De repente, me tornei um criminoso…

deguisement-prisonnier-bagnard-adulteHoje, no Brasil e no mundo, a cada dia que passa, está se tornado um crime ser um homem conservador e cristão. É muito feio, hoje em dia, ser uma pessoa dita de direita, que agora é cinicamente chamada de “extrema direita”. É ser um tolo, pensar de forma liberal, mas um pouco longe do “Laissez faire” economicamente falando. Por isso, de repente, me tornei um fascista criminoso de merda aos olhos dos senhores de todas as virtudes e ativistas do politicamente correto.

             Certa vez, quando eu disse, em uma aula na faculdade, que achava um absurdo a cultura do trans gênero, o trans humanismo, do aborto e da eutanásia, e que era pecado todas essas loucuras, me chamaram de tudo: extremista, fascista, machista, sexista, homofóbico, conservador idiota, direitista, medievalista, intolerante, desonesto, fundamentalista e fanático. Que eu poderia ser processado por ativistas de diversas ONGs se ouvissem eu falar dessa forma tão preconceituosa.

                    Para tantos, sou um fascista, mesmo que, de verdade, eu deteste gente do naipe de Mussolini e seus asseclas. Mussolini era aquele cara do fáscio, da touceira de lenha unida a um machado. Esse era o símbolo máximo do poder estatal, que subjuga a tudo e a todos ao seu poder de coerção. Sou fascista criminoso por querer ter o direito de possuir uma arma para apenas proteger quem eu mais amo da ação de bandidos psicopatas, sejam eles quais forem, inclusive dos bandidos e políticos parceiros do Estado e do próprio Estado e seus governos comuno-socialistas totalitários.

           Sou agora um pai de família criminoso por aceitar a finitude da vida e que crê na transcendência, mas sem filosofar muito. Que reza antes de dormir, pedindo ao Pai, Criador do universo, que dê a todos os meus irmãos de luta a Paz e a Luz necessárias para caminhar neste mundo de injustiças, dor e trevas. Onde já se viu, aos olhos de muitos, só posso ser um hipócrita criminoso carola que peca, mas que crê que será salvo por um tal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sim, isso é verdade, espero que ele me perdoe de todos os meus pecados cometidos e os que ainda irei cometer, afinal sou humano e não santo, mas busco isso sempre e me de uma chance de desfrutar da vida eterna ao Seu lado. Pra muita gente, isso soa ridículo e de certa forma intolerante. Tudo isso , apenas por criar meus filhos na fé cristã para dar a eles a oportunidade de amar o próximo em Cristo e nada mais.

         Sou um perigoso extremista, para tanta gente, por entender que qualquer outra cultura religiosa deva ser respeitada até a página um e que entende que tolerância tem limites e as portas abertas da mente também. Gente como eu é tratada como um intolerante direitista nazi fascista, justamente por não aceitar o vilipendio de sua crença. Sou um porco conservador, por não aceitar a violação do corpo e da inocência de crianças e adolescentes. Por não aceitar que minha fé seja blasfemada por “artistas” e “intelequituais” e por ninguém deste ou fora deste mundo.

                Sou considerado um nazista criminoso só por amar o meu país e por saber cantar o Hino do Exército, apenas uma lembrança do grupo escolar do tempo em que eu podia brincar na rua sem medo.

              Imaginem só, sou confundido com um nazista, mesmo detestando gente do tipo Adolf Hitler, que cooptou homens tão psicopatas quanto ele para compor o partido do Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e  que o ajudou a matar todas aquelas pessoas inocentes e indefesas.

         Sou um xenófobo nojento por querer proteger nossas fronteiras de terroristas, bandidos, traficantes e todo tipo de criminoso sem escrúpulos. Sou uma pessoa má, por sentir a dor desse povo brasileiro tão sofrido e que sofre junto mais ainda quando percebe que muitos incautos caem no canto da sereia e compram as ideias fáceis do socialismo, ideologia composta de gente psicopata que só quer nos matar e destruir o que resta de nossa pouca cultura que definha aos poucos.

           Sou o tipo de homem que “não passará” justamente por amar minha terra e respeitar suas raízes e suas origens lusitanas. Não passarei, na visão daqueles que não entendem que a história do nosso país foi muito mal contada desde o descobrimento, por seus professores panfletários e emaconhados.

           Sou um homofóbico por querer proteger meus filhos e todas as crianças (mesmo as que ainda não nasceram e que muitos insistem em matar para que não nasçam) da coerção educacional estatal e da chamada ideologia de gênero ou qualquer outra sandice sexual que envolva crianças e adolescentes. Sou isso, por apenas entender que crianças devem ficar longe de qualquer discussão sobre sexualidade, só por entender que elas devem ser apenas protegidas e amadas por seus pais ou responsáveis até se tornarem adultos responsáveis.

        Sou um machista apenas por entender que homens e mulheres são de natureza diferentes e que um jamais poderá ser o outro em essência, mas são almas únicas e que se complementam e que foram criadas para que se amem e se respeitem eternamente.

        Por fim, sou mesmo um criminoso infame por tudo isso, por querer deixar meus filhos longe da escola e das garras do MEC. Por não aceitar esse secularismo efêmero e que pretende destruir tudo que de admirável, homens com seus espíritos conservadores e inteligentes e que são o suficiente corajosos para entender a realidade, construíram nos últimos dois mil anos.

          Na verdade criminalizam homens assim, porque querem que tenhamos vergonha de ser quem somos, querem calar nossa boca com gritos histéricos, feito aqueles bebes chorões que gritam quando a mamãe some de sua vista fraca. Querem apenas silenciar pais de família, homens simples, de coragem e que querem proteger conservar a sua amada família. Homens que querem proteger o que foi duramente construído pelos seus antepassados e pela civilização ocidental por mais de dois mil anos e que nos trouxe até aqui: O legado espiritual, que é o amor Cristão; o legado cultural, que é a filosofia grega e o legado da justiça, que é direito romano.

 

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A proposital idiotização de alunos e o soco na cara da sociedade como prêmio.

Dees_DumbQuando vejo escolas depredadas, professores sendo espancados e humilhados por pequenos psicopatas, estudantes indisciplinados, drogados, idiotizados e com baixo índice de aprendizado nas escolas pelo país, não me espanto. Entendo que os responsáveis por isso são os educadores e pedagogos formados nos últimos cinquenta anos e que são adeptos da pedagogia do oprimido. Eles estão sendo engolidos pelos monstros que eles próprios criaram. É o feitiço se virando contra o feiticeiro.

No lado da família, sei também o que ocorre e não me espanto, pois muitos pais estão terceirizando a educação o ensino e estão usando escolas como depósito de filhos mimados, indisciplinados e vitimistas. Muitos pais e professores são reféns desse séquito de estudantes desrespeitosos, sonolentos e muitas vezes sem propósito na vida. Sim, os professores, por conta de sua formação superficial e que também foram doutrinados pelo método Paulo Freire, perderam sua de autoridade e muitas vezes não sabem lidar com o contraditório, doutrinam também os alunos de foma velada a se rebelarem contra uma sociedade “burguesa” etérea.

Por isso, sou adepto de uma sociedade sem escolas. Penso que só deveria procurar o saber quem realmente deseja o conhecimento genuíno, conhecimento tal que levarão os estudantes às artes liberais de excelência. Pode parecer cruel, mas penso que todos os outros, que não estão nem aí para aprender algo academicamente sério e mais profundo, deveriam procurar apenas seguir suas vocações de oficio, se forem corajosos. Procurar os respectivos mestres de ofício e aprender suas profissões desejadas com eles. Deveriam se especializar em suas vocações de ofício para serem os melhores em sua área. O resto que não quer nada com nada e pensam em apenas a passar de ano, poderiam entrar nas escolas padronizadas do Estado por sua conta e risco.

Ser professor é um oficio sério, é um dom que recebemos e que não pode ser usado para propósitos mesquinhos ou ideológicos. Isso é um sacrilégio, pois destrói com o futuro de pessoas incautas se não for bem ministrado.

Ser aluno também é algo muito sério e que exige disciplina e respeito à autoridade do professor por parte dos estudantes. Afinal, os mestres sérios e não doutrinados conhecem bem os segredos da vida que jovens estudantes ainda não conhecem.

Não podemos obrigar que jovens estudem em um sistema padronizado e pasteurizado à beira da falência que temos hoje. Isso é um erro. Estudar não é apenas um direito de todos e sim um dever pessoal, um chamamento. Na verdade, não são todos que desejam saber algo além de suas vontades básicas. Ninguém deveria ser obrigado a entender as complexidades das línguas, da álgebra, estudos de geografia global, astronomia, música, arquitetura, modelamento matemático algébrico ou química, muito menos se não tem interesse nesses assuntos.

Um país não precisa que 100% de seus habitantes sejam médicos ou engenheiros, jornalistas ou físicos nucleares. Não são todos que precisam ou querem ir para as universidades. O país precisa é de gente que ama o que faz, entende as suas escolhas e não se vitimize diante da realidade fria e cruel da vida.

Ler e escrever é algo que pode ser aprendido de forma rápida e indolor, não precisa de grandes teorias para isso, não precisa de alfabetização socializante, basta a professora saber as técnicas de alfabetização certas e pronto. Todos podem ser alfabetizados de forma correta e sem traumas, tanto em língua portuguesa, quanto em matemática. Matérias básicas para entender muita coisa dessa vida.

Agora, ler de verdade para se tornar mais inteligente ainda é algo que exige tempo, dedicação e vontade do ser, não se aprende a ser mais inteligente apenas com a beligerância de educadores a cada erro dos estudantes. Por isso, cada um tem seu tempo para aprender e crescer. Aprender de verdade exige perseverança, luta, força para vencer os obstáculos. A vida é assim!

O Estado não tem que se meter a fundo nisso, ele apenas deveria dar uma boa infraestrutura e bons equipamentos para que o processo comece. Pagamos anualmente muitos impostos e já que não tem jeito mesmo, devemos cobrar do governo ações para que façam sua parte minimamente sem nos atrapalhar. Só isso. 

Mestres mal remunerados, salas de aula e escolas feias, pichadas e desmotivadoras, professores desrespeitados e também desmotivados, é o que temos hoje. A maioria dos professores de todos os níveis são militantes ideológicos esquerdistas sem o compromisso real com a docência e o saber e ensinar verdadeiros. São esses militantes que idiotizam os jovens estudantes.

Por isso, sou inteiramente adepto ao homeschooling, onde as famílias, até certo nível, educariam e ensinariam seus filhos em casa, longe destes militantes, justamente com os melhores mestres disponíveis: que são eles mesmos. E eventualmente chamar alguns e especialistas que respeitassem seus valores, princípios e conceitos familiares. Só que, com o nível de formação intelectual e cultural de grande parte da população e a falta de tempo de pais e responsáveis, nos dias de hoje, isso é praticamente impossível, portanto, esse modelo moderno de ensino, poderia ser liberado sim, mas poucos teriam competência e tempo para isso.

De qualquer forma, sou contra a doutrinação ideológica em qualquer grau, não creio na igualdade de condições humanas, pois cada um tem um nível de entendimento das coisas da vida, não creio em professores justiceiros socialistas e defensores da “mãe terra” e que não aceitam a expor a transcendência da vida a seus alunos, mas que expõe aos estudantes apenas sua visão limitada do mundo, entre outras inutilidades acadêmicas inócuas. Um exemplo é o incentivo de leitura de livros que nada tem a ver com os grande clássicos da literatura ocidental. Não acredito no método Paulo Freire de pedagogia, o que muitos aplicam tentando fazer deste senhor o maior pedagogo que já existiu no planeta, o elevaram a patrono da educação, mas que dizia frases incompreensíveis e ilógicas que não tem aplicação prática alguma na vida real.

Entendo que cada ser é único e não pode ser ensinado de forma padrão como a que existe hoje, como uma linha de produção que usa a forma “construtivista social” como matéria prima e que é limitada ao próprio mundo do estudante. Basta ver os resultados e você verá que isso o leva a não entender a realidade tal qual ela é. Basta olhar para si mesmo e você verá que também não entende. É o tipo de pedagogia que faz o estudante apenas repetir sem pensar todos aqueles conceitos falaciosos de igualdade de um coletivo amorfo e sem alma.

Biologia é biologia, física é física, matemática é matemática, língua portuguesa é língua portuguesa. É necessário estudar com afinco junto com um professor competente cada uma dessas matérias caso o estudante engajado queria aprender seus segredos. É assim que tem que ser. E nada que digam os que querem definitivamente nos emburrecer, mudará minha visão disso tudo.

O que muda o status social de uma pessoa são suas próprias ações e não a inação e o vitimismo. Não adianta esperar por cotas ou pelo Estado para ajudar com que o estudante avance em seu nível intelectual, salvo raras exceções. É necessário que o estudante saiba que é preciso vir dele a vontade pelo saber. É preciso que ele saiba que estudar em uma universidade não é o passaporte para a felicidade ou um gordo contracheque no final do mês após a formatura.

E os estudantes tem que saber que, se escolherem o caminho do estudo, terão que ser disciplinados o suficiente se quiserem vencer essa etapa na vida. Se cometerem deslizes, como o de agredir colegas e mestres, não poderão receber uma carta de indulgencia por isso. É assim que tem que ser.

Eu tenho dois filhos pequenos e ensino cada um deles de forma totalmente diferente, pois eles são diferentes um do outro. Eu e minha esposa ajudamos nossos filhos todos os dias com os deveres e tiramos todas as dúvidas deles. Nossos filhos sabem que nós somos seus educadores e que temos valores e princípios pétreos que regem nossa vida em família e a nossa vida em sociedade. Eles entendem que os professores em sala de aula na escola são seus mestres e devem ser respeitados. E cada um deles estão aprendendo a amar o conhecimento de forma diferente e estão felizes ao modo deles. Assim, aprendem e entendem o mundo ao redor deles e estão percebendo que, se quiserem evoluir, devem ser disciplinados e seguir com rigor nossos conselhos.

Sim, eu educo meus filhos com rigor. Exigimos o respeito deles e damos nosso respeito a eles. Se, por acaso, algum dia, eles cometerem algum tipo de desvio nos desrespeitando ou a algum mestre, por pior que esse profissional seja, serão imediatamente punidos com rigor para entenderem que só se aprende alguma coisa nessa vida, quando se respeita quem sabe um pouco mais que nós.

*Cesar Manieri – Professor de matemática e tutor para home schooling, engenheiro eletrônico, empresário, fotógrafo, músico, pai de família e escritor nas horas vagas.

Saia de casa e vá ver um belo Jardim enquanto é tempo!

jardimEu sou apenas um simples professor de matemática que entende um pouco de música em busca do saber e não um crítico de arte. Desde o primeiro dia que resolvi escrever aqui neste blog sobre meu processo de auto conhecimento, tinha dúvidas sobre se eu estava realmente tendo sucesso nessa empreitada pessoal. Meu objetivo aqui era apenas dar vazão aos meus pensamentos sobre tudo o que eu via e não entendia em minha volta. Mas depois de hoje, percebi que não tenho mais motivos para duvidar sobre o sucesso da minha empreitada pessoal.

      Há alguns anos, mais precisamente na páscoa de 2013, estava conversando com meu irmão sobre a situação execrável de nossa política e sobre como nossa sociedade havia chegado quase ao fundo do poço, falávamos sobre o risco que corríamos em perder tudo de admirável que havíamos construído até então, nossos valores, nossas famílias. Naquele dia ele me disse:

“- Irmão, você tem que ver as palestras, ver o vídeos do Olavo, o homem é muito bom”.

       Naquela semana, entrei no youtube e assisti horas e horas de vídeos, comprei vários livros do professor Olavo de Carvalho, entre eles O Jardim das Aflições” e desde então, comecei a entender o motivo das minhas aflições pessoais.  Não pense que me livrei destas aflições depois disso, apenas as entendi. Apenas percebi que teria que estudar como jamais havia estudado antes se quisesse entender a realidade que me cercava.

      Pois bem, hoje foi um dia muito especial. Hoje foi o dia em que fui ao cinema ver finalmente o documentário O Jardim das Aflições do competente diretor Josias Teófilo, que conta o percurso biográfico, a rotina e o pensamento deste filósofo brasileiro chamado Olavo de Carvalho.

       Escolhemos a sala Kinoplex Vila Olimpia.  Apenas um pequeno detalhe: O homem responsável pela projeção errou feio quando começou a passar de um tal de Amor.com no lugar do Jardim. Algumas pessoas ficaram atônitas. Na hora eu perguntei para minha esposa:

“- Erramos de sala?!”

       Imediatamente saí do meu lugar e seguido por uma dezena de espectadores, fomos reclamar com o responsável sobre aquele erro tosco. Além disso, por algum problema no projetor, o filme não ficou tão bem enquadrado naquela tela enorme.

      Acredito que muitas pessoas devem ter ouvido falar deste filme/documentário de que ele “não deveria existir” ou sei lá. Coisa de gente invejosa. Gente que fala isso, sempre nega até sua feiura quando olha para o espelho. Esse documentário foi tratado por essa gente como um filme perigoso. Incrivelmente dito por diversos diretores e cineastas brasileiros e, depois de eu ver o filme, ficou claro a razão dessa reação.

      Detalhes à parte, o filme é de uma qualidade ímpar. A trilha sonora me impressionou, eu que sempre critiquei a qualidade do som do cinema nacional, garanto que a trilha sonora é de  extremo bom gosto. A música dá um contraponto extremamente agradável à narrativa. O bandoneon e depois o clarinete, que aparece graciosamente, e dá um tom tristonho e nostálgico em algumas cenas (sim, lembra o tema do Poderoso Chefão, pois esse usa a linha melódica mesma sinfonia #1 de Sibelius), te remete ao seu eu interior e ao mesmo tempo leva a você a pensar sobre si mesmo, enquanto espera as próximas falas do professor Olavo, que está sempre calmo e preciso em seu pensamento.

      A fotografia usa uma paleta de cores equilibrada e que evolui em tons quentes, que é muito confortável, agradável e combina perfeitamente com a narrativa do documentário. Parece que você está lá naquela casa no estado da Virginia nos EUA ouvindo o professor falar exclusivamente para você.

      Só esses dois pontos que coloquei aqui já seriam o suficiente para despertar a inveja e a ira de vários diretores de cinema que, mesmo sem ter visto o filme, morrem de inveja e vergonha  de si mesmos quando sabem que este documentário foi produzido com recursos vindo de processos de “crowdfunding”.

      Mas o que mais me emocionou neste filme foi o seu conteúdo. O momento em que o professor Olavo dispara seu rifle é o momento que você acorda para a realidade e toda a narrativa começa. Ver aquela família simples, cheia de vida e amor é como ver todas as famílias simples deste Brasil, sua fé e seus valores.

      Outra coisa que me emocionou foi ver o quanto minha esposa se identificou com a proposta do Olavo sobre a transcendência filosófica, com trechos sobre a consciência individual e a herança psíquica que recebemos dos nossos antepassados e a finitude humana. Isso mostra que estamos alinhados no pensamento filosófico. Só isso já alivia minhas aflições profundamente.

       Quando o filme terminou, fiquei por alguns segundos esperando por mais, mas tive que aceitar que o filme já havia terminado, e me contentei em ficar ali sentado para ver os nomes de algumas pessoas conhecidas subindo nos créditos: Mauro Ventura, Rodney Eloi…

       Agora, depois de uma dura caminhada pela vida para saber mais sobre mim, fecho um ciclo depois desse filme e com isso acabo entendo muita coisa. Entendo minhas aflições e as aflições alheias, entendo que estou tendo relativo sucesso em minha empreitada pessoal na busca pelo auto conhecimento, por outro lado entendo o motivo de tanta gente não querer que você veja este filme, pois esse filme é realmente muito bom.

      Esses seres sem personalidade que o boicotaram são os seres irracionais que dormem, são os que vivem sonhando com suas utopias vãs, e um filme desses os ameaçam e os fazem ver que é hora de acordar para vomitar para se livrarem seus venenos que destroem suas almas, esse filme os fazem parar para pensar em suas miseráveis e porcas vidas. E todos sabemos que somente a pura arte real é que tem esse poder, que é de nos fazer acordar, pensar, refletir sobre nós mesmos!

Chegou a hora de desescolarizar o ensino?

Another Brick in The WallConta-se que por volta de 1600 DC, um homem chamado Jan Amos Komenský (Comenius em latim) resolveu realizar algumas modificações na educação da idade média e criou um método onde a frequência dos alunos nas escolas fosse obrigatória. Isso é semelhante, de fato, com as escolas como a conhecemos hoje e , claro , como não podia deixar de ser, esse método foi um prato cheio para que as escolas fossem usadas politicamente por governos de todos os tipos. Antes disso, só procuravam o saber e o conhecimento, as pessoas que verdadeiramente o desejavam. Havia o estudo das Artes Liberais que eram oferecidos pela igreja e os ofícios que vinham tradicionalmente das famílias e seu trabalho secular. Hoje, no mundo todo a educação é um direito das pessoas, É o que diz nossa constituição. mas, em muitos países, caso os responsáveis não matriculem seus filhos em alguma escola, poderão ser sumariamente processados e poderão até serem detidos pelo estado que não hesitará em usar o código penal contra a evasão escolar.

             O pesquisador e psiquiatra Lyle H. Rossiter  escreveu um livro (A mente esquerdista) sobre a mente e o comportamento humano regulado por ideologias políticas de esquerda. O Dr Rossiter mostra quão complexos são os padrões que uma criança adquire na primeira infância quando submetidas a distorções educacionais. Mas o que o Dr. Rossiter afirma é que esses padrões são adquiridos dos pais verdadeiros ou substitutos e que a criança os levará para o resto da vida delas. Esses padrões vem principalmente da mãe. Então, essa relação bebê/mãe é de fundamental importância para a formação da personalidade do ser. É ela que formará a personalidade do indivíduo e poderá estabelecer como ele irá lidar com a realidade do mundo em que vivemos. Dependendo dos padrões adquiridos, basicamente uma pessoa poderá lidar com a vida, ou de forma ativa e responsável ou de forma vitimista e dependente, entre outras variações. Então, um indivíduo que tem responsabilidade, sabe que sua liberdade estará diretamente ligada ao seu esforço pessoal para vencer as dificuldades da vida, seja nos estudos, seja no trabalho. Já os dependentes, culparão sempre os outros, seja o professor, a mãe ou o pai pelo sua incapacidade de saber mais sobre si mesmo ou pela simples falta de vontade em agir. Sempre será um dependente, seja do estado protetor, ou de uma droga que alivie a dor da vida ou dependente de uma ideologia que facilite a vida dele ao máximo. O mais interessante é que muitos pedagogos, educadores, políticos, sabem disso. Os governos sabem disso, por isso, usam a escola para seus propósitos mais mesquinhos.

                    Ivan Illich sugere que as escolas são, de um lado, instrumentos de engenharia social estatal à serviço de interesses políticos ideológicos e de outro instrumentos de captação de alunos/clientes para oferecer a possibilidade de ascensão social a seus clientes. Ninguém tem mais o direito de NÃO IR para a escola tradicional. Quando o aluno entra no sistema de ensino, a percepção é que ele nunca será cobrado a se esforçar de verdade. Todos os alunos, até certo ponto, sabem que NUNCA serão reprovados, seja no ensino público ou particular. Qualquer esforço adicional que você impõe ao aluno, caso ele estude em escolas particulares, ele ameaça veladamente professores e diretores dizendo que (SiC): ”- eu é que pago o seu salário professor”. E, caso estude em escolas publicas (SiC) “- professor, você, nem ninguém, manda em mim”. E quando essa cobrança vem dos pais para os filhos, então um problema familiar se estabelece. Qualquer referência ou tentativa de disciplinar o aluno a respeitar códigos de conduta e regras sociais é prontamente desencorajada em nome de uma “construção do conhecimento”. Em nome de uma guerra à opressão social e familiar. Crianças, na maioria dos casos, são curiosas, geniais, comunicativas e adoram por a mão na massa quando elas têm vontade. Em minha experiência com o ensino de várias crianças e jovens, incluindo meus filhos, percebi que elas podem aprender, e muito rápido, se deixadas a explorar o mundo que as cercam, desde que elas tenham vontade e seja aquilo que elas querem. Mas, o que muitos se esquecem, não é apenas o que as crianças querem, mas o que elas de fato precisam aprender, e isso é o que realmente importa. E para que o aprendizado ocorra, é necessário que quatro elementos fundamentais brotem do indivíduo: vontade, disciplina, coragem e dedicação.

              Crianças , normalmente, gostam muito de se sentir sem limite algum, mas elas não tem maturidade suficiente para agir conforme suas vontades infantis, então em seu âmago clamam desesperadamente por limites e atenção. Por isso, é necessário que elas tenham uma rotina diária de incentivos às suas ações volitivas e de aprendizado que devem ser orientadas por pais e professores todo o tempo e devem sempre ser validadas e encorajadas a continuarem  a fazer suas perguntas e mostrar descobertas. Mas o que é preciso entender é que para que o conhecimento e o aprendizado correto ocorra e seja válido é necessário seguir determinados métodos. Ela precisa ser estimulada a entender a natureza daquilo que aprende e o que ela deve fazer para fixar todo esse conhecimento em seu cérebro de forma correta e duradoura sob o ponto de vista científico.

Uma criança leva aproximadamente 8 anos para falar a língua mãe de forma articulada, sempre baseada no que ouve de sua mãe, pai e pessoas mais próximas. Ela aprenderá a falar o português dessas pessoas, mas ela jamais será capaz de entender a lógica da sintaxe gramatical correta por si mesma se não se esforçar e estudar ativamente sua língua mãe durante décadas sob a orientação de professores de língua portuguesa sérios e engajados com a língua falada e escrita de forma correta. Os alunos jamais entenderão por si só que aritmética e álgebra são ferramentas que eles usarão para o resto da vida e que só aprenderão com muito esforço e por vezes por enfadonhos processos repetitivos iniciais (vide a tabuada), mas que os ajudarão no raciocínio lógico para os estudos científicos e filosóficos futuros, ou simplesmente para não serem enganados na mercearia do bairro.

              Segundo Illich, cada vez mais nossa sociedade se torna super complexa. As tecnologias caminham junto com as sociedades e estão cada vez mais desenvolvidas, então não podemos mais admitir que um jovem de 16 anos não saiba como funciona a lógica matemática na multiplicação, não saiba entender a relação lógica entre um texto de filosofia e um programa de computador.

                  Muitos alunos sempre fazem a clássica pergunta: – Professor, por que temos que aprender isso, se nunca vou usar essas fórmulas? A resposta é simples: Da mesma forma que seu jogador de futebol favorito aprende nos treinos as jogadas, e as treina, treina para fazer os mais belos jogos e gols para seu time. Aprende-se isso para a vida! Você estuda isso para dar continuidade ao legado que nossos antepassados nos deixaram. Você entende a responsabilidade que é isso? Você não está aqui nesse mundo a passeio. Quando você vai na academia, você exercita todos os músculos do corpo, principalmente os que você acha nunca usará, apenas para estar preparado para um torneio ou competição, estudar é a mesma coisa.

                 Existem casos de alunos que nada sabem, nada aprendem, se esforçam pouco e passam raspando no “conselho de classe” em escolas de médio e alto nível em São Paulo. Sem generalizar, o que parece é que esses conselhos de classe nada mais são que um sistema para evitar a perda de alunos pagantes (clientes) e para evitar um possível conflito com os pais caso haja uma reprovação. A escola particular, então, vira refém do mercado (dos pais pagantes e dos alunos). Os alunos, inteligentes que são, sabem disso e se aproveitam para iludir pais e professores e fazem o esforço mínimo apenas para seguir adiante, mesmo sem entender os detalhes importantes de uma determinada matéria. Os pais, vendo que seus filhos são aprovados, mesmo com um desempenho ruim, ficam até certo ponto satisfeitos, pois investiram uma fortuna durante todo o ano letivo e não querem perder isso. Os alunos ficam bem satisfeitos, pois apenas passaram de ano e a escola fica feliz, pois garante matrículas para o ano seguinte, mantendo assim seu equilíbrio físico- financeiro saudável.

             Na escola pública, como é sabido, os alunos passam de ano sem esforço, os professores jamais confrontam o aluno exigindo disciplina, pontualidade e esforço, pois sabem que podem ser processados e ou agredidos (por alunos e pais) e os pais mais desavisados e sem tempo ou sem recursos, acham que, com os filhos na escola, o problema da educação deles está definitivamente resolvido. Os alunos espertos, apenas são os que se esforçam um pouco mais.

              Ledo engano achar que está tudo resolvido, sabemos também que muitos professores tem incrustados em seu pensamento uma mentalidade ideológica que vem sendo formada há mais de cinco décadas. Os professores são dependentes desta ideologia e mentalidade em sua grande maioria e são pressionados por escolas e governos para não reprovar alunos desinteressados em nome de uma coletividade oprimida imaginária.

                Os fatos apresentado por Illich mostra que os alunos precisam entender que sem um esforço pessoal individualizado e força de vontade, não há como obter sucesso nos estudos e na vida. Eles precisam entender que existem os professores bons e que são uma parte fundamental no processo e suas soluções, mas existem professores ruins e que são parte do problema. Sertillanges em sua obra “A vida intelectual” nos ensina que alunos precisam saber que estudar é uma vontade individual que vem do âmago de sua alma. Vem deles o processo volitivo para empreender uma ação positiva em busca da verdade e do saber genuíno. As discussões sobre os modelos de escola, luta de classes, currículos, métodos pedagógicos etc, não passam de uma cortina de fumaça para encobrir a verdadeira raiz problema. Como disse o Prof. José Monir Nasser em uma palestra sobre o Trivium: “A escola só serve como elevador de ascensão social ilusório e como instrumento político. Escola, infelizmente, não educa ninguém que não queria ser educado e não ensina ninguém que não queria saber a verdade.O que é o aprendizado se não uma constante repetição voluntária ou involuntária de termos e palavras, expressões e números? Tem certas coisas que não tem como aprender se não estudar até marcar no cérebro. É como fazer um carimbo que é impresso na mente. E isso deve ser feito de forma sistemática e inteligente. Não existe aprendizado sem esforço, sem disciplina, sem dedicação, sem coragem e principalmente sem amor ao saber”.

               Podemos até questionar o formato de salas de aula, currículos, pensadores e pedagogos etc., mas não podemos negar o fato de que, para aprender efetivamente é necessário sempre um esforço a mais de quem estuda. Não existe simplesmente o aluno construir seu saber por sí, assim do nada, levando em consideração apenas que sua condição social será o catalisador que fará ele entender a realidade ipso facto. Isso não é aprendizado acadêmico científico e jamais será, isso pode ser verdadeiramente, outra coisa.

                  Illich acredita que o melhor é ajudar os alunos nas questões que incentivem uma vida de ação ao invés de uma vida de consumo ou prazeres efêmeros. Referenciando-se a Miguel Sgarbi PACHIONI, ele diz que “Illich: “crê na capacidade do ser humano em produzir um estilo de vida que propiciará sua espontaneidade e sua independência ao invés da manutenção de um estilo de vida restrito apenas ao fazer e desfazer, produzir e consumir”.

              Portanto, seria mais sensato que soubéssemos fazer os alunos aprender a escolher entre o ser ao invés do ter e não apenas depender somente do método mastigado de escolarização atual, e sim buscar um relacionamento educacional entre o ser humano que é, e a realidade que o cerca.

Illich apresenta três ideias para um bom sistema educacional:

  • Facilitar o acesso aos recursos necessários para o aprendizado daquilo que se queira efetivamente aprender (de forma prazerosa);
  • Capacitar aqueles que queiram partilhar seus conhecimentos e possibilitar que os demais interessados neste saber os encontrem;
  • Dar oportunidade aos que queiram tornar públicos seus conhecimentos para que seus desafios sejam conhecidos.

           Neste contexto, até a tecnologia poderia estar tanto à disposição do ensino burocrático, onde temos um docente que apenas lida com os documentos a serem preenchidos, como a serviço da autonomia e independência de alunos e professores. Concordo com Illich quando ele propõe abordagens que possibilitam aos estudantes acessar recursos para traçar suas próprias metas de aprendizado: Usar a gestão de projetos reais da vida real para reforçar um aprendizado para uma sociedade inventiva e criadora, como ele mesmo diz: “que se relacione com a natureza (essência) das coisas e não por suas aparências (industrializadas)”, é necessário disponibilizar dispositivos tecnológicos e seus processos, dar ao aluno a oportunidade de assumir sua responsabilidade pelas ações que tomar em sua vida.

          Importante é que entendamos que o compartilhamento de conhecimentos e habilidades sendo elas formais ou não sejam incentivados. Isso não pode ser limitado e medido apenas por certificados e diplomas emitidos, pois estes podem tirar a liberdade de educação à medida que confinam o conhecimento, tiram a liberdade individual pela busca de determinados conhecimentos. É importante entender que, com a tecnológica atual já estamos possibilitando o encontro de pessoas com interesses específicos, sejam eles quais forem, e eles estão se complementando. Essas redes de comunicação propiciam a oportunidade do indivíduo de se fazer ouvir em diversos grupos; se pudermos incentivar a mistura entre o que temos aprendido e o que muitos aprenderam com a experiência de vida, poderemos buscar novos conhecimentos mais como uma forma de lazer, será uma forma prazerosa de ensinar e aprender. E assim, poderemos criar uma relação mais próxima entre pais, professores e alunos e, com isso, viabilizaremos trazer de volta a humanização das relações neste processo politizado, padronizado e rígido no qual o ensino atual ainda descansa.

O dia que encontrei o Sr José Lewgoy!

lewgoyFoi no fim dos anos 80 ou início dos anos 90. Não me lembro bem. Apenas me lembro que estava hospedado no hotel Beira Mar Norte em Florianópolis. Saí do quarto no 5° andar bem calmamente naquele fim de manhã para dar um passeio pela orla marítima. Pacientemente esperei o elevador chegar ao meu andar. Alguns segundos de espera e observei a luz indicativa na parede se acender e ouvi aquele “plim” característico.

Quando a porta se abriu, vi um senhor de pé apoiado em sua bengalinha. Entrei e disse o tradicional “bom dia”. O senhor respondeu com um sorriso leve. Novamente olhei para aquele senhor e vi que o conhecia. Era o Senhor Lewgoy.

A viagem foi rápida , mas o suficiente para eu lembrar de tudo que havia visto do trabalho dele. A porta se abriu no andar térreo. Ele saiu. Eu me dirigi ao salão de café. Ele para a saída, caminhando lentamente. Não trocamos uma palavra, mas, mesmo assim, foi uma honra ter ficado perto de um ator tão emblemático quanto ele.

Recentemente vi um documentário sobre a vida do José Lewgoy na TV a cabo. Sugiro que quem nunca viu o trabalho desse ator maravilhoso, faça uma rápida pesquisa e, garanto, encontrará historias incríveis sobre ele.

A mim, resta apenas a saudade dos dias maravilhosos que vivi em Floripa, e que me traziam esses pequenos presentes que, eventualmente, a vida nos dá.

Lições de amor

love-lessonsA vida nos surpreende a cada instante. Não temos controle sobre nada nesta nossa porca e miserável vida. Um dia achamos que somos eternos e em outro percebemos a nossa finitude. Somos tolos em achar que somos donos de alguma coisa na vida. Não somos. Vivemos através dos nossos erros e acertos. Quando pensamos que estamos acertando, erramos. Quando pensamos que erramos, acertamos. Quanta incoerência. Na verdade, raramente somos gratos pelas incoerências que enfrentamos.

Formamos nossas convicções durante os anos e vamos amadurecendo. Pensamos tantas coisas, mas no fundo, no fundo mesmo, queremos o amor, queremos ser amados. Tememos o abandono. Queremos resgatar nossa vida pelo amor. E o que é o amor, se não o sangue da vida. Ele une o que está separado há muito tempo. Ele junta os opostos. Faz com que o tempo pare. Transforma longos anos em um simples átimo de tempo. Não duvide da força do amor. Ele transforma vidas e derruba padrões que criamos em nossa mente doentia. Quebra o que era coerente em mil pedaços incoerentes e te enlouquece.  Muita gente é solitária de forma doce. Mas eles só saboreiam o doce sabor da vida real quando conectados a alguém. Descobrimos com as primeiras experiências a apaixonada intensidade, que o amor pode oferecer e a dor que pode causar.  Esse amor é o mais puro, o mais inebriante de todos.

Às vezes, as lições de amor são apavorantes, nos enche de provas dificílimas e deixa-nos sem chão. É como o Indiana Jones que tinha que atravessar o abismo sem ponte para pegar o Santo Graal. O amor é algo simples e que preenche nossa vida. Não é cheio de diamantes, flores e borboletinhas saltitantes. É o cálice que o Indy escolheu. Ele é simples, tosco. Mas o amor nos ensina a crescer. Crescer significa que seus sonhos mais loucos não podem ser realizados. Crescer significa abandonar esses sonhos pueris em troca de uma conexão mais profunda, mais duradoura e que transcende essa vida.

Se não temos essa consciência sobre o amor, começamos a fantasiar. Os devaneios satisfazem os desejos. As fantasias tornam nossos desejos em realidade que nos liga a desejos antigos não satisfeitos.

E isso é efêmero, fantasias são efêmeras, desejos são efêmeros. O amor não é.

O amor ultrapassa o limite da vida. O amor nos ensina o quanto nossa alma é imortal….

Sobre uma mulher verdadeira que conheci…

vovoUm dia depois de ler em vários lugares mensagens sobre as mulheres em comemoração ao dia oito de março, de ler todos os textos tristes de vitimismo que escreveram, muitas vezes exagerando fatos, estatísticas mórbidas e frias sobre o quanto são mortas, violadas, socadas e estupradas, me veio à mente uma cena e um diálogo que eu tive e que jamais me esquecerei com uma das mulheres mais fortes que conheci na vida.

A cena foi a seguinte:

Estava eu, com meus 19 anos de idade, em casa, olhando para aquela caminha de solteiro no meio da sala de estar. Nela estava deitada uma senhora de boa idade, minha avó. Pele e osso, mas ainda vaidosa aquela senhora, que, mesmo toda carcomida pelo tempo e por um severo AVC que tivera anos antes, ainda prezava sempre em estar bem arrumadinha. Ela ficou doente de verdade quando voltava de uma longa internação hospitalar após um grave problema pulmonar. Ela encontrou um dos seus filhos (ela teve 18 gestações) caído morto por um tiro fatal no coração dentro de casa. O filho que ficara com ela não aguentara a pressão, o peso da dor da vida. Ela, sim, suportou com muita coragem. Mesmo debilitada decidiu seguir em frente sozinha. Mas sua força não era suficiente para seguir sozinha como sempre fizera. E agora ela estava ali na minha casa e eu a olhava, resignado. Com a respiração ofegante, ela se virou e me olhou com um olhar severo, mas doce, e disse:

-“Fio”, pode preparar meu cigarrinho de palha? – pediu tentando levantar o corpo magro e fraco.

-Vovó, a senhora tem certeza que isso te fará bem? – perguntei relutante.

-Deixe de bobagem homem, vá lá e faça o que estou te pedindo. – ordenou do alto de sua autoridade. – A comida “sargaaaada” da sua mãe me faz mais mal que esse inocente cigarrinho. – completou de forma sarcástica.

Fui até a cozinha, peguei uma faquinha amolada e o fumo de corda que eu havia comprado semanas antes a pedido da minha mãe. Levei até a sala, puxei a mesinha de centro e me sentei ao lado de minha avó. Cuidadosamente comecei a cortar finamente aquele fumo de cheiro forte e adocicado.

– Eu quero que você pique o fumo assim mesmo, bem fininho, entendeu? – ela disse, apontando para minhas mãos.

-Sim, dona Palmira! – respondi sorrindo.

Depois, peguei a palha que estava perfeitamente embalada e cortada em retângulos, enrolei pacientemente o tabaco, e apertando os dois lados para não deixar o fumo escapar, entreguei a ela colocando um cinzeiro vermelho feito de alumínio, que era do meu pai, ao lado dela.

-Tá bom assim vó? – perguntei mostrando para ela o resultado do meu trabalho.

-Tá, fazer o que, vai assim mesmo! – Respondeu pegando o cigarrinho com desdém.

Ela lambeu as pontas, colocou o pito nos lábios murchos, finos e pálidos. Rapidamente acendi um fósforo e aproximei do fumo. Foi quando comecei a ouvi-la sugar o cigarro de palha com força, puxando a chama até aparecer uma brasinha na ponta. Então vi uma fina fumaça subindo pelo ar. Ela sugou e tragou a fumaça com satisfação. Soltou uma baforada e olhou para o cigarro de palha com prazer e seguiu dizendo com a voz embargada:

-Deus se esqueceu de mim “fio”. – enquanto dizia isso, uma de suas mãos trêmulas tentava manter o cigarro firme para evitar derrubar as brasas no lençol e a outra mão, já meio paralisada, segurava uma bolinha de espuma.- Veja meu estado! – Ela continuou – Veja aonde cheguei. Todos que conheci um dia se foram. Seu avô, meus parentes antigos, muitos filhos meus. E eu aqui velha, presa nesta cama. Sem saída.

-Não diga isso, vó. Você ainda tem a gente, tem seus seus descendentes. Tem suas filhas aqui que cuidam de você. Nós te amamos vó.

– Que bom saber que ainda me resta isso. “Óio” pra trás e vejo luta, suor, calos nas mãos. Olhe minhas mãos. Tenho saudade da minha casinha lá de Mineiros. Da minha roça. Das minhas plantas. Mas tudo se foi. Cuidar daquele monte de “fio”, trabalhar na roça, lidar com aqueles moleques endiabrados, minhas “fias” me ajudaram enquanto eu ia pra “roça carpi”, mas com a morte sempre de olho na nossa vida.

-Como foi isso, vó? – perguntei despretensiosamente para ver se arrancava alguma história inédita  dela.

-“Fio”, vocês não sabem de nada da vida. Vocês tem de tudo e vivem reclamando. Na casa da gente não havia os confortos de hoje. Sinto falta do meu fogão a lenha, dos meus “caipiras”cantando suas músicas no meu rádio. Sinto saudades do bife feito na banha de porco. Tenho certeza que reencontrarei todos eles para onde eu vou.

-Nós lutávamos para viver. Eu pari criança em baixo de pé de café, lá no meio da roça. Eu eduquei 13 filhos, todos estão hoje muito “bão”, tudo homem feito. Perdi alguns “fios” em casa por doença e acidente. Sinto pena, mas não choro por isso. Afinal eu tive um monte deles. É uma bênção, afinal.

Entre uma frase e outra, uma tragada. O cheiro do fumo impregnava toda a sala. Não me importava. Me lembrei quando eu estava de férias na casinha dela, daquela senhora levantando às 4h da manha, quando ligava seu velho rádio à válvula, sintonizava na estação de música caipira, fazia esse ritual tão seriamente como se fosse ouvir Mozart e começava a abanar seu fogão a lenha com uma tampa de lata de banha para fazer o café antes de ir trabalhar. Uma força sobre humana. Uma braveza só. Dura como pedra.

– Deus se esqueceu de mim? Logo eu que fui tão “trabalhadeira”. – dizia isso com os olhos marejados.

-Sente alguma dor vó? – Perguntei a observando de perto.

– Deus sempre ouve seus filhos. Uma mulher como eu não tem o privilégio de sentir dor da vida. Dor da vida é para essas “frufrus” bananas que vocês namoram. – disse sorrindo malvadamente.

Ri junto com ela, sem entender a dimensão do que ela me dizia. Achei que ela estava delirando ou sei lá.

-Olha, quase fui abusada pelo meu padrasto safado. Resisti. Casei com seu avô, um homem errante, tinha quer ser, pois eu prometi casar com o primeiro que aparecesse por lá. E foi o que fiz e fui viver minha vida longe daquele estrupício. Paguei o preço dessa escolha com resignação. Fiz o que tinha que ser feito. Mas agora estou cansada, velha, já contribui com essa vida. Não quero mais ser carregada feito um saco de feijão pra fazer essa tal de “fisio” que vocês me levam todo santo dia. –  ela disse isso me olhando nos olhos com um misto de agradecimento e certeza do que dizia. – Deus vai me ouvir, ela disse baixinho.

Sim, naquela época eu era o responsável por carregá-la no colo para fazer a fisioterapia. Era um tarefa que eu fazia com alegria e era fácil, achava que com o tratamento ela ficaria como antes, cheia de vida. Estava tão magrinha, tão leve. Eu a retirava de dentro da velha Brasília bege e a carregava. As pessoas, quando eu entrava na clínica com ela, me olhavam espantados vendo aquele menino carregando aquela velha senhora nos braços. Não entendiam o que se passava em nossos corações. E nem poderiam. Não os culpo. Nem queria saber o que pensavam. Eu não ligava.

– É preciso vó! É necessário fazer isso para sua recuperação. – eu dizia isso imaginando mudar a opinião daquela guerreira. Mas no fundo, eu sabia que era inútil dizer qualquer coisa a ela naquele instante.

Ela deu sua última tragada na bituca que sobrou e de forma trêmula apertou-a no cinzeiro. Parou por alguns segundos e deixou a fumaça restante se esvair dos seus pulmões sem pressa.

– Agora preciso descansar. Deixe-me em paz.- Ordenou com a dureza de sempre.

Naquela noite, escutei minha avó chamar pela minha mãe lá em baixo na sala. Era tarde já. Perto da meia noite.

-Fiaaa, Fiaaa!

E todas as noites era assim. “Ela quer ir ao banheiro”, pensei. Ouvi minha mãe se levantar como todas as noites, descer as escadas calmamente falando com minha avó:

– Calma mamãe, estou chegando.

Minha mãe a levou ao banheiro, como sempre.

Um tempo depois, ouvi minha mãe aflita chamando pela minha avó. Um chamado triste, sem resposta. Levantei da cama correndo e desci as escadas. Tive tempo apenas de ouvir seus frágeis pulmões se esvaziando por completo. Tomei-lhe o pulso, coloquei meus ouvidos em seu peito ainda quente e notei um silêncio calmo.

– Mãe, ela se foi! – eu disse essas palavras com o coração apertado de dor e saudade. – Deus ouviu as preces dela.

Pedi para que minha mãe subisse, chamasse meu pai que dormia pesadamente. Queria levá-la rapidamente para o hospital, “quem sabe eles revertam isso”, eu pensei de forma egoísta. Arrumei o pijama perfumado dela. Cobri seu corpo para não esfriar. Meu pai desceu já pronto. Me troquei. Peguei minha avó no colo pela última vez. Coloquei seu corpo quentinho no banco de trás e deitei a cabeça dela em meu colo.

-Pai, sabe, ela foi uma guerreira. Que vida, que história. Que mulher. – disse isso a meu pai enquanto ele dirigia, me olhava pelo retrovisor e minha mãe, ainda aflita, soluçava ao lado dele.

Lá no pronto socorro, os médicos vieram rápido com uma maca fria. Rapidamente a colocaram ali e levaram para dentro. Depois de cinco minutos voltaram e disseram: – Sim, ela se foi.

Só me lembro de ouvir minha mãe chorar baixinho.

Por isso, respeito as mulheres. Por essas histórias. Respeito as mulheres pela sua força, coragem, por tudo isso, pois elas dão a vida delas por nós, assim como nós damos as nossas a elas. Mas elas é que, verdadeiramente, nos deram a chance de estarmos aqui, nos deram a oportunidade também de vivermos as nossas histórias da vida real!