Onde nasce a violência?

aula queimada1Eu sou professor. Mesmo ainda sem minha licença oficial do governo, me considero um professor. Sou um professor que ensina Matemática. Foi uma escolha. Foi um chamado. Eu ouvi minha voz interior clamando para que eu, de alguma forma, desse uma contribuição para este mundo. Não foi uma vocação de infância, mas sim um despertar tardio da consciência que me levou a esta condição.

Percebi que o mundo à nossa volta está desintegrando. Por isso, foi necessário agir. Entendi que nascemos para dar ao mundo o que ele precisa e não o contrário. Com isso em mente, me voluntariei para dar aulas a um pequeno grupo de estudantes que se destacaram em Matemática em um pequena escola pública de São Paulo.

Não vou contar uma história de superação. De estudantes que saíram do nada e venceram seus problemas e dificuldades. Vou fazer um relato da realidade. Sei que a maioria das pessoas quer histórias com finais felizes. Mas não é este o caso.

A realidade é que a sala de aula que costumo ministrar essas aulas foi parcialmente incendiada pelos estudantes. Não estou falando de uma escola dos rincões do Brasil, perdida no meio do nada ou perdida nas densas periferias afastadas das grandes cidades. Não, falo de uma escola que está a cerca de 10 km do centro da maior cidade da América do Sul.

Nesta época de eleições, muitas promessas de políticos oportunistas pipocam aqui e ali. Chega de promessas. Precisamos de ação. Não adianta termos o melhor presidente executivo do mundo nos governando, se o povo continuar comprando apenas as suas promessas vazias. Não temos mais tempo para isso. Nós temos que fazer a nossa parte.

Percebi logo de cara nesta minha nova função, que se os pais não educarem seus filhos em casa, acreditando que a escola pode fazer isso no seu lugar, nada vai mudar. As escolas brasileiras estão contaminadas com o pensamento revolucionário, nossa sociedade também, assim negligenciamos o ensino. Por isso, não me surpreendi quando vi a sala parcialmente queimada. Os pais brasileiros são negligentes, também. Não ensinam os valores mínimos na educação de seus filhos. Eles já chegam mal educados e despreparados na escola. Percebi que mesmo o professor mais bem preparado, nada conseguirá realizar diante desta realidade. Como ensinar um estudante que nada aprende em casa. Que tem pais desinteressados em seus estudos. Que não estão nem aí para o futuro de seus filhos.

Aqui no Brasil, temos aquela visão que a escola é a que educa as crianças. Digo aqui sem rodeios: A escola não educa coisa alguma, não educa ninguém! Quem educa são os pais. Quem educa é pai e mãe por meio de exemplos. Por meio da disciplina, da ordem e da ética. Assim se educa um filho. Na escola ele recebe os saberes da Matemática, Língua Portuguesa, Física, Química, etc. A escola também não ensina quem não quer ser ensinado. A educação, vem de casa. Se as crianças não são educadas em casa, elas não se comportam. Agem feito animais. Como muitos estudantes brasileiros agem nas escolas. Feito animais. Não respeitam limites, depredam o patrimônio público. Destroem e tocam fogo na escola. Esse tipo de indivíduo é uma presa fácil para os doutrinadores do pensamento revolucionário.

As escolas no Brasil são feias, pichadas. E por que? Porque são os próprios estudantes que destroem as escolas pelo país a fora. Porque os próprios bandidos que as invadem para roubar também as destroem. Porque as crianças não aprendem os valores de nossa civilização em casa. A violência começa aí. Os pais precisam começar a educar de verdade seus filhos. Aí sim a escola poderá fazer um bom trabalho. Então, um poder executivo com um ministério da educação de verdade poderá estabelecer metas factíveis para as entidades de ensino. Poderá propor uma metodologia de trabalho. Metodologia essa baseada na Tradição, Disciplina, Ciências e Tecnologia. Baseada em valores e princípios que integram os pilares que sustentam a civilização ocidental. Valores como os direitos naturais à Liberdade (com normas justas), Propriedade Privada e Vida, para a formação de homens justos e livres. Uma metodologia que se baseie no desenvolvimento intelectual e cultural dos estudantes.

Essa é a metodologia da Educação Clássica Integrada-ECI. Este é um projeto da educadora Selma Palenzuela que estou apoiando. Eu entendo que este projeto poderá ser uma bússola e que poderá levar a Educação e o Ensino nas escolas a um outro patamar de qualidade. Esse projeto promove uma parceria entre a família, a escola (professores, coordenadores e diretores), e o Estado ou entidades descentralizadas (Igrejas, clubes, associações) que ofereçam ensino. Sabemos que sem isso, a coisa não funciona.

Os pais definitivamente não estão sabendo educar seus filhos. Eu, como aspirante a professor, me deparei com essa realidade indo apenas uma vez por semana para a sala de aula. Me deparei com estudantes que pelo visto jamais recebem valores e princípios dentro de casa. Não sabem o que é o respeito. O que é a educação, consideração ou o que é se colocar no lugar do outro. E esses são princípios básicos para se iniciar uma educação de qualidade.

Estamos em uma encruzilhada. Ou, continuamos a viver em um país moralmente  e educacionalmente destruído, com valores completamente errados, valores baseados no pensamento revolucionário. Continuamos a viver em um país onde a elite politica, os movimentos sociais e sindicais, a mídia e seus jornalistas vivem em uma bolha. Que não vivem na vida real e pensam que a bandidagem será combatida com flores. Ou, busquemos mudar essa realidade através de um poder público interessado em eliminar esse pensamento revolucionário da vida de nossas crianças e jovens através da Educação Clássica Integrada.

O Brasil poderá melhorar se escolhermos o que é certo para o momento em que vivemos. Só através de nossas ações concretas é que iremos começar a sair do buraco em que nos encontramos.

De todos os candidatos que estão aí, quais deles defendem uma educação mais tradicional, baseada em respeito e ordem? Quais deles defendem uma educação mais austera?

Todos nós sabemos que, diante deste cenário educacional caótico, é preciso uma certa austeridade. A vida não é só uma eterna diversão hedonista como prega o pensamento revolucionário, a vida é seriedade e tem que ser levada a sério. Desde a mais tenra infância os seres humanos têm que entender que a vida deve ser levada a sério.

As ações para mudar esse cenário devem ser tomadas desde já. Ou corremos o risco de perdermos as próximas gerações para esse maldito pensamento revolucionário que tomou conta da educação e da nação brasileira.

* César Manieri (55),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e “Educação Clássica” . É autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

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A Guerra da Narrativa. Quem ganha?

bandidoVocê quer saber? De nada adianta ficar indignado quando um magistrado sem escrúpulos tenta libertar um criminoso, um crápula da prisão. De nada adianta você ficar se questionando o quão sortudos nós somos por termos do nosso lado um juiz honesto e que não se deixou levar pela pressão técnica de seus colegas de toga vermelha.

A pergunta que devemos nos fazer é: Qual a razão destas pessoas fazerem essas manobras jurídicas para tentar soltar um criminoso verdadeiramente comprovado? Todo mundo sabe que ele cometeu crimes de corrupção e de lesa pátria. Ele foi condenado em todas as instâncias e não poderá ser solto e muito menos concorrer a uma eleição. Por que temos juízes assim? Por que a imprensa, a todo custo, ainda apresenta pesquisas eleitorais com o nome de um criminoso como candidato? Como foi que chegamos a este estado de insegurança jurídica que nos deixa à beira do caos e do abismo?

Respondo a vocês com um fato que presenciei há algumas semanas em uma universidade que visitei. Por força de minha pesquisa acadêmica na área da educação, fui entrevistar alguns professores. Neste dia, descobri que muitos alunos que ali estudam para serem advogados, professores, sociólogos, jornalistas, etc., são suportados por organizações criminosas e por seus pares, os partidos políticos. Sim, os partidos de esquerda também formam seus exércitos com o mesmo “modus operandi”, ou seja,  dando amplo acesso às universidades, aos cursos superiores dos mais variados, pagando a mensalidade destes cursos aos seus militantes. Os cursos mais desejados por eles são os de humanas. Mais especificamente a área do direito, jornalismo e as licenciaturas. Isso vem sendo feito há mais de meio século. Eles sabem muito bem que um país se muda pela educação. Se é assim, então, que seja uma educação com a narrativa deles.

De certa forma, penso isso ser uma manobra de muita perspicácia. Isso mostra que existe uma estratégia, existe ação e coordenação destas pessoas para atingirem seus objetivos. Vejam, todas as cabeças pensantes da esquerda: Artistas, políticos e intelectuais, sabem muito bem o que estão fazendo. Os criminosos e traficantes também. Ele se juntam e fazem acordos. Todos tem o mesmo objetivo: Validar suas ações criminosas através da política e da alteração das leis. Primeiro, eles querem se perpetuar no poder. Depois, eles querem é destruir tudo que temos para construir algo no lugar, que nem eles sabem bem o que seria. Ou imaginam: Quem sabe uma “República Popular Democrática do Brasil”.

Os representantes da esquerda sabiam que jamais soltariam o seu bandido de estimação, o líder ungido. Mesmo assim, inundaram suas redes sociais com discursos dos mais diversos. Se mostraram confiantes e alegres com a possível libertação. Depois, se mostraram indignados, quando a manobra deu “errado”,  dizendo que não o soltaram para que ele não concorresse as eleições presidenciais que se aproximam. Assim, eles passam para o mundo inteiro a narrativa que seu líder é um preso político e não um criminoso comum. Infelizmente é isso. Mais um ponto para eles.

Quando resolvi abandonar as redes sociais para agir concretamente no mundo real indo estudar na universidade, percebi que se quisermos ganhar a guerra de narrativas, devemos seguir os passos que esses criminosos e psicopatas vem desenvolvendo há séculos. Devemos ocupar espaços. Para ganhar batalhas é necessário estratégias bem elaboradas. Precisamos de homens corajosos. Precisamos parar de postar memes infantis na internet. Vamos apoiar projetos e pessoas que realmente querem e podem expurgar o país destes criminosos. Vamos entrar nas escolas e universidades, vamos formar nossos exércitos da mesma forma que eles fazem. Mas tenham em mente uma coisa importante: Isso poderá levar décadas. É uma guerra e como toda a guerra haverá baixas. Afinal, você poderá morrer sem ver o fruto desta luta. Não tenha a ilusão que os resultados desejados virão de noite para o dia.

Hoje, quem domina a narrativa são a gente da esquerda em todas as suas matizes. São fanáticos e o comunismo é a religião deles. Essas pessoas lutam para descriminalizar as drogas, o aborto, querem desarmar a população para depois subjuga-la, querem destruir nossa cultura, querem matar os que tem fé e querem destruir a noção da transcendência.

O Brasil não aguentará nem mais um ano, quanto mais uma ou duas décadas deste comunismo velado em que vivemos. Ou nós iniciamos a retomada da narrativa agora ou nossos filhos e netos serão inevitavelmente os soldados dos líderes supremos da União das Repúblicas Socialistas da America Latina, a pátria grande sul americana.

Portanto, a pergunta que fica é: O senhor, que se diz um conservador, está disposto a pagar cursos sérios de educação clássica, está disposto a educar de verdade os nossos futuros soldados, está mesmo disposto a entrar nessa guerra?

* César Manieri (55),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e “Educação Clássica” . É autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

A inveja no Brasil é cultural. Um exemplo real.

 

Allianz_Parque_-_Palmeiras_Campeão_Brasileiro_de_2016Essa semana, por causa da polemica da final do campeonato, eu assisti a um vídeo de um dirigente de um grande clube de futebol da cidade de São Paulo dizer que “não se ganha campeonato se não for roubando”. Meu filho de 11 anos, que observava esse vídeo junto comigo, ficou assustado. Foi aí que iniciamos uma interessante conversa:

– Por que esse homem falou isso, papai? Foi por causa do jogo de domingo?

Como explicar uma excrescência dessas a uma garoto de 11 anos de idade e que adora futebol e não entendeu bem por que as regras do jogo não foram respeitadas. Como explicar essa “frase de efeito” e que foi dita por um dirigente famoso, líder e referência de uma grande comunidade esportiva.

Comecei explicando a ele:

Filho, a situação politica em que nos encontramos é fruto da falta de noção da realidade do nosso povo. O que esse dirigente disse foi algo totalmente errado e reprovável. Ele, provavelmente falou isso por ‘brincadeira’ ou talvez estivesse bêbado. Mas, infelizmente isso não muda o fato de o dirigente ter uma certa razão no que disse. Afinal, esse é o pensamento geral do brasileiro. Olha só, vou te contar uma história: Nos anos 70 teve uma propaganda de cigarro que ficou conhecida como a “Lei de Gerson”. Esse  Gerson foi um grande jogador de futebol e fazia a propaganda de uma marca de cigarros chamada Vila Rica. A Lei de Gerson postula que todo brasileiro que supostamente fuma essa marca de cigarro “sempre gosta de levar vantagem em tudo”. E como o brasileiro tem essa característica, a marca vendeu seus cigarros como nunca.

-Vantagem? Por que, nós brasileiros, gostamos de levar vantagem em tudo?

-Porque somos um povo culturalmente invejoso, não poderia generalizar, mas essa é a nossa natureza. Infelizmente é essa a nossa realidade. O brasileiro, diante de sua incapacidade de criar algo de positivo para si mesmo, inveja os poucos que conseguem um determinado sucesso na vida profissional ou na vida intelectual verdadeira. Essa é a tônica do sentimento do brasileiro comum. E quando eles tem a oportunidade, passam a perna nas outras pessoas ou invalidam suas ações positivas para se sentirem bem ou ganharem algo com isso.

– Mas pai, como é possível que a inveja do sucesso dos outros seja a tônica no sentimento do brasileiro comum?

Porque, grande parte do nosso povo odeia o sucesso alheio. Principalmente se for um sucesso baseado em ações honestas e lucrativas. Ganhar ou perder é do jogo, filho. Faz parte. Mas o pensamento geral é que sempre é mais fácil destruir um trabalho bem feito, bem planejado, do que construir um trabalho sólido e deixar um legado para as futuras gerações. Deixar um legado é algo que leva uma vida inteira. Devido a grande incompetência geral do nosso povo, formada em decorrência da péssima estrutura educacional brasileira e da falta, em grande parte, de estrutura familiar e moral decente, o brasileiro se sente incapaz de buscar sua elevação espiritual, social e financeira e se sente mal quando percebe que alguém foi mais longe que ele e conseguiu resultados concretos em seus empreendimentos. Por isso, foi mais dolorido que de costume essa derrota em uma situação tão inacreditável como foi nessa final.

-Ainda não consegui entender pai, me de um exemplo real, por favor.

– Olha só, sempre fomos um clube de muitas vitórias. Mas nos anos 80, nosso clube de futebol preferido era motivos de piadas. E com razão. Era financeiramente falido, montava esquadrões de péssima qualidade, não ganhava jogos, muito menos campeonatos. O pensamento geral de nossa torcida era um pensamento vitimista e derrotado. Então, nos anos 90, homens inteligentes que gostavam de futebol e do nosso clube, fizeram um acordo com uma empresa e montaram um sistema de gerenciamento do departamento de futebol extremamente profissional. Era algo inédito e exclusivo. Levou um certo tempo para a coisa engrenar. Normal. Por isso, muitos disseram que não daria certo, mas logo os frutos começaram a aparecer. Ganhamos partidas, depois ganhamos campeonatos seguidos, eramos um dos maiores clubes de futebol da América do Sul. Mas, até hoje, muitas pessoas não admitem que foi um sucesso e dizem que foi armado um “esquema” sei lá do que para ganharmos campeonatos. Mas estava claro que ganhamos por pura competência e sucesso financeiro. Esses são os invejosos que não aceitam e nem entendem o sucesso alheio. Um dia essa parceria infelizmente acabou, tudo voltou na mediocridade como era antes e muitos de fato comemoraram sabendo que isso colocaria o clube em uma situação muito difícil. Voltamos a era da incompetência e fomos rebaixados duas vezes. Isso você já sabe.

-Mas não entendo, pai, por que muitos preferem e torcem pela mediocridade?

É uma questão complexa filho. A inveja está relacionada ao pensamento da escassez de recursos, por medo e pela incompetência pessoal. O brasileiro comum pensa que se ele está pobre é só porque alguém está rico e esse rico se apropriou indevidamente do seu pedaço de riqueza, trabalho e recursos. Então, esse ser pensa que essa riqueza poderia e deveria ser distribuída igualitariamente entre as pessoas. Outros torcem para que a mediocridade se estabeleça para subtrair dinheiro das entidades que eles lideram, sejam elas pública ou privada.

-Deixa eu ver se eu entendi: eles querem destruir quem gera a riqueza ou se mostra competente em suas áreas para colocar todo mundo no mesmo patamar de pobreza?

Exatamente! Olha só, veja o que houve na final do campeonato. Uma confusão maluca. Isso aconteceu por que as autoridades descumprirem determinadas regras já acordadas pelos participantes. Com isso, nosso clube perdeu a partida e o outro se sagrou campeão. Alguém vencer e se sagrar campeão é algo absolutamente normal. O problema é que por causa da confusão criada e a partir deste ponto é que começou um massacre da narrativa do rico e poderoso que já se achava campeão e foi derrotado pelo mais humilde. Mesmo sendo uma mentira isso. Alguém usou de sua prerrogativa de “autoridade” para alterar uma decisão tomada com muita convicção por um juiz e que jamais poderia ter sido alterada naquelas circunstâncias e isso abriu as portas para uma série de ataques invejosos, maliciosos e maldosos se iniciarem. A tiração de onda por parte dos rivais é algo saudável no futebol, mas em cima de um fato ilegal é que assusta.

-É foi ridículo, mas o que isso tem a ver com a riqueza em si?

Bem, depois que fomos rebaixados no início dos anos 2000, algumas pessoas de alto poder aquisitivo e que gostavam do clube, viram que poderiam trazer os anos de glória novamente. Perceberam que o clube tinha um capital humano imenso. Existia a possibilidade de transformar esse clube em um produto altamente rentável e ao mesmo tempo ter um time extremamente forte juntamente com a maior e mais moderna arena de shows e espetáculos da América Latina. Então, essas pessoas sanearam financeiramente o clube e começaram a montar uma estrutura de trabalho digna de qualquer clube europeu. Sabe esses clubes internacionais que todos “babam o ovo”? Barcelona, Real Madri, Bayern, Liverpool, etc? Essas pessoas resolveram pensar grande igual aos dirigentes desses clubes europeus. Quem sonha grande, consegue resultados grandes. Pois é, nosso clube pensa assim agora. E esse tipo de pensamento causa muita inveja nos incompetentes. Muitos torcem para que isso não de frutos. Mesmo dentro do próprio clube. Eles torcem o nariz para os que buscam ser excelentes no que fazem. Essa visão moderna e de geração de riqueza causa inveja a muita gente sem capacidade de entender a realidade. essa gente torce de verdade que a mediocridade vença a competência.

-Mas pai, eu quero ver meu time ganhar título sempre, todo ano.

Todos os torcedores de todos os times querem que seus times do coração ganhem, filho. E isso nada tem de errado. Mas o problema é que eles querem apenas os fins, ou seja, querem apenas ser campeões, não importando quais os meios usados para isso. Muitos se endividam e dão o passo maior que a perna. Outros, com essa confusão mental do povo, aproveitam e roubam o clube e destroem seu patrimônio, outros para agradar políticos fazem negociatas, usam de meios escusos e sua influência para mudar resultados e ganhar campeonatos. Usam sua influência política para construir seus estádios privados usando dinheiro público. O povo brasileiro, que adora adora futebol, não liga pra isso e ainda apoia esse tipo de “gestão”, afinal se o time de coração for campeão tá tudo certo. Isso é levar vantagem. É o pensamento imediatista, vitimista e socialista que os impedem de ver a realidade. Ainda por cima, criticam os clubes que querem se tornar verdadeiramente grandes, ricos e vencedores. A maioria dos torcedores não tem paciência de esperar o momento de colher os frutos. Preferem criar a confusão e o caos em nome de uma conquista pequena e torcem para que os gestores sérios se deem mal e percam tudo que construíram. Inventam histórias dizendo que boa gestão não ganha campeonato. Mas filho, torcida também não ganha campeonatos. Brasileiro, além de invejoso, quer resultados imediatos e se eles não aparecem, os torcedores ameaçam de morte todos os “responsáveis”, culpam jogadores, destroem o patrimônio do clube. Não entendem que conquistas sólidas e honestas demandam anos e anos de trabalho duro. Isso vale para todas as esferas da sua vida. Torcedores reclamam que agora o time está rico, mas que o ingresso é caro e elitizou o esporte. Antigamente, reclamavam que o estádio não tinha banheiro e eram tratados como gado e levavam copo de mijo na cabeça. Ora, filho, esse esporte é composto por torcedores apaixonados, entenda que futebol é um negócio como outro qualquer. Lei da oferta e procura. Nosso clube tem milhões de torcedores apaixonados só aqui na capital. O nosso estádio tem apenas 40 mil lugares. Todos esses milhões de fãs ardorosos querem ir aos jogos. É obvio que um ingresso vai custar caro. Se chegarmos a final do campeonato, quanto você acha que vai custar o ingresso?

-Caríssimo né pai?

Sim, filho. Quando tem show de artistas internacionais na arena, os ingressos custam o olho da cara e lota. Veja, só nos últimos três jogos na arena, nosso clube arrecadou mais de 11 milhões. Isso é muito bom. Saudável. Nós não vamos aos jogos porque é realmente caro, tem prioridade de compra quem é sócio torcedor e patrocina o clube. Nós, no momento, temos outras prioridades. Mas, um dia desses podemos nos programar e ir se tiver ingressos disponíveis e pudermos pagar. Se o time tá mal, o torcedor não vai. Capitalismo é assim mesmo. Uma vez fui ver um jogo da Liga dos Campeões e o ingresso custou 50 EUR. Faça as contas… Times de futebol precisam de tempo para se tornar um time de verdade. Técnicos precisam de tempo para fazer isso. E tempo é coisa que torcedor não quer negociar.

-Mas será que seremos campeões? se o time jogar bem…acho que sim…

Bem, isso é uma questão de tempo. Não é uma questão de “será”. É estatística. E tem outros fatores que influenciam. Mas matematicamente posso dizer que quanto mais campeonatos disputarmos e com chances de ganhar, mais ganharemos. Logo as coisas vão se encaixar e você vai ver o fruto do bom trabalho aparecer. O pensamento vitimista do povo sempre vai colocar as coisas de forma distorcida na discussão meu filho. Mas são argumentos pueris. Acabamos de “perder” um campeonato em casa. Realmente foi chato, mas em que condições? Arrumaram uma confusão danada e então criaram a narrativa do “time gigante e rico das Perdizes”, o que tem melhores contratações caiu diante do mais “fraco”, da “quarta força”, dos “coitadinhos”, do time do “povão da periferia”. O clube do povo que não tinha e agora tem um estádio graças a um financiamento impagável e que foi um presente do ex-presidente do Brasil. Veja só: o titulo “conquistado” foi um presente para o ex-presidente do Brasil que está “injustamente” preso por corrupção. Todos eles são vitimas do capital opressor, mas que superaram os poderosos malvadões e porcos capitalistas. Ao mesmo tempo que tripudiam o trabalho sério falando bobagens nas redes sociais, mostram toda sua inveja sem saber que a possuem. Mas isso é medo do rumo que as coisas estão tomando. Não tem mais volta filho. O nosso time vai investigar o que aconteceu e que foi o responsável pela influência externa ao campo de jogo. É uma questão séria. Se as instituições não forem sérias e tudo for um jogo de cartas marcadas, o publico se afastará naturalmente do esporte. Não podemos abaixar a cabeça para o desrespeito às leis filho. Agora é apenas uma questão de tempo para subirmos definitivamente o nível geral desse país. Chegou a hora de deixarmos os medíocres em seus devidos lugares. Tem que apurar de verdade por que criaram toda a confusão com o juiz da partida. Não importa, não são os títulos duvidosos que queremos. Queremos é seriedade neste país para fazer valer os investimentos que estão sendo feitos por um monte de gente séria. Em breve, seremos nós que vamos deixar alguns rivais bravos, mas só porque perderam o jogo para o melhor, outros nós deixaremos chorando na prisão. E quem trabalhar sério, colherá os frutos. E certamente isso será bom para o país. Só assim vamos deixar o Brasil em uma condição em que todos que vivem aqui ganharão.

Quem tem medo de armas, levante a mão.

IMG_5566O medo do brasileiro por armas de fogo chega a ser patológico. Eu mesmo sempre tive pavor. Uma cultura de demonização das armas vem sendo sistematicamente introduzida na mente das pessoas há décadas. Até um tempo atrás, eu não sabia como reagiria ao ver uma arma, principalmente com uma apontada para mim. Além disso, as próprias pessoas não sabem como agiriam caso possuíssem uma arma de fogo e andassem com uma no carro, por exemplo. Me parecem que elas teriam medo delas mesmas. É compreensível.

Recentemente, um artista famoso admitiu publicamente ser à favor da revogação do estatuto do desarmamento, (estatuto esse que é definitivamente ilegal). Ele foi massacrado pela mídia em um programa semanal que passa aos domingos à noite em um canal aberto de TV bem popular, por expor sua opinião abertamente e se mostrar favorável que a população ordeira e de bem, tenha acesso às armas de fogo. Ele tem ainda o agravante de ser simpatizante ao pré candidato à presidente, o senhor Jair Bolsonaro. E isso, me parece ainda mais imperdoável para os seus algozes.

Vendo os comentários de pessoas comuns, que assistiram ao programa, sobre a população ter livre acesso à armas de fogo, em sua grande maioria, justifica seu medo apenas pelo “possível” aumento dos crimes no trânsito, entre outros, justamente pelo temperamento explosivo do brasileiro nessas ocasiões onde saem muitas discussões banais. Coisa que não víamos acontecer com tanta frequência nos anos 70, onde armas eram vendidas livremente no Mappin.

Observem aqui a falta de uma análise mais criteriosa deste assunto e o baixo grau do entendimento da realidade que a maioria das pessoas tem. O Brasil possui hoje uma taxa de homicídios maior que qualquer país em guerra. São 60 mil mortes violentas por ano. Pessoas são mortas pelas ruas do país de forma indiscriminada por bandidos armados até os dentes e por gente maluca que possui arma sem nenhum critério ou controle. Tudo isso só porque temos uma das leis rígidas de controle de armas de fogo do mundo. Ora, se temos o estatuto do desarmamento, como tanta gente ainda carrega consigo uma arma e sai matando pelo país afora?

São essas perguntas que esses canais de TV extremamente hipócritas não respondem para a população. Apenas desinformam. Não contam a verdade. Ou pelo menos o outro lado da história. E seus apresentadores patéticos, ficam com cara de bebes chorões quando falam sobre armas e demonizam quem não pensa como eles. A hipocrisia dessa gente que diz que “se o porte de armas de fogo for liberado, os crimes de trânsito (e outros) no país irão aumentar muito” é de uma superficialidade inacreditável. Basta olharmos as estatísticas de crimes e veremos que estamos em uma guerra assimétrica, onde o lado armado é apenas formado por bandidos, gente desequilibrada e instáveis que saem dando tiros à esmo por aí. Esses sim, merecem todo o rigor da lei, afinal são criminosos.

O sujeito que quer desarmar todo mundo, sabe intimamente o que ele quer. Ele sabe sua real intenção. Ele sabe que dispararia sua arma sob qualquer condição idiota. Justamente contra aqueles que pensam diferente dele sobre o porte de armas, dizendo coisas do tipo: “Fascista se combate na ponta do fuzil, eles não passarão”. Ou “merecem uma boa bala e uma boa cova…” É esse tipo de gente que quer desarmar todo mundo.

Muitos tem medo de lidar com uma arma por achar que ela mata por vontade própria. Coisa completamente sem sentido, afinal quem mata é o desequilibrado, o psicopata que a possui . É lógico que um sujeito desses, sem acesso a uma arma de fogo, usará qualquer ferramenta para realizar seu intento, pode ser uma faca, um cadarço, um martelo, uma foice, uma pá ou as próprias mãos, não precisa de uma arma de fogo necessariamente.

O fato é: O desequilíbrio psicológico desses cidadãos é que não permite as pessoas normais de terem uma arma de fogo, pois os que querem proibir armas coloca todas as pessoas normais na vala dos psicopatas e desequilibrados mentais, invertendo a realidade. Então, dentro de sua loucura, eles transferem seus medos, inseguranças para todas as pessoas dizendo que as ruas do país viraria um “bang bang” caso o povo tivesse livre acesso às armas. Ele faz isso baseado na sua própria cosmovisão, nos seus próprios sentimentos e desejos. Fica claro que esse tipo de pessoa, não hesitaria em facilmente comprar uma arma no mercado negro para fazer uma revolução, caso necessite de uma, enquanto o cidadão comum normal pensaria mil vezes antes de fazer uma coisa dessas.

A coragem do cantor citado acima em dizer abertamente seus pensamentos sobre esse assunto é admirável. Ele postou um vídeo atirando com uma arma de grosso calibre em um estande de tiros nos EUA. Tudo legalizado. Mas mesmo assim, demonizaram o rapaz.

Eu mesmo já levei minha família para atirar em um estande de tiro em São Paulo. Foi uma tarde divertida onde ensinei para minha esposa e filhos como uma arma funciona, mostrei a eles o alto grau de responsabilidade que devemos ter ao possuir e manusear tais objetos e como funciona a física, balística e a letalidade de cada uma delas. Veja aqui: (https://www.youtube.com/watch?v=KPZyts_z6rw)

É um dever dos pais bons e zelosos pela sua família, ensiná-los a entender e a lidar com armas, manusear algumas ou pelo menos saber como elas funcionam. Eles devem entender o respeito que se deve ter por esses objetos e principalmente ao ser humano. Saber como deve ser o comportamento deles quando, Deus nos livre e guarde, algum marginal apontar uma pistola em nossa direção. (Eu mesmo já sofri essa situação, uma delas com meus filhos). Saber como elas funcionam e não ficarmos nervosos ao ver esses objetos, já é um grande passo para evitarmos tragédias. Isso faz parte da educação.

Eu não sei se eu andaria armado ou teria uma arma em casa. Provavelmente não. Mas com certeza, me sentira mais seguro se soubesse que no meu condomínio, em um shopping, restaurante, loja no centro da cidade ou no supermercado, tivesse algum cidadão de bem, equilibrado e bem treinado portando armas de fogo. Afinal, a polícia ou o Estado não é onipresente a ponto de proteger todo mundo desta imensa cidade dos criminosos que assolam o país.

Alguns podem dizer aqui que estou radicalizando, que meu espectro político está à extrema direita. Que isso é ruim, etc, etc. Mas não vejo dessa forma. Apenas penso que TODOS que desejam possuir armas para os variados fins legais, poderiam ter o direito de adquirir essas armas também de forma legal. Não acho isso algum tipo de extremismo, mas sim o respeito às liberdades individuais do cidadão comum. Extremismo é deixar apenas esse alto poder de fogo na mão dos criminosos, psicopatas e traficantes.

Desmistificar as armas será uma tarefa muito grande para os ativistas deste setor. Foram décadas e décadas de doutrinação esquerdista dizendo que armas matam. Foram décadas onde ONGs pacifistas se manifestaram contra o porte e a comercialização, nos ensinando que abraçar pessoas vestidas de branco e com flores, soltando pombas da paz, cantando o hino Imagine resolveriam o problema da violência no Brasil. Notamos aqui que este é um problema que está se tornando perigosamente quase insolúvel.

Para finalizar, uma história que aconteceu comigo:

Certa vez, eu estava passeando pelas ruas de um bairro na cidade Chicago nos EUA, junto com um morador local. A criminalidade daquele bairro é literalmente zero. Fiquei admirado com as ruas calmas, tranquilas, casas sem muros ou grades nas janelas. Eu, inocentemente, perguntei a ele se as pessoas não se sentiam inseguras vivendo tão expostas assim. Ele calmamente me respondeu:

“- A segurança está dentro das casas. Cada família aqui tem sua arma para defesa de sua propriedade e para atividades de caça, etc. E tome cuidado, ande apenas pelas calçadas, não entre nos terrenos de propriedades privadas, pois aqui você poderá se ferir gravemente se fizer isso.”

Diante do meu espanto, ele completou:

“Se no seu país não é assim, vocês estão com sérios problemas meu caro”

Sem mais…

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

A vida é dor!

crusadersQuem pensa que a vida é apenas uma festa hedonista sem fim está enganado. A vida é sofrimento. Sofrimento dos grandes. Aos mimados, sensíveis e chorões de plantão, me desculpem a franqueza: Iremos sempre sofrer como qualquer mortal, nós iremos morrer. Eu, você… todos!! Não importa o que façamos, teremos que prestar contas pelos nossos atos.

Caso você seja um revoltadinho por não ter aquilo que deseja, ou apenas sonha com um paraíso reconstruído aqui na terra, esqueça. Logo alguém que você ama, que você tem alguma simpatia e apreço, vai partir antes de você, caso você não tenha a sorte de ir primeiro. É só uma questão de tempo.

Hoje perdi um amigo querido. Ele se foi tão rapidamente e sem aviso. Passeando pelas redes sociais vi uma foto dele sorrindo e a palavra RIP estampada logo acima do rosto. Fiquei chocado. Então, vários avisos sobre este fato, começou a pipocar aos montes entre meus amigos do meio musical. Então pensei: “Como dói perder amigos”. Temos o péssimo hábito de não encarar essa dura realidade de frente: “Para morrer, basta estar vivo”.

Hoje também tive a infelicidade de ler um artigo sobre Jesus de um cidadão chamado Gregório. Gregório é um desses senhores que se enganam o tempo todo. Ele foge da realidade. Tem medo de encarar os fatos. Ele quer viver em um mundo igualitário, mas não encara o fato de que a morte nos iguala forçosamente na condição de pó. Ele tem medo de ver que a única coisa que faz a diferença nessa hora é apenas a fé genuína no transcendente que cada um de nós possui.

Ele prefere entrar em uma guerra do nós contra eles. Gente como ele tem medo do transcendente. Por isso, querem ser os donos da narrativa hedonista e igualitária do pós modernismo. E todos que não compactuam dessa narrativa pueril são chamados de intolerantes e preconceituosos. Esse senhor é incoerente. É defensor dos que se sentem oprimidos, é defensor das minorias. Usa essa prerrogativa para oprimir a verdade. A verdade que todos os seres que vivem neste planeta estão, de certo modo, sendo oprimidos, cada um a seu modo. Cada um de nós está dando ouvidos as vozes que habitam nossa mente e nos diz que nós mesmos poderíamos ser mais belos, mais inteligentes, mais magros, mais bonzinhos. Esse senhor reduz cada indivíduo, com seus problemas psicológicos, até se tornarem uma minoria individual. Esse senhor é o tipo de homem que acredita ter o poder de corrigir toda e qualquer opressão do ser humano com suas piadas e historinhas de péssimo gosto.

Mas esse tipo de idiota não entende que isso é impossível. Prefere criar um mundo de fantasias perfeitinho e busca incansavelmente realizá-lo. Mas a pergunta que fica é:

-Quem pode realizar isso? O mercado? O ditador? Quem pode?

Ora, nenhum humano pode resolver isso. É impossível. Não somos Deus.

Esse senhor é um boboca coitadista tentando oferecer algo que não querermos e nem precisamos. Não precisamos de sua falsa intelectualidade para dizer quem foi Jesus. Não estamos dispostos a pagar esse preço por algo que não precisamos. Gente como ele quer atomizar a sociedade. Esse tipo de crápula pega Deus e o enterra. Quer apagar Aquele que foi injustamente pregado em uma cruz e torturado de uma forma inimaginavelmente dolorosa, justamente para nos livrar desse sofrimento.

E o que ele faz com esse exemplo de sofrimento atroz? Ele o enterra.

Gregório é um homem ressentido e que não aceita que todos que ele conhece morrerão em breve, inclusive ele mesmo. É compreensível que um tipo desses esteja realmente ressentido com Deus somente por esse motivo. O que ele não percebe é que ele está experimentando do sentimento de que ele tanto quer sublimar. Ele está criando um inferno pior do que já é, única e exclusivamente para ele. Ele está submergindo no seu sofrimento pessoal cada vez mais, sem perceber. E cada vez mais se vende para não sentir essa dor.

Mas a vida é isso mesmo, a vida é dor e sofrimento. E esse idiota faz de tudo para reduzir essa verdade incontestável a uma piada que só ele acha graça. Esse coitado foge da dor, pra que?

Quando meu pai, minhas avós e meu irmão morreram, tive que encarar a dor, o sofrimento. Tive que me erguer e arrumar forças para organizar os funerais. Não me permiti ficar chorando em um canto feito um cãozinho sem dono. Me ergui com firmeza para conquistar a confiança de todos de que eu faria o que tinha que ser feito que era enterrar meus mortos. Mesmo sendo também uma vitima daquela situação extremamente dolorosa. E é assim que todos fazem. E é assim que deve ser.

Esse senhor chamado Gregório deveria se perguntar:

– Que há de errado comigo? Por que eu odeio Deus?

Sempre se pode buscar e encontrar o que faz falta na sua atual condição para ser um Homem de verdade. Você pode se auto corrigir. Procurar reunir o fragmentos de seu ser. Deixar de ser um bebê mimado, briguento, odioso e neurótico com o transcendente. Não seja como o Gregório. Um destruidor e vilipendiador da força espiritual das pessoas.

Quando você se auto corrigir, mesmo que minimamente, sim, porque Deus é misericordioso, talvez você perceba que esse ato de se auto corrigir o ajudou a aliviar seu sofrimento, mas que, infelizmente, agora fez com que você não possa mais destilar todo seu ódio aos que creem. Enfim, notará que o que fez é realmente muito difícil, e verá o quão complexo é arrumar toda a bagunça que foi gerada pelas horrendas palavras proferidas por você durante toda a sua vida, e que fez isso mesmo para enganar os incautos. Perceberá a complexidade que é a nossa sociedade e perceberá a impossibilidade de consertá-la. Se perceberá um tolo.

Hoje, o Gregório quer consertar o mundo usando uma revolução cultural criada em seu mundo interno fragmentado. Mas, não, nada consertará este mundo. É preciso da ajuda de um Ser especial para consertar, não esse mundo, mas seu corpo, coração, mente e espírito destroçados.

Tá, e como superar a dor e o sofrimento desta vida?

Seja uma pessoa melhor, veja, não seja como o Gregório. Ser como ele é fácil. Ser diferente dele exige grande responsabilidade. Até agora Gregório não deu a mínima para isso em sua vida. Ele está vagando por ela fazendo o que bem entende, falando o que dá na veneta. Tudo isso para satisfazer seus impulsos mais vis, mais mundanos, tudo para viver uma vida hedonista, por mais inútil que isso seja na prática. Ele está preso apenas ao significado tolo de suas idéias, que gera uma falta de responsabilidade em todo o resto.

Eu pergunto a ele:

O que o senhor está perseguindo? Uma vida só de prazeres fúteis ou uma vida de responsabilidades? Claro que é primeiro caso. Isso é que eu chamo de “vender a alma”.

Esse senhor tem que encarar o fato de que a vida é dor. Ele deve se recompor diante disso. E fazer isso não é nada fácil. Fico surpreso quando vejo quantos Gregórios existem por ai e me espanto que o mundo ainda esteja de pé, mesmo que aos trancos e barrancos.

Mas é assim que nossa sociedade funciona. Ela é composta de gente com inúmeros problemas. Sejam eles de ordem física ou mental. E mesmo assim a coisa anda. Milhões fazem coisas que detestam, mas fazem seu trabalho com honra e responsabilidade. Outros milhões, fazem apenas o que lhes dão prazer.

É um verdadeiro milagre que o mundo ainda esteja de pé, se temos milhões de pessoas que pensam como esse tal de Gregório e que destilam o ódio sobre o amalgama que ainda segura a sociedade de pé que é a fé no que transcende esse mundo físico.

Esse senhor é de uma ingratidão enorme. Está o tempo todo cercado por pequenos milagres da vida, mas prefere os ignorar em nome de um mundo utópico distante. É um milagre que ainda funcionamos com tanta loucura Gregoriana espalhada por aí. Como é possível isso?

Por isso, peço a todos: Recomponham-se, transcenda seu sofrimento. Seja um herói para tanta gente que está perto de você. Lute consigo mesmo, antes de tentar destruir o que ainda resta do que salva o ocidente. Tente diminuir ao máximo o sofrimento das pessoas, mas não com piadas sem graça e sem conteúdo. Mas com a espada da justiça.

A sorte é que, cada vez mais, milhões já pensam: “E eu sei porque os Gregórios da vida fazem esse tipo de coisa e o que realmente querem com isso.”

E pensar em tudo isso que eu escrevi e no meu amigo que se foi, vem uma dor imensa que dilacera meu coração, mas que me faz ter ainda mais fé, amor e esperança Naquele que transcende o tempo e que jamais nos abandonará à merce de gente como esse tal de Gregório.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

Oi, sou o Estado, em que posso te ferrar hoje?

Apresentação1Conheci recentemente um empresário muito simpático, falante e que tinha um sotaque diferente. Pensei que se tratava de um italiano. Mais tarde ele me revelou que era argentino e que morava no Brasil havia 30 anos. Em uma conversa inicial sobre filhos, escola, família, começamos a falar sobre politica e empreendedorismo. Disse a ele sobre meu desanimo com relação a isso e a completa falta de coragem para empreender novamente depois de sucessivos fracassos.

-Amo esse lugar. São Paulo é uma cidade incrível. Mas muito complicada sabe? – ele disse isso de forma segura.

Concordei com ele. Disse que os sucessivos governos de esquerda populistas de tivemos nos últimos 30 anos destruíram a maior cidade do país. – Infelizmente temos que conviver com isso. –  eu disse a ele com um tom de resignação.

– Na Argentina foi a mesma coisa. Os Kirchner, populismo, esquerdismo, um inferno, disse ele rindo. – Mas o Brasil é forte, precisa apenas acabar com a corrupção. – ele concluiu. Então, depois de alguns segundos pensativo continuou:

– Meu caro, vou te contar uma história inacreditável que eu vivi aqui em São Paulo:

– Há alguns anos, resolvi abrir um bistrô charmoso em Moema. Aluguei o local, reformei, investi um bom dinheiro nisso. Abri a empresa, contratei o pessoal e comecei logo a atender o público, pois acreditava que estava com toda a documentação em ordem e algumas outras em andamento com o contador, e precisava faturar né?

Aí começaram os problemas. Para conseguir que o alvará de funcionamento fosse definitivamente autorizado, tive que conseguir um monte de outros alvarás e pagar um monte de taxas que eu nem sabia que existiam. Era necessário tirar documento para tudo: desde corpo de bombeiros até vigilância sanitária, tudo era regulamentado. Precisava ter milhares de autorizações da prefeitura. Tudo tem que ter um tamanho padrão, uma altura padrão, uma cor padrão.

Bem, pra você ter uma ideia, levei mais de um ano para colocar tudo que pediram em ordem. Gastei uma fortuna nisso. Um dia, depois disso tudo, veio um fiscal da prefeitura para verificar se a regulamentação da regulamentação estava sendo seguida e em ordem, pediu para verificar se a acessibilidade da rua estava de acordo com as normas da prefeitura. Eu estava tranquilo, pois havia feito tudo de acordo com as tais regulamentações. Mas o tal fiscal me fez a seguinte pergunta:

– Cade o estacionamento do cadeirante?

Então eu disse que não tinha como parar na frente do estabelecimento tinha uma plana de proibido estacionar. O fiscal então disse:

– Você tem que providenciar um estacionamento, se não o alvará final não será liberado!

Bem, fui até a CET pedir para providenciar um espaço em frente para que carros de cadeirantes pudessem parar em frente. Como sempre, não fui atendido. Então pesquisei com meus vizinhos e descobri que havia um estacionamento quase do lado que eu podeira fazer um convênio. Providenciei tudo, contrato, tudo certinho e fui até a prefeitura para tentar liberar o alvará. Chegando lá, o servidor público responsável por isso me atendeu com uma má vontade desgraçada. Disse que o contrato não servia e que não era possível liberar, etc, etc. Então eu fiz a clássica pergunta:

– O que eu tenho que fazer para que eu consiga a liberação do alvará?

O servidor me olhou cinicamente e disse:

– Cinquentinha!

No começo eu não havia entendido e perguntei novamente:

– Cinquentinha o que?

Ele disse na maior calma do mundo:

– Cinquenta, meu amigo, cinquenta.

Eu ainda sem entender perguntei:

– Pagar uma taxa de cinquenta reais?

Naquela altura eu pagaria os cinquenta reais da taxa para para me livrar daquela situação. Mas, o homem disse:

– Cinquenta Mil reais… isso porque sua empresa já está de acordo com tudo. Se não estivesse, seria o dobro.

Meu amigo, na hora meu sangue argentino ferveu e parti pra cima do cara. Seguranças tiveram que me conter. Chamei o cidadão de tudo que é palavrão. Ele calmamente me disse:

– O senhor poderá ser preso por desrespeito ao servidor público!

Imagine, ele falou isso com um sorriso sínico no rosto. Então, eu coloquei o dedo na cara dele gritando:

– Esse foi  o valor que eu investi só na reforma para atender as exigências da prefeitura, seu canalha!

E ele gritou:

-Você não terá alvará porra nenhuma.

E eu falei para todos da repartição ouvir:

– Eu serei obrigado a fechar o estabelecimento e mandar oito funcionários embora, caramba!

Ninguém deu a minima, o pessoal de lá pareciam acostumados com aquele tipo de reação dos contribuintes.

Hoje trabalho como corretor de imóveis. – ele concluiu com cara de desanimado.

Então, meio espantando mas consciente de que lidar com o Estado todo poderoso é assim mesmo, contei a ele clássica piada sobre isso:

– Sabe aquela? “Oi, sou o estado, em que posso te ferrar hoje?”

Ele riu e disse:

– Vocês brasileiros são incríveis, admiro vocês!

Por fim, o Estado venceu e ele teve que fechar o estabelecimento com dois anos de funcionamento apenas, e desempregando oito pessoas.

É esse é o meu país! – pensei com os meu botões – bonzinho para com os parasitas e cruel e extorsivo com quem deseja empreender, desenvolver um bom trabalho e melhorar sua vida e a dos outros.

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

Alguns diálogos com meu pai.

dia dos pais3                                                                             Meu pai, Eraclides Manieri, nos anos 50 em frente a sua casa na Rua do Parque no bairro do Ipiranga.

São Paulo, 21 de junho de 1970

– Pai, olhe só quantos balões coloridos no céu… – eu disse isso apontando o dedo indicador para o céu azul.

– Não dá nem pra contar filho, quantos você acha que tem? – ele perguntou seriamente.

-Infinitos! – eu respondi sem saber o real conceito disso.

-Hoje seremos os melhores do mundo de novo, filho. Por isso o povo solta os balões. Ouça os rojões – ele dizia isso olhando para o céu cheio de esperança.

-Que sorte eu tive de nascer no melhor país do mundo pai! – disse isso abraçando as finas pernas dele pai em agradecimento.

-Pois é filho, espero que não apaguem a luz que habita a alma caridosa e festiva do nosso povo. Agora vou ajustar a antena para vermos o jogo do Brasil! – e me puxou pra dentro de casa.

São Paulo, 13 de março de 1979 – 9 anos depois…

-Pai, quem é de verdade esse tal de Lula que eles tanto falam? – perguntei isso vendo pela TV a multidão aglomerada que ouvia o discurso do Lula que estava de pé sobre um pequeno palanque de madeira em uma assembleia do sindicato dos metalúrgicos lá no estádio da Vila Euclides em SBC.

-É um cara lá do sindicato. Um bandido filho da puta pelego. – disse isso sem cerimônias enquanto tragava profundamente seu Minister e soltava um baforada de fumaça pelo vão da janela aberta da sala.

-Não entendo, parece que ele quer o bem dos trabalhadores deste país, pai. Luta contra a ditadura – eu disse isso sem tirar os olhos da TV cheia de imagens fantasmagóricas.

-Eu conheço essa laia, filho, sei das intenções deles. Eu também sou do sindicato. Esse sapo barbudo nunca trabalhou. Ele é politico. Joga dos dois lados. Eu sei qual o tipo de “ditadura” ele gosta. – meu pai se levantou do sofá para ajustar o nível vertical da TV que insistia em se desestabilizar e reclamou: -Puta merda, essa porra de sinal…  e ficou lá ajustando o botão por alguns segundos e voltando para o sofá, falou:

-Filho, essa greve é uma farsa, esse povo que está ai no estádio foi coagido a ir até lá. Nada do que você vê aí é real.

-Pai, como assim? O senhor está louco…! – eu disse olhando para ele com cara de poucos amigos.

-Moleque, você não sabe nada da vida. Você verá quando esses canalhas chegarem ao poder, vocês estarão todos fudidos. Escreve ai, moleque… sorte que eu não estarei mais aqui pra ver toda essa merda se materializar.

Dezembro de 1980,

Era uma triste cerimonia de despedida…

-Filho, vamos até lá abraçar meu irmão, vamos, ele é seu tio.

De longe eu via um caixão onde estava uma prima querida. Ao lado dela um caixãozinho do seu filhinho que não suportara a doença repentina que fizera sua mãe sucumbir e que, infelizmente, ele também não suportara. Meu pai ao meu lado segurava o choro enquanto abraçava seu irmão desolado.

O cheiro das velas me deixou enjoado. Depois de alguns minutos de incredulidade e dor, saímos do local e lá fora fomos cercados por um senhor que me perguntou:

-Esse é seu pai? -apontando para ele.

-É sim senhor. -respondi secamente.

-Pois então eu vou te falar, esse é parceiro, viu? Você tem sorte garoto! – disse isso enquanto abraçava meu pai longamente dando batidas fortes com as mãos nas costas dele.

-Filho, esse é um amigo meu de longa data. A gente bagunçou muito naquela época. – disse meu pai como que rejuvenescendo.

-E como… lembra Dinho? – ele perguntou dando um sorriso maroto pra mim.

-Claro, lembra quando a gente arrumou aquelas namoradas que eram irmãs? – perguntou meu pai ao amigo.

E eu pensei:

-Como é que é? Que história é essa? Deixa só a mãe ouvir isso!! – enquanto fazia uma cara de espanto.

-Tá espantado com o que moleque? Sim, a gente saia para pegar umas meninas sim e dai, eramos solteiros porra!!!? – falou meu pai sempre de forma séria.

-Lembra quando aquela doida que eu estava dando uns beijos e que era irmã da sua namorada?  Lembra cara, estávamos juntos dando uns amassos nelas? – disse o amigo do meu pai.

-Nossa velho, lembra disso? E a mina te dispensou e, claro, e eu desisti da minha namorada na hora e fomos embora juntos rindo pra caralho! – disse meu pai sorrindo de forma velada.

-Viu só moleque, entendeu agora porque seu pai sempre foi um parceiro? Ele nunca abandonou seus amigos. – disse aquele senhor que eu nunca havia visto.

Eu ainda espantado, olhava meu pai boquiaberto.

-Tá olhando o que moleque? – disse ele, e continuou: – Se não fosse isso você não estaria aqui, agora vamos procurar sua mãe! virou-se enquanto puxava, eu e o amigo, de volta para o velório.

16 de abril de 1984

Eu havia acabado de chegar da faculdade.

– Pai, acabei de passar lá pela Praça da Sé, está uma loucura aquilo lá!

-Eu vi na TV. – ele disse e saiu assobiando para a cozinha.

Eu fui atrás dele.

-Pai, isso é um fato histórico. Finalmente vamos ter abertura politica neste país.

-Lembra meu filho quando eu disse que estaríamos fudidos se esses caras chegassem no poder? Se prepare. Tenho dó de vocês. Ali só tinha bandeira de comunista.

-Pai, os tempos são outros. Estamos progredindo. Somos uma democracia. Temos que evoluir. Abertura geral e irrestrita é a frase da moda. Os milicos tiveram a chance deles. Olha só, inflação descontrolada, dívida externa, precisamos de gente competente para administrar o país.

-Filho, você não entende, esses canalhas vão voltar e vão arrebentar mais ainda com o país. Até agora, vivemos tempos bons. Seguros. Espere só esses revolucionários tomarem o poder e aí sim você vai ver o que é uma ditadura real.

E acendendo seu Minister habitual, calmamente soltou a primeira baforada disse:

– De agora em diante, só Deus sabe o que será dos meus netos? – despejou algumas cinzas em um cinzeiro de metal azulado bem surrado e pediu em seguida:

– Agora vai lá na sala, pega o DiGiorgio que eu quero tocar uns boleros tristes.

Quando voltei com o violão, ele pegou o instrumento, agradeceu e resignadamente começou a tocar os acordes de Besame Mucho…

* César Manieri (54),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.