Onde nasce a violência?

aula queimada1Eu sou professor. Mesmo ainda sem minha licença oficial do governo, me considero um professor. Sou um professor que ensina Matemática. Foi uma escolha. Foi um chamado. Eu ouvi minha voz interior clamando para que eu, de alguma forma, desse uma contribuição para este mundo. Não foi uma vocação de infância, mas sim um despertar tardio da consciência que me levou a esta condição.

Percebi que o mundo à nossa volta está desintegrando. Por isso, foi necessário agir. Entendi que nascemos para dar ao mundo o que ele precisa e não o contrário. Com isso em mente, me voluntariei para dar aulas a um pequeno grupo de estudantes que se destacaram em Matemática em um pequena escola pública de São Paulo.

Não vou contar uma história de superação. De estudantes que saíram do nada e venceram seus problemas e dificuldades. Vou fazer um relato da realidade. Sei que a maioria das pessoas quer histórias com finais felizes. Mas não é este o caso.

A realidade é que a sala de aula que costumo ministrar essas aulas foi parcialmente incendiada pelos estudantes. Não estou falando de uma escola dos rincões do Brasil, perdida no meio do nada ou perdida nas densas periferias afastadas das grandes cidades. Não, falo de uma escola que está a cerca de 10 km do centro da maior cidade da América do Sul.

Nesta época de eleições, muitas promessas de políticos oportunistas pipocam aqui e ali. Chega de promessas. Precisamos de ação. Não adianta termos o melhor presidente executivo do mundo nos governando, se o povo continuar comprando apenas as suas promessas vazias. Não temos mais tempo para isso. Nós temos que fazer a nossa parte.

Percebi logo de cara nesta minha nova função, que se os pais não educarem seus filhos em casa, acreditando que a escola pode fazer isso no seu lugar, nada vai mudar. As escolas brasileiras estão contaminadas com o pensamento revolucionário, nossa sociedade também, assim negligenciamos o ensino. Por isso, não me surpreendi quando vi a sala parcialmente queimada. Os pais brasileiros são negligentes, também. Não ensinam os valores mínimos na educação de seus filhos. Eles já chegam mal educados e despreparados na escola. Percebi que mesmo o professor mais bem preparado, nada conseguirá realizar diante desta realidade. Como ensinar um estudante que nada aprende em casa. Que tem pais desinteressados em seus estudos. Que não estão nem aí para o futuro de seus filhos.

Aqui no Brasil, temos aquela visão que a escola é a que educa as crianças. Digo aqui sem rodeios: A escola não educa coisa alguma, não educa ninguém! Quem educa são os pais. Quem educa é pai e mãe por meio de exemplos. Por meio da disciplina, da ordem e da ética. Assim se educa um filho. Na escola ele recebe os saberes da Matemática, Língua Portuguesa, Física, Química, etc. A escola também não ensina quem não quer ser ensinado. A educação, vem de casa. Se as crianças não são educadas em casa, elas não se comportam. Agem feito animais. Como muitos estudantes brasileiros agem nas escolas. Feito animais. Não respeitam limites, depredam o patrimônio público. Destroem e tocam fogo na escola. Esse tipo de indivíduo é uma presa fácil para os doutrinadores do pensamento revolucionário.

As escolas no Brasil são feias, pichadas. E por que? Porque são os próprios estudantes que destroem as escolas pelo país a fora. Porque os próprios bandidos que as invadem para roubar também as destroem. Porque as crianças não aprendem os valores de nossa civilização em casa. A violência começa aí. Os pais precisam começar a educar de verdade seus filhos. Aí sim a escola poderá fazer um bom trabalho. Então, um poder executivo com um ministério da educação de verdade poderá estabelecer metas factíveis para as entidades de ensino. Poderá propor uma metodologia de trabalho. Metodologia essa baseada na Tradição, Disciplina, Ciências e Tecnologia. Baseada em valores e princípios que integram os pilares que sustentam a civilização ocidental. Valores como os direitos naturais à Liberdade (com normas justas), Propriedade Privada e Vida, para a formação de homens justos e livres. Uma metodologia que se baseie no desenvolvimento intelectual e cultural dos estudantes.

Essa é a metodologia da Educação Clássica Integrada-ECI. Este é um projeto da educadora Selma Palenzuela que estou apoiando. Eu entendo que este projeto poderá ser uma bússola e que poderá levar a Educação e o Ensino nas escolas a um outro patamar de qualidade. Esse projeto promove uma parceria entre a família, a escola (professores, coordenadores e diretores), e o Estado ou entidades descentralizadas (Igrejas, clubes, associações) que ofereçam ensino. Sabemos que sem isso, a coisa não funciona.

Os pais definitivamente não estão sabendo educar seus filhos. Eu, como aspirante a professor, me deparei com essa realidade indo apenas uma vez por semana para a sala de aula. Me deparei com estudantes que pelo visto jamais recebem valores e princípios dentro de casa. Não sabem o que é o respeito. O que é a educação, consideração ou o que é se colocar no lugar do outro. E esses são princípios básicos para se iniciar uma educação de qualidade.

Estamos em uma encruzilhada. Ou, continuamos a viver em um país moralmente  e educacionalmente destruído, com valores completamente errados, valores baseados no pensamento revolucionário. Continuamos a viver em um país onde a elite politica, os movimentos sociais e sindicais, a mídia e seus jornalistas vivem em uma bolha. Que não vivem na vida real e pensam que a bandidagem será combatida com flores. Ou, busquemos mudar essa realidade através de um poder público interessado em eliminar esse pensamento revolucionário da vida de nossas crianças e jovens através da Educação Clássica Integrada.

O Brasil poderá melhorar se escolhermos o que é certo para o momento em que vivemos. Só através de nossas ações concretas é que iremos começar a sair do buraco em que nos encontramos.

De todos os candidatos que estão aí, quais deles defendem uma educação mais tradicional, baseada em respeito e ordem? Quais deles defendem uma educação mais austera?

Todos nós sabemos que, diante deste cenário educacional caótico, é preciso uma certa austeridade. A vida não é só uma eterna diversão hedonista como prega o pensamento revolucionário, a vida é seriedade e tem que ser levada a sério. Desde a mais tenra infância os seres humanos têm que entender que a vida deve ser levada a sério.

As ações para mudar esse cenário devem ser tomadas desde já. Ou corremos o risco de perdermos as próximas gerações para esse maldito pensamento revolucionário que tomou conta da educação e da nação brasileira.

* César Manieri (55),  é engenheiro, músico, empresário, professor e especialista em educação matemática, diretor da escola Integro. Escreve em seu blog “Na metade do Caminho” e “Educação Clássica” . É autor de textos e pensamentos sobre conservadorismo, religião, política, educação e auto conhecimento.

 

 

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