dia a dia. Todas as vezes que compramos algo pela internet, usamos o Whatsapp, ligamos o Waze, todas aquelas fórmulas matemáticas e os algoritmos que normalmente vemos no ensino médio, estão lá dentro, presentes, como um espirito que faz as coisas funcionarem. Por outro lado, quase todo mundo se apavora com a matemática e seus espíritos. Pensam que esse é um assunto apenas para os iniciados no mundo dos espíritos da ciência, para uma elite inteligente que conseguiu se entrincheirar nesse mundo estranho e oculto.

Consigo entender esse sentimento, afinal, eu mesmo sofri com isso e consegui levar bomba na sexta série por não saber decodificar essa linguagem, justamente por não ter estudado o suficiente seus segredos. Eu não tinha consciência do mundo oculto da matemática. Como a maioria das pessoas, achava que era um assunto chato, insipido. Para mim, a matemática era abstrata demais e sem sentido. Hoje percebo que o que aprendemos na escola é apenas um arranhão nessa ciência e cuja a maior parte dela foi estabelecida há mais de mil anos por homens corajosos e curiosos.

As leis da natureza estão escritas na linguagem matemática. Ela descreve a realidade e nos faz entender como o mundo funciona. Essa linguagem é universal e atemporal e que se tornou o padrão ouro da verdade.

Com ela eu aprendi que a vida é cheia de possibilidades, cheia de elegância e beleza, exatamente como a poesia, as artes plásticas e a música. Fiquei apaixonado. E depois que comecei a me relacionar intimamente com ela, minha visão do mundo nunca mais foi a mesma.

É notável a democracia inerente da matemática, as suas equações pertencem a todos nós. Ninguém detêm o monopólio sobre esse conhecimento. Não se pode patentear E=mc2. Ela é uma Verdade Eterna a respeito do universo. Rico, pobre, negro ou branco, jovem ou adulto, ninguém pode tirar essas fórmulas de nós. Nesse mundo, nada é mais profundo e elegante e, no entanto, tão disponível para todos. Basta querer ter uma relação mais íntima com ela e ela desvendará seus segredos, mas não tão facilmente.

A matemática oferece um fundamento lógico e uma capacidade adicional de nos amarmos e amarmos o mundo ao nosso redor. Uma fórmula matemática não explica o amor, mas pode transmitir uma carga de amor.

Eisntein disse: ” Todos que estão lidando de forma séria com a ciência se convenceram que algum Espirito se manifesta nas leis do universo, um Espirito muitíssimo superior a nós e que diante Dele devemos nos sentir humildes!” e Newton expressou assim: “Tenho a impressão que fui apenas um garoto brincando na praia, encontrando conchas, uma aqui outra ali, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo desconhecido diante de mim”

Meu sonho é despertar nos estudantes esse amor pelo saber e que um dia todos nós nos daremos conta dessa realidade escondida.  Dessa forma, talvez possamos ser capazes de deixar nossas diferenças e nos voltarmos para as profundas verdades que nos unem. Assim, seremos como crianças brincando na praia, maravilhados com a beleza deslumbrante e a harmonia que descobrimos, compartilhamos e apreciamos juntos.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

Vamos falar de terra plana?

terra planaAs teorias da conspiração sempre foram muito divertidas para mim, mas mesmo sendo auto explicativas, ultimamente estão se tornando muito cansativas. Vejam só: Recentemente vi um vídeo de um cientista dizendo que tudo que a humanidade havia aprendido ao logo de séculos, todas as verdades confirmadas por observações e experiências, tudo que foi exaustivamente provado, visto e analisado por gerações de astrônomos, físicos, químicos e matemáticos, não passa de uma imensa mentira. Fica claro aqui, que este cientista pensa que ele é o portador da verdade cristalina, da verdade verdadeira. Ele diz sem cerimônias:

– Eu sou o portador da verdade. E se você crer em mim, você também poderá pertencer a esse pequeno circulo de iluminados que não se misturam à “patuleia ignara”.

Assim, muitos incautos estão aderindo a essas idéias, por curiosidade ou mesmo por acreditar fielmente que está galgando um patamar superior de conhecimento.

Eu sou um dos que teimam em duvidar dessas novas teorias mirabolantes. Sou aquele que pensa que se você tem uma nova hipótese ou teoria, você deve ser dar os trabalho de provar de forma cientifica, válida e clara essas tais hipóteses ou teses. Eu sou o primeiro, como amante das ciências, a dar abertura que eles tenham a oportunidade de prová-las.

Recentemente tive uma interessante discussão com uma dessas pessoas que se auto denominam “terra planistas”. Pedi gentilmente que me provasse sua tese. Eu disse que tinha genuíno interesse em entender o que estava por trás dessa nova mania. Ele gentilmente me mostrou vídeos, palestras, cálculos matemáticos feitos por físicos, etc, etc.

Quando eu o questionei sobre as fontes primárias de tudo que estavam expondo, ele, com com uma fé inabalável, me informou que todos esses cientistas desta teoria estão afrontando forças muito poderosas que mandam no mundo. Ele me disse:

– Não temos como apresentar esses documentos, pois nossos inimigos nos vedaram o acesso à algumas provas incontestáveis.

Me parece o seguinte, quanto menos provas uma teoria da conspiração apresenta, mais forte ela aparenta ser. É como crer em Alienígenas do passado, nos seres reptilianos e que governos já assinaram um tratado intergaláctico de paz com esses seres de outros mundos. Esses exemplos e o da teoria da terra plana é pra deixar qualquer pessoa sensata se sentindo um peixe fora d´água. Vejam só, vinte séculos depois de Cristo, e me deparo com gente falando muito à sério que a terra não é um globo e que são capazes de provar, que a terra é, na verdade, um disco achatado. Fico esperando eles me dizerem que estamos sobre as costas de elefantes e que os mesmos estão apoiados sobre as costas de uma tartaruga gigante.

Bem, pedi a ele, não uma prova incontestável, apenas pedi que me apresentasse um fato qualquer, uma simples foto ou alguma prova científica para provar que a terra é plana. E ele com uma seriedade cientifica singular me diz que todas as fotos e filmes feitos do planeta são da NASA e ela manipula todas as informações à respeito. Ela faz parte dessa conspiração global para esconder o fato de que a terra é plana.

Eu, exercendo meu direito de ser curioso ao extremo, pedi a ele que me citasse apenas um cientista realmente sério que mostrasse que a terra realmente é plana. Algum artigo cientifico escrito por ele e publicado na Nature. Ele ajeitou os óculos e olhou fixamente em mim e respondeu:

– Não posso meu caro, todos esses cientistas fazem parte desta mega conspiração.

Citei a ele todos os grandes astrônomos, físicos e cientistas tais como Keppler, Copernico, Newton, Einstien, etc. Ele, ainda bem paciente me responde:

– Todos mentirosos, meu caro. Todos são uma farsa.

Então, pensei com meus botões um pouco e disparei a pergunta fundamental:

– Então, quem está falando a verdade? Todos os cientistas que geraram um conhecimento acumulado dos últimos 1000 anos, todas as agencias espaciais do mundo, inclusive aquelas que são inimigas politicas entre si, todas as demonstrações empíricas que qualquer pessoa é capaz de enxergar tais como eclipses, movimento da lua e do sol, estações do ano, etc etc ou os terra planistas da internet?

Ele parou, pensou, respirou fundo, já perdendo a paciência e me disse:

– Cara, eu não estou sozinho nessa, tem milhões de pessoas nesse momento compartilhando da mesma crença sobre a terra plana. Só no meu canal do Youtube tem meio milhão de inscritos. Eu sou chancelado pela Associação dos Terraplanistas dos EUA e fui convidado a palestrar em um dos seus seminários. Alguns artistas de Hollywood e músicos famosos já se associaram ao nosso movimento. Agora, nosso papo se encerra por aqui. Se você quiser se associar também, basta preencher o formulário no link que vou te passar. Saiba da verdade e não seja mais um alienado.

Já ia me despedindo dele, quando ele voltou dizendo:

– Olha meu amigo, preste atenção, fique esperto com a elite globalista. Eles são responsáveis por espalhar a mentira gigantesca que é a terra globo.

Nesse instante, me senti em um episódio do seriado Arquivo X. Foi só ai percebi o quão nefasto é o pensamento revolucionário, seja ele qual for. O que ele faz com as mentes das pessoas é algo diabólico.

Para mostrar a realidade de verdade, eu poderia aqui explicar em detalhes como funciona a geometria euclidiana e como a matemática nos habilita a perceber a geometria espacial em todas as suas encarnações e formas e em todas as suas dimensões. Poderia entrar na teoria dos espaços quadrimensionais, e de que forma podemos visualizar pontos de um espaço plano n-dimensional. Explicar as linhas planas e das diversas variedades curvadas em um plano tridimensional. Mas, vou poupar-lhes de verborragia matemática. Ficarei apenas no campo filosófico, campo esse que não sou lá também essas coisas.

O que está acontecendo é que muita gente, para provar a criação divina deste mundo, (fato que realmente eu acredito) está se baseando em ideias totalmente revolucionarias querendo confirmar a ideia de que o ser humano é especial aos olhos de Deus, (sim nos somos especiais para o nosso Criador) e que por isso ele criou esse aquário gigantesco para nos morarmos e vivermos como peixes. Isso provaria que não somos um ponto de poeira neste imenso universo.

Contrariamente, é o mesmo tipo de revolução maluca pregada pelo hedonismo, veganismo, feminismo, gayzismo, ecologismo barato, crenças em ETs de tudo quanto é tipo, etc. Eles criam tudo isso para provar que o ser humano não é um ser especial aos olhos de Deus e que o homem sim é um deus de si mesmo.

No fundo, todos nós precisamos preencher o vazio que a finitude nos trás. É esse vazio que, na verdade, precisa ser preenchido a todo custo, mas entendo que não deveria ser preenchido com teorias conspiratórias estapafúrdias. O vazio dos nossos corações precisa ser preenchido com o que realmente importa nessa vida que é com o amor de Deus. E é isso que temos de realmente verdadeiro nesta vida que são os ensinamentos que Jesus nos trouxe. O ensinamento de que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Se a terra é plana, ou se somos poeira cósmica, pouco importa. O que importa mesmo é o que realmente devemos fazer e aprender nesta nossa breve vida neste planeta. Devemos imitar o que Jesus fez quando caminhou entre nós para que, na nossa hora, possamos encarar essa Verdade de frente para fazer jus ao que recebemos de Deus, que é todo o Seu amor infinito para conosco.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Blade Runner, um filme de arte grandioso!

dimsFinalmente eu fui assistir ao filme Blade Runner 2049, e foi lá no escuro da sala de cinema onde eu percebi que realmente esse filme moldou o futuro, afinal é possível ver ao redor do mundo cidades incrivelmente densas e tão caóticas como a L.A de 2049, mas, durante a exibição desta noite, não foi fácil esquecer do seu passado. O que foi muito bom.

Eu fui ao cinema ver o primeiro Blade Runner em 1983 creio eu, não me lembro muito bem, mas sei que fui ver o filme em sua estreia. Ora, como não se esquecer do lema da Tyrell Corp que era: ” Mais humano de que o humano”. Essa foi a empresa, fundada pelo gênio da engenharia genética Dr. Eldon Tyrell que criou os replicantes. Esses seres incríveis, dotados de força e inteligencia ímpares. Como se esquecer da criatura, o replicante Roy Betty matando o seu criador, o Dr. Eldon Tyrell? Ver o Roy com lágrimas nos olhos e apertando o cérebro de seu criador até matá-lo? Como se esquecer da Reachel, a replicante elegante e de olhar misterioso que se replicou intensamente em meus sonhos juvenis.

Depois desse dia, em 1983, vi o filme tantas vezes, ouvi à exaustão sua magistral trilha sonora composta por Vangelis, a tal ponto de me perder em criativos devaneios pueris, em criar tantas aventuras surreais. Ver esse filme me fez ter sonhos platônicos com a glamourosa e atraente Reachel (Sean Young), isso lá nos anos 80. E agora, felizmente e depois de mais de 30 anos, estou eu, aqui, em uma sala de cinema do século XXI, tentando descobrir o que aconteceu com a bela Reachel e se Deckard é um replicante ou não. Blade Runner é um filme universalmente aceito como um clássico, uma fantasia futuro-noir de Ridley Scott. Confesso que, depois de tudo isso, eu estava apreensivo em o que eu iria realmente assistir nessa continuação do perfeito Blade Runner e que tinha tudo para dar errado.

Perdoe-me leitor, mas aqui é necessário uma pausa para uma breve explicação. O nome do filme se refere a um romance de um misterioso escritor e médico chamado Alan E. Nourse. Ele amava escrever sobre a profissão médica e sobre os mundos fantásticos do futuro. Depois de lançar vários livros com relativo sucesso, em 28 de outubro de 1974 a editora David McKay lançou um romance de Nourse que combinava as duas áreas de especialização do autor em uma única obra de arte: o Bladerunner.

Este romance narra as aventuras de um jovem conhecido como Billy Gimp e seu parceiro no crime, Doc, enquanto navegam em uma distopia de saúde. É o futuro próximo, e a eugenia tornou-se uma filosofia americana orientadora. Os cuidados de saúde universais foram promulgados, mas para eliminar o rebanho dos fracos, as “leis de controle de saúde” – impostas pelo escritório de um “Secretário de Controle de Saúde” draconiano – determinam que qualquer pessoa que queira atendimento médico deve primeiro ser esterilizada . Como resultado, surgiu um sistema de cuidados de saúde do mercado negro em que os fornecedores obtêm equipamentos médicos, e os médicos usam para curar ilegalmente aqueles que não querem ser esterilizados e há pessoas que transportam o equipamento para os médicos. Como esse equipamento geralmente inclui bisturis e outros instrumentos de incisão, os transportadores são conhecidos como “bladerunners”. E voilà, a origem de um termo que passou a mudar a ficção científica.

Agora que tudo está esclarecido, me lembro que a primeira edição de 1982 já me conquistou de imediato, mas na verdade, foi somente quando o Blade Runner foi reconfigurado através de um “1992’s Directors Cut” e, mais tarde, o “Final Cut de Scott”, que seu status de obra-prima foi assegurado e agora o filme está sentado ao lado de Metropolis de Fritz Lang e do 2001 de Kubrick no panteão dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos.

O que eu posso dizer é que nenhuma dessas tribulações vivdas pelo primeiro filme acontecerá com Blade Runner 2049, que para mim, trouxe sentimentos diversos entre aflição, dor, risos e satisfação. No entanto, me surpreendi ainda mais com a audaz direção de Denis Villeneuve, co-escrita pelo roteirista original Hampton Fancher, que é muito boa, e isso é espetacular, pois já é o suficiente para conquistar as novas gerações de espectadores, e é muito boa para tranquilizar os fãs de que suas memórias do filme original, não foram reduzidas a implantes sintéticos de algum desconhecido.

A ação se desenrola 30 anos depois que o “Blade Runner” , Rick Deckard (Harrison Ford), desistiu de perseguir androides e ao invés disso e se apaixonou por um deles, a incrível e bela Reachel. Neste meio tempo, houve um “apagão” de 10 dias de escuridão que destruíram os registros de produção de replicantes que eram armazenados digitalmente, criando um espaço em branco na memória da base de dados da humanidade. As naves flutuantes que fazem a propaganda da mudança de humanos para as colônias fora da terra ainda atravessam a chuva ácida, empurrando o atenção do espectador para os logotipos corporativos da Sony, Atari, Coca-Cola e Pan Am. Por isso, fica tão deliciosamente impossível não se esquecer do passado.

Através deste mundo distópico, o “K” de Ryan Gosling caminha nos passos de Deckard, rastreando androides rebeldes e  fazendo-os “se aposentar”.

“Como se sente?”, Pergunta um androide antes de morrer, provocando esse caçador implacável, dizendo que ele só pode fazer seu trabalho porque ele “nunca viu um milagre”, uma frase enigmática que vai assombrar K (frase que também me assombrou) enquanto ele tenta desvendar seu significado.

K mora em um apartamento pequeno com sua namorada virtual Joi (Ana de Armas), uma inteligência artificial holográfica lindíssima que parece existir apenas nos mundos virtuais que criamos na adolescência.

Em suas discussões pós-missão, K é submetido a uma forma de associação de palavras interrogativas que invade os testes Voight-Kampff, aqueles detetadores de replicantes anteriormente administrados por Deckard. Após anos atuando como um assassino imperturbável, o constante e impassível “K” está experimentando dúvidas sobre seu trabalho, suas memórias e sua natureza.

Aqui está o ponto crucial onde ele questiona algo moral: “Eu nunca aposentei algo que nasceu de verdade”, ele diz a tenente Joshi (Robin Wright), acreditando que “nascer é ter uma alma”. Joshi não se impressiona, insiste que,  seguindo esta linha de raciocínio, você pode se dar bem se não tiver uma alma.

Tais ansiedades existenciais estão no coração do filme de Villeneuve, que tem a confiança e a coragem para prosseguir em um ritmo editado de forma totalmente incompatível com os filmes de sucesso atuais. Espelhando e inovando os temas-chave do seu antecessor, o Blade Runner 2049 troca unicórnios por cavalos de madeira, mantendo a grandeza visual que disparou o filme de Scott. De vastas paisagens de telhados e refletores cinza, através das conchas enferrujadas de abrigos pós-industriais, ao brilho queimado de terras radioativas, a fotografia evoca um mundo que tem um crepúsculo que parece nunca acabar. As cores brilhantes são restritas às luzes artificiais de publicidade e entretenimento. Arquiteturalmente, os projetos de produção evocam o um futuro caótico e esteticamente reto com todas as suas linhas angulares e sombras expressionistas.

Em um certo momento, fica evidente as homenagens às estatuas do filme AI de Spielberg: Inteligência Artificial.

As vistas são surpreendentes, mas os verdadeiros triunfos do Blade Runner 2049 são lindamente discretos. Carla Juri injeta a magia real em uma cena romântica dos sonhos; Sylvia Hoeks como Luv, a moça que detona tudo para conseguir o que quer e que derrama suas lágrimas aterrorizantes rivaliza com Rutger Hauer (Roy Betty); e Ana de Armas traz calor tridimensional a um personagem que é essencialmente uma projeção digital.

Os compositores Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer ( um dos meus preferidos) dançam em torno de lembranças dos temas de Vangelis, criando uma paisagem sonora que geme e uiva e que, ocasionalmente, cresce em um êxtase medonho como o Réquiem de Ligeti.

Pode ser um “spoiler” aqui, portanto, se ainda não viu o filme, evite ler esse trecho. Na cena final, “K” realmente me fez ouvir a fala de Roy Betty (Hutger Hauer) , em seu épico discurso: Tears in Rain, mesmo sem ele dizer uma única palavra.

Então, vendo Blade Runner 2049, eu realmente fiquei impressionado com os seus efeitos visuais e surpreendido por suas citações sutis retratadas em roupas, efeitos sonoros, frases, tudo referindo-se ao filme original, só os mais atentos perceberão esses pequenos detalhes que transformaram esse filme, pelo menos para mim, em um filme de arte grandioso.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.