Os professores brasileiros são medíocres? E dos alunos, ninguém diz nada?

1111a-day-in-the-life-of-a-connected-teacherPor Maicon Tenfen

Por mais brilhante e preparado que seja um professor, ele não irá longe sem o apoio da coordenação da escola, o auxílio dos pais e a disciplina dos alunos.

No seu mais famoso sermão, o da Sexagésima, proferido na Capela Real de Lisboa em 1655, o Padre Antônio Vieira parte de uma criativa interpretação da Parábola do Semeador para constatar que a palavra de Deus não faz fruto entre os homens.

Por que isso acontece?, pergunta-se o padre.

Porque tem algo errado, óbvio.

Mas O QUE exatamente está errado?

A partir dessas questões, o pregador dá uma antológica aula de lógica comparativa:

— Para um homem ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. (…) O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

A resposta é a que se espera de um padre: Deus é perfeito, logo não pode faltar; os ouvintes são ignorantes, logo não adianta culpá-los; resta pôr a culpa no PREGADOR, que fracassa por enfeitar demais o discurso, por falar com voz inadequada, por não dar bom exemplo etc.

Daí em diante, na busca de soluções para que a Boa Palavra frutifique na terra, Vieira dá dicas de como proceder para realizar um bom sermão.

“E saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto”, conclui o jesuíta.

A esmagadora maioria das assessorias públicas de educação se limita à premissa que sustenta o Sermão da Sexagésima. Troquemos Deus por conteúdo, ouvinte por aluno e pregador por professor. Quem é o culpado pelo fracasso do sistema educacional brasileiro? O professor, lógico, por isso ele deve aprender a se comportar assim ou assado para apascentar as feras que estão na sala e milagrosamente promover o conhecimento.

Há alguns anos, quando um colega professor começou a dar aulas num colégio particular, alguém da turma perguntou em “marxismo vulgar” se ele agora se dedicaria a limpar as bundas dos filhos da burguesia.

— Claro que sim — respondeu o espirituoso colega. — Do mesmo modo que vocês vão limpar as bundas dos filhos do proletariado.

Apesar do tom jocoso, ele estava expressando um descontentamento presente entre os velhos e os novos membros do magistério. Já naquele tempo, todos sabiam que, independentemente de a escola ser pública ou privada, o paternalismo pedagógico e a “alunocracia” são gerais. “Limpar a bunda” é apenas uma expressão mais direta para aquilo que nas salas de professores se conhece por suportar a indisciplina enquanto a coordenação “passa a mão” na cabecinha dos baderneiros.

Quando um estudante não faz a tarefa ou bagunça uma aula inteira, existem mil e uma formas de explicar o que aconteceu: é muito pobre (ou é muito rico!), os pais não lhe dão atenção (ou é sufocado por uma mãe superprotetora), sofre do Transtorno X (ou do Transtorno Y), é uma vítima dos meios digitais (ou lhe falta acesso à internet) etc, etc. Em vez de encararem a realidade de que, na maioria dos casos, o aluno indisciplinado se aproveita das colheres de chá da chamada pedagogia moderna, os psicopedagogos criam nomenclaturas complexas para justificar a preguiça e o desrespeito.

E muitos pais caem no conto sem a menor necessidade. Alguns chegam a admitir a incapacidade dos próprios filhos e, em vez de exigir empenho, entregam tudo nas mãos… de Deus? Não, dos professores. Estes, por sua vez, a partir do momento em que percebem o tamanho da armadilha — serão responsabilizados pelo fracasso de toda uma geração! — passam a jogar conforme as regras não escritas do jogo. É quando surgem as provinhas moleza, as notas gratuitas, os infindáveis trabalhos de recuperação…

Ninguém precisa tirar diploma em Harvard para perceber que a lógica do Sermão da Sexagésima não cabe na educação brasileira, pelo menos não com a displicência das secretarias de educação. Por mais brilhante e preparado que seja um professor, ele não irá longe sem o apoio da coordenação da escola, o auxílio dos pais e a disciplina dos alunos.

Os alunos, a propósito, deveriam ser incentivados a estudar pra valer. Deveriam, no mínimo, aprender a limpar as próprias bundas.

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Uns a odeiam, mas muitos a amam, mas poucos a entendem. Sabe por que?

modernknowledgeA matemática não é uma mera invenção da mente humana. Não é mental e nem material. Os entes matemáticos possuem uma estabilidade. Ela não é nem um dado da natureza externa, pois não se verifica essa perfeição em fato nenhum da ordem externa, mas também não pode ser considerada uma mera invenção da mente humana.

Desta forma temos uma terceira ordem de entidades que não são nem mentais e nem naturais. São formas independentes de toda a realidade física existente, mas não são de forma alguma inexistentes. São reais e tem propriedades reais que podem ser descobertas pela mente humana. São entes ideais. São formas independentes de toda a realidade física existente. Jamais inventadas.

Quando pegamos uma figura geométrica, por exemplo, não somos nós que inventamos a figura, mas é ela que tem uma série de exigências internas. Ela tem uma substancialidade em si mesma. Então, podemos admitir a existência dessas entidades ideais em uma estrutura lógica perfeitamente coerente. Por exemplo, a estrutura da aritmética. Ela é inteiramente dedutiva. Aqui não existe um salto no escuro dentro desta estrutura lógica dedutiva. Quando falamos de objetos matemáticos, existe uma relação lógica entre o fundamento alegado, ou seja, a premissa e as suas conclusões. É uma relação lógica entre o fundamento, as premissas, e o fundamentado, ou seja as conclusões.

Quando se abandona a ideia dos entes matemáticos ou lógicos e partimos para o exame dos fatos da natureza, observa-se que não existe uma correspondência exata entre eles. Na ordem lógico matemática, era a relação do fundamento para o fundamentado, ou da premissa para a conclusão, agora tudo isso se transforma quando transposto para a ordem da natureza em uma simples relação temporal, que chamamos de causa e efeito. Percebe-se que, entre uma causa e um efeito observados na natureza existe um elo, mas não é um elo tão firme e tão inexorável quanto o apresentado pela fundamentação lógica. Podemos identificar, mais ou menos,  processos causais, mas como temos a introdução das variáveis tempo e espaço, aquelas relações lógico matemáticas não aparecem na natureza tão evidentes. E nem com a nitidez e nem com a inexorabilidade da relação lógico matemática quanto gostaríamos. Os eventos da natureza não são redutíveis à pura lógica matemática.

Aristóteles já dizia que o método matemático não serve para a física, pois não há correspondência exata entre a ordem matemática e a ordem dos fatos da natureza. Mais adiante na história, Galileu postulou que Deus escrevera o livro da natureza em caracteres matemáticos. Sabemos hoje que, de fato, não é bem assim. Aristóteles é que estava certo.

Nós temos uma estrutura lógico matemática da realidade, estrutura a qual, mesmo a ideia de probabilidade é seu componente, e depois é que temos a realidade manifesta a qual depende da anterior e que por sua vez não depende da primeira, ou seja, as leis da matemática e da lógica não dependem da existência deste universo tal qual ele está constituído. No entanto, ela é uma ordem perfeitamente real e existente.

Diante disso, todas as discussões sobre o cosmos são de um nível metafisico muito baixo, pois eles não levam em conta que a estrutura lógico matemática é pré existente que independe da existência do universo como tal. No entanto, ela é algo e não um nada.

O problema da origem do cosmos está vinculado e dependente de outro problema maior que é a origem da estrutura da realidade, não da realidade manifesta, mas da estrutura dela.

Exigir isso, essa concepção do universo, das pessoas que discutem o assunto sobre o cosmos na atualidade, os cosmólogos entre outros, é muito, pois esse pensamento está além do que eles próprios poderiam querer dar conta, afinal eles não creem em uma transcendência. Por isso, essas discussões caíram para um materialismo pueril. Por isso, a luta não é entre Ateísmo e Teísmo ou Ciência ou Religião e sim entre o Naturalismo versus o Teísmo.

 

Texto baseado em uma aula do prof. Olavo de Carvalho.

A escola não foi feita para divertir ninguém.

bagunça1O carnaval está chegando. Agora é hora de esquecermos nossos problemas e cair na folia. É uma explosão de prazeres e diversão. Muitos de nossa sociedade vive única e exclusivamente para desfrutar destes dias de alegria e felicidade. São sensações prazerosas que experimentamos e que são difíceis esquecer. Duram apenas cinco dias. “Pena que acaba”, dizem uns, que insistem em prolongar a festa até a quinta feira de “cinzas”

Quando vemos que somos um país que tenta construir uma civilização baseada nos prazeres das sensações, onde temos um projeto civilizatório baseado em carnaval, samba, pagode, funk, futebol, novelas, reality shows e suas comemorações, fica claro que nós brasileiros nos emocionamos somente com coisas deste tipo.

Um dia desses, proferi uma palestra para uma equipe de alunos e professores em uma universidade. Uma das coisas mais difíceis que me deparei nesse dia foi a de tentar manter aquelas pessoas atentas às minhas argumentações sobre o tema em discussão. Após os trabalhos, no fim do dia fomos para um “happy hour” em uma casa noturna tomar umas cervejas e relaxar um pouco.

O bar estava lotado de professores e alunos da universidade. Todos caíram na farra dançando alegremente ao som do funk proibidão do momento. Todos estavam fascinados por aquela situação. Era um contraste incrível. Os sorrisos daquelas pessoas com seus olhos brilhando de felicidade. Olhei para todos que estavam ali e fiz uma auto análise me achando um chato.

– Minha palestra deve ter sido uma chatice – pensei.

Conclui que todos os colegas devem ter pensado justamente isso enquanto eu tentava aplacar minhas argumentações sobre o problema do ensino e da educação e seus efeitos sobre o mercado da tecnologia e o desenvolvimento no Brasil. Me lembrei de que muitos dos colegas bocejavam ou literalmente “pescavam” durante minha explanação.

Que contraste isso, vejam só, aquelas pessoas que ficaram duas horas, em uma atenção artificial dificílima, sofrendo, tentando prestar atenção em minhas ideias, contra aquelas pessoas com uma espontaneidade genuína e encantadora durante a festa na casa noturna. Eram literalmente outras pessoas.

A proposição civilizatória brasileira é essa. É a de produzir uma sociedade baseada em entidades quantitativas.  Muitos prazeres. Muitos deleites sensuais. Muita diversão. É por isso que aqui temos essa epidemia de diversão, sensualidade, do calor, praia, carnaval, e tudo que é correlato a esses prazeres efêmeros. Basta ver o vídeo que a pretensa  candidata ao posto de Ministra do Trabalho do atual governo postou no youtube em uma lancha, com quatro homens sem camisa “sarados e depilados”, falando sobre sua seriedade para ser a postulante ao cargo de ministra e de que não sabia que tinha processos trabalhistas nas costas.

O problema dessa proposta civilizatória hedonista é que ela é impossível de se estabelecer como uma grande civilização em si, pois para se criar uma civilização de fato é necessário ter ligados a ela entidades qualitativas e não quantitativas. Não se produz uma civilização de verdade baseada em quantidades.

Veja, a diferença entre o prazer e a dor é a intensidade. Para ir do prazer a dor é apenas uma questão de segundos. É como comer chocolate. Uma barrinha é uma delícia, duas, é bom, mas dez barrinhas, dever ser no  mínimo indigesto. Se você duvida disso, é só experimentar comer dez barras de chocolate brasileiro, mesmo o de boa qualidade, e verá o resultado imediatamente na sensação que isso provoca no seu estomago guerreiro. O prazer de comer chocolate está em comer pouco. Mesmo que você ame comer chocolate, você não irá aguentar comer muitos mais depois da quinta  ou sexta barra.

Aprendi isso quando fui prestar um serviço na fabrica de bombons da Nestlé. O chefe da produção falou:

– Aqui pode comer à vontade! Não há limites. – com um sorriso malicioso no canto da boca.

Eu, com os olhos maior que o estômago, logo na primeira hora de trabalho comi vários bombons, de todos os tamanhos e sabores, na segunda hora, meu ímpeto havia diminuído, eu já estava meio cansado, na terceira hora o cheiro do chocolate já me causava náuseas te tão enjoativo que se tornara. Sábio o chefe da produção. Um mestre em controle de perdas.

Muitos mestres da pedagogia dizem que a educação vai mal, pois as aulas não são prazerosas aos alunos. Com aulas mais prazerosas e divertidas os alunos aprenderiam mais e melhor. Quanto mais diversão, mais aprendizado. quanto mais diversão, melhor.

Você, inteligente que é, deve estar perguntado:

-Mas quem foi que criou esse pensamento hedonista na educação?

Bem, no Renascimento, um sujeito chamado Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius; em português, João Amós Comênio;) criou essa proposição. Ele é o padroeiro da educação moderna. Ele foi o inventor deste pensamento. Das aulas prazerosas. A concepção da educação neste sentido, que estão implantando faz mais de 500 anos, se mostrou um fracasso. Ele sugere uma aula agradável tanto para professores quanto para os estudantes. O problema é que, tudo que foi pensado na pedagogia desde o Comenius, foi o que catalizou a destruição do verdadeiro conceito de educação e colocou no lugar o que chamamos de ensino. Portanto, hoje, na prática, o que temos no sistema educacional é o ensino puro e simples.

No Brasil, tiramos as crianças de suas casas por cinco horas diárias durante oito anos. O país investe 20% do PIB com esse tipo de educação e após esse período, conseguimos formar uma horda de analfabetos funcionais andando por ai. Dos que chegam ao oitavo ano, nenhum deles sabe ler efetivamente ou, se leem, não conseguem entender verdadeiramente o que leu. Não sabem para que serve a matemática ou sequer percebem os fenômenos da física ou da química no seu dia a dia. Não sou eu quem afirma isso. Basta fazer uma rápida pesquisa no Google e vocês irão observar esse fenômeno incrível nas estatísticas oficiais do governo.

Percebam que, tudo o que tem a ver com prazer é um processo de quantidade. Prazer e dor são graduações quantitativas. A educação verdadeira não lida com quantidade. Ela lida com qualidade. Lida com as virtudes que são entidades qualitativas. Quando pensamos na quantidade, estamos apenas nos desviando da virtude. A virtude é o caminho do meio. Não que uma boa aula agradável não deva ser dada. Nem que a aula seja tão enfadonha que todos queriam fugir dela. Não é isso. O que digo é que não é esse o objetivo da escola. A escola não foi feita para divertir ninguém, nem para torturar ninguém.

A escola foi feita para ensinar determinadas qualidades. O abandono destas qualidades, que era meta dominante na idade média, com o uso das sete artes liberais (Trivium e Quadrivium) foram substituídas apenas por uma experiência agradável e acreditem, esse movimento destruiu completamente a possibilidade de oferecermos uma boa educação para os nossos filhos.

 

Texto baseado em uma palestra do Prof. J.M. Nasser

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

E se todos tivessem uma educação clássica?

1classicaHoje é domingo e domingo pede um cachimbo, então, como não fumo, peguei meu café e, entre um gole e outro, comecei a pensar sobre o motivo dessa profunda crise que nos afeta. Como diretor de uma pequena escola de apoio escolar, comecei a pensar sobre os porquês de estarmos profundamente afetados por uma educação tacanha e que levou nosso país à beira de um colapso econômico e social. Pensei nos motivos que nos deixaram à mercê de uma cultura que destrói a cada dia as coisas admiráveis que foram construídas por séculos e transformam nosso país em um amontoado de gente sem rumo. Então, idealizei uma nova escola para nossos estudantes fazendo a mim mesmo a seguinte pergunta:

– E se todos tivessem uma Educação Clássica?

É uma boa pergunta, não é? E como uma boa pergunta merece sempre uma boa resposta, comecei idealizando como essa escola deveria ser para responder a essa intrigante pergunta. Pensei em grandes nomes de nossa civilização:

Galileu Galilei, Willian Shakespeare, Charles Darwin, Martin Luther King, Albert Einstein, Thomas Jefferson, entre outros. O que esses grandes nomes teriam em comum?  Certamente uma educação clássica.

Tenho certeza absoluta que muitos dos leitores não tem a menor ideia do que esse tipo de educação possa significar. Esclareço que esse foi o método onde muitos dos grandes e mais influentes nomes da história, inclusive os que citei aqui, foram educados.

Eu descobri a educação clássica por influência de um renomado professor, já falecido, chamado José Monir Nasser, que me apresentou postumamente, um livro chamado O Trivium (Gramática, Lógica e Retórica) e O Quadrivium (Álgebra, Arquitetura, Música e Cosmologia)  escrito pela irmã Miriam Josef e um outro livro chamado “A arte de ler” do autor Mortimer Adler. Quanto mais eu lia esses grandes livros, mais eu me convencia que essa deveria ser a educação ideal para as crianças de todo o país.

É um conceito de sucesso histórico comprovado e muitos educadores pelo mundo afora estão redescobrindo esse método como uma das mais efetivas maneiras de se ensinar as crianças.

Como sou pai de duas crianças de 5 e 9 anos, eu e minha esposa nos preocupamos com o tipo de educação que eles recebem fora de casa. Eles estudam em uma escola particular com boa reputação como bolsistas. Mas mesmo essas boas escolas estão sob o rígido controle pedagógico do MEC em matérias como: Matemática, ciências, história, língua portuguesa, geografia, filosofia e ensino religioso.

“Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nós perdemos praticamente nossa humanidade, nossa alma?”

É fácil perceber como os alunos das escolas particulares e estaduais não estão sendo academicamente desafiados e não aprendem os valores que nós consideramos os mais importantes para eles aprenderem. É muito frustrante isso, mas essa frustração faz todo o sentido. Basta você ver os resultados dos testes destes mesmos alunos, comparados com de outros países e você verá que ocupamos as últimas posições no desempenho em Matemática, Ciência e Leitura.

Esses resultados são terríveis! Isso mostra que o ensino da forma como é hoje no Brasil é praticamente irrecuperável.

O país se depara hoje em dia com as dificuldades em contratar profissionais, melhorar o desempenho empresarial e governamental. Além disso, estamos perdendo jovens com grande potencial de sucesso para a violência e as drogas. Então eu me pergunto: Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nos levou a perder praticamente nossa humanidade, nossa alma?

A escola que sonho em fundar, é aquela que ofereceria o tipo de educação clássica e que encontraria os pais desejosos desse tipo de ensino: O ensino de uma Escola Clássica. Muitos devem, agora estar se perguntando: “Mas que raios é uma Escola Clássica?”

“Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.”

Aprendi no livro “O Trivium”  que a educação clássica começa com 3 matérias ou três estágios de aprendizado: Gramática, Lógica e Retórica.  Na gramática o aluno aprende sua língua mãe, como uma ferramenta para entender as outras matérias que virão. Na lógica, ele aplica todos os assuntos aprendidos e, mais tarde, se foca na retórica onde ele aprende a se comunicar adequadamente. Todos esses estágios se integram perfeitamente com a progressão natural do desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Nesta escola, os alunos aprenderiam a pensar de forma estruturada, pois crianças aprendem qualquer coisa com muita facilidade. Vejo isso em casa, com meus filhos, que conversam comigo sobre assuntos da literatura e das ciências com muita desenvoltura. Eles nunca se cansam de falar sobre planetas, velocidade da luz, ondas gravitacionais, estrelas de outras galáxias, histórias de reis e conquistadores, a vida de Jesus, histórias clássicas e fábulas.

Um outro aspecto da Educação Clássica, nesta hipotética escola, seria o uso de escritores clássicos logo no início do estágio gramatical. Os clássicos resistiram a ação do tempo. Possuem toda a sabedoria de gerações e são repletos de tanta riqueza de conteúdo que encanta as crianças que adoram lê-los.

Me deparo diariamente com alunos do ensino médio com uma caligrafia horrível e uma péssima compreensão do que leem, não só pela letra ruim que eles não entendem, mas por não saberem ler efetivamente. Na fase Gramatical, nesta escola, ensinaríamos a arte da boa caligrafia, por ela trazer benefícios cognitivos já conhecidos. O ensino do Latim seria parte do currículo. O Latim é a base de TODAS as línguas românicas, base da nossa própria língua. Os alunos que sabem Latim, tendem a apresentar um desempenho muito melhor em provas padrão, e ainda por cima, aprendem outros idiomas modernos com muito mais facilidade.

História é outra parte importante da nossa escola dos sonhos. Ensinaríamos desde a História Antiga até a Moderna sequencialmente, várias e várias vezes durante os 12 anos de estudos dos alunos. Priorizaríamos os estudos dos documentos originais, ao invés de cartilhas e apostilas, assim, os alunos estariam na verdade, lendo o que as próprias pessoas tiveram que pensar e dizer quando da ocasião dos fatos.

E sobre a fase Lógica?

Nessa fase os alunos estão curiosos e vivem perguntando o “porquê” ou “como” disso ou daquilo. Eles estão se tornando argumentativos. O objetivo da fase lógica seria: Dar ao estudante uma compreensão profunda das matérias estudadas até aqui. Daríamos aulas de Lógica Formal, onde elas aprenderiam a arte da argumentação, aprenderiam argumentos formais e bem fundamentados reconhecendo falácias lógicas tão comuns nos dias atuais. Neste mesmo período, ensinaríamos aos alunos o processo de como escrever de verdade, tudo isso até o final do ensino médio.

Na fase Retórica, os alunos já estariam mais independentes. Com o que aprenderam eles já formariam suas próprias opiniões e começariam a se “separar” da família. Agora eles teriam as ferramentas dos assuntos e opinião própria, mas o mais importante eles entenderiam profundamente esses assuntos. Eles analisariam e sintetizariam as informações, formariam suas próprias opiniões embasadas em fundamentos sólidos, e seriam capazes de comunicar essas opiniões de forma efetiva e persuasiva.

Esse seria o grande tesouro que a nossa Escola Clássica daria aos estudantes. A capacidade de discutir profundamente o que foi estudado, onde eles poderiam aplicar a análise e a síntese imediatamente na vida real. Desenvolveriam argumentos baseados na razão, e depois disso, receberiam um treinamento formal em retórica onde aprenderiam a arte de escrever e falar de forma articulada e persuasiva. Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.

E os valores?

A Escola Clássica abordaria tanto a mente quanto a alma, a integridade do ser (Corpo, Coração, Mente e Espírito). Nutriríamos a alma com os valores e crenças Judaico-Cristãs. Jamais exigiríamos que nossos alunos fossem Cristãos. Os faríamos apenas entender a perspectiva Cristã e seus valores fundamentais. Exporíamos outras tradições de fé e assim eles seriam capazes de compreender outros pontos de vista do mundo.

Para muitos leitores, isso pode parecer fora da realidade atual. Mas sonhos foram feitos para serem sonhados. Estou convencido que se todas as pessoas da minha geração e da geração seguinte a minha tivessem estudado na Escola Clássica, viveríamos hoje em um país muito diferente e menos vulnerável aos mentirosos profissionais de plantão.

Os alunos , expostos a esse método, estariam aptos a frequentar cursos superiores em qualquer país do mundo e teríamos muito mais empreendedores e profissionais qualificados para desenvolver o país que queremos.

Na escola clássica, como dito anteriormente, nossos alunos aprenderiam como se tornar pensadores profundos e a falar de forma persuasiva e articulada, aprenderiam a raciocinar de forma lógica e a escrever bem. Aprenderiam a aprender.

Isso faria com que eles desenvolvessem o respeito pelos outros e por si mesmos, inclusive por aqueles que tem valores e crenças diferentes, mas sem tolerar a destruição das coisas admiráveis que nossa civilização conquistou. Internalizariam seus valores e teriam, com isso, uma orientação correta para tirar conclusões morais. Se tornariam responsáveis, confiáveis e aprenderiam a dar atenção ao mundo à sua volta. Eles desenvolveriam a força de caráter para agir com compaixão.

Agora , vamos voltar à pergunta inicial:

Como o mundo seria se todos de nossa cultura tivessem uma educação clássica?

Imaginem como seria se todos estudassem na Escola Clássica?

Pense nessas pessoas atuando nos gabinetes em Brasilia, no Senado Federal, nos governos estaduais, prefeituras, nas empresas, liderando grandes projetos, nos meios de comunicação de todo o país, nos sistemas de ensino, na nossa vizinhança.

Como seria a nossa sociedade? Faça uma reflexão.

Cidadãos que saberiam sua história verdadeira, de forma tão profunda que isso evitaria os erros do passado. Cidadãos que tomariam suas decisões baseados na razão e não apenas na emoção, e que reconheceriam as mentiras de modo que não poderiam ser enganados ou manipulados. Cidadãos capazes de expressar seus pensamentos e ideias de forma articulada e convincente através de debates respeitosos, ao invés apenas de denegrir aquele de quem discordamos. Isso seria uma mudança prazerosa no cenário das diferentes áreas da interação social

Qual o tipo de educação vocês querem que nossos futuros líderes tenham? E seus próprios filhos, a educação escolar que eles recebem hoje, está adequada para a construção do país que queremos?

Pense nisso!

Eu sei que a Educação Clássica funciona… ou vocês acham que a educação atual, que temos nas escolas nos dias de hoje, é apenas um mero acaso?

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Em busca da fórmula do amor.

math_love5Nesta época do ano, atendo muitos alunos desesperados. A maioria deles me procuram para que eu os ajude a passar de ano. Me dizem que odeiam estudar, principalmente matemática e física. Eles choram, se angustiam, se enganam e nutrem um ódio profundo pelos números. Normalmente tento entender a causa deles sentirem esse desprezo profundo pelo campo das ciências exatas.

Meus alunos dizem que eles ficam confusos, que a matéria os entristecem. Os símbolos estranhos os afastam. Um dos meus alunos disse que nem sabe sequer como chamá-los.

    -Para mim, cada um deles é um palavrão professor! – disse um deles, sorrindo.

Na verdade, o desconhecimento deles é mais profundo. Eles não entendem que matemática está em um mundo secreto. Não entendem que a matemática é um universo oculto de beleza e alegância. E este mundo está, inexoravelmente, entrelaçado com o nosso. Esse mundo é invisível para todos nós. E que para dominar esse vasto território é necessário aprender a falar o Matematiquês.

Na verdade, a matemática está incrustada no nosso dia a dia. Todas as vezes que compramos algo pela internet, usamos o Whatsapp, ligamos o Waze, todas aquelas fórmulas matemáticas e os algoritmos que normalmente vemos no ensino médio, estão lá dentro, presentes, como um espirito que faz as coisas funcionarem. Por outro lado, quase todo mundo se apavora com a matemática e seus espíritos. Pensam que esse é um assunto apenas para os iniciados no mundo dos espíritos da ciência, para uma elite inteligente que conseguiu se entrincheirar nesse mundo estranho e oculto.

Consigo entender esse sentimento, afinal, eu mesmo sofri com isso e consegui levar bomba na sexta série por não saber decodificar essa linguagem, justamente por não ter estudado o suficiente seus segredos. Eu não tinha consciência do mundo oculto da matemática. Como a maioria das pessoas, achava que era um assunto chato, insipido. Para mim, a matemática era abstrata demais e sem sentido. Hoje percebo que o que aprendemos na escola é apenas um arranhão nessa ciência e cuja a maior parte dela foi estabelecida há mais de mil anos por homens corajosos e curiosos.

As leis da natureza estão escritas na linguagem matemática. Ela descreve a realidade e nos faz entender como o mundo funciona. Essa linguagem é universal e atemporal e que se tornou o padrão ouro da verdade.

Com ela eu aprendi que a vida é cheia de possibilidades, cheia de elegância e beleza, exatamente como a poesia, as artes plásticas e a música. Fiquei apaixonado. E depois que comecei a me relacionar intimamente com ela, minha visão do mundo nunca mais foi a mesma.

É notável a democracia inerente da matemática, as suas equações pertencem a todos nós. Ninguém detêm o monopólio sobre esse conhecimento. Não se pode patentear E=mc2. Ela é uma Verdade Eterna a respeito do universo. Rico, pobre, negro ou branco, jovem ou adulto, ninguém pode tirar essas fórmulas de nós. Nesse mundo, nada é mais profundo e elegante e, no entanto, tão disponível para todos. Basta querer ter uma relação mais íntima com ela e ela desvendará seus segredos, mas não tão facilmente.

A matemática oferece um fundamento lógico e uma capacidade adicional de nos amarmos e amarmos o mundo ao nosso redor. Uma fórmula matemática não explica o amor, mas pode transmitir uma carga de amor.

Eisntein disse: ” Todos que estão lidando de forma séria com a ciência se convenceram que algum Espirito se manifesta nas leis do universo, um Espirito muitíssimo superior a nós e que diante Dele devemos nos sentir humildes!” e Newton expressou assim: “Tenho a impressão que fui apenas um garoto brincando na praia, encontrando conchas, uma aqui outra ali, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo desconhecido diante de mim”

Meu sonho é despertar nos estudantes esse amor pelo saber e que um dia todos nós nos daremos conta dessa realidade escondida.  Dessa forma, talvez possamos ser capazes de deixar nossas diferenças e nos voltarmos para as profundas verdades que nos unem. Assim, seremos como crianças brincando na praia, maravilhados com a beleza deslumbrante e a harmonia que descobrimos, compartilhamos e apreciamos juntos.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

O ensino no país precisa evoluir já.

Schoolchildren bored in a classroom, during lesson.Muitos gritam aos quatro ventos que a educação do Brasil é um fracasso. O que eu realmente concordo. Só não gosto do termo “educação” para definir o que acontece nas escolas e nas universidades espalhadas pelo país. Por educação, entendo como um termo que é ensinado em família ou na pequena comunidade social onde um indivíduo vive. Isso não tem simplesmente nenhuma ligação com o elemento ir para a escola todos os dias para aprender matérias das ciências, das letras e das artes. Hoje, na verdade, temos em muitas das escolas apenas alunos mal educados vindo para a um ambiente onde eles encontram seus pares para passar o tempo, receber algum tipo de doutrinação ideológica, sem falar nas coisas piores que de fato acontecem dentro das escolas: Drogas, sexo, brigas, etc. Não respeitam nada e nem a ninguém.

Então, aqui temos um grande problema. Estudantes deveriam estudar apenas. Deveriam aprender alguma coisa, ou pelo menos, deveriam querer aprender algo. Mas na verdade, não se interessam em saber mais, eles não tem interesse em muita coisa, nem sabem ao certo quais são as suas próprias vontades e qual seria o seu caminho acadêmico, ou mesmo se querem seguir esse caminho verdadeiramente.

Vendo o comportamento de estudantes em todo o país que batem em professores, jogam latas de lixo sobre eles, socam a cara deles, tem um desempenho escolar abaixo do nível mínimo para ser aprovado, mas mesmo assim são aprovados, percebo que nunca recebem um não, pois para alguns “educadores” dizer um não a eles, pode deixa-los “traumatizados” pelo resto da vida. Sabemos que isso só ajuda a criar monstros totalmente burros e sem educação, vemos que é um comportamento adquirido pela falta completa de referências educacionais e de ensino.

Para mim, a educação forma pessoas auto conscientes, já o ensino, forma profissionais, artistas e pensadores, todos competentes e cientes da realidade que os cerca.

Até um certo momento de nossa civilização, as famílias ensinavam para seus filhos o que era absolutamente necessário para sua sobrevivência. Por muitos séculos, isso foi uma necessidade fundamental para a sobrevivência humana. Os conhecimentos adquiridos eram passados de geração em geração, de pai para filho. Esses conhecimentos eram a base de tudo, tais como: como se preparar para o rigoroso inverno, quando plantar e quando colher, quais frutas podiam ser comidas, como se defender de amimais selvagens, como preparar a caça para uma refeição, como fazer fogo e etc.

A partir do advento do arado, tudo começou a mudar. O homem descobriu que poderia melhorar e muito sua produtividade otimizando a produção de alimentos com determinadas ferramentas. Isso abriu as portas da criatividade humana, que trouxe em seu bojo a industrialização. Então, na revolução industrial, o trabalho evoluiu. Muitos processos foram automatizados e isso gerou mais oportunidades de emprego. Vale ressaltar aqui que as condições das famílias eram bastante difíceis naquele tempo pré revolução industrial. As famílias eram afligidas por doenças, fome e tinham poucos recursos. A industrialização trouxe novas possibilidades de se ganhar algum dinheiro trabalhando nas áreas urbanas, que era a única opção viável. Assim, muitos se dirigiram rapidamente para os locais onde haviam essas fábricas e famílias inteiras, inclusive suas crianças, começaram a trabalhar para não morrer de fome nos campos. Isso foi um avanço. Naturalmente que neste processo os salários foram gradualmente aumentando com o tempo. Assim, desta forma, as crianças que trabalhavam começaram a não mais ter a necessidade de sair para trabalhar, pois as rendas de suas famílias começaram a ser suficiente para mantê-las em casa. A sorte é que elas aprenderam a usar o que foi aprendido no trabalho e suas ferramentas.

Então, depois de séculos na agricultura de subsistência, seus pais começaram finalmente a enriquecer. Essa riqueza adicional, trouxe a possibilidade de deixar os filhos em casa com tempo livre para apenas aprender coisas novas e desenvolver suas habilidades. Para isso, foi necessário a criação de locais onde elas aprendessem as artes liberais e os ofícios. As escolas. Aqui, podemos observar a naturalidade com que se foi estabelecendo a ordem espontânea que direciona o pai ao trabalho, a mãe à educação, proteção e manutenção do lar e orientação os filhos ao aprendizado.

Então, aquelas pessoas que tinham uma maior facilidade de transmitir o que deveria ser ensinado se tornaram os professores. Agora cabe aqui uma explicação sobre a etimologia da palavra “professor”: Ela vem de professar, declarar.

Podemos observar então que, ao longo do tempo, o ensino escolar básico sempre esteve relacionado, de forma direta, com o trabalho. Quando as atividades estavam baseadas apenas no campo, a educação e o ensino eram voltados para atividades camponesas. A partir do momento em que o homem se torna mais urbano, a escola também fica mais urbana, então o acesso ao conhecimento aumenta de forma significativa.

Com o avanço da tecnologia, o acesso ao conhecimento foi se tornando cada vez mais necessário. Novos produtos e serviços foram sendo criados. Então, décadas adiante, surge a ferramenta chamada Internet. Essa ferramenta mágica que nos dá a nítida sensação de que todo o conhecimento do mundo está na palma de nossas mãos, na frente de nossos olhos. É simples, pois agora temos o Google. Agora podemos encontrar todas respostas para inúmeras questões. Basta perguntar literalmente. Sem sombra de dúvida, ter amplo acesso à informação nos traz muitos benefícios. Mas fica uma pergunta no ar: Como podemos, como pais,  saber quem está ensinando nossos filhos a separar o que é boa informação daquilo que não é? A internet é cheia de armadilhas, assim como nas escolas.

Sabemos que nas escolas de todo o país existem mais doutrinadores ideológicos que professores de fato.

Na minha atual atividade como professor de estudantes que querem melhorar seu desempenho escolar e, por força da minha formação, com um profundo conhecimento em tecnologias de ponta, percebo atitudes dentro do processo de ensino que não estão de acordo com a nossa época e estão muito longe disso. Com exceção de uma ou outra iniciativa tecnológica como a substituição do velho mimeógrafo (que exalava aquele agradável cheiro de álcool) pela impressora a jato de tinta para imprimir provas e trabalhos; ou a substituição da lousa pelo projetor inteligente sensível ao toque, não temos uma absurda mudança ou uma interrupção do curso normal deste processo na hora de ensinar as crianças. Posso ver claramente aqui que existe uma problematização vinda diretamente das cabeças pensantes, justamente os doutrinadores ideológicos, influenciadas pelo “guru” e “deus” da educação sócio-construtivista no país chamado Paulo Freire. Na minha opinião, um dos responsáveis pelo Brasil ter sido o único país do mundo a ter o Coeficiente de Inteligência mais baixo  das últimas décadas.

Tenho aqui uma proposta que creio ser razoável para realizar uma disruptura neste cenário: Além, claro, de buscar a integração do corpo, coração, mente e espírito dos alunos, que vai ajudar no seu auto conhecimento e nas suas ações e vontades, ora fica claro que se já utilizamos a internet como fonte de conhecimento dia após dia e o ensino está intimamente ligado a ela, precisamos evoluir para o estágio em que ensinamos os estudantes a aprender com ela.

Os jovens já se interessam mais pela internet e suas tecnologias do que pela sala de aula. Faça uma pesquisa: Pergunte a dez professores qual o maior inimigo deles hoje em dia e praticamente todos vão te responder que o principal inimigo deles hoje é o Smartphone.

Tive uma aluna que conseguia ficar em frente ao Smartphone por horas durante as madrugadas assistindo seriados americanos e enlatados na Netflix ou vendo “youtubers” imbecis se lambuzarem com Nutella ou jogarem trecos de cima de prédios, ou darem dicas de como fazer suas necessidades fisiológicas na casa de amigos, mas não ficava nem dez minutos atenta ao que eu dizia a ela em nossas aulas de álgebra, por mais que eu me esforçasse em deixar a aula mais dinâmica e interessante.

Proponho então, que se use todo esse potencial dos jovens e esse arsenal tecnológico à favor do ensino. Dou aqui algumas dicas: Bem, sugerir o uso de drones, robôs e computadores é o mais óbvio e relativamente barato. Mas, que tal colocar esses estudantes para pensar nos problemas da vida real? Que tal dar a eles responsabilidades e cobrar também um comportamento responsável? Fazê-los gerenciar projetos reais para a vida real usando as ferramentas que eles já sabem usar tão bem? Fazê-los criar seus próprios seriados no youtube?

Hoje em dia, qualquer pessoa tem um celular. Qualquer estudante sabe usar um editor de vídeo. Por que não, pedir a eles para gerenciar a compra e venda de seus próprios bens e serviços. Mostrar a eles como planejar investimentos financeiros ou a compra de um imóvel. Pedir a eles que se arrisquem mais e criem empresas virtuais de tecnologia. Pedir a eles que usem o que sabem para criar seu próprio conteúdo?

Tenho certeza que rapidamente irão usar o que aprenderam na teoria ou então perceberão a necessidade de aprender certos assuntos para progredirem nos seus projetos. Os professores serão seus mestres, mentores e orientadores.

Mas vejo que muitos colegas professores também tem muitas dificuldades em lidar com tudo isso.  Ainda estão presos em suas próprias limitações e presos nas limitações impostas pelo MEC e sua padronização educacional alinhada com a ONU que não entende as peculiaridades regionais que existe no país, quem dirá de cada estudante. Então, precisamos nos organizar para trazer o modelo que interessa aos jovens e que pode mantê-los, não presos na sala de aula, mas livres e atentos ao que a vida fora da sala de aula apresenta a eles como desafio de vida.

Precisamos romper, o mais rapidamente possível, com o modelo de ensino tradicional imposto pelo Estado ou a escola estará condenada a não cumprir sua missão principal que é a de ensinar os jovens a lidar com as complexidades técnicas inerentes ao mundo contemporâneo.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

A proposital idiotização de alunos e o soco na cara da sociedade como prêmio.

Dees_DumbQuando vejo escolas depredadas, professores sendo espancados e humilhados por pequenos psicopatas, estudantes indisciplinados, drogados, idiotizados e com baixo índice de aprendizado nas escolas pelo país, não me espanto. Entendo que os responsáveis por isso são os educadores e pedagogos formados nos últimos cinquenta anos e que são adeptos da pedagogia do oprimido. Eles estão sendo engolidos pelos monstros que eles próprios criaram. É o feitiço se virando contra o feiticeiro.

No lado da família, sei também o que ocorre e não me espanto, pois muitos pais estão terceirizando a educação o ensino e estão usando escolas como depósito de filhos mimados, indisciplinados e vitimistas. Muitos pais e professores são reféns desse séquito de estudantes desrespeitosos, sonolentos e muitas vezes sem propósito na vida. Sim, os professores, por conta de sua formação superficial e que também foram doutrinados pelo método Paulo Freire, perderam sua de autoridade e muitas vezes não sabem lidar com o contraditório, doutrinam também os alunos de foma velada a se rebelarem contra uma sociedade “burguesa” etérea.

Por isso, sou adepto de uma sociedade sem escolas. Penso que só deveria procurar o saber quem realmente deseja o conhecimento genuíno, conhecimento tal que levarão os estudantes às artes liberais de excelência. Pode parecer cruel, mas penso que todos os outros, que não estão nem aí para aprender algo academicamente sério e mais profundo, deveriam procurar apenas seguir suas vocações de oficio, se forem corajosos. Procurar os respectivos mestres de ofício e aprender suas profissões desejadas com eles. Deveriam se especializar em suas vocações de ofício para serem os melhores em sua área. O resto que não quer nada com nada e pensam em apenas a passar de ano, poderiam entrar nas escolas padronizadas do Estado por sua conta e risco.

Ser professor é um oficio sério, é um dom que recebemos e que não pode ser usado para propósitos mesquinhos ou ideológicos. Isso é um sacrilégio, pois destrói com o futuro de pessoas incautas se não for bem ministrado.

Ser aluno também é algo muito sério e que exige disciplina e respeito à autoridade do professor por parte dos estudantes. Afinal, os mestres sérios e não doutrinados conhecem bem os segredos da vida que jovens estudantes ainda não conhecem.

Não podemos obrigar que jovens estudem em um sistema padronizado e pasteurizado à beira da falência que temos hoje. Isso é um erro. Estudar não é apenas um direito de todos e sim um dever pessoal, um chamamento. Na verdade, não são todos que desejam saber algo além de suas vontades básicas. Ninguém deveria ser obrigado a entender as complexidades das línguas, da álgebra, estudos de geografia global, astronomia, música, arquitetura, modelamento matemático algébrico ou química, muito menos se não tem interesse nesses assuntos.

Um país não precisa que 100% de seus habitantes sejam médicos ou engenheiros, jornalistas ou físicos nucleares. Não são todos que precisam ou querem ir para as universidades. O país precisa é de gente que ama o que faz, entende as suas escolhas e não se vitimize diante da realidade fria e cruel da vida.

Ler e escrever é algo que pode ser aprendido de forma rápida e indolor, não precisa de grandes teorias para isso, não precisa de alfabetização socializante, basta a professora saber as técnicas de alfabetização certas e pronto. Todos podem ser alfabetizados de forma correta e sem traumas, tanto em língua portuguesa, quanto em matemática. Matérias básicas para entender muita coisa dessa vida.

Agora, ler de verdade para se tornar mais inteligente ainda é algo que exige tempo, dedicação e vontade do ser, não se aprende a ser mais inteligente apenas com a beligerância de educadores a cada erro dos estudantes. Por isso, cada um tem seu tempo para aprender e crescer. Aprender de verdade exige perseverança, luta, força para vencer os obstáculos. A vida é assim!

O Estado não tem que se meter a fundo nisso, ele apenas deveria dar uma boa infraestrutura e bons equipamentos para que o processo comece. Pagamos anualmente muitos impostos e já que não tem jeito mesmo, devemos cobrar do governo ações para que façam sua parte minimamente sem nos atrapalhar. Só isso. 

Mestres mal remunerados, salas de aula e escolas feias, pichadas e desmotivadoras, professores desrespeitados e também desmotivados, é o que temos hoje. A maioria dos professores de todos os níveis são militantes ideológicos esquerdistas sem o compromisso real com a docência e o saber e ensinar verdadeiros. São esses militantes que idiotizam os jovens estudantes.

Por isso, sou inteiramente adepto ao homeschooling, onde as famílias, até certo nível, educariam e ensinariam seus filhos em casa, longe destes militantes, justamente com os melhores mestres disponíveis: que são eles mesmos. E eventualmente chamar alguns e especialistas que respeitassem seus valores, princípios e conceitos familiares. Só que, com o nível de formação intelectual e cultural de grande parte da população e a falta de tempo de pais e responsáveis, nos dias de hoje, isso é praticamente impossível, portanto, esse modelo moderno de ensino, poderia ser liberado sim, mas poucos teriam competência e tempo para isso.

De qualquer forma, sou contra a doutrinação ideológica em qualquer grau, não creio na igualdade de condições humanas, pois cada um tem um nível de entendimento das coisas da vida, não creio em professores justiceiros socialistas e defensores da “mãe terra” e que não aceitam a expor a transcendência da vida a seus alunos, mas que expõe aos estudantes apenas sua visão limitada do mundo, entre outras inutilidades acadêmicas inócuas. Um exemplo é o incentivo de leitura de livros que nada tem a ver com os grande clássicos da literatura ocidental. Não acredito no método Paulo Freire de pedagogia, o que muitos aplicam tentando fazer deste senhor o maior pedagogo que já existiu no planeta, o elevaram a patrono da educação, mas que dizia frases incompreensíveis e ilógicas que não tem aplicação prática alguma na vida real.

Entendo que cada ser é único e não pode ser ensinado de forma padrão como a que existe hoje, como uma linha de produção que usa a forma “construtivista social” como matéria prima e que é limitada ao próprio mundo do estudante. Basta ver os resultados e você verá que isso o leva a não entender a realidade tal qual ela é. Basta olhar para si mesmo e você verá que também não entende. É o tipo de pedagogia que faz o estudante apenas repetir sem pensar todos aqueles conceitos falaciosos de igualdade de um coletivo amorfo e sem alma.

Biologia é biologia, física é física, matemática é matemática, língua portuguesa é língua portuguesa. É necessário estudar com afinco junto com um professor competente cada uma dessas matérias caso o estudante engajado queria aprender seus segredos. É assim que tem que ser. E nada que digam os que querem definitivamente nos emburrecer, mudará minha visão disso tudo.

O que muda o status social de uma pessoa são suas próprias ações e não a inação e o vitimismo. Não adianta esperar por cotas ou pelo Estado para ajudar com que o estudante avance em seu nível intelectual, salvo raras exceções. É necessário que o estudante saiba que é preciso vir dele a vontade pelo saber. É preciso que ele saiba que estudar em uma universidade não é o passaporte para a felicidade ou um gordo contracheque no final do mês após a formatura.

E os estudantes tem que saber que, se escolherem o caminho do estudo, terão que ser disciplinados o suficiente se quiserem vencer essa etapa na vida. Se cometerem deslizes, como o de agredir colegas e mestres, não poderão receber uma carta de indulgencia por isso. É assim que tem que ser.

Eu tenho dois filhos pequenos e ensino cada um deles de forma totalmente diferente, pois eles são diferentes um do outro. Eu e minha esposa ajudamos nossos filhos todos os dias com os deveres e tiramos todas as dúvidas deles. Nossos filhos sabem que nós somos seus educadores e que temos valores e princípios pétreos que regem nossa vida em família e a nossa vida em sociedade. Eles entendem que os professores em sala de aula na escola são seus mestres e devem ser respeitados. E cada um deles estão aprendendo a amar o conhecimento de forma diferente e estão felizes ao modo deles. Assim, aprendem e entendem o mundo ao redor deles e estão percebendo que, se quiserem evoluir, devem ser disciplinados e seguir com rigor nossos conselhos.

Sim, eu educo meus filhos com rigor. Exigimos o respeito deles e damos nosso respeito a eles. Se, por acaso, algum dia, eles cometerem algum tipo de desvio nos desrespeitando ou a algum mestre, por pior que esse profissional seja, serão imediatamente punidos com rigor para entenderem que só se aprende alguma coisa nessa vida, quando se respeita quem sabe um pouco mais que nós.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.