Saia de casa e vá ver um belo Jardim enquanto é tempo!

jardimEu sou apenas um simples professor de matemática que entende um pouco de música em busca do saber e não um crítico de arte. Desde o primeiro dia que resolvi escrever aqui neste blog sobre meu processo de auto conhecimento, tinha dúvidas sobre se eu estava realmente tendo sucesso nessa empreitada pessoal. Meu objetivo aqui era apenas dar vazão aos meus pensamentos sobre tudo o que eu via e não entendia em minha volta. Mas depois de hoje, percebi que não tenho mais motivos para duvidar sobre o sucesso da minha empreitada pessoal.

      Há alguns anos, mais precisamente na páscoa de 2013, estava conversando com meu irmão sobre a situação execrável de nossa política e sobre como nossa sociedade havia chegado quase ao fundo do poço, falávamos sobre o risco que corríamos em perder tudo de admirável que havíamos construído até então, nossos valores, nossas famílias. Naquele dia ele me disse:

“- Irmão, você tem que ver as palestras, ver o vídeos do Olavo, o homem é muito bom”.

       Naquela semana, entrei no youtube e assisti horas e horas de vídeos, comprei vários livros do professor Olavo de Carvalho, entre eles O Jardim das Aflições” e desde então, comecei a entender o motivo das minhas aflições pessoais.  Não pense que me livrei destas aflições depois disso, apenas as entendi. Apenas percebi que teria que estudar como jamais havia estudado antes se quisesse entender a realidade que me cercava.

      Pois bem, hoje foi um dia muito especial. Hoje foi o dia em que fui ao cinema ver finalmente o documentário O Jardim das Aflições do competente diretor Josias Teófilo, que conta o percurso biográfico, a rotina e o pensamento deste filósofo brasileiro chamado Olavo de Carvalho.

       Escolhemos a sala Kinoplex Vila Olimpia.  Apenas um pequeno detalhe: O homem responsável pela projeção errou feio quando começou a passar de um tal de Amor.com no lugar do Jardim. Algumas pessoas ficaram atônitas. Na hora eu perguntei para minha esposa:

“- Erramos de sala?!”

       Imediatamente saí do meu lugar e seguido por uma dezena de espectadores, fomos reclamar com o responsável sobre aquele erro tosco. Além disso, por algum problema no projetor, o filme não ficou tão bem enquadrado naquela tela enorme.

      Acredito que muitas pessoas devem ter ouvido falar deste filme/documentário de que ele “não deveria existir” ou sei lá. Coisa de gente invejosa. Gente que fala isso, sempre nega até sua feiura quando olha para o espelho. Esse documentário foi tratado por essa gente como um filme perigoso. Incrivelmente dito por diversos diretores e cineastas brasileiros e, depois de eu ver o filme, ficou claro a razão dessa reação.

      Detalhes à parte, o filme é de uma qualidade ímpar. A trilha sonora me impressionou, eu que sempre critiquei a qualidade do som do cinema nacional, garanto que a trilha sonora é de  extremo bom gosto. A música dá um contraponto extremamente agradável à narrativa. O bandoneon e depois o clarinete, que aparece graciosamente, e dá um tom tristonho e nostálgico em algumas cenas (sim, lembra o tema do Poderoso Chefão, pois esse usa a linha melódica mesma sinfonia #1 de Sibelius), te remete ao seu eu interior e ao mesmo tempo leva a você a pensar sobre si mesmo, enquanto espera as próximas falas do professor Olavo, que está sempre calmo e preciso em seu pensamento.

      A fotografia usa uma paleta de cores equilibrada e que evolui em tons quentes, que é muito confortável, agradável e combina perfeitamente com a narrativa do documentário. Parece que você está lá naquela casa no estado da Virginia nos EUA ouvindo o professor falar exclusivamente para você.

      Só esses dois pontos que coloquei aqui já seriam o suficiente para despertar a inveja e a ira de vários diretores de cinema que, mesmo sem ter visto o filme, morrem de inveja e vergonha  de si mesmos quando sabem que este documentário foi produzido com recursos vindo de processos de “crowdfunding”.

      Mas o que mais me emocionou neste filme foi o seu conteúdo. O momento em que o professor Olavo dispara seu rifle é o momento que você acorda para a realidade e toda a narrativa começa. Ver aquela família simples, cheia de vida e amor é como ver todas as famílias simples deste Brasil, sua fé e seus valores.

      Outra coisa que me emocionou foi ver o quanto minha esposa se identificou com a proposta do Olavo sobre a transcendência filosófica, com trechos sobre a consciência individual e a herança psíquica que recebemos dos nossos antepassados e a finitude humana. Isso mostra que estamos alinhados no pensamento filosófico. Só isso já alivia minhas aflições profundamente.

       Quando o filme terminou, fiquei por alguns segundos esperando por mais, mas tive que aceitar que o filme já havia terminado, e me contentei em ficar ali sentado para ver os nomes de algumas pessoas conhecidas subindo nos créditos: Mauro Ventura, Rodney Eloi…

       Agora, depois de uma dura caminhada pela vida para saber mais sobre mim, fecho um ciclo depois desse filme e com isso acabo entendo muita coisa. Entendo minhas aflições e as aflições alheias, entendo que estou tendo relativo sucesso em minha empreitada pessoal na busca pelo auto conhecimento, por outro lado entendo o motivo de tanta gente não querer que você veja este filme, pois esse filme é realmente muito bom.

      Esses seres sem personalidade que o boicotaram são os seres irracionais que dormem, são os que vivem sonhando com suas utopias vãs, e um filme desses os ameaçam e os fazem ver que é hora de acordar para vomitar para se livrarem seus venenos que destroem suas almas, esse filme os fazem parar para pensar em suas miseráveis e porcas vidas. E todos sabemos que somente a pura arte real é que tem esse poder, que é de nos fazer acordar, pensar, refletir sobre nós mesmos!

Chegou a hora de desescolarizar o ensino?

Another Brick in The WallConta-se que por volta de 1600 DC, um homem chamado Jan Amos Komenský (Comenius em latim) resolveu realizar algumas modificações na educação da idade média e criou um método onde a frequência dos alunos nas escolas fosse obrigatória. Isso é semelhante, de fato, com as escolas como a conhecemos hoje e , claro , como não podia deixar de ser, esse método foi um prato cheio para que as escolas fossem usadas politicamente por governos de todos os tipos. Antes disso, só procuravam o saber e o conhecimento, as pessoas que verdadeiramente o desejavam. Havia o estudo das Artes Liberais que eram oferecidos pela igreja e os ofícios que vinham tradicionalmente das famílias e seu trabalho secular. Hoje, no mundo todo a educação é um direito das pessoas, É o que diz nossa constituição. mas, em muitos países, caso os responsáveis não matriculem seus filhos em alguma escola, poderão ser sumariamente processados e poderão até serem detidos pelo estado que não hesitará em usar o código penal contra a evasão escolar.

             O pesquisador e psiquiatra Lyle H. Rossiter  escreveu um livro (A mente esquerdista) sobre a mente e o comportamento humano regulado por ideologias políticas de esquerda. O Dr Rossiter mostra quão complexos são os padrões que uma criança adquire na primeira infância quando submetidas a distorções educacionais. Mas o que o Dr. Rossiter afirma é que esses padrões são adquiridos dos pais verdadeiros ou substitutos e que a criança os levará para o resto da vida delas. Esses padrões vem principalmente da mãe. Então, essa relação bebê/mãe é de fundamental importância para a formação da personalidade do ser. É ela que formará a personalidade do indivíduo e poderá estabelecer como ele irá lidar com a realidade do mundo em que vivemos. Dependendo dos padrões adquiridos, basicamente uma pessoa poderá lidar com a vida, ou de forma ativa e responsável ou de forma vitimista e dependente, entre outras variações. Então, um indivíduo que tem responsabilidade, sabe que sua liberdade estará diretamente ligada ao seu esforço pessoal para vencer as dificuldades da vida, seja nos estudos, seja no trabalho. Já os dependentes, culparão sempre os outros, seja o professor, a mãe ou o pai pelo sua incapacidade de saber mais sobre si mesmo ou pela simples falta de vontade em agir. Sempre será um dependente, seja do estado protetor, ou de uma droga que alivie a dor da vida ou dependente de uma ideologia que facilite a vida dele ao máximo. O mais interessante é que muitos pedagogos, educadores, políticos, sabem disso. Os governos sabem disso, por isso, usam a escola para seus propósitos mais mesquinhos.

                    Ivan Illich sugere que as escolas são, de um lado, instrumentos de engenharia social estatal à serviço de interesses políticos ideológicos e de outro instrumentos de captação de alunos/clientes para oferecer a possibilidade de ascensão social a seus clientes. Ninguém tem mais o direito de NÃO IR para a escola tradicional. Quando o aluno entra no sistema de ensino, a percepção é que ele nunca será cobrado a se esforçar de verdade. Todos os alunos, até certo ponto, sabem que NUNCA serão reprovados, seja no ensino público ou particular. Qualquer esforço adicional que você impõe ao aluno, caso ele estude em escolas particulares, ele ameaça veladamente professores e diretores dizendo que (SiC): ”- eu é que pago o seu salário professor”. E, caso estude em escolas publicas (SiC) “- professor, você, nem ninguém, manda em mim”. E quando essa cobrança vem dos pais para os filhos, então um problema familiar se estabelece. Qualquer referência ou tentativa de disciplinar o aluno a respeitar códigos de conduta e regras sociais é prontamente desencorajada em nome de uma “construção do conhecimento”. Em nome de uma guerra à opressão social e familiar. Crianças, na maioria dos casos, são curiosas, geniais, comunicativas e adoram por a mão na massa quando elas têm vontade. Em minha experiência com o ensino de várias crianças e jovens, incluindo meus filhos, percebi que elas podem aprender, e muito rápido, se deixadas a explorar o mundo que as cercam, desde que elas tenham vontade e seja aquilo que elas querem. Mas, o que muitos se esquecem, não é apenas o que as crianças querem, mas o que elas de fato precisam aprender, e isso é o que realmente importa. E para que o aprendizado ocorra, é necessário que quatro elementos fundamentais brotem do indivíduo: vontade, disciplina, coragem e dedicação.

              Crianças , normalmente, gostam muito de se sentir sem limite algum, mas elas não tem maturidade suficiente para agir conforme suas vontades infantis, então em seu âmago clamam desesperadamente por limites e atenção. Por isso, é necessário que elas tenham uma rotina diária de incentivos às suas ações volitivas e de aprendizado que devem ser orientadas por pais e professores todo o tempo e devem sempre ser validadas e encorajadas a continuarem  a fazer suas perguntas e mostrar descobertas. Mas o que é preciso entender é que para que o conhecimento e o aprendizado correto ocorra e seja válido é necessário seguir determinados métodos. Ela precisa ser estimulada a entender a natureza daquilo que aprende e o que ela deve fazer para fixar todo esse conhecimento em seu cérebro de forma correta e duradoura sob o ponto de vista científico.

Uma criança leva aproximadamente 8 anos para falar a língua mãe de forma articulada, sempre baseada no que ouve de sua mãe, pai e pessoas mais próximas. Ela aprenderá a falar o português dessas pessoas, mas ela jamais será capaz de entender a lógica da sintaxe gramatical correta por si mesma se não se esforçar e estudar ativamente sua língua mãe durante décadas sob a orientação de professores de língua portuguesa sérios e engajados com a língua falada e escrita de forma correta. Os alunos jamais entenderão por si só que aritmética e álgebra são ferramentas que eles usarão para o resto da vida e que só aprenderão com muito esforço e por vezes por enfadonhos processos repetitivos iniciais (vide a tabuada), mas que os ajudarão no raciocínio lógico para os estudos científicos e filosóficos futuros, ou simplesmente para não serem enganados na mercearia do bairro.

              Segundo Illich, cada vez mais nossa sociedade se torna super complexa. As tecnologias caminham junto com as sociedades e estão cada vez mais desenvolvidas, então não podemos mais admitir que um jovem de 16 anos não saiba como funciona a lógica matemática na multiplicação, não saiba entender a relação lógica entre um texto de filosofia e um programa de computador.

                  Muitos alunos sempre fazem a clássica pergunta: – Professor, por que temos que aprender isso, se nunca vou usar essas fórmulas? A resposta é simples: Da mesma forma que seu jogador de futebol favorito aprende nos treinos as jogadas, e as treina, treina para fazer os mais belos jogos e gols para seu time. Aprende-se isso para a vida! Você estuda isso para dar continuidade ao legado que nossos antepassados nos deixaram. Você entende a responsabilidade que é isso? Você não está aqui nesse mundo a passeio. Quando você vai na academia, você exercita todos os músculos do corpo, principalmente os que você acha nunca usará, apenas para estar preparado para um torneio ou competição, estudar é a mesma coisa.

                 Existem casos de alunos que nada sabem, nada aprendem, se esforçam pouco e passam raspando no “conselho de classe” em escolas de médio e alto nível em São Paulo. Sem generalizar, o que parece é que esses conselhos de classe nada mais são que um sistema para evitar a perda de alunos pagantes (clientes) e para evitar um possível conflito com os pais caso haja uma reprovação. A escola particular, então, vira refém do mercado (dos pais pagantes e dos alunos). Os alunos, inteligentes que são, sabem disso e se aproveitam para iludir pais e professores e fazem o esforço mínimo apenas para seguir adiante, mesmo sem entender os detalhes importantes de uma determinada matéria. Os pais, vendo que seus filhos são aprovados, mesmo com um desempenho ruim, ficam até certo ponto satisfeitos, pois investiram uma fortuna durante todo o ano letivo e não querem perder isso. Os alunos ficam bem satisfeitos, pois apenas passaram de ano e a escola fica feliz, pois garante matrículas para o ano seguinte, mantendo assim seu equilíbrio físico- financeiro saudável.

             Na escola pública, como é sabido, os alunos passam de ano sem esforço, os professores jamais confrontam o aluno exigindo disciplina, pontualidade e esforço, pois sabem que podem ser processados e ou agredidos (por alunos e pais) e os pais mais desavisados e sem tempo ou sem recursos, acham que, com os filhos na escola, o problema da educação deles está definitivamente resolvido. Os alunos espertos, apenas são os que se esforçam um pouco mais.

              Ledo engano achar que está tudo resolvido, sabemos também que muitos professores tem incrustados em seu pensamento uma mentalidade ideológica que vem sendo formada há mais de cinco décadas. Os professores são dependentes desta ideologia e mentalidade em sua grande maioria e são pressionados por escolas e governos para não reprovar alunos desinteressados em nome de uma coletividade oprimida imaginária.

                Os fatos apresentado por Illich mostra que os alunos precisam entender que sem um esforço pessoal individualizado e força de vontade, não há como obter sucesso nos estudos e na vida. Eles precisam entender que existem os professores bons e que são uma parte fundamental no processo e suas soluções, mas existem professores ruins e que são parte do problema. Sertillanges em sua obra “A vida intelectual” nos ensina que alunos precisam saber que estudar é uma vontade individual que vem do âmago de sua alma. Vem deles o processo volitivo para empreender uma ação positiva em busca da verdade e do saber genuíno. As discussões sobre os modelos de escola, luta de classes, currículos, métodos pedagógicos etc, não passam de uma cortina de fumaça para encobrir a verdadeira raiz problema. Como disse o Prof. José Monir Nasser em uma palestra sobre o Trivium: “A escola só serve como elevador de ascensão social ilusório e como instrumento político. Escola, infelizmente, não educa ninguém que não queria ser educado e não ensina ninguém que não queria saber a verdade.O que é o aprendizado se não uma constante repetição voluntária ou involuntária de termos e palavras, expressões e números? Tem certas coisas que não tem como aprender se não estudar até marcar no cérebro. É como fazer um carimbo que é impresso na mente. E isso deve ser feito de forma sistemática e inteligente. Não existe aprendizado sem esforço, sem disciplina, sem dedicação, sem coragem e principalmente sem amor ao saber”.

               Podemos até questionar o formato de salas de aula, currículos, pensadores e pedagogos etc., mas não podemos negar o fato de que, para aprender efetivamente é necessário sempre um esforço a mais de quem estuda. Não existe simplesmente o aluno construir seu saber por sí, assim do nada, levando em consideração apenas que sua condição social será o catalisador que fará ele entender a realidade ipso facto. Isso não é aprendizado acadêmico científico e jamais será, isso pode ser verdadeiramente, outra coisa.

                  Illich acredita que o melhor é ajudar os alunos nas questões que incentivem uma vida de ação ao invés de uma vida de consumo ou prazeres efêmeros. Referenciando-se a Miguel Sgarbi PACHIONI, ele diz que “Illich: “crê na capacidade do ser humano em produzir um estilo de vida que propiciará sua espontaneidade e sua independência ao invés da manutenção de um estilo de vida restrito apenas ao fazer e desfazer, produzir e consumir”.

              Portanto, seria mais sensato que soubéssemos fazer os alunos aprender a escolher entre o ser ao invés do ter e não apenas depender somente do método mastigado de escolarização atual, e sim buscar um relacionamento educacional entre o ser humano que é, e a realidade que o cerca.

Illich apresenta três ideias para um bom sistema educacional:

  • Facilitar o acesso aos recursos necessários para o aprendizado daquilo que se queira efetivamente aprender (de forma prazerosa);
  • Capacitar aqueles que queiram partilhar seus conhecimentos e possibilitar que os demais interessados neste saber os encontrem;
  • Dar oportunidade aos que queiram tornar públicos seus conhecimentos para que seus desafios sejam conhecidos.

           Neste contexto, até a tecnologia poderia estar tanto à disposição do ensino burocrático, onde temos um docente que apenas lida com os documentos a serem preenchidos, como a serviço da autonomia e independência de alunos e professores. Concordo com Illich quando ele propõe abordagens que possibilitam aos estudantes acessar recursos para traçar suas próprias metas de aprendizado: Usar a gestão de projetos reais da vida real para reforçar um aprendizado para uma sociedade inventiva e criadora, como ele mesmo diz: “que se relacione com a natureza (essência) das coisas e não por suas aparências (industrializadas)”, é necessário disponibilizar dispositivos tecnológicos e seus processos, dar ao aluno a oportunidade de assumir sua responsabilidade pelas ações que tomar em sua vida.

          Importante é que entendamos que o compartilhamento de conhecimentos e habilidades sendo elas formais ou não sejam incentivados. Isso não pode ser limitado e medido apenas por certificados e diplomas emitidos, pois estes podem tirar a liberdade de educação à medida que confinam o conhecimento, tiram a liberdade individual pela busca de determinados conhecimentos. É importante entender que, com a tecnológica atual já estamos possibilitando o encontro de pessoas com interesses específicos, sejam eles quais forem, e eles estão se complementando. Essas redes de comunicação propiciam a oportunidade do indivíduo de se fazer ouvir em diversos grupos; se pudermos incentivar a mistura entre o que temos aprendido e o que muitos aprenderam com a experiência de vida, poderemos buscar novos conhecimentos mais como uma forma de lazer, será uma forma prazerosa de ensinar e aprender. E assim, poderemos criar uma relação mais próxima entre pais, professores e alunos e, com isso, viabilizaremos trazer de volta a humanização das relações neste processo politizado, padronizado e rígido no qual o ensino atual ainda descansa.

Batman Lego. Nada de útil.

lego-batman-filmeATENÇÃO!! Leiam se pretendem levar seus filhos para ver este filme, ou não, se você não está nem ai para qual tipo de conteúdo os pequenos serão expostos. Leiam se quiserem saber a verdade sobre o filme.

Ontem levei minha família ao cinema. Foi a pedido do meu filho mais velho e o filme escolhido por ele foi o Batman Lego, pois ele fora seduzido pela propaganda na TV.  Já o meu filho mais novo, que é um exímio “mestre construtor” Lego, ficou ansioso ao saber que iria ver o filme. Ele apenas usou uma vez as orientações de seu brinquedo só para montar o original da caixa na primeira vez. Ele disse que ia pegar ideias para suas histórias imaginárias fantásticas. Ele só usa as peças do Lego para criar armas, muitas armas, naves espaciais, carros elétricos, foguetes, bombas e super heróis que defendem o universo, criado por ele, dos vilões e monstros do espaço.

Eu sempre pergunto a ele de onde ele tira todas essas aventuras e ele responde sorrindo orgulhoso:

– Da minha mente papai!

Nós compramos o ingresso de forma antecipada, não enfrentamos fila e chegamos em cima da hora dentro da sala de projeção. A sala estava cheia de crianças risonhas comendo pipoca. Nos acomodamos confortavelmente, minha esposa de um lado, meus filhos no meio e eu do lado oposto. Proteção das crias é sempre a nossa meta.

O filme começou e eu logo me senti sonolento e comecei a cochilar quase que na hora, mesmo com a sequencia frenética imposta pelo diretor do filme já nos minutos iniciais do filme. Batman versus Coringa. Uma briga entre eles e a quase destruição total da cidade. Até ai tudo bem.

Os problemas, ao meu ver, começam quando entra em cena um menino órfão que, sistematicamente, segue o Batman e acaba, sem querer, sendo adotado pelo homem morcego. A forçada de barra sobre esse tema incomoda um pouco, pois esse garoto é implicitamente “gay”. É aí que as coisas começam a ficar complicadas. Seria apenas mais um filme da “agenda cultural esquerdista” vigente no século XXI se não fosse por um detalhe: É um filme feito exclusivamente para o público infantil. Crianças de 5 anos em diante adoram os filmes com Lego.

Os diálogos travados pelos personagens são complexos para os pequenos. São cheios de duplo sentido e carregados de uma conotação sexual. Um exemplo é quando a heroína da história, quando vê o Batman junto com o garoto, faz uma piada sugerindo que “seria melhor que ele fosse mesmo filho adotivo dele, pois poderia parecer outra coisa se não o fosse”.  O Batman então cede concordando contrariado com a sua voz cavernosa. É uma cena de duplo sentido e de péssimo gosto.

A luta entre o Batman e o vilão Coringa é um jogo de sedução de amor e ódio entre inimigos com diálogos cheio de duplo sentido. Em uma das cenas fica claro a forma como o Coringa força a barra para cima do Batman para que eles tenham “algo a mais” nessa relação que deveria ir além do amor e ódio. Não parece que o Coringa luta por uma relação fraterna. O Coringa também não quer uma “relação morna” entre eles.

Já o Batman não consegue se relacionar com ninguém profundamente e prefere resolver as coisas do jeito dele, preferindo se livrar de todos os que estão seu redor para arrumar toda a bagunça criada pelos vilões. Mas, um tempo depois, ele cede e aceita as condições do jogo do politicamente correto e aceita que os outros podem ajudá-lo. Até o Batman num ato impensado, fica semi nu na frente a heroína do filme. Ele está “a fim”dela e não sabe lidar com esse estranho sentimento e com a situação de fuga da prisão cheia de bandidos que ela mesma o havia colocado lá.

O garoto órfão, se descobre “gay” quando chega a hora de escolher seu uniforme de Robin. Ele vibra com os brilhos, cores e dá gritos de êxtase quando ele veste a fantasia, mas fica mais feliz ainda quando consegue se livrar da calça apertada ficando só de cuecas. Tudo isso ao som de “Fly Robin Fly”.

Depois, em um outro dialogo, o garoto sugere que Batman e Bruce Wayne são “casados” e ele tem dois pais e pergunta o que Bruce acharia do uniforme dele.

Digo que esse tipo de esquete é comum em programas humorísticos de TV e sempre rendem bons risos. Mas as centenas de crianças do cinema não entendem plenamente o que se passa nas entrelinhas de piadas desse tipo. Para elas, todas essas piadas de duplo sentido são um “mistério” que ficará povoando a mente delas por décadas. São mensagens subliminares e que não são necessárias que elas recebam.

No fim do filme, a apoteose é quando uma grande família é formada com todos, inclusive com alguns bandidos que estavam presos, mas ajudaram, de certa forma, a “salvar” a cidade. Nem no fim fica claro uma tentativa de relação mais estreita entre o Batman e a heroína da história, que em nenhum momento mostra que tem alguma atração ao super herói.

É uma ode ao nada. Nenhum valor de verdade é passado aos pequenos. Nada de útil.

Na saída, perguntei aos meninos o que acharam do filme e a resposta foi um seco: “ok, pai, mas achei aquele Robin bem estranho!” do mais velho e “É, teve poucas explosões!” disse o mais novo.

Definitivamente não é um filme para crianças.

De volta em casa, antes do jantar, inocentemente ligaram a TV no CN para ver Clarêncio, o Otimista e as mães lésbicas do seu amigo Jeff…

A educação proibida é a que ensina de verdade.

volicaoRecentemente eu li um livro chamado Sociedade Sem Escolas de Ivan Illich . Recomendo, pois é muito interessante. É baseado em um conceito de que uma pessoa só deveria buscar a verdadeira educação se realmente desejasse aprender alguma coisa. Conta-se que por volta de 1600 DC um homem chamado Jan Amos Komenský (Comenius em latim) resolveu realizar algumas modificações na educação da idade média e criou um método onde a frequência dos alunos nas escolas fosse obrigatória. Isso é semelhante, de fato, com as escolas como a conhecemos hoje e , claro , como não podia deixar de ser, esse método foi um prato cheio para que as escolas fossem usadas politicamente por governos de todos os tipos. Antes disso, só procuravam o saber e o conhecimento, as pessoas que verdadeiramente o desejavam. Havia o estudo das Artes Liberais que eram oferecidos pela igreja e os ofícios que vinham tradicionalmente das famílias e seu trabalho secular. Hoje, no mundo todo a educação é um direito das pessoas, (Vejam o que diz nossa constituição de 1988) mas, em muitos países, caso os responsáveis não matriculem seus filhos em alguma escola, poderão ser sumariamente processados e poderão até serem presos.

Atualmente estou lendo um livro sobre a mente e o comportamento humano (A mente esquerdista). Neste livro, o autor mostra o quão complexos são os padrões que uma criança adquire na primeira infância. Mas o que o psiquiatra Lyle H. Rossiter, autor do livro, afirma, e que eu concordo, é que esses padrões são adquiridos dos pais verdadeiros ou substitutos e que a criança os levará para o resto da vida delas. Esses padrões vem principalmente da mãe. Então, essa relação bebê/mãe é de fundamental importância para a formação da personalidade do ser. É ela que formará a personalidade do indivíduo e poderá estabelecer como ele irá lidar com a realidade do mundo em que vivemos. Dependendo dos padrões adquiridos, basicamente uma pessoa poderá lidar com a vida, ou de forma ativa e responsável ou de forma vitimista e dependente, entre outras variações. Então, um indivíduo que tem responsabilidade, sabe que sua liberdade estará diretamente ligada ao seu esforço pessoal para vencer as dificuldades da vida, seja nos estudos, seja no trabalho. Já os dependentes, culparão sempre os outros, seja o professor, a mãe ou o pai pelo sua incapacidade de saber mais sobre si mesmo ou pela simples falta de vontade em agir. Sempre será um dependente, seja do estado protetor, ou de uma droga que alivie a dor da vida ou dependente de uma ideologia que facilite a vida dele ao máximo. O mais interessante é que muitos pedagogos, educadores, políticos, sabem disso. Os governos sabem disso, por isso, usam a escola para seus propósitos mais mesquinhos.

Atualmente, as escolas são, de um lado, instrumentos de engenharia social estatal à serviço de interesses políticos ideológicos e de outro instrumentos de captação de alunos/clientes para oferecer a possibilidade de ascensão social a seus clientes. Ninguém tem mais o direito de NÃO IR para a escola tradicional. Mas se o aluno entra no sistema de ensino, ele nunca será cobrado a se esforçar de verdade. Todos os alunos, até certo ponto sabem que NUNCA serão reprovados, seja no ensino publico ou particular. Qualquer esforço adicional que você impõe ao aluno, ele ameaça veladamente professores e diretores dizendo que: ” eu é que pago o salário do professor”, caso estude em escolas particulares ou o “professor nem ninguém manda em mim” em escolas públicas em todo o país. É quando essa cobrança vem dos pais para os filhos, então um problema familiar se estabelece.

Qualquer referência ou tentativa de disciplinar o aluno a respeitar códigos de conduta e regras sociais é prontamente desencorajada em nome de uma “construção do conhecimento”. Em nome de uma guerra à opressão social e familiar.

Crianças, na maioria dos casos, são curiosas, geniais, comunicativas e adoram por a mão na massa quando elas têm vontade. Em minha experiência com o ensino de várias crianças e jovens, incluindo meus filhos, percebi que elas podem aprender, e muito rápido, se deixadas a explorar o mundo que as cercam, desde que elas tenham vontade e seja aquilo que elas querem. Mas, o que muitos se esquecem, não é apenas o que as crianças querem, mas o que elas precisam aprender é o que realmente importa. E para que o aprendizado ocorra, é necessário que quatro elementos fundamentais brotem do indivíduo: vontade, disciplina, coragem e dedicação.

Crianças , normalmente, gostam muito de se sentir sem limite algum. Mas elas não tem maturidade suficiente para agir conforme suas vontades infantis. Por isso, é necessário que ela tenha uma rotina diária de incentivos a suas ações volitivas e de aprendizado que devem ser orientadas por pais e professores todo o tempo e devem sempre ser validadas e encorajadas a continuar fazendo perguntas e descobertas. Mas o que é preciso entender é que para que o conhecimento e o aprendizado correto ocorra e seja válido é necessário seguir determinados métodos. Ela precisa ser estimulada a entender a natureza daquilo que aprende e o que ela deve fazer para fixar todo esse conhecimento em seu cérebro de forma correta e duradoura sob o ponto de vista científico. Uma criança leva aproximadamente 8 anos para falar a língua mãe de forma articulada, sempre baseada no que ouve de sua mãe, pai e pessoas mais próximas. Ela aprenderá a falar o português dessas pessoas, mas ela jamais será capaz de entender a lógica da sintaxe gramatical correta por si mesma se não se esforçar e estudar ativamente sua língua mãe durante décadas sob a orientação de professores de português sérios e engajados com a língua falada e escrita de forma correta. Os alunos jamais entenderão por si só que aritmética e álgebra são ferramentas que eles usarão para o resto da vida e que só aprenderão com muito esforço e por vezes por enfadonhos processos repetitivos iniciais (vide a tabuada), mas que os ajudarão no raciocínio lógico para os estudos científicos e filosóficos futuros, ou simplesmente para não ser enganados na mercearia do bairro.

Cada vez mais nossa sociedade se torna super complexa. As tecnologias caminham junto e estão cada vez mais desenvolvidas, então não podemos mais admitir que um jovem de 16 anos não saiba como funciona a lógica matemática na multiplicação, não saiba entender a relação lógica por trás de um texto de filosofia e um programa de computador e por que é, infelizmente, necessário decorar a bendita tabuada.

Muitos alunos meus me fazem a clássica pergunta:

– Porque temos que aprender isso professor, se nunca vou usar essas fórmulas?

A resposta é simples: Aprende-se isso para a vida! Você estuda isso para dar continuidade ao legado que nossos antepassados nos deixaram. Você entende a responsabilidade que é isso? Você não está aqui nesse mundo a passeio. Quando você vai na academia, você exercita todos os músculos do corpo, principalmente os que você acha nunca usará, apenas para estar preparado para um torneio ou competição, estudar é a mesma coisa.

Eu tenho casos de alunos que nada sabem, nada aprendem, se esforçam pouco e passam raspando no “conselho de classe” em escolas de médio e alto nível em SP. Sem generalizar, o que parece é que esses conselhos de classe nada mais são que um sistema para evitar a perda de alunos pagantes (clientes) e para evitar um possível conflito com os pais caso haja uma reprovação. A escola particular, então, vira refém do mercado (dos pais pagantes e dos alunos). Os alunos, como não são bobos nem nada, sabem disso e se aproveitam para iludir pais e professores e fazem o esforço mínimo apenas para seguir adiante, mesmo sem entender os detalhes importantes de uma determinada matéria. Os pais, vendo que seus filhos são aprovados, mesmo com um desempenho ruim, ficam até certo ponto satisfeitos, pois investiram uma fortuna durante todo o ano letivo e não querem perder isso. Os alunos ficam bem satisfeitos, pois apenas passaram de ano e a escola fica feliz, pois garante matrículas para o ano seguinte mantendo assim seu equilíbrio físico financeiro saudável. Na escola pública, como é sabido, os alunos passam de ano sem esforço, os professores jamais confrontam o aluno exigindo disciplina, pontualidade e esforço, pois sabem que podem ser processados e ou agredidos (por alunos e pais) e os pais mais desavisados e sem tempo ou sem recursos, acham que, com os filhos na escola pública ou privada, o problema da educação deles está definitivamente resolvido. Alunos espertos, apenas se esforçam mais. O resultado disso você pode verificar aqui.

Ledo engano achar que está tudo resolvido, sabemos também que muitos professores tem incrustados em seu pensamento uma mentalidade esquerdista que vem sendo formada há mais de cinco décadas. Os professores são dependentes desta ideologia e mentalidade em sua grande maioria e são pressionados por escolas e governos para não reprovar alunos vagabundos em nome de uma coletividade oprimida imaginária.

O fato é: Os alunos precisam entender que sem um esforço pessoal individualizado não há como obter sucesso nos estudos e na vida. Eles precisam entender que existem os professores bons e que são uma parte fundamental no processo e suas soluções, mas existem professores ruins e que são parte do problema. Precisam saber que estudar é uma vontade individual que vem do âmago de sua alma. Vem deles o processo volitivo para empreender uma ação positiva em busca da verdade e do saber genuíno. As discussões sobre os modelos de escola, luta de classes, currículos, métodos pedagógicos etc, não passam de uma cortina de fumaça para encobrir a verdadeira raiz problema. A escola só serve como elevador de ascensão social ilusório e como instrumento político. Infelizmente não educa ninguém que não queria ser educado e não ensina ninguém que não queria saber a verdade.

O que é o aprendizado se não uma constante repetição voluntária ou involuntária de termos e palavras, expressões e números? E com isso, poder fazer as perguntas certas para encontrar as respostas certas? Tem certas coisas que não tem como aprender se não estudar até marcar no cérebro. É como fazer um carimbo que é impresso na mente. E isso deve ser feito de forma sistemática e inteligente. Não existe aprendizado sem esforço, sem disciplina, sem dedicação, sem coragem e principalmente sem amor ao saber. Podemos até questionar o formato de salas de aula, currículos, pensadores e pedagogos etc, mas não podemos negar o fato de que, para aprender efetivamente é necessário sempre um esforço a mais de quem estuda. Não existe esse papo do aluno construir seu saber, assim do nada, levando em consideração apenas que sua condição social será o catalisador que fará ele entender a realidade tal qual ela é. Isso não é aprendizado acadêmico científico e jamais será, isso é, verdadeiramente, outra coisa.

Cesar Manieri – Engenheiro eletrônico, professor de matemática e orientador vocacional e  de apoio no desenvolvimento escolar de jovens estudantes. Músico, escritor e fotografo amador.

Movimento ecológico.

lil-old-ladyNo caixa de um supermercado uma velha senhora, do alto de seus 80 e poucos anos aproximadamente, escolhe lentamente uma sacolinha de plástico para armazenar suas compras. Nesse momento, uma jovem de uns 16 anos com uma argola no nariz, que estava na fila, olhando a cena impacientemente, a repreende dizendo que ela não tinha consciência “ecológica”:

–  Senhora, senhora! – disse ela. – Sua geração simplesmente não entende o movimento ambiental do século XXI, não? Desse jeito, é a nossa geração e a futura é que vai ter que pagar pelos erros cometidos pela geração mais velha que desperdiçou todos os recursos disponíveis no planeta!

A velha senhora, um pouco trêmula devido a uma artrose severa que castigava as articulações de suas mãos, assustada pelo tom de voz da garota e sem entender direito essa pergunta,  se desculpou com a jovem na fila, explicou:

– Sinto muito minha jovem, mas não tivemos nenhuma educação sobre o movimento ambiental quando eu tinha a sua idade. No meu tempo, essas coisas simplesmente não existiam, por isso peço desculpas – disse ela meio sem graça já se despedindo.

Quando a velha senhora ia saindo do supermercado, cabisbaixa e pensativa, a jovem retrucou gritando:

– São pessoas como você, senhora, que arruinaram todos os recursos planetários e agora somos nós que temos que pagar a conta. A senhora tem razão! – continuou a jovem – vocês nunca se preocuparam com a proteção ambiental, na sua época vocês foram muito relapsos, isso sim!!

Um silêncio repentino e sepulcral caiu sobre o burburinho típico em lojas desse tipo. A velha senhora então se virou lentamente, voltou, devolveu a sacolinha e ainda trêmula falou:

– Jovem, jovem, você tem razão! – ela disse – esqueci minha sacola de compras em casa. E erguendo as mãos cansadas pelo tempo ainda segurando a sacolinha de plástico, falou:

– Admito que fomos negligentes com a natureza. No meu tempo guardávamos as garrafas de leite, garrafas de limonada e cerveja. Fazíamos isso, pois as garrafas nos pertenciam, nós tínhamos que comprá-las. Para comprar nosso leite ou cerveja, tínhamos que levar as garrafas vazias. O dono da venda as enviava para a fábrica onde eram lavadas, esterilizadas e ficavam prontas para serem usadas novamente. Essas garrafas eram reutilizadas várias vezes. Nós pagávamos pelo uso dessas garrafas. Se elas quebravam ficávamos chateados. Nós não sabíamos nada sobre reciclagem ou movimento ambiental.

– Na minha época, minha filha, nós tínhamos que subir escadas: os hotéis não tinham escadas rolantes nem elevadores em todas as lojas ou escritórios, então, éramos obrigados a caminhar. Andávamos até o supermercado também. Mas hoje, usamos o carro, nem que seja para andar duas quadras para ir até a padaria. Mas é verdade, você tem razão,  nós não sabíamos nada sobre o movimento ambiental.

– Na minha época, minha mãe lavava as fraldas dos meus irmãos pequenos com sabão; não havia fraldas descartáveis ou lenços umedecidos para limpar a bunda deles. As roupas secavam usando a energia do sol e dos ventos no varal; e não em uma secadora que consome 3000 watts por hora. Nossas roupas eram passadas de um irmão para outro e não ficávamos chateados por isso. É verdade! não sabíamos nada sobre o movimento ecológico.

– Na minha época, havia apenas uma TV ou rádio em casa; não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela pequena do tamanho de uma caixa de pizza, não uma tela do tamanho do Brasil.  Na cozinha, nos preocupávamos em preparar as refeições do dia; não tínhamos todos estes aparelhos elétricos especializados para preparar tudo sem esforço apenas apertando um botão, que é só esperar alguns minutos e um tanto de energia depois beeeeeepppp está tudo prontinho!!

– Na minha época, veja só, se tínhamos que enviar algo frágil para alguém, usávamos jornal ou lã de algodão não usávamos plástico bolha, isopor ou produtos sintéticos  para proteger os objetos e os mandávamos em caixas que eram reutilizadas.

– Na minha época, utilizávamos energia muscular para cortar a grama; no máximo usávamos cortadores a gás e não elétrico ou a gasolina.

– Na minha época, nós estávamos trabalhando duro, usávamos os músculos; nós nem imaginávamos ir para uma academia para correr em esteiras que só funcionam se liga-las na tomada elétrica.

–  Na minha época, nós bebíamos a água da fonte quando estávamos com sede; nós não utilizávamos copos ou garrafas de plástico cada vez que queríamos tomar água, para depois, jogar esses recipientes fora.

– Usávamos as canetas-tinteiro junto com um frasco de tinta em vez de comprar uma nova caneta a cada semana; substituímos as lâminas de barbear em vez de jogar o barbeador inteiro após cada barbear. Mas é verdade, nós não sabíamos nada sobre o movimento ambiental.

– Na minha época íamos para a escola a pé ou de bicicleta em vez de usar o carro da família.As crianças usavam a mesma mochila por vários anos, cadernos era usados de um ano para o outro, lápis de cor, borrachas, apontador de lápis e outros acessórios duravam tanto tempo quanto podiam. Hoje as crianças trocam de mochila duas vezes por ano, jogam foram caderno de anotações , compram material novo só por terem um novo design ou slogan ou personagem favorito estampado neles. Mas é verdade, nós não sabíamos nada sobre o movimento ambiental.

– Você tem razão, minha jovem, concordo que hoje tenho que fazer minha parte, mas não me venha com esse discurso moralista de movimento ambiental verde. Na minha casa eu tenho uma tomada elétrica por quarto, não uma faixa multi-saída para atender a uma gama completa de acessórios elétricos necessários para a juventude de hoje se esbaldar na tecnologia e para carregar a bateria desse seu iPhone moderninho que você orgulhosamente ostenta aí, viu mocinha?

A velha senhora saiu levando suas compras com a sacolinha nos braços ainda trêmulos sob o olhar indiferente da jovem e dos outros clientes.

Moral da Historia: Você decide, afinal, a ecochata não quis se livrar do seu iPhone e seguiu com a sua vida politicamente correta. A velha senhora, bem, ela voltou pra casa e colocou a sacolinha em um saco de sacolas.

Uma revelação perturbadora de um filho diferente…

kids

Meu filho tem 10 anos de idade. Ele é bastante tímido, mas por vezes bem falante. É um menino comum quanto tantos por aí.

Meu filho gosta de ler e de estudar. Ele também gosta de computador e já sabe alguma coisa de programação.

Adora vídeo games e gosta de ficar vendo “gamers” no YouTube.

Meu filho tira 10 em matemática e aos 6 anos escreveu um pequeno livro que conta a história de um menino viajante.

Me contou que, quando crescer, quer ser talvez um empresário livre das amarras estatizantes do governo para ajudar pessoas ao redor do mundo.

Meu filho, me disse certa vez, que não entende a feiura da cidade e não gosta das pichações dos prédios e monumentos. “- São inscrições sem sentido e ininteligíveis pai! Sempre foi assim, tudo tão feio?” – Ele pergunta rindo.

Na escola, meu filho, as vezes, sofre ataques dos espertinhos de plantão por não ser igual a eles e por fazer a lição enquanto me espera para buscá-lo.

Ele não é lá muito bom de bola e fica chateado por rirem dele quando joga mal na quadra do condomínio onde moramos.

Às vezes ele chora quando percebe que tratou alguém de forma injusta e não se acalma até pedir desculpas.

Ele vai a catequese aos Sábados e volta falando de Jesus como se fosse um amigo de longa data.

Um dia, sem querer, me viu lendo uma notícia onde a manchete falava sobre cristãos sendo mortos em algum lugar no oriente médio e ficou pálido. Passou a tarde calado.

Depois me perguntou: “- Pai, porque eles fazem isso?” Eu disse: “- É apenas a maldade no coração humano que faz isso meu filho.”

Meu filho se interessa por política e um dia revelou para mim ser um conservador mirim.

Revelou que seria ótimo, não destruir o mundo para depois reconstruí-lo, mas manter a todo custo a beleza do mundo criada por Deus e pelos homens de bem e que tantos parecem odiar.

Ele sofre calado por ser diferente e disse que muitas vezes ninguém o entende.

Ele é a minoria das minorias neste país. Um pequeno conservador.

Que Deus o ajude a aceitar quem ele é.

Se seu filho é assim, não se sinta só. Que Deus ajude essas crianças a encontrar os seus iguais para formar uma grande comunidade que o Brasil tanto precisa.

O que aprendemos com as olimpíadas?

vanderlei-silva-padre-neil-horan-olimpíadas-maratonaHoje percebi o quanto vivemos em uma sociedade perdida e fora da realidade. Tenho visto jovens se debruçando em postagens na internet onde apoiam as “vitimas do sistema capitalista opressor” e que ficam choramingando seus infortúnios juntos com elas. É um monte de gente chorando por causa da Marta que ganha menos que o Neymar, outros tantos reclamando da injustiça com a nadadora Maranhão, milhões dizendo que agora a judoca medalhista calou a boca de seus inimigos das redes sociais. Me lembrei dos jogadores da seleção brasileira na última copa chorando feito uns cagões. Entre tantas outras bobagens, a pior foi sobre a meritocracia ser algo “injusto” e que tanta gente não tem oportunidades reais para se destacarem como esportistas, músicos, pintores, engenheiros, dentistas, ou seja lá o que for. Foi aí que percebi o quanto odiamos o mérito.Tenho certeza que somos um país de invejosos. (Já escrevi sobre isso aqui neste blog: A inveja no Brasil é cultural)

Ok, sabemos que todas as pessoas tem dias bons e ruins. Às vezes eu tenho vontade de ficar o dia todo dormindo, na cama quentinha. Tem dias que não quero ficar procurando emprego ou dando aulas, por estar me sentindo chateado ou entediado. Tem dias que quero ficar em casa no sofá encolhido no cobertor, só para fugir dos meus problemas, das minhas dores e das minhas frustrações diante do mundo.

É necessário que nossos jovens e muitas pessoas mais velhas, aprendam a lidar com tudo isso. É só desta forma que podemos crescer como pessoa. É através das dificuldades que nos tornamos fortes.Quem de vocês, meus leitores, não enfrenta ou já enfrentou alguma dificuldade na vida? Ora, quem não sabe lidar com as frustrações da vida é um mero perdedor. Aqui, me lembrei dos jogadores da seleção brasileira na última copa chorando feito uns cagões. Ser um vencedor não é ganhar sempre, o vencedor é aquele que consegue lidar com as derrotas se preparando para as próximas possibilidades e oportunidades de vitória.

Como pode alguém acreditar que a vida tem que ser apenas doce, colorida, gentil e delicada? Quem ensinou para nossos jovens que o mundo pode ser um paraíso de igualdades e onde todos terão os mesmas oportunidades e conseguirão os mesmos resultados agindo sempre igual, como o gado que fica no pasto comendo grama e olhando para o chão?

Basta vermos os jogos olímpicos e perceberemos o quanto o mundo é malvadão com uns e generoso com outros. Fica fácil observar que só os melhores preparados física e mentalmente passam adiante e são premiados. Isso, meu caro, quer você aceite ou não, se chama meritocracia. E sim, todo mundo gosta, aplaude, se emociona, vibra com vencedores e também com os perdedores. Mas com os perdedores de fibra e raça, que caem de pé, que lutam até o fim. Não gostamos dos “cagalhões”.

Mas não, os jovens sabichões se enganam achando que tudo tem que ser fácil e lúdico, com purpurinas coloridas caindo do céu. Muitos imaginam que os “café com leite” merecem uma chance de sair um pouco mais na frente por serem mais fracos ou estarem mal preparados.

Vamos pegar alguns exemplos na escola. Os alunos querem tudo fácil, tudo tem que ser facinho, reclamam feito bebezinhos diante da primeira dificuldade. E toca a sociedade passar a mão na cabecinha deles. Diante disso, eles se tornam fracotes, uns bobalhões, uns analfabetos funcionais que se borram na primeira dificuldade. Então formamos uma geração de pessoas superficiais e rasas. É preciso que se tenha um grau maior de dificuldade na educação. Os alunos precisam estudar coisas difíceis, precisam realizar coisas complexas, porque se estudarem só coisas facinhas eles não aprenderão porcaria nenhuma, essa é a verdade. Serão uns inertes na vida. Que diante de qualquer dificuldade irão começar a chorar. Basta olharmos para as nossa sociedade moderna, muitos tem a vida completamente obsoleta e fútil. Vivem de ilusões acreditando que tudo tem que ser cor de rosa e bem ajeitadinho, tudo tem que ser delicioso como uma colher de doce de leite. Mas na maioria das vezes a vida é amarga e cruel. Conformemo-nos com isso. Não temos como fugir da realidade. Sim, existem momentos bons e ruins. Faz parte da vida. Nossa vida é como uma planta que precisa das quatro estações do ano para crescer, florescer e frutificar.

A escola moderna engana os alunos, forma jovens fracos e susceptíveis a pensamentos distorcidos da realidade. Formas fracos e incapazes que só sabem falar da “pedagogia do oprimido paulofreiriana”. Isso acontece faz décadas, por isso temos tanta gente fraquinha, pequenas vítimas do sistema, analfabetos funcionais que não entendem a realidade e fogem dela desesperadamente quando ficam cara a cara com ela. Quando peço para meus alunos lerem as grandes obras da literatura universal, eles não querem. Por que? “- Porque é chato e difícil”, eles dizem. Mas ler essas obras os coloca em contato com a realidade. Essas grandes obras mostra a dureza da vida real.

É triste ver o quanto nossa sociedade foge dos problemas. Se penduram nas novelas globais e acreditam na abertura das olimpíadas e ficam hipnotizados pelas cores e luzes como as mariposas, como se fosse um balsamo para suas dores, mas que as levam para o abismo e escuridão. A abertura das olimpíadas foi feita justamente para isso, levantou apenas discussões superficiais sobre quem criou o avião, empoderamento da mulher, uma classe de excluídos, vitimas de uma sociedade capitalista e opressora. Mas quase ninguém conseguiu ver a verdadeira mensagem subliminar por trás daquela bela plasticidade artística e cheia de luzes coloridas.

Fica difícil para uma sociedade hedonista aceitar que a vida é dura. Preferimos nos enganar achando que tudo de errado que acontece é fruto da opressão do sei lá o que. Não aceitamos que somos os responsáveis por tudo e que somos vitimas de nós mesmos, da nossa fraqueza interior. Somos os artífices de nosso destino. Normalmente a vida não é um romance com final feliz, pois no seu fim sempre existe um velório. Mas isso não significa que a vida tem que ser infeliz,  entendam que nesta vida nós experimentamos de tudo, desde momentos lindos e até a morte. Vamos ser honestos, vamos afirmar isso de coração: A vida é isso, é feita de momentos bons e ruins. Vamos parar de nos enganar, vamos parar de fugir das nossas dores, mazelas e sofrimentos. O ser humano atual é fugitivo de si mesmo, da realidade e do seu destino. É a amargura do jovem com a vida que o faz com que ele queira um mundo cor de rosa, um paraíso terrestre. Os jovens se deparam então, com uma vida cheia de páginas em branco esperando para serem escritas, mas sem coragem, a vida segue e as páginas jamais são escritas. Se não lutar para resolver seus problemas com coragem, então eles jamais encontrarão seu paraíso. E isso, tenho certeza, não o encontrarão se eles não mudarem o principal que é seu coração, seu espírito e sua mente.

 

 

 

Baseado em um vídeo do Professor Maro.