A escola não foi feita para divertir ninguém.

bagunça1O carnaval está chegando. Agora é hora de esquecermos nossos problemas e cair na folia. É uma explosão de prazeres e diversão. Muitos de nossa sociedade vive única e exclusivamente para desfrutar destes dias de alegria e felicidade. São sensações prazerosas que experimentamos e que são difíceis esquecer. Duram apenas cinco dias. “Pena que acaba”, dizem uns, que insistem em prolongar a festa até a quinta feira de “cinzas”

Quando vemos que somos um país que tenta construir uma civilização baseada nos prazeres das sensações, onde temos um projeto civilizatório baseado em carnaval, samba, pagode, funk, futebol, novelas, reality shows e suas comemorações, fica claro que nós brasileiros nos emocionamos somente com coisas deste tipo.

Um dia desses, proferi uma palestra para uma equipe de alunos e professores em uma universidade. Uma das coisas mais difíceis que me deparei nesse dia foi a de tentar manter aquelas pessoas atentas às minhas argumentações sobre o tema em discussão. Após os trabalhos, no fim do dia fomos para um “happy hour” em uma casa noturna tomar umas cervejas e relaxar um pouco.

O bar estava lotado de professores e alunos da universidade. Todos caíram na farra dançando alegremente ao som do funk proibidão do momento. Todos estavam fascinados por aquela situação. Era um contraste incrível. Os sorrisos daquelas pessoas com seus olhos brilhando de felicidade. Olhei para todos que estavam ali e fiz uma auto análise me achando um chato.

– Minha palestra deve ter sido uma chatice – pensei.

Conclui que todos os colegas devem ter pensado justamente isso enquanto eu tentava aplacar minhas argumentações sobre o problema do ensino e da educação e seus efeitos sobre o mercado da tecnologia e o desenvolvimento no Brasil. Me lembrei de que muitos dos colegas bocejavam ou literalmente “pescavam” durante minha explanação.

Que contraste isso, vejam só, aquelas pessoas que ficaram duas horas, em uma atenção artificial dificílima, sofrendo, tentando prestar atenção em minhas ideias, contra aquelas pessoas com uma espontaneidade genuína e encantadora durante a festa na casa noturna. Eram literalmente outras pessoas.

A proposição civilizatória brasileira é essa. É a de produzir uma sociedade baseada em entidades quantitativas.  Muitos prazeres. Muitos deleites sensuais. Muita diversão. É por isso que aqui temos essa epidemia de diversão, sensualidade, do calor, praia, carnaval, e tudo que é correlato a esses prazeres efêmeros. Basta ver o vídeo que a pretensa  candidata ao posto de Ministra do Trabalho do atual governo postou no youtube em uma lancha, com quatro homens sem camisa “sarados e depilados”, falando sobre sua seriedade para ser a postulante ao cargo de ministra e de que não sabia que tinha processos trabalhistas nas costas.

O problema dessa proposta civilizatória hedonista é que ela é impossível de se estabelecer como uma grande civilização em si, pois para se criar uma civilização de fato é necessário ter ligados a ela entidades qualitativas e não quantitativas. Não se produz uma civilização de verdade baseada em quantidades.

Veja, a diferença entre o prazer e a dor é a intensidade. Para ir do prazer a dor é apenas uma questão de segundos. É como comer chocolate. Uma barrinha é uma delícia, duas, é bom, mas dez barrinhas, dever ser no  mínimo indigesto. Se você duvida disso, é só experimentar comer dez barras de chocolate brasileiro, mesmo o de boa qualidade, e verá o resultado imediatamente na sensação que isso provoca no seu estomago guerreiro. O prazer de comer chocolate está em comer pouco. Mesmo que você ame comer chocolate, você não irá aguentar comer muitos mais depois da quinta  ou sexta barra.

Aprendi isso quando fui prestar um serviço na fabrica de bombons da Nestlé. O chefe da produção falou:

– Aqui pode comer à vontade! Não há limites. – com um sorriso malicioso no canto da boca.

Eu, com os olhos maior que o estômago, logo na primeira hora de trabalho comi vários bombons, de todos os tamanhos e sabores, na segunda hora, meu ímpeto havia diminuído, eu já estava meio cansado, na terceira hora o cheiro do chocolate já me causava náuseas te tão enjoativo que se tornara. Sábio o chefe da produção. Um mestre em controle de perdas.

Muitos mestres da pedagogia dizem que a educação vai mal, pois as aulas não são prazerosas aos alunos. Com aulas mais prazerosas e divertidas os alunos aprenderiam mais e melhor. Quanto mais diversão, mais aprendizado. quanto mais diversão, melhor.

Você, inteligente que é, deve estar perguntado:

-Mas quem foi que criou esse pensamento hedonista na educação?

Bem, no Renascimento, um sujeito chamado Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius; em português, João Amós Comênio;) criou essa proposição. Ele é o padroeiro da educação moderna. Ele foi o inventor deste pensamento. Das aulas prazerosas. A concepção da educação neste sentido, que estão implantando faz mais de 500 anos, se mostrou um fracasso. Ele sugere uma aula agradável tanto para professores quanto para os estudantes. O problema é que, tudo que foi pensado na pedagogia desde o Comenius, foi o que catalizou a destruição do verdadeiro conceito de educação e colocou no lugar o que chamamos de ensino. Portanto, hoje, na prática, o que temos no sistema educacional é o ensino puro e simples.

No Brasil, tiramos as crianças de suas casas por cinco horas diárias durante oito anos. O país investe 20% do PIB com esse tipo de educação e após esse período, conseguimos formar uma horda de analfabetos funcionais andando por ai. Dos que chegam ao oitavo ano, nenhum deles sabe ler efetivamente ou, se leem, não conseguem entender verdadeiramente o que leu. Não sabem para que serve a matemática ou sequer percebem os fenômenos da física ou da química no seu dia a dia. Não sou eu quem afirma isso. Basta fazer uma rápida pesquisa no Google e vocês irão observar esse fenômeno incrível nas estatísticas oficiais do governo.

Percebam que, tudo o que tem a ver com prazer é um processo de quantidade. Prazer e dor são graduações quantitativas. A educação verdadeira não lida com quantidade. Ela lida com qualidade. Lida com as virtudes que são entidades qualitativas. Quando pensamos na quantidade, estamos apenas nos desviando da virtude. A virtude é o caminho do meio. Não que uma boa aula agradável não deva ser dada. Nem que a aula seja tão enfadonha que todos queriam fugir dela. Não é isso. O que digo é que não é esse o objetivo da escola. A escola não foi feita para divertir ninguém, nem para torturar ninguém.

A escola foi feita para ensinar determinadas qualidades. O abandono destas qualidades, que era meta dominante na idade média, com o uso das sete artes liberais (Trivium e Quadrivium) foram substituídas apenas por uma experiência agradável e acreditem, esse movimento destruiu completamente a possibilidade de oferecermos uma boa educação para os nossos filhos.

 

Texto baseado em uma palestra do Prof. J.M. Nasser

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

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E se todos tivessem uma educação clássica?

1classicaHoje é domingo e domingo pede um cachimbo, então, como não fumo, peguei meu café e, entre um gole e outro, comecei a pensar sobre o motivo dessa profunda crise que nos afeta. Como diretor de uma pequena escola de apoio escolar, comecei a pensar sobre os porquês de estarmos profundamente afetados por uma educação tacanha e que levou nosso país à beira de um colapso econômico e social. Pensei nos motivos que nos deixaram à mercê de uma cultura que destrói a cada dia as coisas admiráveis que foram construídas por séculos e transformam nosso país em um amontoado de gente sem rumo. Então, idealizei uma nova escola para nossos estudantes fazendo a mim mesmo a seguinte pergunta:

– E se todos tivessem uma Educação Clássica?

É uma boa pergunta, não é? E como uma boa pergunta merece sempre uma boa resposta, comecei idealizando como essa escola deveria ser para responder a essa intrigante pergunta. Pensei em grandes nomes de nossa civilização:

Galileu Galilei, Willian Shakespeare, Charles Darwin, Martin Luther King, Albert Einstein, Thomas Jefferson, entre outros. O que esses grandes nomes teriam em comum?  Certamente uma educação clássica.

Tenho certeza absoluta que muitos dos leitores não tem a menor ideia do que esse tipo de educação possa significar. Esclareço que esse foi o método onde muitos dos grandes e mais influentes nomes da história, inclusive os que citei aqui, foram educados.

Eu descobri a educação clássica por influência de um renomado professor, já falecido, chamado José Monir Nasser, que me apresentou postumamente, um livro chamado O Trivium (Gramática, Lógica e Retórica) e O Quadrivium (Álgebra, Arquitetura, Música e Cosmologia)  escrito pela irmã Miriam Josef e um outro livro chamado “A arte de ler” do autor Mortimer Adler. Quanto mais eu lia esses grandes livros, mais eu me convencia que essa deveria ser a educação ideal para as crianças de todo o país.

É um conceito de sucesso histórico comprovado e muitos educadores pelo mundo afora estão redescobrindo esse método como uma das mais efetivas maneiras de se ensinar as crianças.

Como sou pai de duas crianças de 5 e 9 anos, eu e minha esposa nos preocupamos com o tipo de educação que eles recebem fora de casa. Eles estudam em uma escola particular com boa reputação como bolsistas. Mas mesmo essas boas escolas estão sob o rígido controle pedagógico do MEC em matérias como: Matemática, ciências, história, língua portuguesa, geografia, filosofia e ensino religioso.

“Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nós perdemos praticamente nossa humanidade, nossa alma?”

É fácil perceber como os alunos das escolas particulares e estaduais não estão sendo academicamente desafiados e não aprendem os valores que nós consideramos os mais importantes para eles aprenderem. É muito frustrante isso, mas essa frustração faz todo o sentido. Basta você ver os resultados dos testes destes mesmos alunos, comparados com de outros países e você verá que ocupamos as últimas posições no desempenho em Matemática, Ciência e Leitura.

Esses resultados são terríveis! Isso mostra que o ensino da forma como é hoje no Brasil é praticamente irrecuperável.

O país se depara hoje em dia com as dificuldades em contratar profissionais, melhorar o desempenho empresarial e governamental. Além disso, estamos perdendo jovens com grande potencial de sucesso para a violência e as drogas. Então eu me pergunto: Quando foi que nossa sociedade se tornou tão repleta de violência que nos levou a perder praticamente nossa humanidade, nossa alma?

A escola que sonho em fundar, é aquela que ofereceria o tipo de educação clássica e que encontraria os pais desejosos desse tipo de ensino: O ensino de uma Escola Clássica. Muitos devem, agora estar se perguntando: “Mas que raios é uma Escola Clássica?”

“Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.”

Aprendi no livro “O Trivium”  que a educação clássica começa com 3 matérias ou três estágios de aprendizado: Gramática, Lógica e Retórica.  Na gramática o aluno aprende sua língua mãe, como uma ferramenta para entender as outras matérias que virão. Na lógica, ele aplica todos os assuntos aprendidos e, mais tarde, se foca na retórica onde ele aprende a se comunicar adequadamente. Todos esses estágios se integram perfeitamente com a progressão natural do desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Nesta escola, os alunos aprenderiam a pensar de forma estruturada, pois crianças aprendem qualquer coisa com muita facilidade. Vejo isso em casa, com meus filhos, que conversam comigo sobre assuntos da literatura e das ciências com muita desenvoltura. Eles nunca se cansam de falar sobre planetas, velocidade da luz, ondas gravitacionais, estrelas de outras galáxias, histórias de reis e conquistadores, a vida de Jesus, histórias clássicas e fábulas.

Um outro aspecto da Educação Clássica, nesta hipotética escola, seria o uso de escritores clássicos logo no início do estágio gramatical. Os clássicos resistiram a ação do tempo. Possuem toda a sabedoria de gerações e são repletos de tanta riqueza de conteúdo que encanta as crianças que adoram lê-los.

Me deparo diariamente com alunos do ensino médio com uma caligrafia horrível e uma péssima compreensão do que leem, não só pela letra ruim que eles não entendem, mas por não saberem ler efetivamente. Na fase Gramatical, nesta escola, ensinaríamos a arte da boa caligrafia, por ela trazer benefícios cognitivos já conhecidos. O ensino do Latim seria parte do currículo. O Latim é a base de TODAS as línguas românicas, base da nossa própria língua. Os alunos que sabem Latim, tendem a apresentar um desempenho muito melhor em provas padrão, e ainda por cima, aprendem outros idiomas modernos com muito mais facilidade.

História é outra parte importante da nossa escola dos sonhos. Ensinaríamos desde a História Antiga até a Moderna sequencialmente, várias e várias vezes durante os 12 anos de estudos dos alunos. Priorizaríamos os estudos dos documentos originais, ao invés de cartilhas e apostilas, assim, os alunos estariam na verdade, lendo o que as próprias pessoas tiveram que pensar e dizer quando da ocasião dos fatos.

E sobre a fase Lógica?

Nessa fase os alunos estão curiosos e vivem perguntando o “porquê” ou “como” disso ou daquilo. Eles estão se tornando argumentativos. O objetivo da fase lógica seria: Dar ao estudante uma compreensão profunda das matérias estudadas até aqui. Daríamos aulas de Lógica Formal, onde elas aprenderiam a arte da argumentação, aprenderiam argumentos formais e bem fundamentados reconhecendo falácias lógicas tão comuns nos dias atuais. Neste mesmo período, ensinaríamos aos alunos o processo de como escrever de verdade, tudo isso até o final do ensino médio.

Na fase Retórica, os alunos já estariam mais independentes. Com o que aprenderam eles já formariam suas próprias opiniões e começariam a se “separar” da família. Agora eles teriam as ferramentas dos assuntos e opinião própria, mas o mais importante eles entenderiam profundamente esses assuntos. Eles analisariam e sintetizariam as informações, formariam suas próprias opiniões embasadas em fundamentos sólidos, e seriam capazes de comunicar essas opiniões de forma efetiva e persuasiva.

Esse seria o grande tesouro que a nossa Escola Clássica daria aos estudantes. A capacidade de discutir profundamente o que foi estudado, onde eles poderiam aplicar a análise e a síntese imediatamente na vida real. Desenvolveriam argumentos baseados na razão, e depois disso, receberiam um treinamento formal em retórica onde aprenderiam a arte de escrever e falar de forma articulada e persuasiva. Na Escola Clássica, o ponto mais importante seria que nossos alunos aprenderiam a aprender.

E os valores?

A Escola Clássica abordaria tanto a mente quanto a alma, a integridade do ser (Corpo, Coração, Mente e Espírito). Nutriríamos a alma com os valores e crenças Judaico-Cristãs. Jamais exigiríamos que nossos alunos fossem Cristãos. Os faríamos apenas entender a perspectiva Cristã e seus valores fundamentais. Exporíamos outras tradições de fé e assim eles seriam capazes de compreender outros pontos de vista do mundo.

Para muitos leitores, isso pode parecer fora da realidade atual. Mas sonhos foram feitos para serem sonhados. Estou convencido que se todas as pessoas da minha geração e da geração seguinte a minha tivessem estudado na Escola Clássica, viveríamos hoje em um país muito diferente e menos vulnerável aos mentirosos profissionais de plantão.

Os alunos , expostos a esse método, estariam aptos a frequentar cursos superiores em qualquer país do mundo e teríamos muito mais empreendedores e profissionais qualificados para desenvolver o país que queremos.

Na escola clássica, como dito anteriormente, nossos alunos aprenderiam como se tornar pensadores profundos e a falar de forma persuasiva e articulada, aprenderiam a raciocinar de forma lógica e a escrever bem. Aprenderiam a aprender.

Isso faria com que eles desenvolvessem o respeito pelos outros e por si mesmos, inclusive por aqueles que tem valores e crenças diferentes, mas sem tolerar a destruição das coisas admiráveis que nossa civilização conquistou. Internalizariam seus valores e teriam, com isso, uma orientação correta para tirar conclusões morais. Se tornariam responsáveis, confiáveis e aprenderiam a dar atenção ao mundo à sua volta. Eles desenvolveriam a força de caráter para agir com compaixão.

Agora , vamos voltar à pergunta inicial:

Como o mundo seria se todos de nossa cultura tivessem uma educação clássica?

Imaginem como seria se todos estudassem na Escola Clássica?

Pense nessas pessoas atuando nos gabinetes em Brasilia, no Senado Federal, nos governos estaduais, prefeituras, nas empresas, liderando grandes projetos, nos meios de comunicação de todo o país, nos sistemas de ensino, na nossa vizinhança.

Como seria a nossa sociedade? Faça uma reflexão.

Cidadãos que saberiam sua história verdadeira, de forma tão profunda que isso evitaria os erros do passado. Cidadãos que tomariam suas decisões baseados na razão e não apenas na emoção, e que reconheceriam as mentiras de modo que não poderiam ser enganados ou manipulados. Cidadãos capazes de expressar seus pensamentos e ideias de forma articulada e convincente através de debates respeitosos, ao invés apenas de denegrir aquele de quem discordamos. Isso seria uma mudança prazerosa no cenário das diferentes áreas da interação social

Qual o tipo de educação vocês querem que nossos futuros líderes tenham? E seus próprios filhos, a educação escolar que eles recebem hoje, está adequada para a construção do país que queremos?

Pense nisso!

Eu sei que a Educação Clássica funciona… ou vocês acham que a educação atual, que temos nas escolas nos dias de hoje, é apenas um mero acaso?

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Em busca da fórmula do amor.

math_love5Nesta época do ano, atendo muitos alunos desesperados. A maioria deles me procuram para que eu os ajude a passar de ano. Me dizem que odeiam estudar, principalmente matemática e física. Eles choram, se angustiam, se enganam e nutrem um ódio profundo pelos números. Normalmente tento entender a causa deles sentirem esse desprezo profundo pelo campo das ciências exatas.

Meus alunos dizem que eles ficam confusos, que a matéria os entristecem. Os símbolos estranhos os afastam. Um dos meus alunos disse que nem sabe sequer como chamá-los.

    -Para mim, cada um deles é um palavrão professor! – disse um deles, sorrindo.

Na verdade, o desconhecimento deles é mais profundo. Eles não entendem que matemática está em um mundo secreto. Não entendem que a matemática é um universo oculto de beleza e alegância. E este mundo está, inexoravelmente, entrelaçado com o nosso. Esse mundo é invisível para todos nós. E que para dominar esse vasto território é necessário aprender a falar o Matematiquês.

Na verdade, a matemática está incrustada no nosso dia a dia. Todas as vezes que compramos algo pela internet, usamos o Whatsapp, ligamos o Waze, todas aquelas fórmulas matemáticas e os algoritmos que normalmente vemos no ensino médio, estão lá dentro, presentes, como um espirito que faz as coisas funcionarem. Por outro lado, quase todo mundo se apavora com a matemática e seus espíritos. Pensam que esse é um assunto apenas para os iniciados no mundo dos espíritos da ciência, para uma elite inteligente que conseguiu se entrincheirar nesse mundo estranho e oculto.

Consigo entender esse sentimento, afinal, eu mesmo sofri com isso e consegui levar bomba na sexta série por não saber decodificar essa linguagem, justamente por não ter estudado o suficiente seus segredos. Eu não tinha consciência do mundo oculto da matemática. Como a maioria das pessoas, achava que era um assunto chato, insipido. Para mim, a matemática era abstrata demais e sem sentido. Hoje percebo que o que aprendemos na escola é apenas um arranhão nessa ciência e cuja a maior parte dela foi estabelecida há mais de mil anos por homens corajosos e curiosos.

As leis da natureza estão escritas na linguagem matemática. Ela descreve a realidade e nos faz entender como o mundo funciona. Essa linguagem é universal e atemporal e que se tornou o padrão ouro da verdade.

Com ela eu aprendi que a vida é cheia de possibilidades, cheia de elegância e beleza, exatamente como a poesia, as artes plásticas e a música. Fiquei apaixonado. E depois que comecei a me relacionar intimamente com ela, minha visão do mundo nunca mais foi a mesma.

É notável a democracia inerente da matemática, as suas equações pertencem a todos nós. Ninguém detêm o monopólio sobre esse conhecimento. Não se pode patentear E=mc2. Ela é uma Verdade Eterna a respeito do universo. Rico, pobre, negro ou branco, jovem ou adulto, ninguém pode tirar essas fórmulas de nós. Nesse mundo, nada é mais profundo e elegante e, no entanto, tão disponível para todos. Basta querer ter uma relação mais íntima com ela e ela desvendará seus segredos, mas não tão facilmente.

A matemática oferece um fundamento lógico e uma capacidade adicional de nos amarmos e amarmos o mundo ao nosso redor. Uma fórmula matemática não explica o amor, mas pode transmitir uma carga de amor.

Eisntein disse: ” Todos que estão lidando de forma séria com a ciência se convenceram que algum Espirito se manifesta nas leis do universo, um Espirito muitíssimo superior a nós e que diante Dele devemos nos sentir humildes!” e Newton expressou assim: “Tenho a impressão que fui apenas um garoto brincando na praia, encontrando conchas, uma aqui outra ali, enquanto o grande oceano da verdade permanece todo desconhecido diante de mim”

Meu sonho é despertar nos estudantes esse amor pelo saber e que um dia todos nós nos daremos conta dessa realidade escondida.  Dessa forma, talvez possamos ser capazes de deixar nossas diferenças e nos voltarmos para as profundas verdades que nos unem. Assim, seremos como crianças brincando na praia, maravilhados com a beleza deslumbrante e a harmonia que descobrimos, compartilhamos e apreciamos juntos.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

O ensino no país precisa evoluir já.

Schoolchildren bored in a classroom, during lesson.Muitos gritam aos quatro ventos que a educação do Brasil é um fracasso. O que eu realmente concordo. Só não gosto do termo “educação” para definir o que acontece nas escolas e nas universidades espalhadas pelo país. Por educação, entendo como um termo que é ensinado em família ou na pequena comunidade social onde um indivíduo vive. Isso não tem simplesmente nenhuma ligação com o elemento ir para a escola todos os dias para aprender matérias das ciências, das letras e das artes. Hoje, na verdade, temos em muitas das escolas apenas alunos mal educados vindo para a um ambiente onde eles encontram seus pares para passar o tempo, receber algum tipo de doutrinação ideológica, sem falar nas coisas piores que de fato acontecem dentro das escolas: Drogas, sexo, brigas, etc. Não respeitam nada e nem a ninguém.

Então, aqui temos um grande problema. Estudantes deveriam estudar apenas. Deveriam aprender alguma coisa, ou pelo menos, deveriam querer aprender algo. Mas na verdade, não se interessam em saber mais, eles não tem interesse em muita coisa, nem sabem ao certo quais são as suas próprias vontades e qual seria o seu caminho acadêmico, ou mesmo se querem seguir esse caminho verdadeiramente.

Vendo o comportamento de estudantes em todo o país que batem em professores, jogam latas de lixo sobre eles, socam a cara deles, tem um desempenho escolar abaixo do nível mínimo para ser aprovado, mas mesmo assim são aprovados, percebo que nunca recebem um não, pois para alguns “educadores” dizer um não a eles, pode deixa-los “traumatizados” pelo resto da vida. Sabemos que isso só ajuda a criar monstros totalmente burros e sem educação, vemos que é um comportamento adquirido pela falta completa de referências educacionais e de ensino.

Para mim, a educação forma pessoas auto conscientes, já o ensino, forma profissionais, artistas e pensadores, todos competentes e cientes da realidade que os cerca.

Até um certo momento de nossa civilização, as famílias ensinavam para seus filhos o que era absolutamente necessário para sua sobrevivência. Por muitos séculos, isso foi uma necessidade fundamental para a sobrevivência humana. Os conhecimentos adquiridos eram passados de geração em geração, de pai para filho. Esses conhecimentos eram a base de tudo, tais como: como se preparar para o rigoroso inverno, quando plantar e quando colher, quais frutas podiam ser comidas, como se defender de amimais selvagens, como preparar a caça para uma refeição, como fazer fogo e etc.

A partir do advento do arado, tudo começou a mudar. O homem descobriu que poderia melhorar e muito sua produtividade otimizando a produção de alimentos com determinadas ferramentas. Isso abriu as portas da criatividade humana, que trouxe em seu bojo a industrialização. Então, na revolução industrial, o trabalho evoluiu. Muitos processos foram automatizados e isso gerou mais oportunidades de emprego. Vale ressaltar aqui que as condições das famílias eram bastante difíceis naquele tempo pré revolução industrial. As famílias eram afligidas por doenças, fome e tinham poucos recursos. A industrialização trouxe novas possibilidades de se ganhar algum dinheiro trabalhando nas áreas urbanas, que era a única opção viável. Assim, muitos se dirigiram rapidamente para os locais onde haviam essas fábricas e famílias inteiras, inclusive suas crianças, começaram a trabalhar para não morrer de fome nos campos. Isso foi um avanço. Naturalmente que neste processo os salários foram gradualmente aumentando com o tempo. Assim, desta forma, as crianças que trabalhavam começaram a não mais ter a necessidade de sair para trabalhar, pois as rendas de suas famílias começaram a ser suficiente para mantê-las em casa. A sorte é que elas aprenderam a usar o que foi aprendido no trabalho e suas ferramentas.

Então, depois de séculos na agricultura de subsistência, seus pais começaram finalmente a enriquecer. Essa riqueza adicional, trouxe a possibilidade de deixar os filhos em casa com tempo livre para apenas aprender coisas novas e desenvolver suas habilidades. Para isso, foi necessário a criação de locais onde elas aprendessem as artes liberais e os ofícios. As escolas. Aqui, podemos observar a naturalidade com que se foi estabelecendo a ordem espontânea que direciona o pai ao trabalho, a mãe à educação, proteção e manutenção do lar e orientação os filhos ao aprendizado.

Então, aquelas pessoas que tinham uma maior facilidade de transmitir o que deveria ser ensinado se tornaram os professores. Agora cabe aqui uma explicação sobre a etimologia da palavra “professor”: Ela vem de professar, declarar.

Podemos observar então que, ao longo do tempo, o ensino escolar básico sempre esteve relacionado, de forma direta, com o trabalho. Quando as atividades estavam baseadas apenas no campo, a educação e o ensino eram voltados para atividades camponesas. A partir do momento em que o homem se torna mais urbano, a escola também fica mais urbana, então o acesso ao conhecimento aumenta de forma significativa.

Com o avanço da tecnologia, o acesso ao conhecimento foi se tornando cada vez mais necessário. Novos produtos e serviços foram sendo criados. Então, décadas adiante, surge a ferramenta chamada Internet. Essa ferramenta mágica que nos dá a nítida sensação de que todo o conhecimento do mundo está na palma de nossas mãos, na frente de nossos olhos. É simples, pois agora temos o Google. Agora podemos encontrar todas respostas para inúmeras questões. Basta perguntar literalmente. Sem sombra de dúvida, ter amplo acesso à informação nos traz muitos benefícios. Mas fica uma pergunta no ar: Como podemos, como pais,  saber quem está ensinando nossos filhos a separar o que é boa informação daquilo que não é? A internet é cheia de armadilhas, assim como nas escolas.

Sabemos que nas escolas de todo o país existem mais doutrinadores ideológicos que professores de fato.

Na minha atual atividade como professor de estudantes que querem melhorar seu desempenho escolar e, por força da minha formação, com um profundo conhecimento em tecnologias de ponta, percebo atitudes dentro do processo de ensino que não estão de acordo com a nossa época e estão muito longe disso. Com exceção de uma ou outra iniciativa tecnológica como a substituição do velho mimeógrafo (que exalava aquele agradável cheiro de álcool) pela impressora a jato de tinta para imprimir provas e trabalhos; ou a substituição da lousa pelo projetor inteligente sensível ao toque, não temos uma absurda mudança ou uma interrupção do curso normal deste processo na hora de ensinar as crianças. Posso ver claramente aqui que existe uma problematização vinda diretamente das cabeças pensantes, justamente os doutrinadores ideológicos, influenciadas pelo “guru” e “deus” da educação sócio-construtivista no país chamado Paulo Freire. Na minha opinião, um dos responsáveis pelo Brasil ter sido o único país do mundo a ter o Coeficiente de Inteligência mais baixo  das últimas décadas.

Tenho aqui uma proposta que creio ser razoável para realizar uma disruptura neste cenário: Além, claro, de buscar a integração do corpo, coração, mente e espírito dos alunos, que vai ajudar no seu auto conhecimento e nas suas ações e vontades, ora fica claro que se já utilizamos a internet como fonte de conhecimento dia após dia e o ensino está intimamente ligado a ela, precisamos evoluir para o estágio em que ensinamos os estudantes a aprender com ela.

Os jovens já se interessam mais pela internet e suas tecnologias do que pela sala de aula. Faça uma pesquisa: Pergunte a dez professores qual o maior inimigo deles hoje em dia e praticamente todos vão te responder que o principal inimigo deles hoje é o Smartphone.

Tive uma aluna que conseguia ficar em frente ao Smartphone por horas durante as madrugadas assistindo seriados americanos e enlatados na Netflix ou vendo “youtubers” imbecis se lambuzarem com Nutella ou jogarem trecos de cima de prédios, ou darem dicas de como fazer suas necessidades fisiológicas na casa de amigos, mas não ficava nem dez minutos atenta ao que eu dizia a ela em nossas aulas de álgebra, por mais que eu me esforçasse em deixar a aula mais dinâmica e interessante.

Proponho então, que se use todo esse potencial dos jovens e esse arsenal tecnológico à favor do ensino. Dou aqui algumas dicas: Bem, sugerir o uso de drones, robôs e computadores é o mais óbvio e relativamente barato. Mas, que tal colocar esses estudantes para pensar nos problemas da vida real? Que tal dar a eles responsabilidades e cobrar também um comportamento responsável? Fazê-los gerenciar projetos reais para a vida real usando as ferramentas que eles já sabem usar tão bem? Fazê-los criar seus próprios seriados no youtube?

Hoje em dia, qualquer pessoa tem um celular. Qualquer estudante sabe usar um editor de vídeo. Por que não, pedir a eles para gerenciar a compra e venda de seus próprios bens e serviços. Mostrar a eles como planejar investimentos financeiros ou a compra de um imóvel. Pedir a eles que se arrisquem mais e criem empresas virtuais de tecnologia. Pedir a eles que usem o que sabem para criar seu próprio conteúdo?

Tenho certeza que rapidamente irão usar o que aprenderam na teoria ou então perceberão a necessidade de aprender certos assuntos para progredirem nos seus projetos. Os professores serão seus mestres, mentores e orientadores.

Mas vejo que muitos colegas professores também tem muitas dificuldades em lidar com tudo isso.  Ainda estão presos em suas próprias limitações e presos nas limitações impostas pelo MEC e sua padronização educacional alinhada com a ONU que não entende as peculiaridades regionais que existe no país, quem dirá de cada estudante. Então, precisamos nos organizar para trazer o modelo que interessa aos jovens e que pode mantê-los, não presos na sala de aula, mas livres e atentos ao que a vida fora da sala de aula apresenta a eles como desafio de vida.

Precisamos romper, o mais rapidamente possível, com o modelo de ensino tradicional imposto pelo Estado ou a escola estará condenada a não cumprir sua missão principal que é a de ensinar os jovens a lidar com as complexidades técnicas inerentes ao mundo contemporâneo.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

Saia de casa e vá ver um belo Jardim enquanto é tempo!

jardimEu sou apenas um simples professor de matemática que entende um pouco de música em busca do saber e não um crítico de arte. Desde o primeiro dia que resolvi escrever aqui neste blog sobre meu processo de auto conhecimento, tinha dúvidas sobre se eu estava realmente tendo sucesso nessa empreitada pessoal. Meu objetivo aqui era apenas dar vazão aos meus pensamentos sobre tudo o que eu via e não entendia em minha volta. Mas depois de hoje, percebi que não tenho mais motivos para duvidar sobre o sucesso da minha empreitada pessoal.

      Há alguns anos, mais precisamente na páscoa de 2013, estava conversando com meu irmão sobre a situação execrável de nossa política e sobre como nossa sociedade havia chegado quase ao fundo do poço, falávamos sobre o risco que corríamos em perder tudo de admirável que havíamos construído até então, nossos valores, nossas famílias. Naquele dia ele me disse:

“- Irmão, você tem que ver as palestras, ver o vídeos do Olavo, o homem é muito bom”.

       Naquela semana, entrei no youtube e assisti horas e horas de vídeos, comprei vários livros do professor Olavo de Carvalho, entre eles O Jardim das Aflições” e desde então, comecei a entender o motivo das minhas aflições pessoais.  Não pense que me livrei destas aflições depois disso, apenas as entendi. Apenas percebi que teria que estudar como jamais havia estudado antes se quisesse entender a realidade que me cercava.

      Pois bem, hoje foi um dia muito especial. Hoje foi o dia em que fui ao cinema ver finalmente o documentário O Jardim das Aflições do competente diretor Josias Teófilo, que conta o percurso biográfico, a rotina e o pensamento deste filósofo brasileiro chamado Olavo de Carvalho.

       Escolhemos a sala Kinoplex Vila Olimpia.  Apenas um pequeno detalhe: O homem responsável pela projeção errou feio quando começou a passar de um tal de Amor.com no lugar do Jardim. Algumas pessoas ficaram atônitas. Na hora eu perguntei para minha esposa:

“- Erramos de sala?!”

       Imediatamente saí do meu lugar e seguido por uma dezena de espectadores, fomos reclamar com o responsável sobre aquele erro tosco. Além disso, por algum problema no projetor, o filme não ficou tão bem enquadrado naquela tela enorme.

      Acredito que muitas pessoas devem ter ouvido falar deste filme/documentário de que ele “não deveria existir” ou sei lá. Coisa de gente invejosa. Gente que fala isso, sempre nega até sua feiura quando olha para o espelho. Esse documentário foi tratado por essa gente como um filme perigoso. Incrivelmente dito por diversos diretores e cineastas brasileiros e, depois de eu ver o filme, ficou claro a razão dessa reação.

      Detalhes à parte, o filme é de uma qualidade ímpar. A trilha sonora me impressionou, eu que sempre critiquei a qualidade do som do cinema nacional, garanto que a trilha sonora é de  extremo bom gosto. A música dá um contraponto extremamente agradável à narrativa. O bandoneon e depois o clarinete, que aparece graciosamente, e dá um tom tristonho e nostálgico em algumas cenas (sim, lembra o tema do Poderoso Chefão, pois esse usa a linha melódica mesma sinfonia #1 de Sibelius), te remete ao seu eu interior e ao mesmo tempo leva a você a pensar sobre si mesmo, enquanto espera as próximas falas do professor Olavo, que está sempre calmo e preciso em seu pensamento.

      A fotografia usa uma paleta de cores equilibrada e que evolui em tons quentes, que é muito confortável, agradável e combina perfeitamente com a narrativa do documentário. Parece que você está lá naquela casa no estado da Virginia nos EUA ouvindo o professor falar exclusivamente para você.

      Só esses dois pontos que coloquei aqui já seriam o suficiente para despertar a inveja e a ira de vários diretores de cinema que, mesmo sem ter visto o filme, morrem de inveja e vergonha  de si mesmos quando sabem que este documentário foi produzido com recursos vindo de processos de “crowdfunding”.

      Mas o que mais me emocionou neste filme foi o seu conteúdo. O momento em que o professor Olavo dispara seu rifle é o momento que você acorda para a realidade e toda a narrativa começa. Ver aquela família simples, cheia de vida e amor é como ver todas as famílias simples deste Brasil, sua fé e seus valores.

      Outra coisa que me emocionou foi ver o quanto minha esposa se identificou com a proposta do Olavo sobre a transcendência filosófica, com trechos sobre a consciência individual e a herança psíquica que recebemos dos nossos antepassados e a finitude humana. Isso mostra que estamos alinhados no pensamento filosófico. Só isso já alivia minhas aflições profundamente.

       Quando o filme terminou, fiquei por alguns segundos esperando por mais, mas tive que aceitar que o filme já havia terminado, e me contentei em ficar ali sentado para ver os nomes de algumas pessoas conhecidas subindo nos créditos: Mauro Ventura, Rodney Eloi…

       Agora, depois de uma dura caminhada pela vida para saber mais sobre mim, fecho um ciclo depois desse filme e com isso acabo entendo muita coisa. Entendo minhas aflições e as aflições alheias, entendo que estou tendo relativo sucesso em minha empreitada pessoal na busca pelo auto conhecimento, por outro lado entendo o motivo de tanta gente não querer que você veja este filme, pois esse filme é realmente muito bom.

      Esses seres sem personalidade que o boicotaram são os seres irracionais que dormem, são os que vivem sonhando com suas utopias vãs, e um filme desses os ameaçam e os fazem ver que é hora de acordar para vomitar para se livrarem seus venenos que destroem suas almas, esse filme os fazem parar para pensar em suas miseráveis e porcas vidas. E todos sabemos que somente a pura arte real é que tem esse poder, que é de nos fazer acordar, pensar, refletir sobre nós mesmos!

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

Chegou a hora de desescolarizar o ensino?

Another Brick in The WallConta-se que por volta de 1600 DC, um homem chamado Jan Amos Komenský (Comenius em latim) resolveu realizar algumas modificações na educação da idade média e criou um método onde a frequência dos alunos nas escolas fosse obrigatória. Isso é semelhante, de fato, com as escolas como a conhecemos hoje e , claro , como não podia deixar de ser, esse método foi um prato cheio para que as escolas fossem usadas politicamente por governos de todos os tipos. Antes disso, só procuravam o saber e o conhecimento, as pessoas que verdadeiramente o desejavam. Havia o estudo das Artes Liberais que eram oferecidos pela igreja e os ofícios que vinham tradicionalmente das famílias e seu trabalho secular. Hoje, no mundo todo a educação é um direito das pessoas, É o que diz nossa constituição. mas, em muitos países, caso os responsáveis não matriculem seus filhos em alguma escola, poderão ser sumariamente processados e poderão até serem detidos pelo estado que não hesitará em usar o código penal contra a evasão escolar.

             O pesquisador e psiquiatra Lyle H. Rossiter  escreveu um livro (A mente esquerdista) sobre a mente e o comportamento humano regulado por ideologias políticas de esquerda. O Dr Rossiter mostra quão complexos são os padrões que uma criança adquire na primeira infância quando submetidas a distorções educacionais. Mas o que o Dr. Rossiter afirma é que esses padrões são adquiridos dos pais verdadeiros ou substitutos e que a criança os levará para o resto da vida delas. Esses padrões vem principalmente da mãe. Então, essa relação bebê/mãe é de fundamental importância para a formação da personalidade do ser. É ela que formará a personalidade do indivíduo e poderá estabelecer como ele irá lidar com a realidade do mundo em que vivemos. Dependendo dos padrões adquiridos, basicamente uma pessoa poderá lidar com a vida, ou de forma ativa e responsável ou de forma vitimista e dependente, entre outras variações. Então, um indivíduo que tem responsabilidade, sabe que sua liberdade estará diretamente ligada ao seu esforço pessoal para vencer as dificuldades da vida, seja nos estudos, seja no trabalho. Já os dependentes, culparão sempre os outros, seja o professor, a mãe ou o pai pelo sua incapacidade de saber mais sobre si mesmo ou pela simples falta de vontade em agir. Sempre será um dependente, seja do estado protetor, ou de uma droga que alivie a dor da vida ou dependente de uma ideologia que facilite a vida dele ao máximo. O mais interessante é que muitos pedagogos, educadores, políticos, sabem disso. Os governos sabem disso, por isso, usam a escola para seus propósitos mais mesquinhos.

                    Ivan Illich sugere que as escolas são, de um lado, instrumentos de engenharia social estatal à serviço de interesses políticos ideológicos e de outro instrumentos de captação de alunos/clientes para oferecer a possibilidade de ascensão social a seus clientes. Ninguém tem mais o direito de NÃO IR para a escola tradicional. Quando o aluno entra no sistema de ensino, a percepção é que ele nunca será cobrado a se esforçar de verdade. Todos os alunos, até certo ponto, sabem que NUNCA serão reprovados, seja no ensino público ou particular. Qualquer esforço adicional que você impõe ao aluno, caso ele estude em escolas particulares, ele ameaça veladamente professores e diretores dizendo que (SiC): ”- eu é que pago o seu salário professor”. E, caso estude em escolas publicas (SiC) “- professor, você, nem ninguém, manda em mim”. E quando essa cobrança vem dos pais para os filhos, então um problema familiar se estabelece. Qualquer referência ou tentativa de disciplinar o aluno a respeitar códigos de conduta e regras sociais é prontamente desencorajada em nome de uma “construção do conhecimento”. Em nome de uma guerra à opressão social e familiar. Crianças, na maioria dos casos, são curiosas, geniais, comunicativas e adoram por a mão na massa quando elas têm vontade. Em minha experiência com o ensino de várias crianças e jovens, incluindo meus filhos, percebi que elas podem aprender, e muito rápido, se deixadas a explorar o mundo que as cercam, desde que elas tenham vontade e seja aquilo que elas querem. Mas, o que muitos se esquecem, não é apenas o que as crianças querem, mas o que elas de fato precisam aprender, e isso é o que realmente importa. E para que o aprendizado ocorra, é necessário que quatro elementos fundamentais brotem do indivíduo: vontade, disciplina, coragem e dedicação.

              Crianças , normalmente, gostam muito de se sentir sem limite algum, mas elas não tem maturidade suficiente para agir conforme suas vontades infantis, então em seu âmago clamam desesperadamente por limites e atenção. Por isso, é necessário que elas tenham uma rotina diária de incentivos às suas ações volitivas e de aprendizado que devem ser orientadas por pais e professores todo o tempo e devem sempre ser validadas e encorajadas a continuarem  a fazer suas perguntas e mostrar descobertas. Mas o que é preciso entender é que para que o conhecimento e o aprendizado correto ocorra e seja válido é necessário seguir determinados métodos. Ela precisa ser estimulada a entender a natureza daquilo que aprende e o que ela deve fazer para fixar todo esse conhecimento em seu cérebro de forma correta e duradoura sob o ponto de vista científico.

Uma criança leva aproximadamente 8 anos para falar a língua mãe de forma articulada, sempre baseada no que ouve de sua mãe, pai e pessoas mais próximas. Ela aprenderá a falar o português dessas pessoas, mas ela jamais será capaz de entender a lógica da sintaxe gramatical correta por si mesma se não se esforçar e estudar ativamente sua língua mãe durante décadas sob a orientação de professores de língua portuguesa sérios e engajados com a língua falada e escrita de forma correta. Os alunos jamais entenderão por si só que aritmética e álgebra são ferramentas que eles usarão para o resto da vida e que só aprenderão com muito esforço e por vezes por enfadonhos processos repetitivos iniciais (vide a tabuada), mas que os ajudarão no raciocínio lógico para os estudos científicos e filosóficos futuros, ou simplesmente para não serem enganados na mercearia do bairro.

              Segundo Illich, cada vez mais nossa sociedade se torna super complexa. As tecnologias caminham junto com as sociedades e estão cada vez mais desenvolvidas, então não podemos mais admitir que um jovem de 16 anos não saiba como funciona a lógica matemática na multiplicação, não saiba entender a relação lógica entre um texto de filosofia e um programa de computador.

                  Muitos alunos sempre fazem a clássica pergunta: – Professor, por que temos que aprender isso, se nunca vou usar essas fórmulas? A resposta é simples: Da mesma forma que seu jogador de futebol favorito aprende nos treinos as jogadas, e as treina, treina para fazer os mais belos jogos e gols para seu time. Aprende-se isso para a vida! Você estuda isso para dar continuidade ao legado que nossos antepassados nos deixaram. Você entende a responsabilidade que é isso? Você não está aqui nesse mundo a passeio. Quando você vai na academia, você exercita todos os músculos do corpo, principalmente os que você acha nunca usará, apenas para estar preparado para um torneio ou competição, estudar é a mesma coisa.

                 Existem casos de alunos que nada sabem, nada aprendem, se esforçam pouco e passam raspando no “conselho de classe” em escolas de médio e alto nível em São Paulo. Sem generalizar, o que parece é que esses conselhos de classe nada mais são que um sistema para evitar a perda de alunos pagantes (clientes) e para evitar um possível conflito com os pais caso haja uma reprovação. A escola particular, então, vira refém do mercado (dos pais pagantes e dos alunos). Os alunos, inteligentes que são, sabem disso e se aproveitam para iludir pais e professores e fazem o esforço mínimo apenas para seguir adiante, mesmo sem entender os detalhes importantes de uma determinada matéria. Os pais, vendo que seus filhos são aprovados, mesmo com um desempenho ruim, ficam até certo ponto satisfeitos, pois investiram uma fortuna durante todo o ano letivo e não querem perder isso. Os alunos ficam bem satisfeitos, pois apenas passaram de ano e a escola fica feliz, pois garante matrículas para o ano seguinte, mantendo assim seu equilíbrio físico- financeiro saudável.

             Na escola pública, como é sabido, os alunos passam de ano sem esforço, os professores jamais confrontam o aluno exigindo disciplina, pontualidade e esforço, pois sabem que podem ser processados e ou agredidos (por alunos e pais) e os pais mais desavisados e sem tempo ou sem recursos, acham que, com os filhos na escola, o problema da educação deles está definitivamente resolvido. Os alunos espertos, apenas são os que se esforçam um pouco mais.

              Ledo engano achar que está tudo resolvido, sabemos também que muitos professores tem incrustados em seu pensamento uma mentalidade ideológica que vem sendo formada há mais de cinco décadas. Os professores são dependentes desta ideologia e mentalidade em sua grande maioria e são pressionados por escolas e governos para não reprovar alunos desinteressados em nome de uma coletividade oprimida imaginária.

                Os fatos apresentado por Illich mostra que os alunos precisam entender que sem um esforço pessoal individualizado e força de vontade, não há como obter sucesso nos estudos e na vida. Eles precisam entender que existem os professores bons e que são uma parte fundamental no processo e suas soluções, mas existem professores ruins e que são parte do problema. Sertillanges em sua obra “A vida intelectual” nos ensina que alunos precisam saber que estudar é uma vontade individual que vem do âmago de sua alma. Vem deles o processo volitivo para empreender uma ação positiva em busca da verdade e do saber genuíno. As discussões sobre os modelos de escola, luta de classes, currículos, métodos pedagógicos etc, não passam de uma cortina de fumaça para encobrir a verdadeira raiz problema. Como disse o Prof. José Monir Nasser em uma palestra sobre o Trivium: “A escola só serve como elevador de ascensão social ilusório e como instrumento político. Escola, infelizmente, não educa ninguém que não queria ser educado e não ensina ninguém que não queria saber a verdade.O que é o aprendizado se não uma constante repetição voluntária ou involuntária de termos e palavras, expressões e números? Tem certas coisas que não tem como aprender se não estudar até marcar no cérebro. É como fazer um carimbo que é impresso na mente. E isso deve ser feito de forma sistemática e inteligente. Não existe aprendizado sem esforço, sem disciplina, sem dedicação, sem coragem e principalmente sem amor ao saber”.

               Podemos até questionar o formato de salas de aula, currículos, pensadores e pedagogos etc., mas não podemos negar o fato de que, para aprender efetivamente é necessário sempre um esforço a mais de quem estuda. Não existe simplesmente o aluno construir seu saber por sí, assim do nada, levando em consideração apenas que sua condição social será o catalisador que fará ele entender a realidade ipso facto. Isso não é aprendizado acadêmico científico e jamais será, isso pode ser verdadeiramente, outra coisa.

                  Illich acredita que o melhor é ajudar os alunos nas questões que incentivem uma vida de ação ao invés de uma vida de consumo ou prazeres efêmeros. Referenciando-se a Miguel Sgarbi PACHIONI, ele diz que “Illich: “crê na capacidade do ser humano em produzir um estilo de vida que propiciará sua espontaneidade e sua independência ao invés da manutenção de um estilo de vida restrito apenas ao fazer e desfazer, produzir e consumir”.

              Portanto, seria mais sensato que soubéssemos fazer os alunos aprender a escolher entre o ser ao invés do ter e não apenas depender somente do método mastigado de escolarização atual, e sim buscar um relacionamento educacional entre o ser humano que é, e a realidade que o cerca.

Illich apresenta três ideias para um bom sistema educacional:

  • Facilitar o acesso aos recursos necessários para o aprendizado daquilo que se queira efetivamente aprender (de forma prazerosa);
  • Capacitar aqueles que queiram partilhar seus conhecimentos e possibilitar que os demais interessados neste saber os encontrem;
  • Dar oportunidade aos que queiram tornar públicos seus conhecimentos para que seus desafios sejam conhecidos.

           Neste contexto, até a tecnologia poderia estar tanto à disposição do ensino burocrático, onde temos um docente que apenas lida com os documentos a serem preenchidos, como a serviço da autonomia e independência de alunos e professores. Concordo com Illich quando ele propõe abordagens que possibilitam aos estudantes acessar recursos para traçar suas próprias metas de aprendizado: Usar a gestão de projetos reais da vida real para reforçar um aprendizado para uma sociedade inventiva e criadora, como ele mesmo diz: “que se relacione com a natureza (essência) das coisas e não por suas aparências (industrializadas)”, é necessário disponibilizar dispositivos tecnológicos e seus processos, dar ao aluno a oportunidade de assumir sua responsabilidade pelas ações que tomar em sua vida.

          Importante é que entendamos que o compartilhamento de conhecimentos e habilidades sendo elas formais ou não sejam incentivados. Isso não pode ser limitado e medido apenas por certificados e diplomas emitidos, pois estes podem tirar a liberdade de educação à medida que confinam o conhecimento, tiram a liberdade individual pela busca de determinados conhecimentos. É importante entender que, com a tecnológica atual já estamos possibilitando o encontro de pessoas com interesses específicos, sejam eles quais forem, e eles estão se complementando. Essas redes de comunicação propiciam a oportunidade do indivíduo de se fazer ouvir em diversos grupos; se pudermos incentivar a mistura entre o que temos aprendido e o que muitos aprenderam com a experiência de vida, poderemos buscar novos conhecimentos mais como uma forma de lazer, será uma forma prazerosa de ensinar e aprender. E assim, poderemos criar uma relação mais próxima entre pais, professores e alunos e, com isso, viabilizaremos trazer de volta a humanização das relações neste processo politizado, padronizado e rígido no qual o ensino atual ainda descansa.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

Batman Lego. Nada de útil.

lego-batman-filmeATENÇÃO!! Leiam se pretendem levar seus filhos para ver este filme, ou não, se você não está nem ai para qual tipo de conteúdo os pequenos serão expostos. Leiam se quiserem saber a verdade sobre o filme.

Ontem levei minha família ao cinema. Foi a pedido do meu filho mais velho e o filme escolhido por ele foi o Batman Lego, pois ele fora seduzido pela propaganda na TV.  Já o meu filho mais novo, que é um exímio “mestre construtor” Lego, ficou ansioso ao saber que iria ver o filme. Ele apenas usou uma vez as orientações de seu brinquedo só para montar o original da caixa na primeira vez. Ele disse que ia pegar ideias para suas histórias imaginárias fantásticas. Ele só usa as peças do Lego para criar armas, muitas armas, naves espaciais, carros elétricos, foguetes, bombas e super heróis que defendem o universo, criado por ele, dos vilões e monstros do espaço.

Eu sempre pergunto a ele de onde ele tira todas essas aventuras e ele responde sorrindo orgulhoso:

– Da minha mente papai!

Nós compramos o ingresso de forma antecipada, não enfrentamos fila e chegamos em cima da hora dentro da sala de projeção. A sala estava cheia de crianças risonhas comendo pipoca. Nos acomodamos confortavelmente, minha esposa de um lado, meus filhos no meio e eu do lado oposto. Proteção das crias é sempre a nossa meta.

O filme começou e eu logo me senti sonolento e comecei a cochilar quase que na hora, mesmo com a sequencia frenética imposta pelo diretor do filme já nos minutos iniciais do filme. Batman versus Coringa. Uma briga entre eles e a quase destruição total da cidade. Até ai tudo bem.

Os problemas, ao meu ver, começam quando entra em cena um menino órfão que, sistematicamente, segue o Batman e acaba, sem querer, sendo adotado pelo homem morcego. A forçada de barra sobre esse tema incomoda um pouco, pois esse garoto é implicitamente “gay”. É aí que as coisas começam a ficar complicadas. Seria apenas mais um filme da “agenda cultural esquerdista” vigente no século XXI se não fosse por um detalhe: É um filme feito exclusivamente para o público infantil. Crianças de 5 anos em diante adoram os filmes com Lego.

Os diálogos travados pelos personagens são complexos para os pequenos. São cheios de duplo sentido e carregados de uma conotação sexual. Um exemplo é quando a heroína da história, quando vê o Batman junto com o garoto, faz uma piada sugerindo que “seria melhor que ele fosse mesmo filho adotivo dele, pois poderia parecer outra coisa se não o fosse”.  O Batman então cede concordando contrariado com a sua voz cavernosa. É uma cena de duplo sentido e de péssimo gosto.

A luta entre o Batman e o vilão Coringa é um jogo de sedução de amor e ódio entre inimigos com diálogos cheio de duplo sentido. Em uma das cenas fica claro a forma como o Coringa força a barra para cima do Batman para que eles tenham “algo a mais” nessa relação que deveria ir além do amor e ódio. Não parece que o Coringa luta por uma relação fraterna. O Coringa também não quer uma “relação morna” entre eles.

Já o Batman não consegue se relacionar com ninguém profundamente e prefere resolver as coisas do jeito dele, preferindo se livrar de todos os que estão seu redor para arrumar toda a bagunça criada pelos vilões. Mas, um tempo depois, ele cede e aceita as condições do jogo do politicamente correto e aceita que os outros podem ajudá-lo. Até o Batman num ato impensado, fica semi nu na frente a heroína do filme. Ele está “a fim”dela e não sabe lidar com esse estranho sentimento e com a situação de fuga da prisão cheia de bandidos que ela mesma o havia colocado lá.

O garoto órfão, se descobre “gay” quando chega a hora de escolher seu uniforme de Robin. Ele vibra com os brilhos, cores e dá gritos de êxtase quando ele veste a fantasia, mas fica mais feliz ainda quando consegue se livrar da calça apertada ficando só de cuecas. Tudo isso ao som de “Fly Robin Fly”.

Depois, em um outro dialogo, o garoto sugere que Batman e Bruce Wayne são “casados” e ele tem dois pais e pergunta o que Bruce acharia do uniforme dele.

Digo que esse tipo de esquete é comum em programas humorísticos de TV e sempre rendem bons risos. Mas as centenas de crianças do cinema não entendem plenamente o que se passa nas entrelinhas de piadas desse tipo. Para elas, todas essas piadas de duplo sentido são um “mistério” que ficará povoando a mente delas por décadas. São mensagens subliminares e que não são necessárias que elas recebam.

No fim do filme, a apoteose é quando uma grande família é formada com todos, inclusive com alguns bandidos que estavam presos, mas ajudaram, de certa forma, a “salvar” a cidade. Nem no fim fica claro uma tentativa de relação mais estreita entre o Batman e a heroína da história, que em nenhum momento mostra que tem alguma atração ao super herói.

É uma ode ao nada. Nenhum valor de verdade é passado aos pequenos. Nada de útil.

Na saída, perguntei aos meninos o que acharam do filme e a resposta foi um seco: “ok, pai, mas achei aquele Robin bem estranho!” do mais velho e “É, teve poucas explosões!” disse o mais novo.

Definitivamente não é um filme para crianças.

De volta em casa, antes do jantar, inocentemente ligaram a TV no CN para ver Clarêncio, o Otimista e as mães lésbicas do seu amigo Jeff…

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.